Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

21 julho 2015

Jornais se beneficiam da ausência de censura

Mais uma manchete para a história do jornalismo, no Diário do Centro do Mundo: "Jornais e revistas se beneficiam da ausência de regras que punam erros". Surpresa, surpresa, pensei que bom para os jornais era CADEIA para os jornalistas que fazem reportagens que o Grande Irmão acha incorretas.

É sempre instrutivo ler os defensores da regulação da imprensa admitirem que seu objetivo é o controle do conteúdo das reportagens. Não faço esse comentário lá no próprio Diário porque fui censurado.

O fato é o seguinte: se a imprensa fosse controlada pela massa de manobra social do Partido, como querem os defensores do controle, o Cunha não estaria sendo investigado e continuaria como grande defensor do governo petista, sem xiliques.

05 julho 2015

Exemplar de blog pró-censura

Alguma discussão nas redes me indicou uma matéria cujo teto era "como é que alguém pode falar uma coisa dessas e não ir para a cadeia?" Coloquei uma resposta dizendo que poder falar o que quer, mesmo desagradando outros, e ter que ouvir o que desagrada, é intrínseco à democracia. Meu comentário foi removido, então repostei. Isso aconteceu repetidas vezes. Então vou aproveitar que o sistema Disqus guarda arquivos e postar aqui.

Não acho necessário ler os detalhes. Os labels vermelhos "removed" são suficientes para mostrar porque me preocupo com esses blogs que recebem apoio do governo fora de proporção com todos os outros meios de comunicação. Não é o desperdício do $ do contribuinte, mas o fato aqui documentado que eles têm uma agenda muito clara de supressão da liberdade de expressão. Da mesma forma como eles eliminam as opiniões contrárias às posições deles no próprio blog, eles eliminariam todas as opiniões contrárias através da ação policial se tomassem o poder. É isso que defendem, e confirmam pelas ações.

São uma ameaça grave à democracia, que você sustenta com seus tributos.


21 junho 2015

busca google: andres guzman senador boliviano

A busca só retorna notícias sobre a morte de Olacyr de Moraes, e sobre o assassinato do ex-senador boliviano Andrés Fermin Heredia Guzmán, em abril de 2014, pelo motorista do rei da soja, que se disse revoltado contra o senador que estaria extorquindo o patrão.

Quem foi o ex-senador boliviano? O que fazia no Brasil? Foi apurado o verdadeiro motivo do assassinato? O assassino confesso foi julgado?

Fiquei curioso, mas não descobri. Os jornais aparentemente só se interessaram pelo senador durante alguns curtos dias após sua morte. Bem diferente do nunca esclarecido crime do restaurante chinês.

15 junho 2015

Grécia e euro

Se a Grécia sair da euro e der errado, para a Europa é um desastre. Se sair e der certo, mostra que dá para sair do euro, e para a Europa é um desastre.

Mesmo assim, os europeus estão dizendo que a Grécia não tem nada a ganhar ficando no euro - pode fazer o que conseguir, a Europa vai exigir mais. Se não tem nada a ganhar, ficando, então não tem nada a perder saindo.

Talvez eu esteja errado, mas continuo achando que a posição dos europeus é de uma burrice federal.

Candidatos do PSDB à prefeitura de S Paulo

2012 José Serra
2008 Geraldo Alckmin
2004 José Serra
2000 Geraldo Alckmin
1996 José Serra
1992 Fábio Feldmann
1988 José Serra

13 junho 2015

Optativas livres em língua estrangeira

Nos informa a reitoria da USP: "A partir do segundo semestre deste ano, as Unidades de Ensino e Pesquisa da USP poderão oferecer disciplinas optativas livres em língua estrangeira em seus cursos de Graduação".

Um minúsculo passo para a USP, um enorme esforço para a burocra. Seja como for, a optativa livre PTC 666 - Controle Avançado, que começa agora em agosto de 2015, vai ser bilíngue, se os alunos tiverem interesse.

Os trabalhos podem ser entregues nas línguas oficiais da OEA: português, inglês, francês, e castelhano. Outras línguas sob consulta, por favor.

10 junho 2015

Listas de melhores universidades

Saiu mais uma lista de melhores universidades. Porque é matéria de jornal? Algumas dessas listas não têm metodologia nenhuma. Vocês já responderam os questionários deles? Eu já, então eles me mandam emails quando as listas ficam prontas. Perguntam para um montão de pesquisadores escolhidos a esmo quais são as melhores universidades, e fazem uma competição de popularidade.

O resultado não é totalmente aleatório - as universidades maiores têm mais votos, e também universidades das quais as pessoas gostam de falar bem. Faço uma aposta que as universidades dos países escandinavos têm um handicap nesses concursos de popularidade. E que saem na frente universidades em países ou regiões com população universitária grande, nacionalista no sentido de complexo de vira-lata, e com muito pesquisador sem mais coisa para fazer além de auto-elogios.

Os resultados não estão necessariamente errados - mas o caminho é indireto. A USP sai na frente na América Latina, por suas conhecidas qualidades, mais pelas conhecidas do que pelas qualidades. Na Ásia, as universidades japonesas saem atrás. As universidades israelenses mal aparecem nos rankings asiáticos, apesar de serem as únicas sérias do Oriente Médio, porque a população do país é pequena. Em resumo, não existe motivo para prestar muita atenção na maioria desses rankings.

29 maio 2015

Pena dos políticos palestinos #FIFA

Estou com pena dos políticos palestinos. Finalmente tinham encontrado uma forma de resistência pacífica, sem violência, bem fundamentada, sem a mácula do ódio anti-judaico. Suspender Israel da FIFA era uma iniciativa que tinha boas chances de ser bem sucedida, tinha um alvo e uma justificativa contra ações israelenses que atrapalham a vida dos palestinos, e mais importante, não constituía uma ameaça existencial que poria os israelenses na defensiva, mas sim seria uma derrota humilhante que faria eles reconsiderarem suas posições.

Daí estourou o escândalo da FIFA, bem na hora que a coisa estava andando. Agora, ser expulso da FIFA seria uma honra. Vergonha é continuar na FIFA com o Qatar e a Rússia. Finalmente uma estratégia boa, e deu errado do mesmo jeito. É muito azar.

26 maio 2015

Aumento de salários na USP

Ano passado a reitoria disse que ia dar zero bola de aumento e não ia negociar nada. No final teve que dar tudo que os grevistas pediram e ainda saiu humilhada. Os grevistas nem se deram ao trabalho de fingir que compensavam as horas paradas. Em muitos casos a diferença entre trabalho e greve é pouca, nem deu para perceber se estavam repondo ou não. O importante é que receberam pelos meses da greve, porque afinal quem não recebe quando não trabalha é proletário explorado, funcionário público tem que ser tratado com mais respeito. É uma questão de justiça social.

Conforme todo mundo previa, o resultado é que esse ano a reitoria já começou oferencendo reajuste integral das perdas com a inflação em alta, e os grevistas já iniciaram a campanha pedindo uns trocentos por cento de aumento e ameaçando greve. Desde a Constituição de 1988 já se sabe que não vai ter greve esse ano porque não é eleitoral, e se não prejudica o governador partidariamente, a greve não beneficia ninguém. Quer dizer, é sempre mais uma oportunidade para não trabalhar, mas a diferença é pequena, não vale o esforço de contratar caminhão de som. Fundamental é que o funcionário da USP não pode se sujeitar ao teto salarial igual ao salário do governador. É outra questão de justiça social, salário de 30, 40, 60 mil-réis por mês. Cortar isso é violar as conquistas dos trabalhadores mais humildes.

Antes que se esqueça, as demissões voluntárias deram com burros n'água. Foi um custo inicial grande com indenizações, que queimou metade do resto das reservas financeiras da universidade mas não diminuiu as despesas correntes, como a metade da torcida do Corinthians que lê esse blog já sabia. O mais provável é que saíram uns poucos que conseguem ganhar mais em empresas privadas, aqueles que estavam tocando o serviço, e outros que anteciparam a aposentadoria, resultando num custo maior para o Estado mas fora do orçamento da USP. Quem souber os detalhes não me conte.

17 maio 2015

Por viver em país que ainda não se construiu como nação, penso que.....

Li num artigo sobre economia na Folha a frase acima.

1a reação foi revolta. Como assim, não se construiu como nação? Milhões de compatriotas debatendo com vigor nas urnas, nas ruas, nas redes sociais, cada um defendendo suas opiniões sobre o futuro do país, e não somos nação? Encontre um brasileiro de qualquer parte do país ou qualquer situação social em qualquer parte do mundo, a conversa imediatamente se volta para elogiar ou criticar ou relembrar a pátria amada, porque tanta conversa só pode ser por amor, se isso não é nação, o quê é?

2a reação foi analítica. O que significa "não ter se construído como nação"? O conceito não está definido no artigo. Qualquer que fosse a definição, não vejo como pode ser usada para tomar posições sobre assuntos concretos, como o nível desejável da taxa de juros, ou sobre quais os destinos mais apropriados para o dinheiro arrecadado do contribuinte. Academicamente era para rejeitar a submissão como fracamente fundamentada.

3a reação é medo. O Brasil só não é uma nação se o conceito exige alguma uniformidade racial, cultural, religiosa, ou ideológica, que nunca tivemos nem nunca vamos ter, com a graça de Deus, e que só poderia ser atingida, talvez or 12 ou por 68 anos, com extremos de violência que nos são tão estranhos como repugnantes.

Está bom, saiu na Folha, não é para levar a sério. A autora não é do mal. Mas deve refletir algum pensamento que não considera o Brasil como nação enquanto não seguirem todos integralmente alguma cartilha.

04 maio 2015

Petistas, o general Médici, e Millôr Fernandes

Quando vejo a esquerda brasileira recrudescendo sua campanha contra a imprensa e as eleições diretas, me lembro do que escreveu o Millôr no longínquo ano de 1964:

"Quem avisa, amigo é: se o governo continuar deixando que certos jornalistas falem em eleições; se o governo continuar deixando que determinados jornais façam restrições à sua política financeira; se o governo continuar deixando que alguns políticos teimem em manter suas candidaturas; se o governo continuar deixando que algumas pessoas pensem por sua própria cabeça; e, sobretudo, se o governo continuar deixando que circule esta revista, com toda sua irreverência e crítica, dentro em breve estaremos caindo numa democracia."

Não li quando saiu, por analfabetismo, mas um pouco depois, já na época da censura brava, não esqueci. Outros não leram, ou esqueceram, ou não entenderam.

26 abril 2015

Some posts about the Brookline override

Some posts and notes I wrote about the Brookline override.

There are several erros in the con argument. The major ones that I identified easily are:

 1 - Voting against the whole request just to lower the amount by some 20% does not make sense. It will delay the process unnecessarily, for an unknown amount of time, in exchange for a small and uncertain savings.
2 - Property taxes are progressive. The wealthier own and pay more, and less well-to-do folks live in smaller properties and will have much smaller raises. It is the less affluent who most benefit from quality public education and from reliable public services that make an increase in taxes necessary.
 3 - The article claims that the town can tap more than $2 million in "identified" cost savings and revenue increases but does not identify them, most likely because such savings do not exist. The town's expenses are mostly salaries and there is no way to save without losing personnel. Towns are not retailers, they make money from taxes, not from unspecified "other revenues".
 4 - The benefits of the expenditures are clear to all who experience the quality of Brookline Public Schools as well as the other services that Brookline provides. To claim otherwise without a solid reasoning is almost offensive to Brookline's teachers, as well as other public workers, police and firefighters.

 I sincerely do not think that the argument of the no campaign is logically sustainable.

Let me answer why.
 1 - Our taxes are not high. The residential tax rate in Brookline is ⅔ of the Massachusetts median.
 2 - We should vote for the override because the town needs more money to continue operating school well. This is a benefit to all residents and homeowners, both in terms of quality of life and of maintaining property values.
 3 - Lastly, we should all support public education because it is a public good. The current students are the next generation that will make this country prosper. Spending on our schools is an investment in the future, it is a basic question of patriotism. Have a good vote!

