Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

19 maio 2013

A história do futebol brasileiro

A história do Brasil nas Copas deve, no meu entender, ser vista como a batalha entre o talento natural do brasileiro e os donos do poder estudados por Faoro. Senão vejamos. Entre 1930 a 1954 houve a época do complexo de viralata. A organização das seleções era realmente uma tristeza de bairrismo, esbulho, incompetência, e falta de patriotismo. De todo modo o Brasil teve pelo menos 3 times competitivos. Poderia ter tido mais, mesmo assim só não ganhou porque em 1o lugar fica um só, e não foi o time de Leônidas da Silva nem o de Domingos da Guia.

Na era Pelé, entre 1958 e 1970, o gênio desmontou a burocra, que não conseguiu bloquear os demais talentos. Os craques impunham a escalação dos outros craques, independente de hierarquias sociais ou militares. É uma época de exceção.

Os títulos da era Pelé devolvem força aos cartolas, que começam a achar que entendem de bola.
Segue um recrudescimento da força estamental. Apesar da falta de vitórias, os times brasileiros entre 1974 e 1986 são todos competitivos. Nenhum ganhou, verdade, mas o motivo foi simplesmente o acaso do futebol. Mas a repressão ao talento era um tema presente: em 74, Ademir da Guia, o craque que Zagalo desprezou; em 78, Falcão, o melhor jogador do Brasil, ignorado pelos bacharéis do esporte; culminando com a exclusão de Romário, o maior e o mais indomável deles, em 90.

O herói da luta contra o estamento nessa época é Telê, o único que deixava os craques jogarem. Dessa vez as não-vitórias de Telê conduzem à assim-chamada Era Dunga, que se convencionou começar em 90, mas cujas raízes já estão presentes desde 74, e que perdura até os nossos dias, com intervalos. A vitória do estamento foi tão completa que o Brasil quase ficou de fora da Copa de 94. Para não matar a galinha dos ovos de ouro, que é o futebol, o estamento se rende ao craque. Muito a contragosto: o talento de Raí e outros foi reprimido em 90 e o maior herói da luta contra a burocra nessa época, Romário, ficou fora do time que não ganhou em 98. De qualquer forma o Brasil voltou a ganhar: 3 finais em sequência.

A vitória teve um preço. A campanha vencedora de 2002 tranquilizou o estamento, que voltou a atuar sem rédea nem bridão. Os bacharéis - dono de títulos em ordenações afonsinas, currículos de administração ultramarina, e diplomas de física - instalaram o futebol burocrático, sem viço nem vigor, sem risco nem criatividade, de 2006 até hoje. O desastre ainda não foi de monta a restringir a auto-suficiência da nobiliarquia, em renovada versão do complexo de viralata: o brasileiro precisa jogar como os europeus, de preferência lá na Europa mesmo. Mais precisamente: o brasileiro precisa jogar como o estamento, incluindo boa parte da crônica esportiva, acha que jogam os europeus.

Quem entende de bola diz, tartakowerianamente, o que o Brasil só perdeu de 2 adversários: da Hungria em 54, e da Holanda em 74. Das outras vezes, perdeu de si mesmo. Por superestimar o adversário, ou fingir subestimá-lo, o que no fundo é a mesma coisa. Conseguirá o talento voltar a prevalecer contra o fogo amigo dos comitês? A conferir.


16 maio 2013

Winning is for losers

Campeão dos campeões, eternamente, dentro dos nossos corações. O que acontece no Pacaembu é relativamente menos importante.

Agora, que foi roubado foi. O Boca é um grande time, Riquelme é craque, o Corinthians inteiro não jogou bem, e a torcida foi insuficiente, mas 4 anulados entre gols e pênaltis é dose para alufante. Melhor talvez ter ganho ano passado, quando Tokyo deu moleza. Esse ano parece que é dos tedescos.

Falando neles, "winning is for losers" recorda Danish dynamite. O único técnico alemão que prestou em toda a história do futebol foi o Piontek. Justamente por isso, nunca se firmou no próprio país. Os outros todos sempre foram uns Dungas com barbeiro melhorado. Parece que os bávaros finalmente entenderam isso e chamaram um técnico catalão.

Sem Pato na Libertadores, vou até torcer para o galo. Mas o mundial é dos alemães, se não levarem muito frango.

13 maio 2013

Importação de médicos cubanos

A discussão da proposta do governo brasileiro de importar 6 mil médicos cubanos está curiosa. Invertendo as posições tradicionais, a esquerda ataca o corporativismo das associações profissionais. E os conservadores que defendem os controles burocráticos do sindicato dos médicos.

