Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

01 setembro 2014

O que muda no jornal são só os obituários

A Rússia prepara tanques para invadir a região fronteiriça da Ucrânia. Após limitar direito de voto em Hong Kong, China envia tanques em preparação contra protestos. Forças de manutenção de paz das Nações Unidas abandonam os postos no Sinai Golan devido a ameaças por regimes radicais. Em resposta ao assassinato de centenas de milhares de civis na Síria e no Iraque, comissão das Nações Unidas prepara condenação de Israel, já antes de iniciar seus trabalhos.  Campus da Universidade de S Paulo amanhece semi-deserto em preparação para antevéspera de pré-feriado.

Meu tio Alex é que está certo: de um ano para outro, o que muda no jornal são só os obituários.

30 agosto 2014

Deputada Federal: Soninha 2300

Para deputada voto na Soninha 2300. Os motivos são os seguintes. O programa dela é bom, com prioridades corretas. Só para citar um item, ela defende o voto distrital misto, que talvez não seja tão bom quanto voto distrital puro, mas é uma possibilidade concreta para melhorar a qualidade da representação, tirando poder das máquinas partidárias e devolvendo ao eleitor. Para comparação, o PT defende o voto indireto através de listas fechadas pelos partidos, com o objetivo de restringir as possibilidades de o eleitor escolher nomes que não sejam do agrado dos coronéis da política nacional, apesar de que tal proposta tendente a abolir o voto direto é inconstitucional.

Por tudo que sei Soninha é pessoa honrada e defenderá o Brasil contra as propostas mais absurdas de centralismo democrático que podem vir do PT. Ganhando alguém da atual oposição, podemos esperar da Soninha um apoio seletivo, não automático. O partido 23, o velho Partidão, não é ruim e tem nomes razoáveis, além de um apelo nostálgico. Nosso legislativo tem excesso de homens, e em médias as prioridades dos homens na política são contrárias às necessidades das famílias e às opiniões do profissionais da saúde e educação. Votar numa mulher ajuda a equilibrar essa distorção, especialmente numa eleição onde infelizmente não há mulheres candidatas a cargos majoritários com competência e experiência para desempenharem adequadamente as funções.

Soninha está sendo alvo de uma campanha de abuso de poder por parte do estamento dos donos do poder encastelados nas burocras dos tribunais de contas e eleitorais - gente que permite e acoberta desvios inacreditáveis e roubos multibilionários, mas resolveu se insurgir contra a falta de desperdício   em trabalhos que Soninha fez em prol de cooperativas de artesanato. Só por essa perseguição injusta ela merece nosso voto - se não for por outra razão, em protesto contra a opressão das autoridades autoritárias que embargam o trabalho honesto e exigem o pagamento de propinas a beleguins e desembargadores.

Soninha 2300 para o congresso!

29 agosto 2014

Procuro projeto com lucro garantido para mim

Acabo de receber email, que copio com edições para deixar anônimo, enviado a todos os professores da universidade em nome de empresa que "...busca por projetos de pesquisa que estejam alinhados com as seguintes características:
a) Aplicada a [descrição da área de interesse];
b) Inovador, com bom embasamento científico e patenteáveis;
c) Atenda uma necessidade real [do setor de atuação da empresa];
d) Com claro potencial comercial."

O tom da mensagem denota completa falta de noção sobre a natureza da inovação, para não dizer um certo parasitismo. Se eu tivesse um projeto assim prontinho, com tudo para dar certo científica e comercialmente, eu montaria um negócio e venderia o produto pronto. Para que eu precisaria da empresa? Para ir lá e fornecer uma inovação com lucro garantido?

Conversamente, penso em mandar um email para todas os associados da FIESP: "cientista busca empresa com problema de pesquisa tendo as seguintes características:
a) Na área de controle adaptativo geométrico;
b) Desafiador, com definição matemática precisa;
c) Ofereça possibilidades reais de complementação salarial substantiva;
d) Claro potencial de publicações em periódicos de qualidade."

28 agosto 2014

Desmoralização do trabalho

Parece que os desembargadores e juízes decidiram que a USP não pode descontar os salários dos grevistas. Deixando para os doutos bacharéis a discussão sobre a base jurídica da necessidade de decisão judicial para não pagar quem não está trabalhando, considere o ponto de vista de quem trabalha.

Já é embaraçoso ouvir de nossos concidadãos contribuintes, que dependem da execução satisfatória de suas incumbências profissionais para pagar as contas e recolher os impostos que sustentam nossos salários, a pergunta: "E como vocês fazem durante a greve de 3 meses? Não vai dizer que continuam recebendo mesmo sem trabalhar!" Temos que explicar que são 1% de grevistas ativos trancando as vias públicas e votando pela greve nas assembleias; uns 10% deixando de ir ao trabalho e às aulas por conta do clima de greve; e que quem têm vocação para ensino e ciência continua trabalhando, junto com a maioria dos funcionários.

Entendemos que a universidade está em péssima situação devido à incompetência e má fé de alguns dirigentes. Mas a sociedade e os alunos não têm culpa disso. Até merecemos um aumentozinho por conta da carestia e da qualidade de nosso trabalho; mas não estamos na universidade apenas para pensar em nosso próprio umbigo, nem para fazer apenas as partes do trabalho que trazem benefícios pessoais ou avanços na carreira. Queremos tentar conquistar esse merecido aumento trabalhando mais e com melhores resultados para o cidadão paulista.

E agora que os doutíssimos beleguins deliberaram que a universidade deve pagar igualmente a quem trabalha e a quem não trabalha, como ficamos? Aguardando, talvez, o próximo passo da desmoralização total: que a assim-chamada justiça declare que a universidade deve dar aumento a quem fez greve, mas não aos fura greves que continuaram dando aula.


26 agosto 2014

Presidente: Aécio 45

Esse é fácil. Vou votar no candidato do Samuel Pessôa, sem piscar. Votei no Fernando Haddad com consciência pelo mesmo motivo. Melhor ainda ainda se pudesse votar nos próprios Yoshiharu KohayakawaFuad Kassab JuniorRonnie Mainieri, ou Nelson de Freitas Porfírio Junior. Mas não são candidatos, então vai no candidato do Samuel Pessôa.

Não tenho objeção grave contra o Aécio, governador bem avaliado pelos mineiros e senador pouco atuante, porque se houvesse algo grave não votaria. Os demais candidatos não são bons. Dilma está conduzindo a economia de forma voluntarista e desastrada; a conta vai vir nos próximos anos, agora que o governo terminou de gastar a herança maldita do Professor Fernando Henrique e tem que viver de seus próprios meio. Apesar de pessoalmente favorável às liberdades individuais, permite que o projeto de poder totalizante do PT continue se apoiando na presidência. Na política exterior, o eixo Celso Amorim-Marco Aurélio Garcia-Samuel Pinheiro Guimarães continua aprontando seus estragos. Está na hora de alternar o poder.

Marina ainda não deu sinais de estar preparada para a presidência, nem pelo temperamento político, nem pela assessoria, nem pelas ações após a última eleição. Certamente eu teria preferido o neto do Doutor Tancredo ao neto do Coronel Arraes, e Marina continua sendo candidata de partidos de ocasião, sem base nem proposta. Talvez votasse no Eduardo Jorge porque é do PV, mas fica prejudicado pelas chances reais do candidato mais preparado. Os demais podiam pegar um aerotrem para Cuba.

Estou inclinado a votar no PV para deputada estadual e no PSDB para deputada federal mas ainda não escolhi candidatas.

Penca de vereadores concorrendo a deputado

Alguém reclama dos vereadores disputando eleição para deputado. Respondo:

O problema é o voto proporcional. Nesse sistema há um número excessivo de candidatos, nem nós que prestamos atenção temos condição de escolher com critério. Então o partido lança candidatos com nome conhecido para amealhar alguns votos, que contam para "dar coeficiente". O vereador é o candidato ideal porque tem tempo para fazer campanha, e já tem emprego garantido mesmo se perder. A solução é voto distrital. No seu distrito, o eleitor tem uma escolha de cada partido. Se gosta do seu deputado, reelege. Senão, escolhe um da oposição.

O motivo pelo qual os partidos não se renovam é porque não há forma de um político se destacar entre centenas de candidatos com o voto proporcional. Aparece um nome novo apenas em casos especiais:
1 - Candidato a cargo majoritário, fica conhecido para a eleição seguinte;
2 - Parente de político famoso;
3 - Ungido por político famoso e hábil;
4 - Celebridade: criminoso, palhaço, ou jogador de futebol.

Essas candidaturas dos deputados são uma tentativa de driblar a falta de reconhecimento. Não dão muito certo. Não fazer o voto distrital foi o único erro grave dos Constituintes. Os demais foram menores, tipo manter o nome da república imposto pela ditadura em vez de voltar a Estados Unidos do Brasil como era na democracia. Lição de casa é contar quão poucos nomes surgiram sem as qualidades 1,2,3, ou 4.

25 agosto 2014

Governador: Natalini 43

Continuando o post anterior, para governador também vou votar no Partido Verde, Natalini 43. Médico por médico, prefiro o que exerce a profissão. Outro bom motivo? Ele bebe água de moringa. Vereador íntegro, tem as prioridades corretas. Sem histórico de relações conflituosas com políticos decentes dos demais partidos, tem tudo para governar bem. De negativo, só que ele guita demais, não dá para seguir.

Dos outros candidatos, o Alckmin não é de todo ruim. A imitação que ele fez do Maluf ano passado em comemoração da Escola Politécnica foi impagável. Mas a qualidade do trabalho dele não está proporcional ao tempo de governo. Daria para votar num possível 2o turno, mas merece no mínimo um puxão de orelha.

Skaf não tem proposta nem partido, apenas um projeto pessoal de poder financiado com recursos da Fiesp: são recursos mandados por lei, na prática é como dinheiro de impostos. Ele aluga seu trânsito na burocra para o partido que dá lugar para sua vaidade. Ridículo. Padilha é o que o PT tem de pior: estudante profissional, recebeu o canudo e foi direto para o ministério - tal a falta de quadros do partido! Os artigos dele listando as obras que ele teria feito para fazer chover são uma ofensa ao bom senso. Sua maior realização foi montar uma equipe que editou a wikipedia em termos hagiográficos a seu favor, e distribuiu xingos para opositores políticos e jornalistas impertinentes. A página que os funcionários públicos editaram em proveito pessoal do chefe diz que ele bolou também o sistema de peonagem usando médicos cubanos.

Então é Natalini 43 para governador. De longe o melhor.

Voto aberto: Kaká Werá 430 para o senado

Voto secreto é direito, não um dever, então como não vivemos num regime totalitário vou usar esse blog para declarar meu voto. Começo com senador: Kaká Werá 430 do Partido Verde.

Os temas da campanha dele são as mais relevantes para o paulista: educação, cuidado com o meio ambiente e em particular com as águas, respeito à diversidade, e cultura de paz. Mesmo que não consiga transformar o país no Senado, só termos alguém defendendo os índios já vale o voto.

Não tenho nada contra o Serra, mas já cansei de votar nos mesmos caciques tucanos. Também não tenho nada contra o Suplicy, mas ele tem sido bem menos ativo nos últimos 12 anos. Nem tenho objeção ao Kassab, mas não vejo motivo nenhum para apoiar o partido que ele criou.