Also, comparing only single-family homes is irrelevant. When people decide to buy a home on Brookline they are trading off more space for the benefit of a more urban location. The choice might come to a 2-family home in Brookline against a 1-family home in a neighboring town. Leaving aside condos makes the data biased.

The proposal for a 9th school was a manner of dealing with increased enrollment. As I understand no suitable place was found. Even if it had been, the town would still need to vote YES on an override to pay for more staff and vote YES on a debt increase to pay for construction.

 I have to say I strongly object to the negative tone which is often used when referring to renters. People rent for many reasons, and renters are not less part of a community just because they decided not to take on a large debt. Renters pay full taxes, in fact rental property does not have a residential exemption, so it is actually taxed at a higher rate. My family rented for many years in Brookline until we decided that we could afford to buy.

Honestly, I found that the proposal for the override was explained to my satisfaction. If we don't pass YES on both questions, the schools will have to operate at a lower budget. Every penny in the budget is accounted for, so there would have to be cuts that will make the school not function as well. The quality of education will suffer. If some people are willing to make our students suffer in order to make a point about their opinion against school administration, then I suppose they should indeed vote against the override. I am voting YES.

 The residential tax rate in Brookline is 10/1000. The Massachusetts median is 15/1000. The statement that tax rates are high here is false, and the rest of the argument is equally nonsense. Let's stop feeding the trolls. The schools need more money to operate properly, and this is it.

One may suspect that many of the override opponents don't have much of an issue with the tax amount - many of them seem quite able to afford our fairly low taxes anyway. Rather, they declare themselves willing to lower the quality of our schools in order to make one point or another. That would be just speculation, except that in the case of the two aforementioned gentleman they have declared what their point is: keep those people out of our schools, even if we have to make the schools worse in order to achieve that. The opponents have spoken; the matter is settled.


http://www.city-data.com/city/Brookline-Massachusetts.html
 Estimated median house or condo value in 2012: $630,368 (it was $395,300 in 2000)
Brookline: $630,368
MA: $323,800
 Residential exemption: $191,357
 Tax rate: 1.1%
 Median tax: about $5500

25 abril 2015

Tem que andar de bicicleta

Isso me lembra, de todas as coisas, o ministro das Minas e Energia do tempo do Geisel, Shigueaki Ueki. Houve a crise do petróleo. O Brasil tinha dificuldade de pagar os aumentos impostos pelos países do Golfo Pérsico, porque as contas nacionais estavam uma bagunça depois de anos de ditadura.

O governo bolou uns esquemas meio bestas para fechar as contas, incluindo desde confiscos e racionamentos, até rifar voto nas Nações Unidas. Seja lá como for, em algum momento, perguntaram ao ministro o que aconteceria se a falta de petróleo chegasse ao Brasil. Ele respondeu que se não conseguíssemos importar petróleo todo mundo ia ter que andar de bicicleta como faziam os europeus.

Os "bem pensantes" fizeram uma crítica esportiva, na verdade escarnecedora definiria melhor. Em geral em tom racista, por o ministro ser nissei. Eu era moleque mas senti uma dissonância cognitiva. Os adultos não gostavam da ditadura e falavam mal do ministro por ser japonês? Criticavam as ditaduras árabes mas não aceitavam qq esforço para usar menos gasolina? Escarneciam mas não conseguiam imaginar solução? Não queriam racionamento nem aumento de preço?

O mais inesquecível eram os comentaristas dizendo "tem que andar de bichicreta" como se imitar um pretenso sotaque estrangeiro - que o culto ministro não tinha - desqualificasse sua opinião.

Para mim foi formativo. Ficou na cabeça como exemplo da estupidez humana. Muito mais tarde encontrei o ministro numa festa de criança. Passou a impressão de um cidadão educado, culto, patriota. Talvez tenha errado bastante. Quem não? Um episódio instrutivo.

Piada de português

Era uma vez um time de futebol alemão. O técnico era o Joaquim e o goleiro era o Manuel. Quem achar que estou fazendo piada de português perde de 7 a 1.

22 abril 2015

Terceirização

Honestamente, não vejo muito problema. Na minha opinião é indispensável que exista um sistema de segurança para quem fica sem emprego, ou tem outro problema - doença, azares da vida - que impede de ganhar a vida decentemente. Flexibilidade nas relações de trabalho é positiva. E regras rígidas não resolvem os problemas causados pela falta de segurança social.

Mas existe uma questão incômoda. No Brasil as regras rígidas defendem os interesses de uma camada da população, os que conseguiram uma situação relativamente confortável, tais como funcionários públicos e de setores com sindicatos fortes. A maior parte da população não tem benefícios concretos com essas regras. Um exemplo claro, embora talvez extremo, é a USP. Os funcionários têm proteção total, mas os terceirizados ganham uma miséria, apesar de todas as CLTs e tribunais. Nossa sociedade é muito desigual. Os protegidos pelas regras rígidas não se contentam com as garantias sociais que podem ser oferecidas "ao povão", muito mais carente. Então exigem essas garantias especiais, dirigidas aos remediados, que não beneficiam as massas.

Não vou dizer que estão totalmente errados. Consigo imaginar um engenheiro dinamarquês que perde o emprego e diz: "vou pegar o seguro-desemprego do povão, depois se não conseguir me colocar como engenheiro trabalho em obra mesmo que dá para tocar a vida". Por isso na Dinamarca o mercado de trabalho pode ser muito flexível. No Brasil, a situação é diferente, e as pressões são diferentes. Mas as regras tornam o trabalho todo menos produtivo. É mais uma maneira pela qual as desigualdades sociais atrapalham o bom funcionamento da economia: criando pressões para regulamentação contra-producente, e que reforça as desigualdades.

E há um problema com a discussão usando estatísticas sobre salários de terceirizados serem menores: pode muito bem ser que as empresas que subcontratam aumentam muito sua produtividade, por focarem na atividades em que têm vantagens competitivas, e com isso pagam mais aos funcionários contratados, que são parte dessa vantagem. Os subcontratados continuam sendo pagos pelos valores de mercado, ou pelo trabalho socialmente necessário para fazer aquele serviço, e não se beneficiam diretamente da melhoria do processo produtivo. Por outro lado, os terceirizados da USP, que não têm proteção sindical, ganham muito menos do que os funcionários contratados que tem produtividade muito menor. Não sei dizer se esse fato milita contra ou a favor da terceirização, mas tenho certeza que apresentando como argumento as posições dos contra e a favor da terceirização se invertem.

03 abril 2015

I can't even reject this paper

Dear Editor-in-Chief, Submission #xyz, entitled "***" concerns high-gain control. To accept a paper on high-gain control I would have to deny the Holy Trinity, in the name of Bode, Nyquist, and the Root Locus. That would violate my calling to teach Classical Control to whomever will listen to the Number. Therefore I am not able to read this submission in an impartial manner and respectfully request to be excused from associate editing it, for reasons of innermost conviction. I am grateful for your attention to this request, Felipe

01 abril 2015

Algumas escolas continuam homenageando ditadores

O governador do Maranhão mudou os nomes das escolas que homenageavam presidentes da ditadura, Castelo Branco, Costa e Silva, e Medici, porque foram ditadores que violaram a constituição.

As escolas com nomes de outros ditadores que violaram a constituição, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, e Getulio Vargas, mantiveram seus nomes. Os golpes militares de 1889 e 1930 foram tão nefastos como o de 1964. Podemos discutir detalhes, mas a crítica apenas ao golpe mais recente é a-histórica, pouco construtiva, e no final das contas antidemocrática.

31 março 2015

Duas narrativas econômicas

O Brasil está em recessão. Há 2 narrativas.

1 - O Banco Central aumentou os juros e a União arrochou os gastos para evitar superaquecimento e cortar a inflação. Assim que passar o aperto a economia volta a crescer com inflação mais baixa. Estamos no que Paul Krugman chama de recessão moderna. A diferença em relação aos Estados Unidos é que no Brasil o Banco Central é mais politizado e menos independente, age mais afinado com o executivo. Vai ser uma recessão curta. Um pouco atrasada pelo calendário eleitoral mas essencialmente de acordo com a cartilha. A política de investimentos estatais dos últimos anos vai se revelar acertada e os opositores vão ter que comer seus chapéus quando os investimentos começarem a dar lucros para a sociedade.

2 - Estamos no final de uma bolha de investimentos mal dirigidos liderados pela União, especialmente através dos bancos estatais. Trata-se de um tipo de recessão pós moderna, prolongada, uma sinuca difícil de resolver usando os instrumentos tradicionais da política econômica. Diferentemente da recessão americana de 2008, causada por excessos privados, no Brasil os maiores excessos foram da União. Só o BNDES emprestou 1 trilhão de réis nos últimos anos! Nesse caso são os defensores da política econômica do último governo que vão admitir que estavam errados, rever suas posições, reler os clássicos, e reconhecer que Keynes não disse o que eles disseram que Keynes tinha dito.

Essa narrativa comporta 2 desfechos.

2a - Como a maioria das dívidas podres está concentrada nos bancos e empresas estatais, o Tesouro assume o prejuízo, recapitaliza essas instituições, e a economia volta a crescer, embora com a dívida publica dobrada. Todo o mundo já tinha precificado que dívida líquida é igual à dívida bruta, que os créditos da União com os bancos estatais não tem valor, então as contas voltam ao normal após o choque.

2b - A recessão se prolonga, porque o governo não consegue apoio político para recapitalizar os bancos estatais; ou porque não compreende a situação e busca receber os empréstimos de volta para evitar a inadimplência; ou porque a bolha se espalhou por bancos e empresas privadas cuja recapitalização pelo Tesouro é muito mais complexa financeiramente e politicamente.

Segundo as narrativas 1, 2a, ou 2b, a recessão pode demorar 1 ano, 3 anos, ou 5 anos. Ou outro número. Eu não sei. A única certeza é que o trecho a respeito dos economistas heterodoxos reverem suas posições não vai se verificar. A economia enquanto ciência progride funeral por funeral.

16 março 2015

Sucessão presidencial

Dilma renuncia. Vice Temer, julgando-se sem apoio para exercer mandato pleno, e entendendo que o atual presidente da Câmara dos Deputados não tem sustentação suficiente para conduzir o país, negocia uma nova eleição para presidente da Câmara, e depois renuncia.

Não vai acontecer. Mas se acontecer, você leu aqui primeiro: na hora vai dar Maluf. De corrupção ele entende.

09 fevereiro 2015

Caiu o prestígio dos políticos!

Circula por aí que a avaliação da presidente, do governador, e do prefeito pioraram. Nenhuma surpresa: a situação está piorando. O eleitor vai dizer o que: "a culpa é toda minha"?

A diferença é que a Dilma leva a culpa pelos erros; o Alckmin, pelo que não faz; e o Haddad é criticado pelos acertos.

05 fevereiro 2015

Falta d'água

Não sou conhecedor da questão da água. O objetivo desse post é corrigir umas bobagens que gente que sabe tanto quanto eu mas não tem o hábito de pensar anda repetindo como se fosse perito.

1 - O "agronegócio" usa mais da metade da água consumida por S Paulo. O número é falso. Não dá nem para dizer que é incorreto porque é meramente inventado. 

Não sei de onde vem o número de 70% que é citado por aí. Talvez a agricultura irrigada consuma uma fração grande da água retirada de seu curso natural em lugares como as planícies dos Estados Unidos, o Iraque mesopotâmico, ou os terraços de arroz da Cochinchina. No Brasil a agricultura usa muito a água da chuva, então o número é bem menor. Na cidade de S Paulo, onde realmente a falta de água mais preocupa, não existe muita agricultura, e menos ainda "agronegócio". 

O uso da palavra "agronegócio" nessas peças sobre a questão da água é bem revelador da má fé. Imagino que a intenção é utilizar a preocupação com a água para insuflar as pessoas contra os "negócios". Em geral esse número falsificado é usado em artigos de políticos da extrema esquerda e blogs chapa-branca "independentes". Ação sugerida: anotar quem escreveu, e depois usar a mentira como padrão de confiabilidade.