Minha ignorância não sabe o que está certo. Oportunidade de trazer bons médicos já formados a um custo baixo? Oportunidade para um regime falido explorar cidadãos trabalhando em regime de semi-escravidão, com salários arrestados pelo governo? Quebra do monopólio corporativo? Favorecimento dos profissionais mal formados de um regime amigo do governo? Como vou saber?

Aposto que quando o Fidel morrer vamos descobrir que os bons índices de saúde de Cuba são obtidos através de fraudes estatísticas, mas isso não quer dizer que os médicos da ilha sejam ruins. Enquanto isso, se alguém quiser olhar o blog do Nassif para identificar o lado errado da disputa, me conte que eu não tenho paciência.

Horários na Poli

O problema dos horários na Poli é de complexidade computacional proibitiva. Lição de casa: determine se é polinomial, combinatória, NP completa, o que for. Trata-se de alocar cada matéria de modo que nenhum aluno tenha conflito de horários. No imaginário politécnico existe todo o tipo de obstáculo para a flexibilização dos currículos - administrativo, ideológico, ou político. A dificuldade de resolver esse problema de alocação é o único obstáculo real.

A solução convencional é fazer o rabo abanar o cachorro: todos os alunos do mesmo curso fazem exatamente as mesmas matérias, então a complexidade do problema de alocação diminui muito. O currículo fica então subordinado ao algoritmo de alocação de horários. Problema resolvido, problemas maiores criados.

Conversando com minha filha que faz colégio (High School) em Brookline, Massachusetts, me dei conta que o problema de horário é resolvido lá de forma mais eficaz. O horário letivo é dividido em 10 "blocos". Cada bloco contém um número de horas de aula espalhadas pela semana - a maioria 4 aulas por semana, sendo uma com duração um pouco mais longa. Por exemplo, uma disciplina oferecida no Bloco B tem aulas 2a e 4a das 9:15 às 10:10, 5a das 8:20 às 9:30, e 6a das 8:20 às 9:10. Outras atividades didáticas ocorrem em blocos menores. O Bloco X, por exemplo, é apenas uma aula 5a feira, das 10:30 às 11:10.

As matérias mais básicas - história e matemática por exemplo - há turmas oferecidas em mais de 1 bloco, dando alguma flexibilidade para o aluno escolher suas eletivas, que têm menos turmas e portanto são oferecidas em apenas um bloco. A flexibilidade tem um limite natural: o estudante não consegue fazer 2 eletivas oferecidas apenas em um único horário coincidente. De qualquer forma, o problema de alocação das 6 disciplinas de cada estudante em 10 blocos é muito mais simples. Consequentemente, não existem problemas administrativos que impeçam que um aluno do colégio público de Brookline tenha muito mais autonomia para organizar seus estudos do que um universitário na Poli. Por exemplo, um estudante pode fazer um curso de língua estrangeira avançado e matemática no nível mais básico; ou vice-versa; ou ambos avançados, ou básicos, de acordo com seu talento e motivação para o francês, japonês, ou álgebra.

Em contraste, na Poli cada disciplina pode ocupar um conjunto qualquer das horas dentro da grade horária semanal, aumentando combinatoriamente a possibilidade de conflitos de horário. Vou deixar escrita aqui a sugestão de que a Poli e a Usp poderiam adotar um sistema de blocos para racionalizar os horários. Mais tarde quando tiver um tempo livre monto uma tabela com uma sugestão de blocos, com o intuito de deixar mais claro como esse sistema poderia facilitar o planejamento para professores e alunos.

08 maio 2013

Sobre a assim-chamada escola austríaca

Um ex-aluno, hoje colega engenheiro, pediu para apontar erros num texto de um professor da George Mason University. Escrevi alguma coisa para ele no Facebook e copio aqui.