Então voto no Kaká Werá 430, afinal ele já escreveu livros e fez discos, que pretendo conferir. Na medida que tiver tempo vou escrevendo os demais votos.

24 agosto 2014

Reforma partidária

O Brasil precisa de uma reforma partidária. De um lado, os populistas, centralizadores, defendendo as conquistas da ditadura getulista, culpando o governo anterior por todos seus erros, buscando em todos os problemas uma conspiração internacional estadunidense-americana. Esse povo se abriga no PT e dispersa nos outros partidos de esquerda, mas merece uma instituição coesa, com liderança gaúcha.

Do outro lado os espumantes, vendo comunista embaixo da cama, pedindo um golpe militar a cada caso de corrupção real ou inventada. Esse povo anda meio sem casa, ficou desacreditado pela posição em relação à ditadura militar, então se espalha nos demais partidos, causando confusão ideológica. Devia ter seu próprio partido, com liderança carioca naturalmente.

No meio os democratas, um pouco liberais ingleses, um pouco socialistas franceses, um pouco desenvolvimentistas americanos, mas sem muito exagero. Café, com leite. Feijão, com arroz. Filé, com salada. Farofa, com couve. Um partido enraizado na Gerais. Sem a faina de carregar bandeiras oposicionistas, fica melhor.

O eleitor paulista escolhe um dos 3 e decide quem governa o país. Sugiro até os nomes para as agremiações: Partido Trabalhista Brasileiro, União Democrática Nacional, e Partido Social Democrático.

Pensando bem, deixa como está.

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23 agosto 2014

Numa discussão no Facebook....

... sobre política externa brasileira de repente vem um cara e diz que o problema é que os judeus controlam a mídia e por isso Israel não tem direito a existir. Não respondi para esse sujeito, mas copio aqui o algumas coisas que escrevi para meus amigos que estavam na discussão, que continuou em diversas direções.

[a política externa brasileira com relação a Israel] é a mesma desde 1948, com exceção do voto do Geisel contra Israel em 1975, e da chamada do embaixador somada à não condenação do Hamas no mês passado. Há também a questão do apoio ocasional do Itamaraty e a amizade de setores do PT com as piores ditaduras do mundo árabe e islâmico, que tem relação, mesmo que indireta, com a questão entre Israel e Palestina. Fora esses episódios, é uma posição que qualificaria o Brasil a interlocutor mais ou menos isento e aceitável por moderados de ambos os lados, justamente por ser inaceitável para radicais de cada lado. Não é inatacável, mas é razoável. A cada escorregão do Itamaraty ou do governo, porém, o Brasil volta para o andar mais baixo da escada.

...sustento e reforço minha opinião anterior de que a causa única do problema [entre Israel e Palestina] é o pensamento como o do comentário logo acima, baseado nos protocolos dos sábios de sion ou em outra literatura ainda mais maldosa. Uma discussão sobre política externa brasileira virou uma oportunidade para desligitimizar Israel, apesar do non sequitur em relação aos comentários anteriores. Note como é difícil para Israel chegar num acordo quando os supostos amigos dos palestinos pensam assim, e como esse pensamento facilita a ação de países que apoiam e se beneficiam tanto do Hamas quanto do ISIS e conseguem controlar Gaza através do Hamas.

Minha opinião é essa: o conflito entre Israel e Palestina é um horror, e para acabar deve haver um estado palestino. 2 estados para 2 povos. Pronto. Qual o obstáculo? Do lado palestino, os grupos terroristas que fazem de tudo para sabotar qualquer possibilidade de um acordo. Do lado israelense, o medo. Medo de quê? Volte uns pontos atrás aqui nesse post. Era um discussão sobre política exterior brasileira onde petistas e anti-petistas tinham apresentado suas opiniões e até certo ponto concordado. Daí veio o [o sujeito supre-citado] com um post desligitimizando o Estado de Israel com base num suposto controle judaico da mídia mundial. Isso é muito comum. Quando o israelense vê esse argumento, ele pensa: "Não existe mudança da minha política que vá conseguir paz. Não são as decisões do meu governo que ele está criticando, é minha existência. O outro lado não vai parar enquanto não conseguir fazer conosco o que está fazendo com os cristãos no Iraque. A única coisa que pode ser feita contra esse argumento é usar a força." E por causa desse tipo de argumento, que é bastante comum, é muito mais difícil chegar a um acordo.

...existem setores radicais em Israel, e setores que aceitariam acordos em qualquer situação razoável. E no meio uma maioria que aceitaria sem grandes obstáculos - exceto pelo medo do terrorismo. Esse centrão é que é o cerne da questão, não os radicais. Infelizmente o Hamas reforça os receios do centrão. Não adianta apontar para os lados radicais, tem que entender as considerações dos centrões de cada lado.

O voto do Geisel teve a ver com suborno dos países do Golfo a um regime que não tinha exatamente um compromisso muito firme com ideologias democráticas nem com a honestidade. Foi uma exceção na política brasileira, como foi exceção a resposta desproporcional do Itamaraty marcoauréliogarcista. Acho que podemos, mesmo sem concordar com a medida de proporcionalidade, concordar que o objetivo é constituir um estado palestino viável e em paz.

....de fato o Itamaraty desde o início do governo do PT tem sido bastante tolerante com todo tipo de regime tirânico ou sanguinário. De maneira geral a política externa do Brasil tende aos "panos quentes", mas exemplos de omissão como no caso do Irã ou Síria abusam da boa vontade. Por outro lado os "panos quentes" coloca o Brasil, salvo ocasionais deslizes, numa posição razoável no caso Israel-Palestina, onde de certa forma ambos tem razão, e de outra forma ambos erram. Pelo 3o lado, neutralidade excessiva faz a política externa brasileira meio irrelevante - uma cadeira permanente no Conselho de Segurança para se abster sempre? Da minha parte ponho a culpa dos "deslizes" na troika Celso Amorim-Marco Aurélio Garcia-Samuel Pinheiro Guimarães.

Acho que concordamos que a situação do povo de Gaza e em menor escala da Cisjordânia é triste, especialmente se comparada com as possibilidades da época de Oslo nos anos 1990. Acho que também dá para concordar que fora 2 estados para 2 povos coexistindo em paz não há caminho para remediar essa injustiça. Discordamos ao menos em parte sobre os obstáculos para resolver. Você indica as ações de Israel. Não vou dizer que não é parte do problema, muito menos defender cada ação israelense, mas enfatizar que em Israel há uma enorme diversidade de opiniões e o governo poderia mudar de atitude quando o povo assim indicar. Porque não faz? Na minha opinião, por causa das ações do auto-entitulados "amigos dos Gaza", aqueles que querem luta contra a ocupação até a última gota de sangue palestino. Confortáveis nas capitais do Golfo, nas burocras diplomáticas, nas ruas de Paris e Londres, ou nas torres de marfim da academia, para eles quanto pior melhor. Quanto mais mortes em Gaza, mais à vontade se sentem para criticar e esconderem suas próprias atrocidades preferidas. Quando esses grupos revelam que a bandeira deles não é contra ações do estado de Israel, mas contra a existência do estado ou do povo judeu, daí a maioria israelense entende que não há concessões que podem levar à paz, mas apenas a mais guerras mais sangrentas.

É isso. Quem estava gritando sobre Gaza um ano atrás, sem procurar uma resolução pacífica, enquanto o conflito na Síria era 1000 vezes maior tem que assumir a responsabilidade de os conflitos agora terem envolvido Gaza.

22 agosto 2014

Home electronics

I have a computer connected to an UPS. The laser printer is of course NOT connected to the no-break, but it is in the same room. When the printer goes off, the computer goes off. I understand that the printer sucks electricity and lowers voltage. Isn't this precisely the problem a battery backup is expected to solve? What should I do?
  1. Get a new no-break? Mine is a small APC one - good brand, perhaps I need a fancier model with faster response. 
  2. Get rid of the Brother laser printer, because it defeats the no-break? 
  3. Or use laptop computers exclusively?
Earnest suggestions appreciated.

21 agosto 2014

Vidas e milagres dos santos comunistas

Vocês têm notado as páginas da Wikipedia sobre essas figuras menores da esquerda? São hagiográficas. Roberto Amaral, Padilha que é candidato a 3o colocado na eleição para governador em SP......

Fui dar uma olhada, a cada parágrafo exaltam os milagres que o santo cometeu. Preocupante isso. Não sei quanto é espontâneo, quanto é coordenado e pago com nosso dinheiro de impostos, quanto influencia o pensamento nacional, quanto cai no esquecimento, mas acho preocupante.

Quem escreve essas páginas, são os mesmo que canonizaram o político que eles chamavam de Dudu Traíra assim que morreu?

19 agosto 2014

Friends of Hamas

Allies of Hamas in Iraq kill thousands. Friends of Hamas on Facebook go hiding. Hamas apparently breaks cease fire with the goal of bringing Gaza back to the news. Three rockets explode in Israel, hours before truce to expire htz.li/5n.

I expect that the outcome will be as Hamas and its friends intend: more suffering to the people of Gaza. Less news about Iraq and Syria.

18 agosto 2014

Análise política rápida e malfeita

Quem será o menos pior para o Brasil?

Dilma.
Pró: fez o estrago, vamos deixar ela consertar.
Contra: 16 anos no governo é muita oportunidade para o projeto de poder eterno de alguns setores do PT.

Aécio.
Pró: Tem a equipe mais competente.
Contra: Vai levar a culpa do inevitável estrago, e depois quem o povo vai eleger em 2018?

Marina:
Pró: Não vai levar a culpa do estrago.
Contra: Nem a pessoa nem o partido tem qualquer qualificação para governar o país.

Conclusão: vou votar no Aécio mas talvez para o país seja melhor que a Marina pegue o estouro da bolha construída pelo PT. Continuo achando que vai ser uma eleição horrorosa

16 agosto 2014

A pindaíba da USP

O problema financeiro imediato da USP é o excesso de gastos, causado pelo choque de má gestão nos últimos anos. A má gestão foi liderada pelo reitor Rodas. Toda a USP participou, gastando como se dinheiro desse em árvore. Nem eu que reclamo de tudo bloguei contra o desperdício que é dar vale restaurante para todo mundo. Em defesa própria, meus colegas não viram nenhum dos milhares de funcionários que o Rodas contratou trabalhando. Não tínhamos como saber quantos eram.

A longo prazo a USP é solvente, porque a economia de S Paulo cresce, o total de impostos aumenta, e  o orçamento tende a cobrir os salários se não houver aumento acima da inflação nem contratações novas. O desafio é trazer recursos futuros para o presente. A proposta do reitor Zago de promover demissões voluntárias, aumentando os gastos imediatos e diminuindo os gastos futuros, é exatamente o contrário do que a USP precisa. Não faz diferença porque nenhum funcionário vai aceitar perder a sinecura.

O grande problema da USP  é que o trabalho dos professores é ineficaz - muita burocra, currículos engessados que dão trabalho e não rendem aprendizado. O número de funcionários é excessivo e o desempenho das burocras administrativas é inferior ao que se espera dos recursos gastos. Só que é necessário resolver os problemas urgentes antes de tratar os problemas grandes.