2 - O que vamos fazer quando acabar a água? Isso denota uma curiosa visão patrimonialista do abastecimento: "a água vem da Coroa, que mandou armazenar na represa. Quando acabar, não tem mais."

Falso. A água vem da chuva. Todo dia entra água no sistema, e sai água para distribuição e consumo. Sem reservatórios, a distribuição é menor que as retiradas de rios e aquíferos. Uns dias tem mais água entrando, outros menos. Não quer dizer que sem água acumulada não tem mais nada.

Ação sugerida: gastar menos água.

3 - Êxodo urbano. Todo mundo vai ter que sair de S Paulo para gastar menos água.

Tecnicamente pensando, o objetivo é economizar água até que a retirada fique igual à entrada, já que as reservas estão mínimas.

O jeito mais barato é diminuindo a pressão, o desperdício no sistema, essas coisas que a Sabesp fez meio atrasada.

O seguinte é diminuir os gastos inúteis, tipo lavar carro, imagino que agora estão diminuindo.

Um pouco mais dispendioso é diminuir os gastos de utilidade média, tipo indústria de alimentos, que ainda existe em S Paulo, gasta bastante água, e emprega uma fração pequena dos trabalhadores.

Depois ainda tem muitas economias com um custo significativo, mas não excessivo. O motivo para não adotar cada uma dessas alternativas é que a água continua barata e abundante na torneira, e a maioria das pessoas não quer gastar menos e deixar para o vizinho.

No final da linha está sair da cidade, que tem um custo de 100% do orçamento familiar, mais ou menos - mais para quem tem que arrumar outra residência, menos para quem tem emprego e moradia no outro lugar. De qq forma o custo social de diminuir o gasto em x% tirando x% das pessoas da cidade é incomensuravelmente maior que todas as outras alternativas.

Resumo executivo: há muita margem para diminuir o gasto de água até ficar igual às entradas no sistema. O mais racional envolve aumentar os preços. Individualmente cada um pode diminuir muito seu gasto, mas considerando que o preço da água continua uma fração minúscula das despesas totais, e que cada um acha que fica mais fácil para o vizinho economizar, não fazem. Em vez de gastar menos, abandonar escola, emprego, e moradia?

Êxodo urbano é uma alternativa tão irracional que minha cabeça de engenheiro não consegue se pronunciar. Ação sugerida: nenhuma.

4 - Porque está faltando chuva? Disso entendo menos ainda. Mas vou palpitar.

Com certeza existem fatores locais, regionais, e globais. Localmente, o ambiente em S Paulo mudou. A mancha urbana cresceu e se asfaltou. As temperaturas são um pouco maiores em média, oscilam mais, e a água escorre mais rápido. No estado, mudou mais ainda: o 2o ciclo da cana de açúcar transformou o estado inteiro. Para a água, uma plantação de cana deve ser mais parecida com um estacionamento do que com uma floresta.

Mais longe, o desmatamento no centro do país, mais ainda do que na Amazônia, afeta o regime de chuvas. E o aquecimento global com certeza também traz consequências desagradáveis variadas, não simplesmente alguns graus a mais no termômetro.

Ação sugerida: prestar mais atenção ao desmatamento regional como causa da falta de água do que nas outras explicações. 

02 fevereiro 2015

Crise moral: ninguém mais quer trabalhar

Para José Renato Nalini, desembargador, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o País vive “uma crise global, declínio dos valores”. Pois é, ninguém mais quer trabalhar. De fato:

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vai reduzir pela metade o número de sessões. Em vez de trabalhar uma vez por semana, as sessões serão agora a cada 15 dias. A desculpa, segundo o presidente José Renato Nalini, é diminuir o consumo de água e energia na sede do Judiciário.

01 fevereiro 2015

Pode dar mais um doutorado para o professor da Sorbonne

Comentário sobre o artigo do professor Fernando Henrique no Estadão:

O professor está certo que toda a confusão da economia foi gerada pela tentativa de planejamento econômico dos últimos governos. O executivo quis agir como gerente de uma enorme empresa, mas o Brasil não é uma empresa, é um sistema cheio de interdependências onde cada ação cria realimentações, e agora está tudo desequilibrado.

Certo também a corrupção, parte integral do planejamento central, bagunçou a política partidária. Os partidos vão se reorganizar, e a justiça vai ter que punir.

Senão, pode dar confusão - "reforma partidária" é o eufemismo que os atuais donos do poder usam para dizer "autogolpe branco".

Como não vai haver golpe militar como no passado, se a reorganização não vier de dentro do Congresso e do Judiciário, poderia ser através de artimanhas do Executivo para manter o poder - eleição indireta, senadores biônicos, controle central da imprensa, e outras mumunhas. Acho que não vai ocorrer, então 4 questões respondidas corretamente pelo professor da Sorbonne. Pode dar mais um doutorado honorário para ele.

Fora voto distrital, que continua desejável a longo prazo em qq circunstância, todas as outras reformas constitucionais são ou uma tentativa de golpe anticonstitucional, ou um salto no escuro com consequências imprevisíveis.

31 janeiro 2015

Why was Blackwell's medal so late?

David Blackwell was awarded the National Medal of Science posthumously, 4 years after his death in 2010 at the age of 91. At the occasion President Obama gave the award to Alexandre Chorin and Thomas Kailath as well, among other recipients in areas I am less familiar with.

All awardees produced great work that we all should be proud of, basking in reflected glory. But it's not the case that each one single handedly changed their fields, as did Claude Shannon or Rudy Kalman, to name two earlier winners whose work I am familiar with.

Why then did Blackwell's medal have to wait 4 years after he died, and not at an unexpectedly young age? Sadly, the only conceivable reason is that racism still affects America, even at the highest levels of science.

And if someone adds that, yes, Blackwell was African-American, but he was also a Bayesian, then I suppose the juxtaposition might be taken as comment on the intellectual basis of the anti-Bayesian or frequentist movement.

19 janeiro 2015

Diplomacia incompetente

A diplomacia brasileira tem dado um show de incompetência. Em 2013 brigou com Obama, cancelando visita de estado. Em 2014 brigou com Israel, retirando o embaixador. Depois dos atentados terroristas em Paris, deu uma ignorativa à França. Agora conseguiu brigar com a Indonésia.

Os defensores do governo e do Itamaraty vão dizer que em um caso o Brasil estava certo, no outro era o outro país que estava errado. Mesmo se fosse verdade, não mudaria nada. O fato é que arrumamos desavença com nossos 2 mais antigos e poderosos aliados; no Levante, onde o Brasil tem crédito por se dar bem com todas as partes; e com um país grande, democrático, e pacífico, um aliado natural. Próximo passo vai ser o que, arrumar confusão com a Índia, o Japão, e o Canadá?

O objetivo da diplomacia é conseguir que o outro lado faça o que você quer, sem conflito. Em cada caso, o Brasil armou uma confusão e não obteve nada. Nota zero. O desempenho mais incompetente do Itamaraty certamente desde o governo Geisel, talvez de toda a história.

13 janeiro 2015

Silêncio ensurdecedor e oportunidade perdida

A Dilma devia ter mandado Fernando Henrique e Lula representarem o Brasil em Paris. Os ex-presidentes são respeitados no mundo inteiro e não têm compromissos inadiáveis em casa. Com as aulas (em francês!) e os discursos que teriam feito por lá, ninguém ia nem dar pela falta do Obama. Para a política brasileira um show de unidade não faria mal. A gerente podia ter ficado em Brasília cuidando da lojinha. Seria bom uso do Aerolula. E uma demonstração de soft power, que o desinteresse em questões internacionais não permite compreender.

11 janeiro 2015

Brazilian left: freedom of press to blame for Paris murders

In Brazil, the left has been pretty unanimous in blaming the victims for the murders in Paris. Without exception that I noted - there must be some, but there are so many tax-sponsored leftist parties and blogs that it is impossible to check - they argue that excessive freedom of the press is to blame for the attacks on a newspaper and a kosher supermarket in Paris. Only the degree to which the victims are to blame varies.

The left has been calling for central control of Brazilian media for a while; they argue that the Paris murders strengthen their argument for censorship. Statements to the effect that uncontrolled Brazilian media is partial for or against some political party show up frequently in the arguments about the terrorist attacks.

My opinion: in countries without complete freedom of expressions such things do not happen. Without freedom of expression, what happens is much worse.

Terminology: I will take cue from the controls literature and use the term central control. Distributed control of the media is what we have now: if you don't like it,  don't read it and don't write it. Central control would be performed by some combination - proposals vary in detail - of government councils, the party, and the secret police. Other terms, such as social control, censorship, economic control, ownership control, or state regulation, don't seem to describe the proposals very well.

08 janeiro 2015

Liberdade de expressão

O tema da semana é a liberdade de expressão. Vou falar sobre aquele mundinho autocentrado, a USP.

Incomoda muito que a USP não tenha entre seus milhares de estatutos e regulamentos uma definição clara da importância da liberdade de expressão, o valor mais alto da academia para professores e estudantes. Como ponto de partida sugiro ler um discurso do Peter Salovey "Free Speech at Yale". Mesmo nos Estados Unidos, onde a liberdade de expressão tem um status constitucional mais absoluto do que em todos os outros países que conheço, existem ameaças e restrições em outras universidades. O preço da liberdade é a eterna vigilância, e na minha opinião Yale é o melhor modelo nesse ponto.

Porque será que o ponto fundamental não é nem mencionado nas resmas de regimentos da USP? Para a explicação é necessário ler o Faoro: originalmente o Brasil não tinha propriamente lei, mas apenas instruções para atuação dos funcionários públicos, começando com as ordenações de origem portuguesa. Isso muda lentamente com a modernização do país, marcadamente com a Constituição de 1988, mas mesmo essa depois de uma 1a parte genial acaba voltando para as minúcias de um manual para barnabés.

A USP apenas está atrás do Brasil: as litanias estatutamentárias (ou estamentutárias - essa é a perfeita tradução do original javanês) ainda acompanham em espírito as ordenações manuelinas. Indicam como cada funcionário deve proceder em cada situação pré-determinada, de forma a evitar a ocorrência de ideias imprevistas, que podem ser o objetivo da ciência mas são abominadas pela burocra.

Para terminar, anexo carta que escrevi ao então reitor da USP em 1997, criticando ação que ele moveu com o objetivo de silenciar o debate na universidade. Recebi como resposta um ignorial, e de fato também recebi uma missiva ignorativa da Adusp, na época vítima da ação. Pela reação desta última não ficou claro que a associação corporativa tinha grande apreço à liberdade de expressão como valor em si.

É isso. Não faço cartuns, não tenho blog sobre políticos-bandidos, não arrisco a pele. Só critico acadêmicos, talvez porque ache mais confortável e seguro.

01 janeiro 2015

Manchete fraudulenta na Folha

A Folha traz hoje uma manchete acusando o governador eleito da Bahia de usar um "poema falso" no discurso de posse. O que é um poema falso?

Fraudulenta é a manchete do pasqüim paulistano. Será necessário explicar? O fato de que "alguém na internet" atribui o poema falsamente a Clarice Lispector não torna o governador cúmplice da fraude, como o desavisado leitor da manchete pode ser induzido a pensar. O governador não repetiu o erro, nem citou a autoria, o que fica claro pela leitura do artigo. Que faça o discurso que quiser.

É um desses artigos difíceis de explicar pela incompetência ou pela má fé isoladamente. Pena, porque a má vontade com o político, evidente pela vontade de procurar pulga em pelo de ovo, dá munição àqueles que acham que o tabloide piratiniguense persegue os petistas e usam isso para defender a volta da censura do tempo da ditadura.

Porque estou escrevendo sobre esse episódio irrelevante aqui? Porque a Folha não corrige seus erros. Alguns dias atrás saiu a manchete "Medina é o primeiro campeão mundial sem ter o inglês como idioma oficial".  Escrevi para o tabloide apontando que nem Austrália, nem Estados Unidos, nem Inglaterra têm língua oficial, mas recebi resposta ignorativa, e a bobagem continua no jornal sem correção. Talvez outro erro sem importância, na visão de alguns; nos Estados Unidos, o movimento para tornar o inglês língua oficial é coisa da extrema direita.