Uma refutação é a poluição. O proprietário de um poço de petróleo vende o óleo, pode deixar derramar, quanto mais vender com menos desperdício (do seu ponto de vista) em proteção ambiental, mais lucra. O comprador também aufere vantagens, por exemplo movimentar seu automóvel. Porém se a complexa operação não for executada com extremo cuidado, ela torna a sociedade inteira mais pobre e sofredora, e a economia futura menos produtiva, por causa da devastação ambiental e dos danos a saúde. A proteção que o estado oferece à propriedade privada em nada ajuda. É necessária uma regulamentação estrita e limitação dos direitos privados, além de impostos pesados, se não quisermos ir para o caminho dos habitantes da Ilha de Páscoa. Essa situação é bem entendida pela ciência econômica convencional, baseada na realidade. Na verdade é menos demorado perguntar o que está certo do que o que está errado na assim-chamada economia austríaca. Essa é um amontoado de lugares comuns elevados à categoria de postulados inatacáveis, apesar de que raramente terem significado mais geral e frequentemente levarem a contradições. Um tipo de astrologia, homeopatia, com paralelo no marxismo.

Outro absurdo que o artigo comete, de ignorância tão profunda que dificulta a presunção de boa fé, é quando ele fala do colonialismo na África. Com um mínimo de cultura literária e histórica o autor lembraria do genocídio no Congo Belga. Talvez o maior crime da história da humanidade. Um gajo que escreve "As potências coloniais jamais perpetraram os indescritíveis abusos de direitos humanos" é quase um cúmplice. O sujeito escrever uma barbaridade como a que ele escreveu num artigo com pretensão acadêmica ou didática demonstra profunda ignorância e má fé.

Meu argumento não é 100% válido, mas o dele é 100% errôneo. Nenhuma regulamentação ou legislação é perfeita, nada no mundo real é perfeito. O não ser perfeito não é argumento contra nada. Quanto às exigências das seguradoras [serem mais eficazes para garantir a segurança de ambientes de trabalho do que a ação direta do governo], o sistema todo só existe porque há leis específicas que exigem seguro contra terceiros. A ação regulatória não precisa ser efetuada totalmente através de atos diretos do governo. Por exemplo, a empresa de seguro pode muito bem ser privada, e em geral funciona melhor, pelos argumentos que você conhece. Esse tipo de argumentação - atacar um straw man, um espantalho a quem o autor atribui linhas de pensamento que ele identifica com seu opositor, apesar de que o opositor nunca as defendeu - é uma falácia de argumentação típica dos assim-chamados economistas austríacos. No caso, dizer que quem defende algum tipo de regulação ou imposto é um comunista absolutamente contrário à propriedade privada.

Tudo isso dito, é verdade que a liberdade individual - inclusive de iniciativa econômica - não apenas facilita a prosperidade mas é um valor humano fundamental que deve ser um objetivo da sociedade independentemente dos benefícios econômicos. Essa é uma das tautologias às quais me referia acima, que entre os picaretas da George Mason é distorcido para defender os maiores absurdos, e para acusar qualquer pessoa que defenda alguma política social ou de impostos de comunista ou algo pior. Recomendação: não perca seu tempo [lendo adeptos da assim-chamada escola austríaca].

03 maio 2013

Opera or operetta?

Tell me if this criterion works. When the music is good and the audience finds it good fun, it's an opera. When the music is dreadful and the audience is dreadfully affected, it's an operetta.

Yes, I understand the metric is unconventional and that it fails to distinguish between Wagner and Strauss, but perhaps inducing the S1 circle topology (as opposed to the R1 real topology) is actually a strength.

Blog do Nassif

De vez em quando dou uma olhada na assim-chamada imprensa alternativa, e hoje fui recompensado com um esclarecimento. Sempre soubemos que blogs como o do Nassif estavam infestados de extremistas. Quem quiser pode conferir a simpatia ao terrorismo na cobertura - e nos comentários - dos atentados da maratona de Boston. Em geral o extremismo está ligeiramente disfarçado: a tiranofilia aparece como anti-imperialismo; o ódio racial se diz anti-sionista; a crítica a alguma política de alguma democracia serve como elogio às ditaduras de partido único; um crime ou erro policial num país livre justifica o apoio a regimes genocidas; a crítica aos defeitos de um jornal motiva a defesa da censura a imprensa; um político desonesto invalida toda o conceito da democracia representativa; e assim por diante.

Mas não é sempre que a simpatia ao nazismo alemão se declara abertamente. Quem tiver estômago, confira.

02 maio 2013

Eixo do Mal?

Bush 43 foi muito ridicularizado pela expressão "Eixo do Mal", que juntava no mesmo balaio regimes e ideologias diferentes e não necessariamente alinhadas. Porém.... as manchetes do jornal diário de hoje às vezes dão a impressão que a aliança entre comunistas, terroristas, nacionalistas, maoístas, salafistas, fundamentalistas, e tiranófilos sortidos, todos unidos numa guerra contra a vida, a liberdade, e a felicidade das pessoas comuns, é mais real do que gostaria de admitir o sarcasmo das personalidades muito sérias.