O caminho que a reitoria parece ter escolhido é deixar o povo ficar em greve, não estavam fazendo grande coisa mesmo. É cômodo. Realmente o trabalho da minoria de grevistas não parece estar fazendo muita falta para a sociedade. Na minha opinião fazem falta tanto o diálogo como o camburão, mas a inação, esperar a inflação diminuir os salários, também é uma tática. O problema foi causado pela omissão de vice reitores, pró-reitores, conselhos, congregações, sindicatos, e de todos os professores da USP que se omitiram enquanto a coisa pública estava sendo gerida de modo temerário. Quem sabe o problema causado pela inação pode ser resolvido com mais inação?

08 agosto 2014

Bolha estatizada

O setor privado no Brasil depende do governo até para criar uma bolha. Deu na Folha hoje: Bancos públicos assumem 70% de socorro a elétricas.

A explicação é óbvia: o governo está manipulando os preços com finalidades eleitorais. Para cobrir os buracos nas empresas de energia, recorre aos bancos oficiais. Empresas e bancos privados, inclusive multinacionais, dançam enquanto a música toca: leia também sobre os vendedores de carros. E os peronistas culpam o Brasil pelo calote argentino, apear de todos os presentes dados pelo governo brasileiro a empresários ligados aos pinguins que operam no setor de contravenção.

As bolhas mais recentes nos Estados Unidos se originaram no setor privado: alta tecnologia nos anos 1990 e imóveis na década de 2000. Aqui é necessário apoio do governo para gerar uma bolha. A crise bancária no Brasil vai estourar durante o próximo governo. E quem tem que resolver crises financeiras é o governo - deixando para o setor privado como os países ricos estão fazendo, a crise dura 10 anos.

Será que a administração que criou a crise terá competência para resolver? Ou quem herdou a bolha terá força para enfrentar o estouro em vez de passivamente levar a culpa? Não estou gostando do enredo desse filme.

06 agosto 2014

Pergunta e resposta

@gugachacra pergunta: Os europeus, que são o povo que mais se matou na história da humanidade, hoje vivem em relativa paz, a não ser pela Ucrânia. Por que no Oriente Médio, onde nunca houve violência que chegasse aos pés da violência europeia, judeus e árabes não conseguirão o mesmo?

@Pepait respondo: Tentanto responder a última pergunta: conseguirão. Mas há um obstáculo. Israel é um país pequeno, dependente de seus aliados, mas tem autonomia. Já o povo de Gaza não tem autonomia, por ser um território pequeno, isolado, e relativamente pobre, e fica refém de forças internacionais a quem interessa a manutenção do conflito. As vozes extremistas na mídia e nas redes sociais ressoam justamente esses interesses. A Cisjordânia está numa situação intermediária e hoje acredito que seria possível chegar numa situação melhor, porém a maioria dos israelenses desconfia da Fatah, justamente porque ouvem a mensagem de guerra vindo de tantas outras partes.

Em comparação, a Europa Ocidental entrou num período de paz a partir de 1945 quando se submeteu ao controle militar dos países de língua inglesa. A força internacional dominante queria a paz, que os europeus aceitaram. Note que a parte russa ainda teve invasões e conflitos.

15 julho 2014

Os técnicos brasileiros têm medo de craque

Sempre há alguma desculpa de contusão, real ou inventada, mas os técnicos brasileiros têm medo de craque. Vejamos o histórico depois da era Pelé.

Em 1974 Zagalo deixou Ademir da Guia no banco. Mesmo que não ganhasse da Holanda, com o craque que Zagalo desprezou o time teria deixado uma lembrança melhor.

Em 1978 Claudio Coutinho deixou em casa o melhor jogador brasileiro, Falcão, que junto com Zico bem podia ter montado um gol na Argentina, ou pelo menos evitado aqueles empates feios na 1a fase.

Em 1982 o Telê que era o Telê montou um time sem centroavante porque suspeitava que Reinaldo, o grande centroavante brasileiro, era homossexual. O preconceito do treinador resultou no ponto fraco do excelente time.

Em 1986 o time já não era o mesmo, mas foi eliminado sem perder e levando só um gol.

Em 1990 Romário não estava no time do piacere io sono il Papa. Só não ficou fora em 1994 porque a seleção sem ele nem ia para a Copa. Parreira não podia excluir Romário, que classificou a seleção contra o Uruguay, e teve que apelar deixando o vice craque Raí no banco. Com isso quase entregou a Copa. Em 1998 novamente Romário foi preterido, pelo Zagalo.

Em 2002 o Brasil ganhou todas. O Felipão criou uma aura de não ter medo de craque.

Em 2006 tinha bastante ex-craque em atividade.

Em 2010 os craques Neymar e Ganso teriam que estar no time nem que fosse só para assistirem a Copa, como Maradona em 1978 e Ronaldo em 1994. Teriam encontrado um lugar num time sem estrelas.

Em 2014 #nãotevecopa

10 julho 2014

Os dinamarqueses têm um ditado: "Hvad udad tabes, skal indad vindes."

Os dinamarqueses têm um ditado: "Hvad udad tabes, skal indad vindes." O que foi perdido por fora, será ganho por dentro. Após perder um bom pedaço de seu território nas guerras de Bismarck, a Dinamarca se voltou para dentro, cultivando terras inóspitas e charnecas no interior do país e, mais importante, fortalecendo as instituições e a coesão social do povo. A resposta à derrota de 1864 é crucial para a formação do país mais feliz e próspero do mundo.

O Brasil não se mete em guerra. Quando é metido, escolhe bem os aliados. As 3 vezes guerras em que o Brasil esteve terminaram com a rendição incondicional do agressor. Estamos invictos, e somente os insanos atacam o impávido colosso.

Mas levamos a sério as vitórias e derrotas no futebol. Talvez o esporte sirva como sucedâneo para a batalha, uma droga huxleyana com efeito social. Talvez até entre os briguentos europeus. Seja como for, entre nós os jogos decisivos são lembrados por gerações.

O que perdemos para os outros, vamos ganhar para nós. Acertar a educação e a ciência no Brasil, porque educação e ciência são as únicas coisas que ajudam a felicidade e prosperidade de uma nação, mais do que conquistas econômicas, militares, ou esportivas. Reformar a administração dos esportes no Brasil e varrer a corja de ladrões que ocuparam a CBF e outras associações e ministérios esportivos. Porque não aproveitar a oportunidade para limpar os corruptos da política?

E tratar uns aos outros com respeito, inclusive os jogadores e técnicos de futebol que fizeram o que conseguiram no campo. Quem joga melhor do que eles, quem nunca perdeu uma partida, quem já marcou mais de mil gola, até tem o direito de criticar. Quem já perdeu de 14x1 sabe como eles se sentem. Por patriotismo, dê ao seu trabalho uma dedicação especial, trate com decência seu compatriota, e eleja bons políticos. Um jogo de futebol perdido vai ser um futuro ganho.

30 junho 2014

Péssima escolha do Aécio

O senador Aloysio não acrescenta nada à chapa. Nem mais à esquerda, nem mais à direita. Nem mais ao norte, nem mais ao sul. Agora são 2 homens brancos, políticos profissionais. Não tenho objeção ao senador, mas não é um nome novo e não vai trazer nenhum voto que não era garantido para o partido. Aécio escolheu um vice para agradar os velhos caciques tucanos. Mais uma prova que o PSDB não se renova.

13 junho 2014

E falavam do Galvão

A cobertura da Copa nas redes sociais está pior que na TV. Quem é petista só fala do show midiático do Nicolelis. Quem é antipetista torce até contra o exoesqueleto.

Petista só fala na maravilha que é o estádio e nos belíssimos viadutos dos estados governados pelo seu partido. Antipetistas culpam o Lula pela seca e pela chuva, torcem pelo gol contra e pelo erro do juiz.

Imaginem se o povo que escreve no Facebook governasse o país? Estamos melhor com os políticos, e assistindo rede Globo.


10 junho 2014

Previsões do Nate Silver para a copa

Acho que as previsões do Nate Silver para a copa estão certas: o Brasil tem quase metade de chance de ganhar, bem mais do que estimam os apostadores.

O fato é que as jogadas mais efetivas da Alemanha e da Argentina - a saber, quebrar a perna do jogador adversário sem levar punição - não são muito eficazes contra o time da casa. É sabido que a vantagem do time da casa é que o juiz tem receio de se deixar subornar pelo adversário, em consideração à reação da torcida. Dizem que esses alemães são menos grossos, mas não vai ser numa copa que vão mudar a personalidade do time. Idem para os argentinos, mesmo com Messi. Enfrentar o Brasil sem dar canelada, só é o estilo da Espanha e França.

Então as possibilidades de alguns dos principais adversários do Brasil ficam diminuídas. Vamos ver se chegou o fim da era Dunga.

08 junho 2014

Motivos para não estar entusiasmado com a Copa

1 - A corrupção da FIFA passou dos limites.
2 - O desperdício com estádios é desanimador.
3 - Os 20 anos da era Dunga acabaram com a alegria do futebol. Certo que o Brasil ganhou 2 vezes, apesar dos esforços em contrário da cartolagem, mas os papelões de 2006 e 2010 cortaram o ritmo de torcer.
4 - O Corinthians foi campeão do mundo em cima do Boca; talvez só isso baste, e torcer para seleção fosse só para compensar os fracassos do futebol de várzea.
5 - Depois de 3 anos como técnico de futebol infantil, ganhei uma vaga noção de quanto um técnico pode atrapalhar e não quero ver mais.
6 - Neymar e mais quantos? Não conheço os reservas da segundona da Turquia.
7 - O regulamento da Copa é um lixo: 3 jogos que não contam nada, depois 4 jogos eliminatórios, a maioria decididos ou por pênaltis ou por erros de arbitragem. Talvez isso fosse tolerável quando éramos analfabetos, mas hoje m torneio de jogos aleatórios é frustrante.

Ou então estou só demorando para engrenar. Vamos ver no final da semana.

06 junho 2014

Uma universidade não é uma empresa

Imito aqui o título de um genial artigo do Paul Krugman, A Country is Not a Company. Enquanto ele compara e explica direitinho as diferenças, eu vou colar apenas o título e dar uma explicação meramente operacional.

É que as pessoas, tanto as da universidade, como as da empresa, que acham que uma universidade é a mesma coisa que uma empresa, ou não sabem como funciona uma universidade, ou não sabem como funciona uma empresa. Em muitos casos não sabem nem um, nem outro.

As pessoas que sabem, mesmo que só em linhas gerais, como funciona uma universidade, e como funciona uma empresa, entendem que são instituições diferentes.

(Claro que há pessoas que não sabem nem o que é uma universidade, nem o que é uma empresa, e mesmo assim acham que são coisas diferentes. Logicamente, isso não tem efeito sobre o argumento, então podemos ignorar esse caso não tão incomum.)

05 junho 2014

Calendário trimestral

Já que uns 2 ou 3 gatos pingados leram meu último post, vou dar mais uma sugestão, sem pretensão de originalidade: devíamos adotar calendário trimestral na USP, com 4 períodos por ano. Antes e depois de uma conferência visitei colegas na California, onde muitas universidades estaduais adotam calendário trimestral, e me convenci que seria uma boa ideia na USP.