30 dezembro 2014

Walt and Mearsheimer

John Mearsheimer and Stephen Walt first came out of academic obscurity with their strong opposition to the Bush war in Iraq. Their to some extent sensible and in retrospect correct arguments failed to influence American decisions. The reasons, which their limited theoretical comprehension of politics has no means to fathom, have to do with the fact that political decisions are not made in an intellectual and rational vacuum. Faced with failure of their arguments, they responded in an old-fashioned way: blaming the Jews. Although they had not previously exhibited any signs of the disease, their anti-semitic screed gained them widespread credibility among the hard left, not so much in the US as abroad.

It has just now come to my attention that they have completed their move to full-fledged members of the fifth column by supporting Putin's invasion of the Ukraine, as well as a number of other tyrannies. One should not put it beneath a Harvard professor's dignity to have opinions shaped under the influence of lucrative grants from the neo-Tchekist regime. They would be joining, among others, the Le Pen supporters in France, most of which had in any case previously being associated with Moscow gold anyway. However I think it more likely that the transition through the extreme left into the extreme right came naturally and of their own accord, as a reaction to their own intellectual failures.

25 dezembro 2014

A verdade por trás do ministério da Dilma

A Dilma decidiu que queria um técnico para o ministério da Fazenda (o resto do ministério seria loteado para os partidos políticos). O Lula deu a sugestão de chamar um técnico alemão, de preferência aquele que ganhou de 7x1 do Brasil. A Agência de Inteligência informou que uma vez o cara foi filmado com dedo no nariz, mas nunca com dólar na cueca.

Só que ninguém fala alemão no governo, então falaram Joachim Löw mas ouviram Joaquim Levy. É técnico do mesmo jeito, ficou.

Essa história é verdade, não sei como ainda não saiu no jornal. Soube de uma fonte seguríssima. Não vou revelar porque é segredo jornalístico necessário ao exercício da profissão (Constituição de 1988, Art 5, XIV).

01 dezembro 2014

Fica a pergunta: alguém na Folha lê o que se escreve no jornal?

Há diversas falácias e non-sequiturs no artigo "USP, estupros e metrô" de Fernanda Mena publicado dia 1 dezembro nesta Folha.

O artigo começa falando de um problema seríssimo, violência sexual, mas em seguida muda de assunto dando a entender, sem qualquer argumentação, que o problema está relacionado com a escolha de reitor através da lista tríplice.

Em seguida o assunto muda abruptamente, para o transporte no campus. O tema é tratado na base do "ouvi dizer", sem qualquer indicação de que a versão sugerida pela coluna a respeito do metrô tenha sido investigada ou confirmada.

A coluna entremeia uma referência ao bairro de Higienópolis, sem relação com a universidade. Se for reconstruir ou deconstruir os non-sequitur a respeito de ônibus e segurança na USP que terminam a coluna, a correção ficaria mais longa do que o texto original.

Fica a pergunta: alguém na Folha lê o que se escreve no jornal?

Mandei a carta acima para a Folha em resposta ao artigo linkado abaixo. Não vou gastar mais tempo na resposta do que foi gasto para escrever a coluna. Um raciocínio estúpido assim compromete a credibilidade do jornal inteiro. Que comigo já era baixa, mas quem continuar lendo depois não venha dizer que eu não avisei.

“@pait: Texto incrivelmente ruim sobre USP na Folha. Opinionismo non-sequitur. Vale conferir a má qualidade do jornalismo. http://t.co/gurZVzbIqE”


29 novembro 2014

Para entender os ministérios

O gabinete do Brasil tem 39 ministros. Duvido que algum dos 39 saiba listar todos os ministérios, secretarias e órgãos que conferem o status de ministro, muito menos os nomes dos ministros. É gente demais para se reunir frequentemente, portanto deve haver um gabinete interno que toma as decisões. Talvez simplifique um pouco classificar os ministérios por ramo de atividade.

Quase metade, 19 ministérios, estão ligados à economia, sendo 11 dedicados a influir no funcionamento de setores específicos de atividades produtivas, e 8 à economia em geral (microeconomia e macroeconomia, poderíamos talvez dizer). Fazem política 14 ministérios: 7 deles trabalham com políticas sociais, para a população, e mais 7 fazem política da presidência junto aos demais políticos, incluindo relações com poderes e partidos, e combate e promoção da corrupção. Para terminar, 3 ministérios cuidam de agências e autarquias federais com verbas e responsabilidades bem definidas, e os 3 restantes são os que exercem atribuições essenciais da União.

Podemos imaginar que o gabinete interno teria 1 ministro da economia, 2 ministros para política popular e outro para política partidária, e mais os indispensáveis ministros da Defesa, Relações Exteriores, e o Advogado da União. Somando mais 2 confidentes de presidente, um total de 8, próximo ao número ideal de membros de um gabinete segundo CN Parkinson.

Lista completa, entendendo que a classificação é útil mas não livre de ambiguidades; seria razoável mudar alguns ministérios de um grupo para outro.
Setores de atividade: Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Ciência, Tecnologia e Inovação; Comunicações; Cultura; Esporte; Minas e Energia; Pesca e Aquicultura; Transportes; Turismo; Aviação Civil; Portos (11).
Economia: Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fazenda; Integração Nacional; Planejamento, Orçamento e Gestão; Trabalho e Emprego; Assuntos Estratégicos; Micro e Pequena Empresa; Banco Central (8).
Populares: Cidades; Desenvolvimento Agrário; Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Meio Ambiente; Direitos Humanos; Igualdade Racial; Políticas para as Mulheres (7).
Política: Justiça; Relações Institucionais; Secretaria-Geral; Casa Civil; Controladoria-Geral da União; Comunicação Social; Gabinete de Segurança Institucional (7).
Gestão de órgãos estatais: Educação; Saúde; Previdência Social (3).
Funções do Estado: Defesa; Relações Exteriores; Advocacia-Geral da União (3).

19 novembro 2014

Salários na USP

Quase mesquinho falar sobre salários na USP ao mesmo tempo em que são divulgados desvios quaquilionários nas empresas estatais. Mas é na USP que trabalho, então o que aprendi foi o seguinte.

1 - A universidade recompensa o trabalho burocrático acima do trabalho intelectual. O trabalho manual é o mais desvalorizado de todos.

2 - Não há correlação evidente entre a remuneração e a qualidade do trabalho executado.

3 - Alguns salários fora do padrão só podem ser explicados por artimanhas jurídicas e casuísmos administrativos.

4 - A atividade mais bem remunerada na USP é de longe a aposentadoria.

Os salários são achatados e se elevam só quando professores e funcionários se devotam à burocra. A dedicação ao ensino, à pesquisa, e talvez mesmo à administração universitária, só fazem subir o salário de acordo com o tempo de serviço. O estímulo pecuniário à prestação de serviços relevantes para o contribuinte é reduzido. Os salários maiores não são de figuras reconhecidas pela liderança intelectual na função que exercem. É incomum um ativo ganhar mais que ⅔ de um aposentado.

09 novembro 2014

Sistema de voto nos países do G20.

Juntei esses fatos motivado por alguém que escreveu que "o Brasil deveria adotar o voto indireto em lista fechada porque a Inglaterra e a França fazem isso".

Forma de voto para deputados ou representantes no parlamento ou câmera baixa nos 19 países membros do G20:

Direto, proporcional: Brasil.
Direto, distrital: Australia, Canada, França, India, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos.
Misto proporcional e distrital: Indonesia, Coreia do Sul, Mexico.
Indireto, por partidos: Italia, Africa do Sul.
Misto direto e indireto: Alemanha, Japão, Argentina.
Não são democracias: China, Russia, Arabia Saudita.

A Europa faz parte do G20; não há forma de voto homogêneo, as eleições seguem regras locais. Incluí como "misto" os países onde o sistema é difícil de classificar sem ambiguidade.

06 novembro 2014

Da Constituição que os neo-comunistas querem rasgar

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1o Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5o, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2o É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

05 novembro 2014

Quem ganhou as eleições no Brasil?

Não fui eu; aliás, meus candidatos perderam no Brasil e até para governador de Massachusetts. Melhor uma bela derrota do que uma vitória de Pirro como a do PT.

Aécio ganhou um montão de votos. Todos prestando atenção no discurso dele no Senado, uns para elogiar, outros para odiar. O eleitor em sua sabedoria o deixou numa situação mais confortável do que estaria na presidência, onde teria que consertar os estragos do atual governo. Aécio escapou de fazer o papel do Obama em 2008. Excelente profissional, tem tudo para liderar a política enquanto o castelo de areia do governo PT vai se dissolvendo.

No PT, ganhou o Haddad. Não se meteu a fundo na campanha suja do governo federal, nem está brigando contra tudo e contra todos como se tivesse perdido, que é o que o resto do PT, políticos e militantes, estão fazendo. A Dilma sempre tratou o prefeito e a cidade com mau humor, mas o prefeito não se meteu em confusão e está propondo suas ideias para a cidade. Se uma fração delas der resultado, já é inusitado.

Do resto, ganhou Romário. O PSB, que nunca gostou dele, mostrou ser um partido sem capacidade de transferir apoio para seus aliados. Digamos que é um PMDB, com menor compromisso em relação às instituições democráticas - é no PMDB que vamos ter que confiar para defender as liberdades cívicas durante os próximos 4 anos. Por mim: Aécio 2018, Romário vice.

01 novembro 2014

Porque o paulista reelegeu o Geraldo?

Apesar da falta d'água? É só ler o jornal: "trabalhar junto e somar esforços pelo bem dos interesses coletivos"; "o uso da água em períodos de estiagem deveria ser prioritariamente para o abastecimento humano".

Acho que essas frases explicam porque o paulista reelegeu o governador. Talvez não tenha sido um grande administrador, certamente não é um gênio visionário, mas parece um sujeito decente e conciliador. Podia ser muito pior.

27 outubro 2014

Quem estava certo?

Na eleição estavam em discussão 2 visões do Brasil. Segundo o PT, o governo da Dilma está fazendo tudo certo. Segundo a oposição, as coisas não vão bem.

Não é um resultado de todo mau a vitória da situação. Se seu entendimento estiver correto, a oposição vai observar o continuado sucesso e terá que rever suas ideias. Senão, os erros na condução do governo ficarão claros ao longo dos próximos anos, dando uma oportunidade para o eleitor rever sua decisão.

Acredito na 2a hipótese, mas a certeza precisa esperar. A preocupação principal deve ser a defesa das instituições democráticas, que saem fortalecidas de mais um teste mas nunca se sabe.... o preço da liberdade é a eterna vigilância.

26 outubro 2014

Consórcio de gillette usada

Uma dica para o contribuinte sofredor que já está se preparando para mais 4 anos de impostos sem retorno: é fácil afiar barbeador numa calça jeans velha. Deslize pelo reles brim americano algumas vezes, na direção contrária do corte. As lâminas ficam alinhadas e o barbeador volta a cortar mais suavemente, como novo.

Para barbudos como eu a economia não é grande, mas sempre ajuda. Quem não guarda calça velha, não se programou bem para continuar gastando 40% de sua renda com impostos, deve estar ganhando mais do que merece mesmo.

Divulgação de pesquisa ilegal com metodologia discutível

Vou divulgar aqui os resultados de uma pesquisa flagrantemente ilegal, não registrada no TSE, que usou metodologia discutível, ouvindo as opiniões dos antigos presidentes e governantes do Brasil.

Votos para Dilma:  Dilma, Lula, Collor, Sarney, Geisel, Jango, Jânio, Getúlio, Dutra, Getúlio (votou 2 vezes), Nilo Peçanha, Deodoro, Pedro I.

Votos para Aécio: Fernando Henrique, Tancredo, Castelo Branco, Juscelino, Washington Luís, Epitácio Pessoa, Venceslau Brás, Afonso Pena, Rodrigues Alves, Campos Sales, Prudente de Morais, Pedro II, Feijó, Nassau.

Indecisos: Itamar, Figueiredo, Café Filho.

Nulos: Médici, Costa e Silva, Arthur Bernardes, Marechal Hermes, Floriano.