Debate sobre quotas raciais no Grêmio Politécnico

O Grêmio Politécnico pediu um texto para debate sobre quotas raciais. O debate ainda está para ocorrer, meu texto está aqui. Agradeço ao Grêmio pela oportunidade e pela amável autorização para divulgar.

01 maio 2013

Currículos da Poli

Em 1993 o curso de Automação e Controle da engenharia elétrica da Poli fez uma proposta de flexibilização de currículos. O autor da proposta fui eu. Ela foi aprovada e implantada nos anos seguintes, graças ao apoio e esforço dos colegas do LAC, e especialmente dos professores Vitor Marques Pinto Leite e Jocelyn Bennaton, de quem tenho saudades. Pelo que parece registrar a memória dos vivos, foi a primeira vez que na Poli se permitiu que cada estudante tenha papel importante na direção de seus estudos.

Agora a Escola Politécnica aprovou um currículo mais racional e flexível para todos os estudantes de engenharia. Não sei analisar quanto das ideias de flexibilização foram incorporadas na decisão final, e quanto foi sacrificado para apaziguar o estamento burocrático. Muito menos sei precisar a influência da minha proposta original nesses 20 anos em que o currículo de 1993 foi muitas vezes copiado, imitado, reduzido, modificado.....

Ajudei ou atrapalhei? Quanto? Não sei.

Pequeno ou grande que tenha sido meu papel, pessoalmente sinto essa luta de 20 anos mais como um fardo, perdido nos ermos sertões de Mordor, do que como um triunfo dos sete pilares da sabedoria.

The Road goes ever on and on
Out from the door where it began.
Now far ahead the Road has gone,
Let others follow it who can!
Let them a journey new begin,
But I at last with weary feet
Will turn towards the lighted inn,
My evening-rest and sleep to meet.

25 abril 2013

Sobram bolsas para brasileiros em Harvard e MIT

Acho que o diagnóstico desse artigo do Estadão está errado. As dificuldades para um brasileiro estudar numa dessas universidades são as seguintes:

1 - O programa Ciência sem Fronteiras é uma bagunça mal ajambrada, improvisada pelo governo federal sem consulta nem entendimento das necessidades e possibilidades do mundo acadêmico. Talvez com a melhor das boas intenções, mas é uma bagunça.

2 - O meio acadêmico brasileiro é corporativista e nem sempre prepara e estimula o estudante a ir ao exterior por iniciativa própria. Muitos professores até criam obstáculos culturais que prendem os pós-graduandos à tutela dos orientadores e programas. Esses obstáculos incluem a burocratização das publicações e a hipertrofia de linhas de pesquisa descoladas da realidade ou presas a ideologias irracionais.

3 - Essas universidades dos EUA têm professores e estudantes de muito gabarito. É um meio muito competitivo, de forma saudável que seja, mas é só uma pequena fração dos estudantes brasileiros que, reunindo a preparação, motivação, curiosidade, e flexibilidade intelectual necessárias, vão se virar bem nelas.

Não é como viajar para Miami, que está ao alcance de qualquer um. Também não é questão de criar mais uma burocra para forçar todo mundo a fazer cursinho de inglês da Capes. Para um aluno fazer uma boa pós-graduação não basta o generoso voluntarismo nem as diretrizes administrativas das autoridades. É bom que existam bolsas disponíveis, porque o fator mais importante - o talento - está disponível no Brasil em abundância.

16 abril 2013

Bitcoin, o drachma do povo?

O Euro é um desastre. Mas parece que nem a Grécia nem a Alemanha querem sair do Euro; nem Portugal nem a Holanda.

Talvez alguma forma de Bitcoin pudesse ser a salvação. Indivíduos na Grécia imprimem uns drachmas virtuais, privados. O governo cala a boca, não ajuda nem atrapalha. Pelos menos esse dinheiro de fantasia serve para pagarem uns aos outros. Estão todos desempregados mesmo, melhor receber em dinheiro de banco imobiliário do que nada. Os gregos ainda vão precisar de Euros para pagar impostos, dívidas, e importações. Os drachmas virtuais vão valer menos - seria uma forma da reinflação e desvalorização cambial que a Grécia necessita mas não pode fazer, por não ter moeda própria.