Na Poli não é novidade: a pós graduação e os cursos cooperativos já adotam, embora a maioria dos cursos de graduação continue no calendário semestral. Há vantagens: o trimestre é mais curto; para a maioria das disciplinas, honestamente, um semestre é tempo demais. Para as disciplinas anuais, não faz diferença: em vez de Cálculo 1 e Cálculo 2, ensina-se Cálculo 1, Cálculo 2, e Cálculo 2, no mesmo número de meses. O curso trimestral fica menos quebrado por feriados, provas, e semanas do saco cheio. O curso trimestral aumenta a flexibilidade de organização da quantidade de material ensinado, e portanto facilita fazer todas as disciplinas com o mesmo número de horas semanais. Isso simplifica os horários, que atualmente na USP causam uma infinidade de conflitos. Finalmente, eventuais reprovações atrapalham menos os alunos. Cursos extras de reposição poderiam ser oferecidos no 4o período, melhorando a utilização do campus que durante as atuais férias fica subaproveitado.

Adicionalmente, o curso trimestral facilita a mobilidade internacional. Nossos semestres não se casam bem com os semestres de outros países. Sempre temos alunos chegando um pouco atrasados enquanto concluem seu período de estudos no exterior. Com 4 períodos anuais, de preferência correspondendo mais ou menos às estações do ano, fica mais fácil para os estudantes encaixarem estudos no Brasil e no exterior.

Os únicos prejudicados vão ser aqueles professores cujos cursos são grandes demais para 3 meses e pequenos demais para 6 meses; aquelas matérias que só cabem em 4 meses, e não podem ser ensinadas de outra forma. Se existir algum assunto assim tão inflexível, provavelmente já deveria ter sido eliminado do currículo há décadas.

04 junho 2014

O rombo no orçamento da USP - modesta contribuição

Custo mensal de estacionamento na cidade de S Paulo: R$300.

Número de veículos que entram no campus da USP diariamente: 50 a 100 mil (minha estimativa).

Subsídio anual aos usuários de automóvel, não disponível para pedestres, ciclistas, ou usuários de coletivo, implícito na gratuidade do estacionamento no campus: 200 contos de réis ou mais.

Rombo no orçamento da USP causado pelos gastos fora de controle na gestão Rodas: 5%, considerando apenas os gastos com pessoal.

Orçamento anual da USP: uns R$5 bilhões, 5 mil contos, vou chutar para não gastar tempo do contribuinte tentando cavar os números recentes exatos.

Fração do rombo com pagamento de pessoal que poderia ser coberta através da cobrança de estacionamento: entre 80% e 120%, aproximadamente.

Proposta da direita para diminuir o rombo: acabar com a universidade pública e gratuita (com as consequências inevitáveis).

Proposta da esquerda para diminuir o rombo: controle social da universidade (todo poder aos sovietes).

Número de professores favoráveis à cobrança de estacionamento para todos os automóveis que entram no campus, inclusive os de propriedade de professores, funcionários, alunos, e visitantes em geral: 1 (por enquanto, sou eu).

Se houver mais alguém favorável, por favor indique nos comentários.

02 junho 2014

Where do I go from Yale?

In May I spoke at a panel on global careers, part of a career event aimed at current graduate students called "Where do I go from Yale?". My notes:

1 - Our work is important. Even when conventional success is not immediate. The relevance of academic work is hard to measure and does not always correlate with credentials and achievements, nor with grants and publications. But the work is important, and this is why after graduate school you will find a place somewhere in the world to do your work.

2 - We know Yale as a 1st rate research university. Research in integral with an astonishingly successful education system. many institutions throughout the world are making an effort to learn from the American academic research model. The aspect of a liberal arts education is as important, and perhaps less well understood abroad.

(I am certain about Brazil, and I suspect this is true for many emerging scientific environments.) Understanding the connection between research and education at Yale will enhance your contribution - in academia or in business, abroad or in the US advising students from different places.

3 - Your work is good. Publish it. Go to conferences. Talk to people about what you do. Listen to people who say interesting things. People you meet at your first conferences are friends who will sustain you throughout your career.

(Personal aside: I learned about the job I still have in Brazil from my college buddy while I was at Yale. In the meantime, I worked for a couple of years at a Boston company I learned about through a graduate students of an academic friend.)

4 - Get your personal life in shape. Family life means different things to different people. Your need to find what works for you. To support and to be supported are especially important in international careers. Do it. Jobs, visas, languages, housing.... that will follow.

5 - Academia is becoming more international. It used to be that you could only find a job in a country where you "belonged"... or in the United States and select other few. Academic and business cultures everywhere are becoming more "American". You can work things out even if "you are not from there".

01 junho 2014

Diálogo tuitado

@EternoAmorim  May 31
Não há o que temer. O Decreto 8.243 está em conformidade com as principais democracias do mundo, como Cuba, Venezuela, Rússia, China e Irã.

@pait  May 31
Esse decreto 8243 é bom, porque o congresso burguês não teria aprovado. Tem que ser por decreto. Todo poder aos sovietes! @EternoAmorim

‏@EternoAmorim
@pait Exato. Quem deve pautar as ações públicas são as forças progressistas, independente de onde estejam, como defende o Ministro Barroso.

@pait  May 31
@eternoamorim Porque se cumprirmos a Constituição burguesa, esperarmos o Congresso debater a leis….

@pait  May 31
@eternoamorim … o País nunca será uma democracia popular de partido único. O executivo tem que tomar a iniciativa.

‏@EternoAmorim  May 31
@pait Eu diria que hoje o judiciário também se torna democrático, progressista e amigável ao povo.

‏@pait  May 31
@eternoamorim Hoje. Porque ontem não era.

‏@pait  May 31
@eternoamorim As instituições são substituíveis. Apenas os grandes líderes são indispensáveis.

@EternoAmorim  May 31
@pait Como Nosso Guia. Cito Marilena: "Quando Lula fala, o mundo se ilumina".

‏@pait  May 31
@eternoamorim E quem não se deixa iluminar, tem que se aposentar.

‏@pait  May 31
@eternoamorim "a teoria da relatividade mostrou que as leis da Natureza dependem da posição ocupada pelo observador" http://fmpait.blogspot.com/2010/03/convite-filosofia.html?spref=tw …

@EternoAmorim  May 31
@pait Confesso que física quântica não é minha especialidade, mas admiro a interdisciplinaridade Descartiana de Marilena.

@pait  May 31
@eternoamorim Importante é a aplicação à política. O significado maior da obra de Einstein é que Nosso Guia está certo mesmo quando erra.

29 maio 2014

Copa no Brasil custa "só" um mês de educação; nos EUA, uma hora e meia

Copa custa só um mês de gastos com educação, vangloria-se o siteDilmaRousseff no Facebook, citando cálculos da Folha.

Em comparação, a Copa de 1994 nos Estados Unidos custou $370 milhões de dólares. Pouco mais da metade de um milésimo dos gastos anuais com ensino público fundamental e secundário no país.

Em resumo, a Copa custou entre 100 e 200 vezes mais do que deveria. Achávamos que o percentual de superfaturamento tinha sido uns 200% em relação ao orçamento inicial. A comparação com a educação mostra que os desperdícios foram impressionantes 20000%. #Dilma #Fail

16 maio 2014

Dia triste

Hoje foi um dia triste, quem me segue nas redes sociais sabe. S Paulo tem mais de 7 milhões de proprietários de automóvel. Um desses tirou a vida de uma pessoal muito boa. Excesso de velocidade, falta de prudência, excesso de álcool, falta de manutenção? Não sei.

Mas como a vida continua e não consegui concentração para preparar uma palestra sobre otimização livre de derivadas, fui cuidar da burocra. Entre uma ordem de pagamento e um notário público para o consulado sentei para arroz e feijão num restaurante brasileiro novo, pequeno, que apareceu em Allston do outro lado da rua do antigo Café Belô que pegou fogo há anos.

Tinha um paulista que não vai no Brasil há anos reclamando do PT, dos bagunceiros, do preço da coxinha na lanchonete do aeroporto de Guarulhos, dos larápios que roubaram uma mala cheia de perfume que a amiga dele comprou em Miami. Essa parte não tinha graça. Mas daí entraram na conversa um outro freguês e o dono da lanchonete, depois de acabar o prato feito pedi um guaraná para ficar ouvindo.
A lanchonete vende muita marmita, entregas quase todas em Brookline porque lá tem muita reforma. Porque comer lanche é ruim. 7 dólares você compra só um sanduíche, comida mesmo é arroz e feijão, custa 11 e você está alimentado. Para trabalhar precisa comer direito. E tem muito trabalho! O que tem de reforma lá em Brookline. Acabei de quebrar uma cozinha em Everett, semana que vem volto para refazer tudo. Só que tem gente que não quer trabalhar. Com tanta reforma, tanta disha, quem não está bisado é que não tem vontade de trabalhar. Lá na praça sempre tem uma dúzia de sujeitos só esperando trabalho. Passei lá e ofereci 15 por hora, 4 horas garantidas, todas as despesas pagas, para fazer uma mudança, serviço fácil, só botar no caminhão e depois descarregar. Não quiseram, pediram 25 pesos. Então arrumei outro, aquele ficou esperando serviço na pracinha. Outro dia na volta do serviço comi numa lanchonete em Everett e falei com uns americanos. Me explicaram que os americanos não querem qualquer tipo de serviço porque têm orgulho. Mas orgulho de quê? Uma crioulo desse tamanho muito mais forte do que eu ficar na porta do 7-11 pedindo esmola? Que orgulho é ficar sentado na praça esperando serviço, com tanta reforma em Brookline?
É isso que ouvi. Custou uma guaraná. Aula de sociologia popular por 2 pesos.

What Can the World Learn from Educational Change in Finland?

Just before going to an academic conference in California, to which I still have to prepare a talk, I heard a lecture by Pasi Sahlberg, author of "Finnish Lessons: What Can the World Learn from Educational Change in Finland?"

Some notes, paraphrasing things he said which resonated strongly:

  • Everyone who thinks Finland has the best schools in the world is abroad. 
  • Don't try this at home. Education models travel poorly. Can't be copied as a whole.
  • Where do you get your ideas about education? From the USA. 
  • Almost all schools in Finland are the same. Anyone can attend school free. 
  • Teach less learn more. 
  • Test less learn more. 
  • School starts late in Finland, age 7, students graduate from high school age 19. 
  • Equity drives quality. 
  • Too much testing in Massachusetts. Weighing the pig doesn't make it fatter. 
  • Children must play. Article 7 declaration rights of children. More recess.
  • ADHD probably exists but most are suffering from childhood. 
  • Why do you Americans talk so much about your children's education? 
  • Good player plays where ball is. Great player, where ball is going to be.

10 maio 2014

Jan Talpe, ex-professor da Poli

Deu no site da Adusp: Polícia Federal tenta deportar padre belga Jan Talpe, de 81 anos, ex-professor da Poli torturado e banido em 1969.
Há um lado feio e outro bonito nessa história. Bonita é a decisão do juiz considerando que leis e medidas da época do arbítrio não têm valor legal na nossa democracia. Um ponto para a liberdade!