13 votos para Dilma, 14 para Aécio, 3 em branco e 5 nulos. A margem de erro é uns 2 ou 3 que poderiam mudar de ideia se estivessem vivos (duvido). A possibilidade de fraude é 1 ou 2.

Não foram consultados interinos, membros de juntas, ou intermediários do poder colonial. A metodologia foi baseada na consulta à Wikipedia e não na consulta mediúnica.


Corrupção no Brasil aumentou?

Tem quem diga que durante o governo do PT a corrupção subiu a níveis antes inimagináveis. Há também quem sustente que nunca se investigou tanto, portanto a corrupção diminuiu muito.

Minha opinião é mais modesta. A roubalheira, depois de um arrefecimento durante o governo tucano, voltou aos padrões históricos, da época em que no governo tínhamos Delfim, Sarney, Maluf, Collor...... É a hipótese mais coerente com o fato de que todos eles apoiam o governo atual.

Como a imprensa é livre, e as polícias e tribunais mais profissionais, sabemos do que acontece com mais presteza. Isso explica a impressão de que nunca vimos tanta ladroeira. Adicionalmente, os corruptos do PT não contam com a simpatia automática dos corruptos tradicionais, e ficam mais expostos a delações e vazamentos. Azar deles, que poderiam ter se defendido pró-ativamente escolhendo o caminho da honestidade, caminho este que pelo menos um petista sabe encontrar. De fato nunca ficamos sabendo da corrupção com tanta certeza como sabemos agora.

18 outubro 2014

Desaprender as bobagens que ensinam nas escolas, demora 30 anos de muito estudo

Pergunta de época de eleição: Como é possível que o País funcione, considerando as opiniões sobre política? Porque funcionar, funciona; e não tão mal assim.

Acho que resolvi a charada: desaprender as bobagens que ensinam nas escolas, demora 30 anos de muito estudo.

Quem escreve nos çáites e comenta nas mídias em geral tem colegial e curso superior completos. Então realmente precisa dos 30 anos inteirinhos. Só que, quem tem mais de 2 quatorzenas de anos para ficar estudando? Entre os profissionais, médicos, advogados, engenheiros, cheios de obrigações, poucos. Certamente não os professores universitários - têm que ir em reunião, fazer greve, imprimir paper.... quando foi a última vez que você viu um professor estudando na biblioteca? Por isso prefiro viver numa sociedade governada por 6 mil nomes escolhidos à esmo do que pelos 6 mil professores da USP. Ah, e já que você vai me xingar de reacionário por causa dessa frase, se souber de onde vem, extremismo na defesa da liberdade não é vício. Pode xingar.

De alguma forma, só dizem besteira. E o povo, que não fez colégio nem faculdade, acaba votando acertado. Apesar de esforços em contrário por parte dos políticos bacharéis, ocupados demais para desaprenderem tudo que têm para desaprender.

Receio o que vai acontecer no País com a universalização dos estudos médio e superior. É bom ficar atento. O preço da liberdade é a eterna vigilância.

17 outubro 2014

Debate entre os candidatos

O debate foi bom. É importante saber como um futuro governante lida com a pressão e como convive com os inevitáveis erros, próprios e de seus aliados. A articulação das frases e a linguagem facial numa situação tensa ajudam a avaliar a preparação para governar.

Aécio se saiu bem. Dilma se perdeu. Repetia acusações depois de Aécio rebater, parecia estar jogando slogans para os partidários repetirem.

O desempenho da presidente foi o ponto negativo. Indica que os problemas - inevitáveis na política, e agravados por erros do PT - são maiores do que a capacidade que ela tem de corrigir, reprogramar, e contemporizar. A parte das acusações mútuas pode não ser agradável, pode até ter sido excessiva, mas a corrupção e o desrespeito à lei são temas importantes para o eleitor. Certamente mais importantes do que exposições acadêmicas de programas e ideologias de governo que nem no brasileiro com formação de bacharel eu identifico o conhecimento e inclinação para avaliar com correição.

Quem acha que o debate foi ruim está fazendo um raciocínio pseudo-sofisticado. Queriam que os debatedores fossem didáticos como um professor que explica a matéria que cai na prova. Vá conferir: é crítica de quem aprendeu a matéria do colégio, passou no vestibular, e acha que isso dá o direito de achar que sabe todas as respostas. Em inglês se diz que as críticas são "sophomoric".

(Assisti via internet, enquanto arrumava uns arquivos no computador, perdi uns pedaços quando o streaming da UOL falhou. Foi melhor que ficar parado no trânsito, que depois do debate estava mais ameno. É a vantagem de ser professor e funcionário do estado, não ter hora para ir nem para vir.)

14 outubro 2014

Em defesa da Dilma

Depois que perder a eleição o PT vai soltar os cachorros em cima da presidente, então é bom fazer uma defesa preventiva. Não foi um governo de todo ruim - o país continua numa situação razoável e sem grandes conflitos internos. Para começar, o executivo não criou sozinho os esquemas de corrupção que estão sendo revelados agora, como o da Petrobrás; e se não conseguiu bloquear a corrupção, como muitos deveriam mas também não conseguem, também não impediu as investigações.

O governo aplicou as políticas econômicas que acha recomendáveis, e que têm apoio de muitos economistas, industriais, e populares. É para isso que foi eleito. Minha opinião é que são incorretas. Faz parte da democracia discordar e votar contra.

Dilma invariavelmente defendeu as liberdades democráticas contra as pressões, majoritárias na esquerda, contrárias à liberdade de expressão e às eleições livres e diretas. Nisso segue o precedente do Lula em manter o PT, enquanto governo, como defensor da democracia. Em questões sociais não houve movimentação, pois em si elas não despertam maior atenção de qualquer partido. O interesse das esquerdas se encerra no aparelhamento dos assim-chamados movimentos sociais.

É nos assuntos internacionais que Dilma foi pior, provavelmente por falta de afinidade com o tema, dando espaço para o eixo Garcia-Amorim-Guimarães. Desviou da tradição brasileira de neutralidade, se afundando numa política neo-geiseliana de tiranofilia anti-americana ou ao menos tolerância com o obscurantismo racista. Mas mesmo aí não se pode dizer que tomou atitudes extremadas ou com consequências diplomaticamente irreversíveis. O mundo todo entende que o Brasil é um país bom, capaz de corrigir os erros de seus políticos. E de qualquer forma a população se interessa por política externa ainda menos que a presidente, então os deslizes não têm efeito eleitoral.

Dilma vai perder as eleições porque apareceu um candidato melhor, com propostas que o eleitor achou mais corretas. É o jogo democrático. Não merece a critica feroz, de caráter essencialmente liberticida, que virá dos antigos aliados quando resolverem procurar um culpado pela derrota deles.


12 outubro 2014

Aviso aos usuários de redes sociais

Para quem ainda não percebeu: a eleição acabou. O cidadão, em sua sabedoria, já decidiu o voto com base nos fatos que se lhe apresentaram. Aviso aos usuários de redes sociais: a hora da propaganda negativa, que de qualquer forma não foi muito eficaz nessa campanha, acabou.

Podem especular sobre as maravilhas do próximo governo, elogiar os pendores artísticos a serem desenvolvidos por futuros ex-políticos, voltar a botar foto de gato, ou então aproveitar essa excelente oportunidade para ficar de boca fechada. Posts falando mal de um ou outro candidato, e especialmente dando chute em cachorro morto, são despropositados, de mau gosto, e sujeitam o autor ao block e unfriend.

11 outubro 2014

Para entender: impostos federais

O governo federal arrecada 770 mil contos de réis por ano em impostos, dos quais 320 mil contos, uns 40%, no estado de S Paulo. No Rio de Janeiro o governo arrecada metade do que em S Paulo; em Brasília metade do que no Rio; em Minas, Paraná, Rio Grande do Sul, e S Catarina cada um metade do que em Brasília, mais ou menos. Os outros 20 estados pagam os 10% que faltam.

Do total arrecadado a União transfere 300 mil contos para estados e municípios, e gasta o resto diretamente. Quase ⅔ das transferências são constitucionais, gastas na administração pública local. Saúde, educação, e bolsas são o outro ⅓, e há dezenas de programas que recebem menos de mil contos cada. Recebem mais em transferência do que pagam em impostos 17 estados. Pagam mais do que recebem em transferências Goiás, Amazonas, e Espírito Santo, além do nomeados acima. Menos de 10% dos impostos arrecadados em S Paulo voltam para o Estado na forma de transferências. Números do ano 2013.

Os 320 mil contos pagos por S Paulo superam o total de transferências para estados e municípios. O contribuinte de estados que arrecadam mais do que recebem tem certa razão em achar que os benefícios que recebe da União são pequenos em relação ao valor dos impostos pagos.

07 outubro 2014

Condução na USP

Hoje e ontem tentei pegar o circular da USP, no ponto próximo ao portão de pedestres da estação de trem, por volta das 8 horas. Foi impossível. O ônibus fica tão cheio que não dá para entrar. Os embarque dos poucos que conseguem encontrar lugar demora, atrasa o ônibus, e assim o problema piora. Acabei indo uma vez a pé e outra de carona com aluno.

A observação crucial é que os ônibus viajam vazios na maior parte do trajeto. O motivo é o desenho inadequado das linhas. Os erros são óbvios e já foram indicados nesse blog há mais de 2 anos.

Existem problemas na USP que são difíceis de resolver: exigem dinheiro, trabalho, mudança de atitudes, ou mudanças nas organizações. O problema de transporte não é um desses: basta corrigir os erros no trajeto. Um trajeto adequado economizaria dinheiro, porque os ônibus não andariam vazios na maior parte do trajeto. Se não for feito é por completa incompetência e indolência da prefeitura da cidade universitária e da Sptrans, que são responsáveis pelo transporte coletivo dentro do campus. E pela passividade e desinteresse das organizações de alunos, funcionários, e professores, que preferem gastar seu tempo em defesa de causas que não guardam qualquer relação com a qualidade de vida dentro do campus do que fazer algo que possa fugir do ritmo "quanto pior melhor".

05 outubro 2014

Poeminha depois do jejum

Que chegue a goiaba ao amanhecer.
Que suba o cheiro da goiaba madura ao entardecer.
E que sobre a casca da goiaba ao amanhecer.

Dia de eleição

A boa notícia é que 99% dos brasileiros vão votar em democratas para presidente. Os candidatos extremistas, de esquerda e de direita, que são contra o processo democrático e as liberdades individuais, vão ter menos de 2% dos votos!

Note que o eleitor se sai muito melhor nesse índice do que a elite: na USP, os partidos anti-democráticos teriam uma fração bem significativa dos votos. Temos 2 bons candidatos. Voto em Marina ou Aécio no 2o turno sem dúvidas. Foi excelente ter ambos, para levar o debate para o 2o turno.

A má notícia é que em MG, Pimentel vence com 61% dos votos válidos. PSDB vai perder assim em Minas? Confirma que o maior problema da política brasileira é a falta de renovação, especialmente dos tucanos. Em SP, ainda estamos com o vice do Covas. Precisamos de voto distrital!

Mais uma coisinha: os petistas nas redes parecem mais quietos. As revelações da delação premiada ou do discurso da Dilma pró-Daesh diminuíram o entusiasmo?

03 outubro 2014

A pindaíba da USP, mais uma vez

Quando uma organização se acha com falta de dinheiro, é necessário aumentar as receitas, reduzir as despesas, ou buscar economias nos gastos.

A USP, dependendo essencialmente da generosidade do sofrido mas não rancoroso contribuinte, não tem caminhos fáceis para ganhar mais. Excetuando a apoderação de uma fatia maior dos impostos, as sugestões para crescer a receita tendem a sugerir a mudança de ramo de atuação - do ensino para a consultoria, varejo, treinamento corporativo, ou outro negócio mais lucrativo. O próprio excesso de otimismo de tais propostas denota a praticidade limitada, ainda mais que a universidade é por hábito e por desígnio uma instituição essencialmente conservadora.