Isso poderia funcionar? Talvez. Seria uma curiosa ironia. Nos Estados Unidos, Bitcoin é interessante para geeks mas essencialmente irrelevante para a economia. Os entusiastas do bitcoin nos Estados Unidos são fetichistas de ouro e lunáticos anti-governo. Gente que perde dinheiro mas não abandona a ideologia. Onde o dinheiro privado poderia ajudar é justamente para implementar as políticas defendidas pelos economistas que eles mais odeiam, os keynesianos mainstream.

National Dynamite Association issues statement

"Tragedies like the one in Boston would not happen if every athlete carried a pack of explosives. To defend our freedom, we need good men carrying concealed dynamite in every sporting event. Bombs don't kill people; people do."

Maratona de Boston

A extrema direita dos Estados Unidos e a esquerda brasileira concordam: as explosões da maratona de Boston foram ação do governo americano.

That's why I like Barack Obama, poor man's friend.

15 abril 2013

Boston marathon

The Boston marathon starts in the middle of the night with the bicycle crowd. The people on wheelchairs reach Brookline late morning. Then come the leading women, and the Kenyan men around noon. After them, thousands of amateur but not any less impressive athletes. For me the best part used to be the stragglers, the people who overestimated their endurance, the optimists who keep running or at least walking till dark, even after the cleaning crew comes and finishes their work.

Not this time. The race was disbanded and Beacon Street is mostly empty. Tram service suspended. And tonight's concert at the Symphony had to be canceled.Terrorists from one group, terrorists from another group, or the people who think the city should not spend on maintenance because it benefits everybody and not just themselves, whoever arranged the explosions did not want to endear their cause to me.

I understand this post is very selfishly about me, and I was the least affected by the whole thing. But I would have liked to go back to the routine.

10 abril 2013

Fazendo as contas

E. O. Wilson escreve que para ser um grande cientista não é necessário saber muita matemática. É um raro caso no qual Paul Krugman concorda com algo que saiu no Wall Street Journal. Vou dar minha opinião também, discordando. Wilson está certo ao afirmar: "para cada cientista, existe uma disciplina para a qual o seu nível de competência matemática é suficiente para alcançar excelência." O melhor exemplo para os engenheiros elétricos é Faraday.

O princípio de Wilson é correto como tautologia: sem a competência matemática necessária em sua disciplina, o indivíduo em questão não é um cientista. Como disse Tartakower, alguma parte de um erro sempre está certa.

Vale aqui contar a história apócrifa do professor de matemática explicando para um estudante que a álgebra salva milhares de vidas todos os anos. "Como?" pergunta o estudante, incapaz de entender a relevância das abstrações matemáticas para suas ambições de se tornar um profissional bem sucedido.

"A álgebra impede que imbecis como você, incapazes de raciocinar abstratamente, se formem engenheiros ou médicos."

09 abril 2013

1982

Em 1982 a ditadura no Brasil estava no fim. Não havia mais censura, os partidos políticos e movimentos estudantis eram livres, os exilados estavam de volta, as leis de exceção tinham sido revogadas. Dava para ouvir claramente as opiniões de cada um. Na Argentina, uma ditadura muito mais sanguinária do que a brasileira em seus piores momentos continuava no poder. Era o exemplo a não ser seguido.

Até que os caudilhos hermanos invadiram as ilhas Falkland, que ninguém fora uns geeks leitores de atlas sabia onde ficavam. De repente as esquerdas no Brasil (e no resto da América Latina, até onde lembro) se enamoraram da ditadura e descobriram as tais ilhas Malvinas. Nenhum crime era imperdoável se o criminoso estava contra a Inglaterra, contra o capitalismo. A esquerda sabia de que lado estava: com o Kampuchea Democrático, com a Albânia, com Cuba, com a República Democrática da Korea. Contra os Estados Unidos, contra a Inglaterra, e a favor da Ditadura Argentina.

A tática funcionou. Com a invasão, o povo argentino, direita e esquerda, passaram a apoiar o governo. Que até onde sei ainda estaria lá, se não fosse Margaret Thatcher. Entre um peronista e outro, o fascismo continua presente na Argentina. Se dependesse do politizado povo argentino, ou da tibieza de Ronald Reagan, ou do bom senso dos generais, a ditadura não teria caído nunca. Os generais brasileiros tiveram noção de sua incompetência observando a permanente crise em que a má gestão meteu o país. Para os argentinos, foi necessária uma derrota militar.

Margaret Thatcher projetou a direita e a esquerda latino americana em verdadeira grandeza: o mesmo bando de facínoras e de incompetentes. Ganhou o ódio dos articulistas da Folha e minha gratidão.