Feio é saber que o padre belga era professor da Poli quando foi perseguido pela ditadura. Se é lembrado nas histórias oficiais, confesso minha ignorância. Particularmente lamentável a posição do Prof Fadigas, então reitor da Poli na época da lamentável trinca Reale-Buzaid-Gama e Silva, descrita em artigo citado.

O preço da liberdade é a eterna vigilância. O juiz estava vigilante; a Poli precisa acordar.

19 abril 2014

Notes from Tufte workshop

I have just found my notes from a 1-day workshop with Edward Tufte that I attended in March. For my records, here are my takeaway points.

1 - Every meeting starts with a document. A 2 to 4 page handout, for shorter meetings. That includes lectures and classes.
2 - Study hall. After handing out the document, give people time to read. Don't expect people to read in advance - it is during the meeting that you have their attention.
3 - Flatness. It is easier to read data in a page than across several pages. Graphs and tables with more information are better. Spreading information over time in slides makes it unreadable.
4 - Whatever it takes. It doesn't matter how you produced the display, use what works.

Most important: don't hide your data and your documents behind Powerpoint. The audience can and will read the complete material. They don't need or want to wait for you to read it to them.

12 abril 2014

Six stages of Olympics

Michael Pirrie, adviser to Sebastian Coe, describes the 6 stages of an Olympic organization:

1 - Euphoria at winning the bid,
2 - Shock of understanding the scope,
3 - Rise of instant experts who had been against the project,
4 - Persecution of the innocent for minor flaws,
5 - Successful Olympic Games, and
6 - Glorification of the uninvolved.

Can apply to other types of projects as well. The quote in full is in today's NYTimes.

“There’s the euphoria of winning the bid, then the shock of understanding the fully massive scale of what’s required,” Pirrie said in an interview. “Then there’s the rise of the instant experts, the people who said you’d never win the bid or that your city or country didn’t need the bid but now are telling you how to deliver the Games. “Then you have the persecution of the innocent, whereby anybody connected to the organization of the Games is somehow responsible for any major or minor detail of the planning going slightly awry. Then you have the successful delivery of the Games, with the help of the volunteers and everyone involved. And then, finally, you have the glorification of the uninvolved, all the people who sat on the sidelines and watched it all evolve and then suddenly were the ones who helped deliver it.”

10 abril 2014

Os Donos do Dinheiro - Formação do Patronato Financeiro Americano do Século XXI

Lendo a resenha de Os Donos do Dinheiro - Formação do Patronato Financeiro Americano do Século XXI. Não é o título original, mas seria uma tradução analógica. Pergunta: porque a taxa de retorno r líquida do capital subiu a valores próximos a 4% ao ano, após um século de juros baixos? Krugman menciona que impostos sobre renda-sem-trabalho diminuíram, e que houve destruição de capital no século 20. Mas será que os juros aumentaram por outro motivo?

04 abril 2014

Cultura, extensão, e figuras de linguagem

Sou informado que "em 2014 não será realizada nova edição do Programa de Editais da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária".

1a pergunta: Que me importa a edição de editais?
2a e mais interessante: Qual a figura de linguagem?

Sinédoque: a parte pelo todo, "edital" substitui "papelada".
Catacrese: a mesma palavra editais indica "o-que-não-se-pode-falar"; cultura seria o termo correto?
Metonímia: "programa" pelas "bolsas".
Eufemismo: "não será realizada" quer dizer "acabou a bufunfa".
Metáfora: a diácope "edição do programa de editais" significa "atividade-fim da universidade", vulga "burocra".

A mensagem prossegue em circunlóquio: "Nesta gestão viso avaliar e aprofundar a política de qualificação dos programas de fomento da PRCEU, por isso, o Programa de Editais, este ano, num primeiro momento será objeto de acompanhamento, avaliação e divulgação dos resultados das edições 2012 e 2013, para aperfeiçoar em suas próximas edições os focos de atenção, modalidades de financiamento, efeitos pretendidos e perspectivas."

Mais algumas figuras:

Antítese: "aperfeiçoar" e "não realizar".
Ironia aqui me tens de regresso: "este ano ... divulgação dos resultados das edições 2012 e 2013".
Pleonasmo literário: avaliar, aprofundar, acompanhar, divulgar, aperfeiçoar.
Pleonasmo vicioso: avaliar e avaliação.
Elipse: sujeito de "aperfeiçoar" está oculto.
Zeugma, se o sujeito for "eu"; prosopopeia, se for "Programa de editais".
Aliteração: "avaliar, aprofundar, acompanhamento, avaliação, aperfeiçoar, atenção".
Anacoluto: "o Programa de Editais, este ano, num primeiro momento será...".
Oxímoro ou paradoxo, generalizados.

Instigante texto!



16 março 2014

The poor neglected gifted child?

My response to an article about gifted children.

I am somewhat familiar with the issue of very gifted students and I mostly agree with the points raised in the article. Mainly, that society as a whole will benefit from the contributions of those rare students who show unique promise, and that we should not pay less attention to them merely because they are such a tiny constituency who in any case doesn't cause much trouble if ignored.

The article points out one of the problems of programs directed towards the exceptionally gifted - the 1 in 10 thousand, or 1 in 100 thousand, not the mere 1% of us who end up getting PhDs in rocket science like everybody else. Such programs are vulnerable to hijacking by the constituency of the 1% (or 1% wannabes), who are 100 times more numerous. Worse, this group is likely to be self defined by family status and income as much as by truly unusual talent.

But I think the problem with such programs goes deeper. Acceleration for the sake of competition - the aim of those who aspire to be among the 1% most successful - is as likely to harm as to help the truly unique. The reason why it is difficult to design programs for the uniquely gifted is that they are smarter than the people who design the programs. It is the same reason why it is almost impossible to coach an exceptional soccer player - they play better than the coach. (Things may be different in sports where players have rigidly defined roles, or in planned economies where workers have centrally assigned tasks to perform - I am not familiar with such sports or organizations nor do I wish to become.)

It is the nature of unique talent that it doesn't allow itself to be identified by standardized testing. The truly brilliant will benefit from the kindness and encouragement of a good teacher, the sympathy and admiration of the peers who do not necessarily share their talents, and from a school environment that protects their eccentricities and doesn't impede their investigations, much more than they could ever benefit from ambitious efforts to identify brilliance or national laws that screen for giftedness.

For disclosure, I believe that Brookline does a nice job in encouraging truly exceptional talent, that it could perhaps do more, but that we first should do no harm.

OFF TOPIC from now on: Having given my opinion, I cannot resist the temptation to point out a fatal flaw in the Lubinsky study cited in the article. It claims to have studied "a cohort of 320 people now in their late 30s... among the top one-100th of 1 percent". There are roughly 20 million people aged 35-39 in the US. One-100th of 1 percent of them are 2000, of which the Vanderbilt researcher claims to have studied 15%. I think you will agree that identifying 1/6 of such a difficult to define group is completely impossible. Therefore the group tracked must have included not the top 1/10 thousand, perhaps not even the 1/thousand, but more likely the top 1%.

That says that the research conclusions do not reflect the group that it claims to reflect, and reinforces my argument that researchers, who even at top institutions are often not equipped to correctly understand or present the results of their own research, cannot be entrusted to devise programs that benefit the unusually talented. My confidence in the study is not enhanced by the juxtaposition of a quote by the author to one by the head of the Chinese Communist Party.

Alright, I wrote enough already!

04 março 2014

My response to the crisis in greater Sekuron

The basic plan of action is twofold. First, to understand the historical role of the Pontus Euxinus and the Chersonesus, accompany the greatest historian of the Mediterranean in a trip outside his expertise, to antiquity and the remoter past.

Second, to clear up the confusion in the mainstream media about place names imposed by successive illegitimate conquerors, read more on the toponymy of Yiddishland, where we once walked. A helpful web reference is Yiddishland: Countries, Cities, Towns, Rivers.

As for current affairs, news that mention Ades, Yehupetz, Dzhankuye, or Lemberik can only bring sorrow. A repeat of the Yugoslav civil wars: Europeans stir up their respective erstwhile allies from the time of may-his-name-be-blotted, under some vague illusion or pretense that, in the brief time it takes for Europe to forget the lessons of the 20th century wars, they somehow managed to reform themselves without the benefit of American military occupation.

The only difference is that this time the French are quiet, perhaps immersed in their own affairs, and the borderlands of Russia are too far for the English-speaking peoples to be able to pick up the pieces. Which may be for the better, considering the limitations of the do-nothing congress and president in Washington and of the prime-minister of England.

14 fevereiro 2014

Space rovers

Name                          Opportunity               Jade Rabbit (Yutu)
Location                     Mars                           Moon
Planned mission         92.5 days                   Three months
Actual mission           3672 days +               One month
Made in                      USA                           China
Cost                            400 million                unknown

But then, freedom is not free. Nor quality.

04 fevereiro 2014

Incêndios

Nos Estados Unidos, há muito incêndio em imóveis particulares. No Brasil, há muito incêndio em imóveis públicos. Acho impressionante, mesmo sem certeza que são observações estatisticamente válidas.

Porque? Dava uma boa tese sobre relação entre público e privado, automação e segurança, e sociologia da engenharia. Tenho alguns palpites.

30 janeiro 2014

Faculdades de curta duração nos EUA

A reportagem da Fapesp com título "Faculdades de curta duração têm papel de destaque nos EUA" contém um certo número de imprecisões que podem confundir o leitor e dar uma impressão enganosa sobre o ensino superior nos EUA. O assunto é importante e vale a pena fazer as correções necessárias, motivo pelo qual enviei a correspondência abaixo ao ilustre pesquisador através de seu blog. À parte esses 3 pontos mais importantes, há também na reportagem da Fapesp outras afirmações polêmicas ou cuja justificativa é duvidosa, mas me parece que os parágrafos abaixo indicam os pontos onde a interpretação do texto pode conduzir aos maiores erros.

Prezado Prof Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes,

Li reportagem da Fapesp a respeito de sua pesquisa e notei alguns pontos que podem conduzir a interpretações imprecisas.

Um deles é a menção ao custo de Harvard como exemplo de elitização. Pelo contrário, são justamente as universidades mais endinheiradas como Harvard que admitem estudantes sem considerar a capacidade financeira - Yale, Harvard, e outras escolas ricas oferecem bolsas a todos os alunos admitidos que não tenham possibilidade de arcar com os custos do estudo.

Outro ponto é a classificação entre escolas privadas, escolas públicas, e escolas com fins lucrativos. Embora essa categorizarão seja comum no sistema de ensino brasileiro, agrupar universidades estaduais e community colleges dá uma impressão incorreta do sistema norte-americano. As grandes universidades estaduais são muito mais semelhantes às universidades privadas do que aos community colleges.

E existem também os liberal arts colleges, que se dedicam mais ao ensino que à pesquisa, mais uma vez destoando da classificação apresentada. Estas instituições oferecem cursos de 4 anos e uma educação muito semelhantes às universidades de pesquisa, e incluem diversas escolas que só podem ser consideradas de elite, por exemplo Swarthmore College ou Amherst College. Tenho a impressão que na estatística citada no artigo, segundo a qual os community colleges, com cursos de 2 anos, recebem mais da metade dos calouros, os 4 year colleges não associados a universidades foram incluídos com os community colleges de 2 anos, o que é um erro.