O corte de gastos, que consistem essencialmente em pagamento de pessoal, é difícil numa instituição que, para o bem ou para o mal, tem pouco mecanismo de demissão de funcionários, por justa ou injusta causa. A não ser que eu muito me engane, o programa de demissões voluntárias não vai atrair nem um em cada mil funcionários. Os gastos não salariais são pequenos, e já foram cortados radicalmente, com prejuízo para as atividades acadêmicas. Não há mais onde cortar.

Sobra a busca de eficiências e economias. O único grande gasto que não é salário ou benefício direto são as contribuições que os professores fazem obrigatoriamente ao SPPREV, que pagam pensão por morte de funcionário ativo. Esse gasto poderia ser cortado, de 11% dos salários, sem contar a contribuição oficial, para algum valor certamente menor que 1%. Foi o que escrevi no post anterior.

Preparei uma roda de samba só pra ela
Se ela não sambar
Isso é problema dela
Entreguei um palpite seguro só pra ela
Mas se ela não jogar
Isso é problema dela
Inventei na semana um domingo só pra ela
Se ela for trabalhar
Isso é problema dela

02 outubro 2014

O problema financeiro da USP

Encontrei a solução para o problema financeiro da USP. A USP retorna ao equilíbrio financeiro se assumir os encargos da SPPREV, antigo IPESP, e recolher diretamente as contribuições dos professores.

Os professores e funcionários concursados recolhem 11% de seus salários para a SPPREV. Há mais uma contribuição que é custeada pelo estado ou pela universidade, mas a informação sobre o valor não está disponível facilmente, talvez em razão da censura promovida pelo TSE em época de eleições. Talvez seja até de mais 11%! É a universidade que paga as aposentadorias da USP, não a organização de previdência do estado, que custeia apenas a pensão de quem morre em serviço. Trata-se provavelmente de um dos seguros de vida mais caros do planeta.

Um benefício semelhante pode ser adquirido de uma seguradora privada pagando menos de 1/6 desses 11%. Fiz cálculos aproximados, usando como referência o seguro de vida que tenho através de minha organização profissional, o IEEE. Para a USP, oferecer esses benefícios seria certamente muito mais barato, porque a universidade não incorreria custos administrativos, de marketing, remuneração do acionista, ou riscos de seleção adversa. Um contador ou atuário poderia fazer os cálculos, mas de qualquer forma a quase totalidade dos 11% da folha salarial estariam disponíveis para a universidade, após descontados os gastos com as pensões. Isso é mais do que suficiente para cobrir os problemas de caixa, e ainda dar um aumento para os esforçados docentes.

Nesse blog e em outras ocasiões já apresentei soluções para diversos problemas que afligem nossa universidade. Porém em cada caso a aplicação da minha proposta dependia 1) do reconhecimento de que o problema apontado era o real; 2) da concordância sobre o acerto de meu diagnóstico; e 3) de um compromisso com grupos de interesse que estão acostumados ao status quo. A presente proposta não está sujeita a tais restrições. Todos concordam que a USP passa por grave problema financeiro; ninguém se beneficia da contribuição ao SPPREV, nem mesmo o próprio renomado instituto, que arrecada recursos de tal vulto sem contrapartida da prestação de serviços comensuráveis; e as cifras são de tal magnitude que qualquer correção nos números que apresentei não alteram qualitativamente a situação.

A resolução do problema de caixa pelo qual a USP passa permitirá à universidade voltar a se dedicar integralmente às missões das quais é incumbida pelo generoso e visionário cidadão paulista: a educação e a ciência no estado de S Paulo. Minha resposta está aqui. Há outras, já amplamente debatidas, mas todas com senões e de aplicação mais complexa. Podem me ouvir. Ou não. Mas se não o fizerem, me eximo da culpa por todo e qualquer problema que a situação financeira da universidade venha a causar.


Política na capitania de S Paulo

Desde a guerra dos emboabas já se sabia que o candidato mineiro ia vencer na capitania de S Paulo. Já escrevi isso antes, repito agora. Apenas um candidato tem a capacidade de fazer um bom governo. Quem vai ganhar a eleição não sei, é decisão do eleitor.

Digo mais: o Fernando Haddad é o melhor prefeito de S Paulo desde Washington Luiz. Se Aécio for eleito e fizer um governo da mesma qualidade que o prefeito, vai se juntar ao seleto grupo dos grandes governantes brasileiros: Nassau, Pedro de Alcântara, e Juscelino Kubitschek. Talvez Fernando Henrique faça parte do grupo, mas ainda é cedo para dizer. A dúvida adicional, além do resultado das eleições, é o SE.

O maior perigo político está relacionado com a crise fiscal que se aproxima, causada pela inépcia administrativa e pelas consequências financeiras do dirigismo econômico dos últimos anos. O cenário de risco é a seguinte sequência de eventos: Aécio vence; bolha de empréstimos oficiais estoura; governo equaciona a questão com competência e sacrifício, usando uma combinação de aperto e frouxidão fiscais que pouca gente no mundo saberia manejar com consciência; situação leva a culpa pelo estouro provocado pela má gestão anterior; país inicia recuperação após 4 anos; salvador da pátria é eleito com a promessa de voltar às políticas anteriores à crise; economia começa a voltar aos eixos; salvador da pátria obtém poderes especiais, estabelece controle estatal da imprensa e das eleições, e eleições indiretas através de lista fechada ou outro dispositivo inconstitucional.

É um risco remoto mas real de argentinização. Outros cenários se encerram em corrupção e desperdício, são menos preocupantes.

Sei que só uma meia dúzia de 3 ou 4 entre os milhões de eleitores brasileiros concordam com a sequência de afirmações acima, mas é por excesso de foco em questões partidárias ou de curto prazo. Estou certo e quem discordar está errado.

15 setembro 2014

Resolvido: as instituições políticas brasileiras são ótimas.

Com alguma relutância estou chegando à conclusão que as instituições da república brasileira são melhores que nossos políticos, e muito melhores que os eleitores. Diria até que são, não excelentes, mas ótimas: as melhores possíveis dadas as restrições impostas pela qualidade do eleitorado.

Senão vejamos. Pelo conteúdo intelectual e qualidades éticas dos comentários sobre política que a gente vê nas mídias sociais, dá para extrapolar que o país seria um lugar muito pior se os comentaristas atuassem diretamente no processo decisório. Por mais que isso pareça absurdo. O nível da campanha é baixo, e isso depõe contra os políticos, mas não tão baixo quando as falas diretas dos eleitores - e por eleitores me refiro a um subconjunto com estudo formal bem acima da média do eleitorado, que são os que escrevem coisas que chegam aos meus olhos.

Segue-se que a qualidade da política no Brasil só poderia piorar se as instituições fossem mais representativas dos eleitores, ou dos políticos. Por dura experiência dos 3 períodos de ditadura da época republicana, sabemos que também iria piorar se fossem menos representativas. Ipso facto o sistema atual é um ótimo local.

Quod erat demonstrandum.

13 setembro 2014

Liberdade sob ataque

A liberdade civil dos brasileiros está sob ataque concertado de políticos e aspirantes a políticos de diversos partidos e matizes. Vou listar aqui alguns ataques dos que tomei conhecimento.
  1. O processo criminal movido pelo Banco Central com o objetivo de calar a boca do crítico Alexandre Schwartsman.
  2. O processo movido pela campanha de Aécio contra 66 tuiteiros que ousaram criticar o candidato.
  3. O processo movido por Márcio França, candidato do PSB a vice-governador de S Paulo, contra blogueiros, pelo mesmo motivo.
  4. O programa de governo da Marina que, dizem, propõe lei que torna crime inafiançável não só a prática da discriminação racial, mas também a injúria racial. Se xingar for crime inafiançável, vamos virar um estado policial. Vai todo mundo para a cadeia e não sobre ninguém para fechar as chaves. Ou então algum tirano decide um por um quem vai para a cadeia e quem fica solto.
  5. A proposta do PT, PCdoB e PSOL e PSB para fazer um plebiscito nacional pela constituinte, rasgar a Constituição com o objetivo de instituir um regime de controle partidário da imprensa e eleições indiretas. Querem delegar a um grupo que não conhecemos o poder de manter, ou de não manter, a liberdade no Brasil. 
  6. O processo do PT contra Marina por "ferir a honra da agremiação" ao dizer que o PT não é confiável porque pôs um diretor para assaltar os cofres da Petrobrás por 12 anos.
  7. A condenação em 1a instância do Romário por ter afirmado que os donatários da CBF, Marco Polo Del Nero e José Maria Marin, mereciam "estar na cadeia". O fato de que a firmação é verdadeira é defesa suficiente. O juiz decerto deu ganho aos ladrões para prolongar os custos processos judiciais. O que é custo para um, é lucro para outro.
Pela amostra, as ideias fascistizantes no Brasil vêm na maioria mas não exclusivamente da esquerda.

09 setembro 2014

Roubalheira na Petrobrás

1 - Quem lê o @diegoescosteguy já sabia da corrupção na Petrobrás antes do assunto chegar ao Supremo.

2 - E o Nassif, pago pela Petrobrás, também já sabia: matéria preparada tenta jogar a culpa no falecido Eduardo Campos. http://t.co/spXfi8Hi5f Preparada porcamente, considerando o tempo que ele teve desde que a história saiu na Época até chegar ao Supremo.....

3 - Alguns minutos antes da delação premiada, já começava o spin na imprensa chapa-branca tentando botar a culpa na imprensa, nas privatizações do Fernando Henrique, e especialmente no partido da inimiga da hora, Marina Silva. O Viomundo também já tinha matéria preparada para emporcalhar toda a república com o intuito de nivelar todos por baixo.

4 - Conversafiada copiou a tática do Nassif. Sugere que já sabiam dos roubos na Petrobrás e tinham reportagens preparadas para culpar outrem na eventualidade de o pagador da imprensa "independente" ser exposto. O PHA é vulgar, escreve xulo, para outra audiência. Deve ser jogada combinada também, acho que o cara já foi alfabetizado. Acho que o Emir Sader é diferente, um tipo mais antigo, pura ideologia extremista, como massa de manobra radical de movimento estudantil. Será que ele serve de balão de ensaio de ideias para imprensa chapa-branca? Aí precisaria da energia de uma pessoa melhor que eu para descobrir. Suponho talvez que o movimento jornalístico chapa-branca organizado dá uns trocados para o Emir Sader bolar a ideias, e copia.

5 - Improvável que o então governador de Pernambuco não tenha tido nenhuma relação estranha com a Petrobrás. A refinaria Abreu e Lima, perto de Recife, já gastou 10 vezes o orçamento inicial, muito mais do que uma refinaria semelhante custaria em países ricos. Alguma coisa vão achar, política no Brasil é corrupta e o falecido não era santo. Mas quem controla a máquina de roubalheira da Petrobrás é o governo atual, e vai usar a máquina de propaganda, não para negar e se defender, mas para avacalhar toda a república esperando que a sujeira caia igualmente em todos os lados.

Links: A refinaria Abreu e Lima da Petrobras custou 40 mil contos. Parece muita gaita. No Canadá sai por ⅓ do preço. Acho que o desvio foi mais que 3%.

6 - Na minha opinião, quem está vazando o que contra quem, e quais as responsabilidades exatas de cada um, são assuntos menores. O fato principal é que os administradores da Petrobrás aprontaram enormes esquemas de corrupção e desperdício que custam caro ao patrimônio nacional.

7 - Pior: são quantias tão grandes, e usadas de formas tão perniciosas, que põem em risco a democracia representativa (induzindo partidos inteiros a apoiarem a situação); a liberdade de imprensa (manipulando setores da imprensa tradicional e da autodenominada "independente") e até, em escala menor, a soberania nacional (desviando recursos para regimes de credenciais democráticas duvidosas e ascendência sobre setores do PT). Sobre o coronel Campos, que Allah tenha piedade da alma dele.

8 - A lição é que está na hora de trocar o governo. Menos por causa da incompetência e roubalheira na administração da Petrobrás, e mais pelo estrago que os desvios fazem nas instituições da república. Imaginem como seria se o governo ainda tivesse monopólio das comunicação, um setor muito mais crucial do que o petróleo?

9 - É por isso que jogar fora a Constituição que temos, arriscando a perder as garantias de liberdade individual e de voto direto, sou contra. Não vou dar carta em branco para nenhum político fazer isso. Nem para meus concidadãos.

08 setembro 2014

O procurador do BC é um criminoso.

O procurador do BC é um criminoso. Comete abuso de autoridade, ao tentar utilizar o sistema judiciário com o objetivo de oprimir um cidadão e privá-lo de sua liberdade de expressão individual.

Abuso de autoridade é crime: Lei de Abuso de Autoridade - Lei 4898/65. O processo movido pelo procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, já foi julgado sem mérito pelo judiciário. O objetivo do procurador é intimidar um cidadão, usando os recursos do Estado, porque o simples ato de estar envolvido em um processo impõe graves custos e empecilhos para o indivíduo, enquanto que o procurador utiliza verbas públicas para ação judicial que tem como objetivo proteger membros da corporação do escrutínio do público. O repetido processo movidos pelo procurador, mesmo após a causa ter sido julgada improcedente, é uma intimidação que fere os direitos constitucionais.

Adicionalmente, mover um processo sem base legal, e em benefício da própria corporação, é malversação de verbas públicas e desvio de função por parte do procurador. 

Repito: o procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, é um criminoso contumaz, que continua atentando contra a lei sem mostrar arrependimento. É essa minha opinião de engenheiro constitucionalista. O processo inicial que ele moveu por crime de opinião talvez pudesse ser desculpado como trabalho porco de um indivíduo incompetente. Depois de alertado pela justiça que o processo inicial não tinha base legal, a defesa baseada na ignorância fica prejudicada. Concluo que o crime de abuso é intencional, premeditado, e doloso.

#prontofalei Se opinião é crime, pode mandar me prender junto.

05 setembro 2014

Taxas de administração em fundos de investimento.

Taxas de administração em fundos de investimento.

Média nos EUA: por volta de 1%.
Vanguard Index Fund: 0.18%.
Regra geral: um fundo de ações administrado ativamente que cobra mais de 1.5% tem custos exorbitantes.
Fundos de renda fixa em geral cobram a metade dos fundos de ações em despesas administrativas.
Número aproximados, um artigo com números no WSJ.

Fundos no varejo no Brasil: 2.5% ou mais.
Fundos no atacado de renda variável: 1.5%.
Fundos no atacado de renda fixa: 1%.
Também números redondos, artigo na Exame para começar a ler mais.

Taxa de administração dos fundos de previdência complementar oferecidos para a comunidade da USP: 5% do aporte inicial mais 1% do valor anual. Suponho que seja um fundo ativo de investimentos mistos, mas quem entra no site da SPPREV para se informar sobre política de investimentos do fundo lê que o site estará indisponível por causa de lei eleitoral.

Descrições de um fundo com taxas semelhantes no artigo do WSJ: embarrassing, whopping, investors are getting ripped off. Acho difícil explicar esses números pela incompetência gerencial ou pelo roubo isoladamente.

03 setembro 2014

Falta de diálogo na USP: falta tolerância?

Sinceramente, a falta de diálogo na USP pode ter a ver com falta de tolerância, mas tem mais a ver com indolência, preguiça, desinteresse, e acomodação ao status quo.

Para efeito de argumentação vou separar a USP a grosso modo entre escolas profissionais, ou tradicionais, que raramente fazem greve; e escolas de filosofia, que expedem diplomas que não correspondem a profissões bem definidas, muitas das quais paradas há meses. Não é uma separação rígida nem bem definida, mas funciona como esquema para mostrar os pólos opostos.

Convém, aos professores das escolas que expedem diplomas reconhecidos e regulamentados e que não fazem greve, nem se dar ao trabalho de conversar com os das filosofias, e comodamente se sentirem mais úteis e lucrativos. E convém, aos professores das escolas que expedem diplomas que não dão empregos e que estudam assuntos que não correspondem a necessidades imediatamente remuneradoras da sociedade, continuar brandindo contra tudo-isso-que-está-aí-desde-que-Fernando-Henrique-Cabral-abriu-os-portos-ao-neoliberalismo, para justificar sua posição na torre de marfim. Para continuar recebendo para estudar (ou não) ideologias que tem pouca relação com o Brasil real.

A burocra do estamento é eficiente em evitar qualquer tentativa mais coerente de fazer uma ponte entre os 2 lados. Os alunos se deixam levar pelas conversas, e os partidecos políticos se aproveitam delas. A parte mais estruturada da burocra é a separação total entre alunos e estudos, que se faz pelos currículos rígidos e incomunicáveis entre as disciplinas diferentes. Cada professor ficar na sua área é normal - a profundidade dos estudos exige especialização; mas os alunos serem enjaulados nas grades não é. Os sindicatos expulsam os docentes contra a greve de assembleias das quais eles se auto-expulsariam de qualquer modo; mas o mecanismo mais forte para impedir o diálogo são grades do ensino, que beneficiam a toda a corporação, grevistas e trabalhadores igualmente.

01 setembro 2014

O que muda no jornal são só os obituários

A Rússia prepara tanques para invadir a região fronteiriça da Ucrânia. Após limitar direito de voto em Hong Kong, China envia tanques em preparação contra protestos. Forças de manutenção de paz das Nações Unidas abandonam os postos no Sinai Golan devido a ameaças por regimes radicais. Em resposta ao assassinato de centenas de milhares de civis na Síria e no Iraque, comissão das Nações Unidas prepara condenação de Israel, já antes de iniciar seus trabalhos.  Campus da Universidade de S Paulo amanhece semi-deserto em preparação para antevéspera de pré-feriado.

Meu tio Alex é que está certo: de um ano para outro, o que muda no jornal são só os obituários.

30 agosto 2014

Deputada Federal: Soninha 2300

Para deputada voto na Soninha 2300. Os motivos são os seguintes. O programa dela é bom, com prioridades corretas. Só para citar um item, ela defende o voto distrital misto, que talvez não seja tão bom quanto voto distrital puro, mas é uma possibilidade concreta para melhorar a qualidade da representação, tirando poder das máquinas partidárias e devolvendo ao eleitor. Para comparação, o PT defende o voto indireto através de listas fechadas pelos partidos, com o objetivo de restringir as possibilidades de o eleitor escolher nomes que não sejam do agrado dos coronéis da política nacional, apesar de que tal proposta tendente a abolir o voto direto é inconstitucional.

Por tudo que sei Soninha é pessoa honrada e defenderá o Brasil contra as propostas mais absurdas de centralismo democrático que podem vir do PT. Ganhando alguém da atual oposição, podemos esperar da Soninha um apoio seletivo, não automático. O partido 23, o velho Partidão, não é ruim e tem nomes razoáveis, além de um apelo nostálgico. Nosso legislativo tem excesso de homens, e em média as prioridades dos homens na política são contrárias às necessidades das famílias e às opiniões do profissionais da saúde e educação. Votar numa mulher ajuda a equilibrar essa distorção, especialmente numa eleição onde infelizmente não há mulheres candidatas a cargos majoritários com competência e experiência para desempenharem adequadamente as funções.

Soninha está sendo alvo de uma campanha de abuso de poder por parte do estamento dos donos do poder encastelados nas burocras dos tribunais de contas e eleitorais - gente que permite e acoberta desvios inacreditáveis e roubos multibilionários, mas resolveu se insurgir contra a falta de desperdício   em trabalhos que Soninha fez em prol de cooperativas de artesanato. Só por essa perseguição injusta ela merece nosso voto - se não for por outra razão, em protesto contra a opressão das autoridades autoritárias que embargam o trabalho honesto e exigem o pagamento de propinas a beleguins e desembargadores.

Soninha 2300 para o congresso!

29 agosto 2014

Procuro projeto com lucro garantido para mim

Acabo de receber email, que copio com edições para deixar anônimo, enviado a todos os professores da universidade em nome de empresa que "...busca por projetos de pesquisa que estejam alinhados com as seguintes características:
a) Aplicada a [descrição da área de interesse];
b) Inovador, com bom embasamento científico e patenteáveis;
c) Atenda uma necessidade real [do setor de atuação da empresa];
d) Com claro potencial comercial."

O tom da mensagem denota completa falta de noção sobre a natureza da inovação, para não dizer um certo parasitismo. Se eu tivesse um projeto assim prontinho, com tudo para dar certo científica e comercialmente, eu montaria um negócio e venderia o produto pronto. Para que eu precisaria da empresa? Para ir lá e fornecer uma inovação com lucro garantido?

Conversamente, penso em mandar um email para todas os associados da FIESP: "cientista busca empresa com problema de pesquisa tendo as seguintes características:
a) Na área de controle adaptativo geométrico;
b) Desafiador, com definição matemática precisa;
c) Ofereça possibilidades reais de complementação salarial substantiva;
d) Claro potencial de publicações em periódicos de qualidade."

28 agosto 2014

Desmoralização do trabalho

Parece que os desembargadores e juízes decidiram que a USP não pode descontar os salários dos grevistas. Deixando para os doutos bacharéis a discussão sobre a base jurídica da necessidade de decisão judicial para não pagar quem não está trabalhando, considere o ponto de vista de quem trabalha.

Já é embaraçoso ouvir de nossos concidadãos contribuintes, que dependem da execução satisfatória de suas incumbências profissionais para pagar as contas e recolher os impostos que sustentam nossos salários, a pergunta: "E como vocês fazem durante a greve de 3 meses? Não vai dizer que continuam recebendo mesmo sem trabalhar!" Temos que explicar que são 1% de grevistas ativos trancando as vias públicas e votando pela greve nas assembleias; uns 10% deixando de ir ao trabalho e às aulas por conta do clima de greve; e que quem têm vocação para ensino e ciência continua trabalhando, junto com a maioria dos funcionários.

Entendemos que a universidade está em péssima situação devido à incompetência e má fé de alguns dirigentes. Mas a sociedade e os alunos não têm culpa disso. Até merecemos um aumentozinho por conta da carestia e da qualidade de nosso trabalho; mas não estamos na universidade apenas para pensar em nosso próprio umbigo, nem para fazer apenas as partes do trabalho que trazem benefícios pessoais ou avanços na carreira. Queremos tentar conquistar esse merecido aumento trabalhando mais e com melhores resultados para o cidadão paulista.

E agora que os doutíssimos beleguins deliberaram que a universidade deve pagar igualmente a quem trabalha e a quem não trabalha, como ficamos? Aguardando, talvez, o próximo passo da desmoralização total: que a assim-chamada justiça declare que a universidade deve dar aumento a quem fez greve, mas não aos fura greves que continuaram dando aula.


26 agosto 2014

Presidente: Aécio 45

Esse é fácil. Vou votar no candidato do Samuel Pessôa, sem piscar. Votei no Fernando Haddad com consciência pelo mesmo motivo. Melhor ainda ainda se pudesse votar nos próprios Yoshiharu KohayakawaFuad Kassab JuniorRonnie Mainieri, ou Nelson de Freitas Porfírio Junior. Mas não são candidatos, então vai no candidato do Samuel Pessôa.

Não tenho objeção grave contra o Aécio, governador bem avaliado pelos mineiros e senador pouco atuante, porque se houvesse algo grave não votaria. Os demais candidatos não são bons. Dilma está conduzindo a economia de forma voluntarista e desastrada; a conta vai vir nos próximos anos, agora que o governo terminou de gastar a herança maldita do Professor Fernando Henrique e tem que viver de seus próprios meio. Apesar de pessoalmente favorável às liberdades individuais, permite que o projeto de poder totalizante do PT continue se apoiando na presidência. Na política exterior, o eixo Celso Amorim-Marco Aurélio Garcia-Samuel Pinheiro Guimarães continua aprontando seus estragos. Está na hora de alternar o poder.

Marina ainda não deu sinais de estar preparada para a presidência, nem pelo temperamento político, nem pela assessoria, nem pelas ações após a última eleição. Certamente eu teria preferido o neto do Doutor Tancredo ao neto do Coronel Arraes, e Marina continua sendo candidata de partidos de ocasião, sem base nem proposta. Talvez votasse no Eduardo Jorge porque é do PV, mas fica prejudicado pelas chances reais do candidato mais preparado. Os demais podiam pegar um aerotrem para Cuba.