Recomendo a atenção a esses pontos que podem confundir o leitor, prejudicando o entendimento do estudo e diminuindo seu impacto. Sinceramente, F Pait pait@usp.br

17 janeiro 2014

Manchetes enganosas nos jornais acusam prefeitos

O Estadão e a Folha trazem reportagens com acusações contra o prefeito anterior e políticos ligados ao prefeito atual. Não tenho como avaliar quanto das acusações são verdadeiras, mas as reportagens são um desserviço ao leitor. Ao contrário do que dizem as  reportagens, a testemunha (que parece anônima) não afirmou que o prefeito Kassab recebeu dinheiro de corruptos; ela afirmou que OUVIU DIZER que o prefeito recebeu uma fortuna.

A diferença é enorme. Os países que têm lei não aceitam "hearsay" como evidência de crime. Não tenho noção de como a lei brasileira, até onde pode-se dizer que existe, trata fofocas, mas certamente o jornalismo deveria tratar com extremo cuidado. O Estadão ao menos toma o cuidado no corpo da notícia de escrever "uma testemunha protegida disse ter ouvido que..." A Folha nem essa atenção primária toma. A reportagem da Folha, distorcendo o furo dado pelo Estadão, é um atentado violento contra a integridade jornalística.

Os fatos são os seguintes: que há corrupção na prefeitura, todos sabemos; e quando não é combatida continuamente ela cresce. Que o prefeito Haddad está investigando, é bem claro. Que o ex-prefeito Kassab se descuidou de coibir os corruptos, me parece um conclusão inevitável. Não podemos afirmar que nenhum deles tem envolvimento, mas também é impossível provar que não sabiam nada. O resto é picaretagem de politiqueiro, especulação de fofoqueiro, e afobação de jornalista descuidado.

O prejuízo para o país é grande, porque com a estratégia de espalhar acusações para todos os lados o eleitor perde a capacidade de distinguir entre o certo e o errado. Nesse sentido, são coniventes o corrupto, o jornalista, e o eleitor que se apressa a dizer que é tudo igual. 

14 janeiro 2014

WHAT SCIENTIFIC IDEA IS READY FOR RETIREMENT?

Edge.org, a highfallutin sort of scientific blog - don't check it right now because it's unavailable - that people say you should be reading but you're not, probably for a good reasons, asks the all caps question above.

For sure it is the idea that there exist hard and soft sciences, or nonsciences. One wouldn't call it a scientific idea except that it is held by scientists and non-scientists alike, and forms the core of the classification of areas of study for the purpose of university administration. The separations is founded on the fact that science progressed by the analysis of some particularly simple phenomena - simple in the sense that they can be simplified by approximation to involve a small number of factors and therefore can be described directly by consideration of fundamental physical laws. Originally we can mention planetary and stellar motion, and electric currents and magnetic attraction.

Now if you really believe in "exact sciences" go compute the fuel consumption of an automobile using Newton's laws and see how exact your answer will turn out. Or if you believe in non-falsifiable sciences, check out the 5 year old experiment performed in the rich economies - provoking a recession by purely financial methods, following textbook recipes, just to show how right Keynes was.

The fictional division between hard and soft sciences is convenient for academics on both sides, who derive satisfaction from putting down their counterparts because, respectively, they cannot make precise statements, or can arrive at truth from mere experiments. It also serves to track young minds into academic tribes from whose confines few are able to escape. The distinction has no ground on reality and should be retired.

13 janeiro 2014

Programa de campanha para o congresso

Para quem quiser usar, está aqui um programa pronto para concorrer ao Congresso por S Paulo nas próximas eleições. São apenas 4 propostas, com um viés libertário:

1 - Justificativa de ausência em eleição pela internet.
2 - Livre uso do Fundo de Garantia pelo trabalhador.
3 - Hora do Brasil e publicidade gratuita de partidos politicos facultativas no rádio e na TV.
4 - Representação balanceada dos estados na Câmara de Deputados: o voto de cada eleitor tem o mesmo peso.

Argumentação: o voto pode continuar obrigatório como diz a Constituição, mas vamos descomplicar a vida do cidadão que se vê impedido de votar. Os cidadão tem o direito de escolher o melhor forma de gerir os fundos que lhe pertencem, e pode escolher poupar num banco oficial, em outra instituição, ou num investimento que julgue mais rentável para si e para a sociedade. Os demais meios de comunicação não são obrigados a passar propaganda dos políticos de graça, então que seja opcional para todos - os ouvintes decidem se vale a pena assistir. São propostas excelentes, inatacáveis, e de grande apelo popular. Pare de reclamar e defenda sua liberdade!

Apenas o último item exige mudar a Constituição. O constituinte errou ao estabelecer que o eleitor paulista vale 10 vezes menos do que o eleitor de estados menores, em contradição à própria Constituição que estabelece que a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo. Os deputados paulistas têm a obrigação de lutarem continuamente para corrigir essa injustiça, mas não o fazem. Quem fizer, está eleito.

Quem quiser mudar de emprego, é só fazer essas propostas, receber os votos, e ir para Brasília. Só não vai receber o voto de quem gosta de coisa ruim para poder reclamar. Não tenho nenhuma vocação para a política, e não vou usar meu próprio programa. Estou escrevendo aqui como serviço público, quem adotar ganha fácil.

10 janeiro 2014

El País do B

A edição brasileira do jornal espanhol tem qualidade, mas não sei qual é o público que vai ler. Qual exatamente o produto oferecido? Há 4 possibilidades:

Notícias internacionais para brasileiros. Em parte, é o que o El País do B oferece: em vez de ler os jornais em línguas estrangeira ou de depender de traduções da imprensa local, o brasileiro lê o El País em português. Talvez exista um mercado para esse jornal de qualidade, competindo com a imprensa tradicional por uma fatia de seus prejuízos, mas apesar de ser um serviço barato de tradução, e do valor da marca El País, não vejo como pode ser muito lucrativo.

Notícias brasileiras para brasileiros. Nesse setor, o El País concorre com a imprensa estabelecida com menos vantagens do que no anterior. Talvez não ter que carregar o peso das suspeitas de alinhamento político ajude; será?

Notícias brasileiras para o exterior. Esse me parece um grande filão. Não há fonte regular e confiável de notícias sobre o Brasil disponível para quem não conhece o país e o português. As agências fornecem as notícias, os dados crus, mas isso é insuficiente para entender o que acontece. Business opportunity, para quem estiver procurando.

Notícias internacionais para o exterior. Essa alternativa está aqui por completude, e como piada. Pense em alguém considerando o conceito e sorria.



07 janeiro 2014

Ciência na China e no Brasil

As universidades da China podem ser as melhores do mundo?, pergunta a Folha. Respondo eu:

Professor que escreve para cumprir a meta de publicação de papers é como aluno que estuda para passar na prova: pode ter sucesso, mas raramente vai contribuir para o avanço da ciência. Enquanto existir critério quantitativo, vai haver professor que publica qualquer coisa só por publicar; mas sem critério, vai haver quem não faz nada. Da mesma forma que há aluno que só estuda para a prova, mas sem prova vai haver aluno que nem isso estuda. Na China a pressão para publicar é mais forte, mais centralizada, como é de esperar num regime de tendências comunísticas. No Brasil existe a pressão vinda das burocras, mas é mais avacalhada, como se espera no país do jeitinho. Então a probabilidade é a China subir nos rankings, mesmo com a maioria da produção científica sem muito valor. Mas pela quantidade a massa de pesquisadores juntos devem acabar produzindo algo de qualidade. No Brasil em comparação os grandes avanços vão depender do talento individual, do craque. Vamos esperar que aconteçam os Romários da ciência!

24 dezembro 2013

The Economist's new Latin American column

The Economist is searching for a title for a new column on Latin America. My letter to them:

I suggest Alcântara.

Emperor Pedro II of Brazil, who when not in official capacity used the name Pedro de Alcântara almost as if a commoner, embodies the contradictions and paradoxes of Latin America. An European-blooded King of Brazil, a republican monarch, an abolitionist in a country of slavery, a rare man of culture in his country, the sole Portuguese-speaking nation of a mostly Spanish-speaking continent (at least among the elite). A liberal to some extent, especially with regard to freedom of press, yet the head of state and to some extent of government in a conservative regime.

Other liberal figures in Brazil would be of local appeal: Juscelino Kubitschek, Joaquim Nabuco, or Maurício de Nassau (the fact that he was Dutch would highlight the paradoxes). Juscelino, Nabuco, Nassau, or Tiradentes might be good names for a column about Brazil. I won't suggest names from other countries, because I am sure you will receive better reasoned suggestions from others; but if you do end up choosing a Brazilian name, Alcântara it should be.

19 dezembro 2013

Problemas com a concepção do edifício novo da Poli elétrica

Preparei uma lista de problemas com a concepção do edifício novo da engenharia elétrica da Poli. Há uma nova versão, onde algum dos problemas talvez tenha sido minorado, mas continua parecendo que o esforço de engenharia e arquitetura investido na concepção é mínimo. É importante toda a comunidade politécnica se mobilizar para jogar fora essa proposta, reiniciar a discussão com tabula rasa, para impedir que seja tomadas decisões irrevogáveis com uma pressa injustificada. Alguns dos problema que identifiquei são os seguintes:

1 - Localização inconveniente, atrás do edifício atual, dificultando o acesso.

2 - Necessidade de desfigurar a atual biblioteca, um dos melhores espaços de que dispomos atualmente. Essa descaracterização da biblioteca permanece, embora talvez de forma menos desastrosa, na nova versão apresentada.

3 - Disposição das salas de professores em cubículos pouco atraentes, separados por divisórias.

4 - Um prédio de mais de 2 andares muda a relação de professores e alunos com o espaço que temos atualmente. Se essa mudança é desejável e aceitável, então será que 5 andares é um bom compromisso? Parece ter o preço de quebrar o paradigma atual, sem se beneficiar da verticalização.

5 - A concepção do prédio com circulação de ar totalmente fechada e climatizada tem a vantagem permitir maior densidade de ocupação e controle central do consumo de energia elétrica. As desvantagens são o maior custo de operação, a perda da oportunidade de aproveitar nosso clima ameno, o fechamento para o exterior, e emprego de tecnologias antiquadas, pouco inspiradoras, e sem diálogo com as tendências modernas de sustentabilidade, construção verde, e minimização do impacto ambiental. As desvantagens não foram consideradas.

6 - A concepção do edifício é pobre, essencialmente um paralelepípedo, um desenho que pode ser feito rapidamente usando o demo de um sistema computacional de desenho arquitetônico. Poderia servir para uma central de telemarketing numa localização suburbana adensada, mas não revela nenhuma interação com o entorno da Cidade Universitária nem consideração a respeito da finalidade acadêmica da obra. 

7 - A concepção do edifício não está em diálogo nem com as tradições arquitetônicas da Escola Politécnica e da USP, nem com os desafios tecnológicos do século 21. Não se trata de maquiar o projeto com fachadas e decorações, mas de começar o trabalho com uma concepção atraente feita por profissionais criativos e dedicados.

8 - O projeto nos afasta dos padrões das melhores universidades do mundo. Quando o MIT decidiu construir um novo prédio para a engenharia elétrica, obteve um projeto de um dos melhores arquitetos norte-americanos. Há opiniões diversas a respeito do projeto de Frank Gehry, mas é uma obra viva, à qual ninguém fica indiferente, e que cria um espaço inovador para a vida acadêmica. Yale tem um prédio de engenharia novo, bastante funcional e com certificação LEED Gold, projetado pelo escritório de Cesar Pelli. Os exemplos são inúmeros. Na Europa e na Ásia constroem-se edifícios acadêmicos que atraem alunos e professores para suas instalações ou arrojadas, ou aconchegantes, ou tradicionais. Aqui mesmo na Usp temos o exemplo inspirador da Biblioteca Brasiliana, recentemente inaugurada, entre outros.

9 - Ao construir um novo edifício para a engenharia elétrica temos a obrigação, por respeito à tradição da Escola Politécnica, às futuras gerações de alunos e professores, e às conquistas dos profissionais da arquitetura brasileira, de obter um projeto de qualidade junto aos melhores arquitetos brasileiros.

10 - O projeto foi encaminhado com uma pressa extrema e não justificada, o que explica ao menos parcialmente a concepção pobre que foi apresentada. Não houve a indispensável interação com pessoas compromissadas com a missão acadêmica da universidade.

11 - O escritório de arquitetura encarregado de fazer a proposta não demonstra ter qualquer experiência relevante no projeto de obras de importância. A presença deles na internet é nula. Quem conhece o meio profissional da arquitetura sabe que a primeira providência dos arquitetos praticantes é exibir seu portfólio aos potenciais clientes e interessados. Um escritório que não anuncia suas obras nem é referenciado por outros praticantes da profissão não inspira confiança. Podemos talvez especular que seja um escritório especializado em vencer concorrências públicas para benefício próprio e dos indivíduos contratantes, sem ter a obrigação de demonstrar a boa qualidade de seu trabalho para o uso ao qual se destina.

12 - A grande restrição do projeto parece ser a intenção da prefeitura do campus do Butantã de facilitar a circulação de automóveis pelo campus, em detrimento da mobilidade dos pedestres e da comunicação fácil entre os diversos edifícios e departamentos do campus. Esse objetivo parece condicionar e restringir todas as oportunidades de construção, em prejuízo do acesso a cada unidade acadêmica e da integração entre as unidades. A circulação de veículos no interior do prédio deve se restringir a pessoas com necessidades especiais de mobilidade e a entregas pesadas. Não é admissível que todo o planejamento de cada prédio acadêmico fique subordinado ao desejo de facilitar a circulação de automóveis pelo campus.

13 - Aparentemente o projeto rápido e descuidado está sendo empurrado como base para a discussão, com motivos sobre os quais só seria possível especular. É importante descartar esse lixo e recomeçar a discussão a partir do zero, senão vamos ficar brigando a respeito de pequenos detalhes e acabar aceitando o conceito geral muito ruim.

Acho que esses 13 itens resumem todos os maiores problemas, mas posso ter deixado algo de fora, especialmente no detalhamento do projeto, que parece ter sido feito sem grande atenção ou empenho profissional.

18 dezembro 2013

Genuíno discurso de encarceramento

"Tudo que fiz, fiz por amor à pátria. Pelo Brasil faria novamente o que achasse correto. Onde errei, peço ao povo que me perdoe. Aceito o julgamento da democracia pela qual lutei com a mesma serenidade com a qual resisti à prisão da ditadura. Se vivemos num país onde a justiça vale para o poderoso como para o humilde, minha luta foi vitoriosa".

Só que não. Onde foi que não ouvimos esse discurso?

09 dezembro 2013

Dragagem

Não deixa de ser instrutivo contemplar a dragagem do Rio Pinheiros. Um espetáculo pós-industrial apocalíptico de merda, a engenharia de nossos impostos em ação não deixa de ter estética.

07 dezembro 2013

Eleição do reitor da USP nas próximas semanas

A mais forte candidata ao 4o lugar é a chapa Wanderley Messias da Costa - Suely Vilela. Para a chapa   "Mantendo o Rumo", a promessa de manter na reitoria pessoas ligadas às administrações anteriores dispensa reflexão sobre a universidade e discussão de propostas para seu futuro. A presença dessa chapa entre os 3 primeiros votados seria uma vergonhosa indicação de falta de comprometimento dos eleitores com a universidade.

O candidato mais preparado para administrar a USP em 2013 já era o candidato mais preparado em 2009, 2005, e 2001. Só que como diz o locutor de futebol, o tempo passa. E o tempo passou. A chapa Hélio Nogueira da Cruz - Telma Maria Tenório Zorn não decide se critica a situação financeira supostamente catastrófica deixada pela atual gestão, ou se minimiza os problemas pelos quais os integrantes teriam parte da responsabilidade. O situacionismo encabulado da campanha que foca principalmente aspectos administrativos não convence. Por outro lado é uma chapa que não levanta o risco de surpresas desagradáveis. Diria que é forte candidata ao 3o lugar na lista tríplice.

As propostas mais relevantes são as da chapa José Roberto Cardoso - José Antonio Franchini Ramires. O maior problema da USP é que a qualidade e eficácia do ensino estão muito abaixo do que poderia ser obtido com os mesmos professores e mesmos recursos materiais. A causa dessa deficiência são as burocras irracionais, vinculadas aos grupos de poder da universidade, e apoiadas em entendimentos errôneos ou fantasiosos sobre a ciência e o ensino. A solução, defendida pelo Prof Cardoso, é a flexibilização dos currículos e das carreiras universitárias, aumentando o poder dos alunos e portanto da própria sociedade sobre o estamento acadêmico. As demais propostas da chapa, que também foram copiadas pelos concorrentes, igualmente estão de acordo com as necessidades da universidade. São os únicos candidatos que não têm paúra de criticar ações erradas do atual reitor. A dúvida é até que ponto a chapa conseguirá realizar suas propostas. Infelizmente os donos do poder da USP são reacionários, a viscosidade da burocra tende a impedir o progresso, e propostas de melhoria muitas vezes acabam sendo usadas para reforçar o poder do estamento, com consequências imprevistas.

A chapa mais forte é Marco Antonio Zago - Vahan Agopyan. Ela terá votos nas unidades da USP do interior, que nas últimas eleições têm votado em bloco para bloquear candidatos do campus mais importante da USP. O trabalho do prof Zago na pró-reitoria tornou o nome dele conhecido e bem visto pelos pesquisadores ligados à pesquisa e à confecção de papers, e a presidência do CNPq deve render votos entre eleitores do PT. É uma incógnita, ao menos para mim, até que ponto ele pode ser associado às práticas petistas de aparelhamento partidário de universidades e agências de pesquisa. O prof Vahan também fez extenso trabalho de preparação para a campanha durante sua pró-reitoria, em todos os sentidos exceto a elaboração de um programa de gestão baseado numa reflexão explícita sobre a universidade. Pela lógica devem ter o maior número de votos nas consultas.

A única parte democrática do processo é a escolha do reitor pelo governador do estado, que foi eleito e tem a responsabilidade de cuidar da coisa pública. As fases anteriores versam predominantemente sobre a defesa de interesses corporativos. A opção do governador, caso a diferença entre o apoio recebido pelas 3 chapas da lista tríplice não seja decisiva, pode depender das incógnitas à qual me referi acima: o risco de aparelhamento da USP, e o risco de fracasso de propostas de melhoria, medidos em comparação com o risco de ir tocando as coisas sem correr riscos, como se o resto do mundo também estivesse parado.

03 dezembro 2013

Hierarquia da ocupação do espaço viário público em S Paulo

1 - No topo da hierarquia estão os carros estacionados. Porque o automóvel traz em si a noção de propriedade, quiçá riqueza, e mesmo entrando ou saindo de uma garagem carrega em si uma dignidade superior aos outros elementos que disputam espaço nas ruas e calçadas.

2 - Em seguida vêm os carros em movimento. Porque transporta motorista, talvez um passageiro, possivelmente de classe C ou D, e a própria movimentação sugere a noção do trabalho manual ou contas a pagar, então o automóvel ao se deslocar não partilha da mesma dignidade social que teria se permanecesse parado. A prioridade pública deve sempre se orientar no sentido de enobrecer os estacionamentos, mas a fluidez automotiva segue-se em importância.

3 - O caminhão, veículo imponente que transporta cargas e riquezas, ocupa um lugar especial nas ruas e calçadas, por seu torque, peso, e macheza. Seu poder de destruição nas mãos dos motoristas mais aloprados é indiscutível. É certo que muitos são antigos e de baixo valor, mas são justamente esses que quando funcionam emitem grossa fumaça preta; quando quebram, impávidos colossos, atrapalham o trânsito, demonstrando sempre a superioridade da máquina sobre o homem. Saiam do caminho.

4 - Um pouco abaixo encontra-se o dogue, especialmente se conduzido por funcionário uniformizado. Porque a posse do cachorro, enquanto animal, configura uma forma de riqueza, à qual abrem-se alas em sinal de respeito à propriedade.

5 - O elemento neutro da ruas é o pedestre, que pode ser tolerado, exceto quando atrapalha a fluidez veicular, caso no qual pode e deve ser atropelado, tanto o que atravessa as ruas com o sinal aberto como o que o faz no sinal fechado, por questão de princípio. Mas enquanto se mantém em seu devido lugar o transeunte, se for vítima de assédio motorizado, o é pela condição de negro, pobre, velho, mulher, estudante, deficiente, cego, homossexual, baiano, ou pela profissão materna, não pelo pedestrianismo em si.

6 - Abaixo do pedestre encontra-se o coletivo. É importante tomar todas as medidas necessárias para obstaculizar o movimento dessa aberração onde um único bem material é compartilhado por dezenas de elementos de posição social por suposto inferior. Sempre que possível através de medidas administrativas, mas se necessário por obstrução, com o devido cuidado de evitar dano à pintura do automóvel.

7 - A motocicleta, embora não deixe de ser uma forma de propriedade taxável e censitária, ocupa uma posição mais baixa do que o coletivo, já que apresenta menos risco à integridade da funilaria. Pode parecer contraditório dado que muitas exigem alto poder aquisitivo, mas no dia a dia do trânsito pode ser difícil distinguir entre uma BMW importada e um veículo de entrega, então a ocasional destruição de uma motocicleta é aceitável contanto que sirva de lição para os motoqueiros porventura sobreviventes.

8 - O mais reles ocupante de uma via é sem dúvida a bicicleta: barata e rápida. O ciclismo, mesmo que não remunerado, não deixa de ser uma forma de trabalho físico, que subverte a ordem social na medida em que a bicicleta se desloca com maior velocidade do que veículos de valor muito superior. O ciclista deve ser coibido a ferro e a fogo.

É controverso o status atual da cada vez mais rara carroça.

02 dezembro 2013

Fechantes da USP

Hoje a entrada da USP estava novamente fechada por manifestantes. Fechar os portões é a represália dos estudantes que não estudam, dos trabalhadores que não trabalham, e dos professores que não professam contra aqueles que querem fazer seus deveres - o alvo principal dos fechantes são os menos endinheirados, que usam transporte coletivo e precisam terminar a faculdade para trabalharem.