Estou inclinado a votar no PV para deputada estadual e no PSDB para deputada federal mas ainda não escolhi candidatas.

Penca de vereadores concorrendo a deputado

Alguém reclama dos vereadores disputando eleição para deputado. Respondo:

O problema é o voto proporcional. Nesse sistema há um número excessivo de candidatos, nem nós que prestamos atenção temos condição de escolher com critério. Então o partido lança candidatos com nome conhecido para amealhar alguns votos, que contam para "dar coeficiente". O vereador é o candidato ideal porque tem tempo para fazer campanha, e já tem emprego garantido mesmo se perder. A solução é voto distrital. No seu distrito, o eleitor tem uma escolha de cada partido. Se gosta do seu deputado, reelege. Senão, escolhe um da oposição.

O motivo pelo qual os partidos não se renovam é porque não há forma de um político se destacar entre centenas de candidatos com o voto proporcional. Aparece um nome novo apenas em casos especiais:
1 - Candidato a cargo majoritário, fica conhecido para a eleição seguinte;
2 - Parente de político famoso;
3 - Ungido por político famoso e hábil;
4 - Celebridade: criminoso, palhaço, ou jogador de futebol.

Essas candidaturas dos deputados são uma tentativa de driblar a falta de reconhecimento. Não dão muito certo. Não fazer o voto distrital foi o único erro grave dos Constituintes. Os demais foram menores, tipo manter o nome da república imposto pela ditadura em vez de voltar a Estados Unidos do Brasil como era na democracia. Lição de casa é contar quão poucos nomes surgiram sem as qualidades 1,2,3, ou 4.

25 agosto 2014

Governador: Natalini 43

Continuando o post anterior, para governador também vou votar no Partido Verde, Natalini 43. Médico por médico, prefiro o que exerce a profissão. Outro bom motivo? Ele bebe água de moringa. Vereador íntegro, tem as prioridades corretas. Sem histórico de relações conflituosas com políticos decentes dos demais partidos, tem tudo para governar bem. De negativo, só que ele tuita demais, não dá para seguir.

Dos outros candidatos, o Alckmin não é de todo ruim. A imitação que ele fez do Maluf ano passado em comemoração da Escola Politécnica foi impagável. Mas a qualidade do trabalho dele não está proporcional ao tempo de governo. Daria para votar num possível 2o turno, mas merece no mínimo um puxão de orelha.

Skaf não tem proposta nem partido, apenas um projeto pessoal de poder financiado com recursos da Fiesp: são recursos mandados por lei, na prática é como dinheiro de impostos. Ele aluga seu trânsito na burocra para o partido que dá lugar para sua vaidade. Ridículo. Padilha é o que o PT tem de pior: estudante profissional, recebeu o canudo e foi direto para o ministério - tal a falta de quadros do partido! Os artigos dele listando as obras que ele teria feito para fazer chover são uma ofensa ao bom senso. Sua maior realização foi montar uma equipe que editou a wikipedia em termos hagiográficos a seu favor, e distribuiu xingos para opositores políticos e jornalistas impertinentes. A página que os funcionários públicos editaram em proveito pessoal do chefe diz que ele bolou também o sistema de peonagem usando médicos cubanos.

Então é Natalini 43 para governador. De longe o melhor.

Voto aberto: Kaká Werá 430 para o senado

Voto secreto é direito, não um dever, então como não vivemos num regime totalitário vou usar esse blog para declarar meu voto. Começo com senador: Kaká Werá 430 do Partido Verde.

Os temas da campanha dele são as mais relevantes para o paulista: educação, cuidado com o meio ambiente e em particular com as águas, respeito à diversidade, e cultura de paz. Mesmo que não consiga transformar o país no Senado, só termos alguém defendendo os índios já vale o voto.

Não tenho nada contra o Serra, mas já cansei de votar nos mesmos caciques tucanos. Também não tenho nada contra o Suplicy, mas ele tem sido bem menos ativo nos últimos 12 anos. Nem tenho objeção ao Kassab, mas não vejo motivo nenhum para apoiar o partido que ele criou.

Então voto no Kaká Werá 430, afinal ele já escreveu livros e fez discos, que pretendo conferir. Na medida que tiver tempo vou escrevendo os demais votos.

24 agosto 2014

Reforma partidária

O Brasil precisa de uma reforma partidária. De um lado, os populistas, centralizadores, defendendo as conquistas da ditadura getulista, culpando o governo anterior por todos seus erros, buscando em todos os problemas uma conspiração internacional estadunidense-americana. Esse povo se abriga no PT e dispersa nos outros partidos de esquerda, mas merece uma instituição coesa, com liderança gaúcha.

Do outro lado os espumantes, vendo comunista embaixo da cama, pedindo um golpe militar a cada caso de corrupção real ou inventada. Esse povo anda meio sem casa, ficou desacreditado pela posição em relação à ditadura militar, então se espalha nos demais partidos, causando confusão ideológica. Devia ter seu próprio partido, com liderança carioca naturalmente.

No meio os democratas, um pouco liberais ingleses, um pouco socialistas franceses, um pouco desenvolvimentistas americanos, mas sem muito exagero. Café, com leite. Feijão, com arroz. Filé, com salada. Farofa, com couve. Um partido enraizado na Gerais. Sem a faina de carregar bandeiras oposicionistas, fica melhor.

O eleitor paulista escolhe um dos 3 e decide quem governa o país. Sugiro até os nomes para as agremiações: Partido Trabalhista Brasileiro, União Democrática Nacional, e Partido Social Democrático.

Pensando bem, deixa como está.

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I used a service called Online OCR to convert some pdf files into an editable form. It is normally easy to extract the text from pdfs made with newer software, but for some files optical character recognition is necessary.

It worked flawlessly. The site offers limited free access and then charges a few cents per page. It also promises an extra 50 free pages if I place a link to Online OCR in some well-visited blog, so here is the link: http://www.onlineocr.net

I and satisfied and impressed, so I don't mind running an advertisement for them in this blog. Whether they will consider it well-visited is another story. Enjoy!


23 agosto 2014

Numa discussão no Facebook....

... sobre política externa brasileira de repente vem um cara e diz que o problema é que os judeus controlam a mídia e por isso Israel não tem direito a existir. Não respondi para esse sujeito, mas copio aqui o algumas coisas que escrevi para meus amigos que estavam na discussão, que continuou em diversas direções.

[a política externa brasileira com relação a Israel] é a mesma desde 1948, com exceção do voto do Geisel contra Israel em 1975, e da chamada do embaixador somada à não condenação do Hamas no mês passado. Há também a questão do apoio ocasional do Itamaraty e a amizade de setores do PT com as piores ditaduras do mundo árabe e islâmico, que tem relação, mesmo que indireta, com a questão entre Israel e Palestina. Fora esses episódios, é uma posição que qualificaria o Brasil a interlocutor mais ou menos isento e aceitável por moderados de ambos os lados, justamente por ser inaceitável para radicais de cada lado. Não é inatacável, mas é razoável. A cada escorregão do Itamaraty ou do governo, porém, o Brasil volta para o andar mais baixo da escada.

...sustento e reforço minha opinião anterior de que a causa única do problema [entre Israel e Palestina] é o pensamento como o do comentário logo acima, baseado nos protocolos dos sábios de sion ou em outra literatura ainda mais maldosa. Uma discussão sobre política externa brasileira virou uma oportunidade para desligitimizar Israel, apesar do non sequitur em relação aos comentários anteriores. Note como é difícil para Israel chegar num acordo quando os supostos amigos dos palestinos pensam assim, e como esse pensamento facilita a ação de países que apoiam e se beneficiam tanto do Hamas quanto do ISIS e conseguem controlar Gaza através do Hamas.

Minha opinião é essa: o conflito entre Israel e Palestina é um horror, e para acabar deve haver um estado palestino. 2 estados para 2 povos. Pronto. Qual o obstáculo? Do lado palestino, os grupos terroristas que fazem de tudo para sabotar qualquer possibilidade de um acordo. Do lado israelense, o medo. Medo de quê? Volte uns pontos atrás aqui nesse post. Era um discussão sobre política exterior brasileira onde petistas e anti-petistas tinham apresentado suas opiniões e até certo ponto concordado. Daí veio o [o sujeito supre-citado] com um post desligitimizando o Estado de Israel com base num suposto controle judaico da mídia mundial. Isso é muito comum. Quando o israelense vê esse argumento, ele pensa: "Não existe mudança da minha política que vá conseguir paz. Não são as decisões do meu governo que ele está criticando, é minha existência. O outro lado não vai parar enquanto não conseguir fazer conosco o que está fazendo com os cristãos no Iraque. A única coisa que pode ser feita contra esse argumento é usar a força." E por causa desse tipo de argumento, que é bastante comum, é muito mais difícil chegar a um acordo.

...existem setores radicais em Israel, e setores que aceitariam acordos em qualquer situação razoável. E no meio uma maioria que aceitaria sem grandes obstáculos - exceto pelo medo do terrorismo. Esse centrão é que é o cerne da questão, não os radicais. Infelizmente o Hamas reforça os receios do centrão. Não adianta apontar para os lados radicais, tem que entender as considerações dos centrões de cada lado.

O voto do Geisel teve a ver com suborno dos países do Golfo a um regime que não tinha exatamente um compromisso muito firme com ideologias democráticas nem com a honestidade. Foi uma exceção na política brasileira, como foi exceção a resposta desproporcional do Itamaraty marcoauréliogarcista. Acho que podemos, mesmo sem concordar com a medida de proporcionalidade, concordar que o objetivo é constituir um estado palestino viável e em paz.

....de fato o Itamaraty desde o início do governo do PT tem sido bastante tolerante com todo tipo de regime tirânico ou sanguinário. De maneira geral a política externa do Brasil tende aos "panos quentes", mas exemplos de omissão como no caso do Irã ou Síria abusam da boa vontade. Por outro lado os "panos quentes" coloca o Brasil, salvo ocasionais deslizes, numa posição razoável no caso Israel-Palestina, onde de certa forma ambos tem razão, e de outra forma ambos erram. Pelo 3o lado, neutralidade excessiva faz a política externa brasileira meio irrelevante - uma cadeira permanente no Conselho de Segurança para se abster sempre? Da minha parte ponho a culpa dos "deslizes" na troika Celso Amorim-Marco Aurélio Garcia-Samuel Pinheiro Guimarães.

Acho que concordamos que a situação do povo de Gaza e em menor escala da Cisjordânia é triste, especialmente se comparada com as possibilidades da época de Oslo nos anos 1990. Acho que também dá para concordar que fora 2 estados para 2 povos coexistindo em paz não há caminho para remediar essa injustiça. Discordamos ao menos em parte sobre os obstáculos para resolver. Você indica as ações de Israel. Não vou dizer que não é parte do problema, muito menos defender cada ação israelense, mas enfatizar que em Israel há uma enorme diversidade de opiniões e o governo poderia mudar de atitude quando o povo assim indicar. Porque não faz? Na minha opinião, por causa das ações do auto-entitulados "amigos dos Gaza", aqueles que querem luta contra a ocupação até a última gota de sangue palestino. Confortáveis nas capitais do Golfo, nas burocras diplomáticas, nas ruas de Paris e Londres, ou nas torres de marfim da academia, para eles quanto pior melhor. Quanto mais mortes em Gaza, mais à vontade se sentem para criticar e esconderem suas próprias atrocidades preferidas. Quando esses grupos revelam que a bandeira deles não é contra ações do estado de Israel, mas contra a existência do estado ou do povo judeu, daí a maioria israelense entende que não há concessões que podem levar à paz, mas apenas a mais guerras mais sangrentas.

É isso. Quem estava gritando sobre Gaza um ano atrás, sem procurar uma resolução pacífica, enquanto o conflito na Síria era 1000 vezes maior tem que assumir a responsabilidade de os conflitos agora terem envolvido Gaza.