O que permite e alimenta esses fechamentos é a falta de 2 coisas: falta de diálogo entre a universidade e os estudantes, e falta de camburão. O fato é que a administração trata do mesmo modo os alunos que querem estudar e os arruaceiros: com soberba indiferença, sem diálogo nem lei. A apatia da maioria silenciosa é compreensível.

Felizmente vim a pé, não me atrapalhou muito, só não dava para esperar o circular. Até aproveitei o passeio: atravessei as obras de embaralhamento e substituição dos passeios da praça do relógio, sem dúvida a menos prioritária das obras concebíveis para o campus do Butantã, e acho que entendi a estratégia política da atual reitoria. Como não há reeleição, tudo se resume a garantir sua reputação para a posteridade.

A gestão atual vai levar tanto mais vantagem em comparação com a gestão seguinte quanto mais desastrosa for a situação financeira que ela deixar. Daí a ânsia de fazer obras de pouca relevância, que  complicam a situação futura sem deixar benefícios que a universidade possa aproveitar. É uma estratégia familiar para quem acompanha a atuação do Partido Republicano nos Estados Unidos. Pode chamar de contraparte situacionista ao "quanto pior melhor" leninista-oposicionista.

No Brasil, em geral os políticos buscam o lucro financeiro imediato, ou, no caso dos mais ideológicos, querem se eternizar no poder, então esse tipo de gastança em forma de bomba-relógio é menos comum do que a corrupção pura e simples ou do que o aparelhamento do estado com funcionários pouco produtivos para a sociedade.

De qualquer modo, o candidato de oposição que seja escolhido reitor vai ter muito trabalho; se for de situação, contra toda a lógica e bom senso, ao menos vamos poder rir da tragédia alheia.

26 novembro 2013

Professora negra da USP sofre ofensa racista no Restaurante Dueto no Butantã

Professora negra da USP sofre ofensa racista em restaurante de São Paulo:

http://t.co/DGFLpBkQRB http://mariafro.com/2013/11/26/professora-negra-da-usp-e-assediada-e-humilhada-no-restaurante-dueto/

O agressor é o próprio dono do Restaurante Dueto, também conhecido como "restaurante do holandês", que fica na Vila Indiana, perto da USP. Estou divulgando por ser ex-frequentador.

Meu receio diz respeito aos prezados colegas que vão lá. Se houver algum que não vê problema em continuar frequentando, eu prefiro não saber, porque mesmo não indo no almoço, não tenho como evitar continuar convivendo com eles.

Bom, não posso resolver todos os problemas, nem comprar todas as brigas do mundo. Então divulgo, esperando que cada um saiba fazer o que é certo.

20 novembro 2013

Escritório de corrupção com divisão de engenharia de grande qualidade técnica

Engenheiro confirma: Siemens é escritório de corrupção com divisão de engenharia de grande qualidade técnica. O governo do estado teve preferência técnica pelas empresas com competência estabelecida, inclusive a Siemens.

Que a Siemens ofereceu suborno para o governo de S Paulo mas mesmo assim perdeu um concorrência, nós já sabíamos de outras reportagens. Falta confirmar porque resolveram "denunciar" tudo agora, já que a tal denúncia só incrimina a eles mesmos. Para descobrir, a pergunta óbvia é: a quem beneficia?

A resposta também óbvia é que o PT tem interesse em denúncias contra o governo do PSDB, mesmo que inconsistentes, mesmo que o conteúdo da denúncia ponha a culpa em outros grupos - o fato é que a maioria do eleitorado e da imprensa não tem a capacidade ética e intelectual de distinguir se uma denúncia indica culpa ou inocência, então sempre vale a pena jogar merda no ventilador próximo ao inimigo. Em troca, a Siemens ganha uns contratos menores, na Bahia por exemplo. Mas essa hipótese ainda precisa ser confirmada. Minha aposta é que em breve aparece a confirmação.

19 novembro 2013

Diálogo no twitter, aprendi muito

“@gugachacra: Algumas universidades européias começam a ser chamadas de fábricas de desempregados”

Comentário relevante sobre situação muito grave.

“@mtmiterhof: @gugachacra é injusto por na conta das universidades a burrice do austericídio. A culpa é da Alemanha... como sempre.”

Política econômica da Europa é muito ruim, mas afirmação é preconceituosa e exagerada.

“@mtmiterhof: @gugachacra ainda dizem que o Brasil não se desenvolve porque a educação é ruim. A geração mais bem preparada da Espanha está desempregada.”

Achei esse comentário estranho e respondi.

“@pait: @mtmiterhof @gugachacra Mas é verdade, o Brasil não cresce porque a educação é ruim. A Espanha é um caso diferente.”

“@pait: @mtmiterhof @gugachacra O tweet que respondi contém uma falácia elementar. @mtmiterhof: pense e identifique.”

Pensando talvez que se tratava de um estudante incauto. Cacoete de professor, querer corrigir.

“@mtmiterhof: @pait o Brasil não é diferente da Espanha.”

Fantástica afirmação.

“@pait: @mtmiterhof Circunstâncias completamente diferentes. Espanha alto desemprego, inflação nula.”

Óbvio, sem mencionar diferenças mais fundamentais.

“@mtmiterhof: @pait Igual é q não é a educação boa ou ruim que explica o crescimento. Mas o contrario: a renda alta/baixa explica a boa educação boa/ruim.”

Educação seria um bem de luxo para abastados? Quem será que pensa assim?

“@pait: @mtmiterhof Talvez. Porém não são afirmações incompatíveis. Baixa educação no Brasil é maior obstáculo ao aumento da produtividade.”

Fato indiscutível para qualquer um que tenha familiaridade, mesmo que indireta, com o quotidiano de uma fábrica, obra, ou negócio qualquer.

“@mtmiterhof: @pait não é bem assim. Um mexicano ao cruzar a fronteira eleva sua produtividade em 4 ou 5 vezes.”

Mais um argumento fantástico. E daí? O que isso importa para a educação e economia do Brasil?

“@pait: @mtmiterhof Esse argumento não contraria a afirmação de que a maior barreira ao crescimento econômico do Brasil é a educação fraca.”

Mas é, como qualquer pessoa com a minima experiência na vida real sabe.

“@mtmiterhof: @pait contraria, sim, pois mostra que educação não é uma grande barreira ao aumento de produtividade e ao crescimento...”

Mais ou menos nesse momento percebi que o gajo trabalha no BNDEs e escreve na Folha. Qual a correlação disso com a falta de interesse em educação?

“@mtmiterhof: @pait ...um mesmo trabalhador mexicano mal educado é mais produtivo numa fábrica americana. isso se chama mudança estrutural...”

Então começo a entender porque o governo não vê muita urgência em investir em infra-estrutura. É mais vantajoso gastar em esquemas mirabolantes de gastos públicos e distribuição de recursos para empresários favoritos.

“@mtmiterhof: @pait ..p/ promovê-la tem q investir, algo induzido pelo crescimento, q por sua vez depende d demanda (gasto público e distribuição d renda)”

Quer dizer, investimento é consequência do crescimento, que por sua vez é consequência do gasto público? Mais um argumento de trás para frente, mesmo que no caso esteja sendo feito em causa própria.

“@pait: @mtmiterhof Quando migra o trabalhador está usando toda a infra do novo país, inclusive as habilidades da sociedade como um todo, que...”

“@pait: @mtmiterhof ...não estavam disponíveis no país original.”

“@pait: @mtmiterhof E a mudança estrutural mais fundamental é a preparação para o trabalho, que se faz pela educação.”

Parece óbvio: o trabalhador mexicano é mais produtivo nos Estados Unidos porque têm mais capital à disposição.

“@pait: @mtmiterhof Crescimento depende de demanda e de produção. Na Espanha falta demanda; no Brasil falta produção.” 

Condições diferentes, explicações diferentes. Para mim é óbvio.

“@mtmiterhof: @pait discordo. quem puxa o fio da meada é a demanda.”

Mas para outros um país numa situação diametralmente oposta serve de argumento para fazer o que dá vontade. Uma lei de Say ao contrário: a demanda cria sua própria produção. Difícil de acreditar que alguém que já trabalhou na vida acredite nisso.

“@mtmiterhof: @pait discordo de novo. educação é mais resultado do que causa. estamos andando em círculos. Abordarei o tema na coluna da semana que vem.”

Me cheira a argumento por autoridade: o Partido me botou para escrever na Folha, e o jornal teve que engolir para não perder acesso a fontes oficiais, portanto todos devem me escutar embevecidamente.

“@pait: @mtmiterhof Sua afirmação não tem apoio na teoria, nem nos fatos, nem no bom senso. Parece puramente ideológica.”

“@pait: @mtmiterhof Para um aluno, diria que é necessário estudar com mais afinco e fazer o dever de casa. Você é maior e vacinado, não vou discutir”

Perdi o respeito. Apelou à hierarquia, vamos ver quem tem maior patente.

“@pait: @mtmiterhof Pensando bem, você me convenceu. Você lê, escreve, deve ter estudado muito, e ao fazer seu trabalho....”

“@pait: @mtmiterhof ...não indica ter a menor noção de como funciona um negócio e muito menos uma economia. Educação é irrelevante mesmo.”

Mas algumas horas depois, pensando com meus botões, me convenci. Educação e estudo são irrelevantes mesmo. Qual a qualidade que o trabalho de quem pensa assim pode ter?

14 novembro 2013

Denmark Day na Poli-USP

Ontem houve um evento de divulgação de oportunidades em empresas e universidades da Dinamarca aqui na Poli. O evento era direcionado para estudantes, dei uma passada rápida por curiosidade. A divulgação interna não foi muito boa, o que é compreensível considerando o número de vezes que cada email sobre falta de luz, falha na telefonia, fechamento de rua, cerimônia de encerramento de prazo, e farol aceso tem que ser reenviado. Depois tive uma reunião com alunos, mencionei o evento, então foi útil.

Nos tempos de antanho quem queria obter informações sobre estudar fora do Brasil era visto com uma certa desconfiança, precisava pedir autorizações com firma reconhecida para acessar bibliotecas e catálogos. Bolsas então, já existiam, nos Estados Unidos embora raramente na Europa, mas quem conhecia negava. Hoje os escandinavos vêm para cá fazer propaganda das oportunidades. O Brasil mudou, e para melhor. A Europa também, ao menos os mais avançados entre os bárbaros. Felizmente ainda não fiquei velho demais para sentir alguma inveja das oportunidades que os jovens têm hoje, e sabem aproveitar.

Sendo o evento sobre a Dinamarca, sempre dá uma sensação agradável. O embaixador falou, brevemente, que os dinamarqueses se sentem encabulados em falar bem deles mesmos então preferiu mostrar um vídeo com brasileiras que estudaram lá dizendo que é o melhor país do mundo. Estão certas.

Só deu pena no final do dia ao ver o carro do embaixador parado num engarrafamento-monstro na saída da Usp - a pé, consegui sair bem mais rápido, quem precisava transportar o automóvel não tinha alternativa. Mas trânsito, corredores de ônibus, ficam para outro post.