02 abril 2013

NYTimes magazine article "Death of a Caveman / Who Lives Longest?"

To the editors,

The article "Death of a Caveman / Who Lives Longest?" claims that "life expectancy at birth in the United States is roughly 79 years, and it’s the same at age 25". This may mean either that people who reach the age of 25 live in average only to the same age as newborns do, a mathematical impossibility; or that 25-year-old Americans will reach an average age of 104, which is false. Unfortunately this error makes the whole argument of the article collapse, except for the quote “ ‘Life expectancy’ is this term that entered public lingo without public understanding of what it really means.”

Yours sincerely, Felipe Pait

31 março 2013

Question about Cyprus if anyone can answer

They say banks in Cyprus have large deposits from foreigners (many of them Russian, but this is not important for the purpose of this question). The government had planned to take a 10% cut of all deposits to make up for bank losses (it was told to do so by the Germans, but that's not part of my question either). That didn't go down very well so now the threat is that cuts of perhaps 2/3 or 3/4 of large deposits will be necessary to make up the shortfall.

The math doesn't work. If most of the deposits are from wealthy overseas investors, then 10% of all deposits is not much more than 10% of large deposits. Conversely, if a large cut of large deposits is necessary to avoid harming small depositors, then a large fraction of bank deposits are by small investors - and Cyprus was a haven for rich overseas investors.

Either I misunderstand something very badly, or they are lying to us and not being caught (who "they" are may be relevant for my question, but I don't know who it is).

Será que nunca bloguei isso?

O Corinthians quando ganha,
Alegria do povão.
O Corinthians quando perde,
O juiz é que é ladrão.
Se a vitória é roubada,
Alegria é dobrada.
Se a derrota merecida,
Pega os bambi na saída!

I'm going to rant also

Unusual amount of junk in the NYTimes today. So here is MY rant, without links because no one deserves to read those articles.

- Nearly all teachers pass evaluations. Big surprise. Passing is not hard. Most students pass. Most managers and workers also don't get fired at the end of the year, although many are mediocre. At the end of the article, the author says why, although without noticing: a few percent of teachers who underperform get fired. The rest are doing alright, not necessarily great.

- A pointless article about "lowriders" in S Paulo, Brazil. What is a lowrider anyway? I live in S Paulo and in the US, and the only thing I know is that it is not something that matters.

- Why does a rant by a certified fool like David Stockman gets published?

- Inane platitudes about how to raise children. Parenting today is much better then in the good old days. I'd make the big compliment: most parents I meet are almost as good as mine were. Yes, they let us walk around, we didn't have cell phones, they worried, we got home. Now we give kids cell phones and worry less. If Frank Bruni doesn't like iPhones, he can take them away from his friends, not from my daughters.

- Poorly argued opinionizing about how China will become more innovative then America despite (or because) it is a repressive dictatorship. Having an opinion without an argument is not a reason to interrupt my Sunday newspaper reading. Having written a book is not a credential either. Anyone can write a book these days.

- The miracle in Northern Ireland. Peace in Northern Ireland is not a miracle. The United Kingdom is a free country. Catholic and Protestant should be able to live together like Hindu and Buddhist, Jew and Moslem. We do it in the US, we do it in Brazil. That they kept fighting for so long is a shame on both.

- Gossip about baseball players' contracts is not sports writing.

So here is my rant. I'm complaining so that I don't forget the good reporting that gets drowned in the junk: exposing ineffective protection of workers against poisonous chemicals, the role of slavery in the Northern industrial revolution, citizen science...

22 março 2013

Obama em Jerusalém

Lindo discurso do Obama em Jerusalém. Não vou fazer nenhum comentário porque ele falou tudo que eu poderia dizer, e muito melhor. Estou cheio de orgulho do meu presidente.

Mas é interessante usar a oportunidade para olhar para a mídia brasileira. Quem quiser procurar alguma cobertura na assim-chamada "imprensa alternativa", que sempre tem algo a dizer a respeito do Oriente Médio, vai ouvir um silêncio ensurdecedor, e muito sugestivo. As reportagens dos grandes jornais também deixam a desejar, fora o @Gugachacra que modestamente concordou com os pontos do discurso em vez de dizer que foi Obama que concordou com o que ele escreve no blog.

13 março 2013

Teoria ludopédica do controle

Os diversos objetivos e índices de mérito utilizados na teoria do controle ótimo podem ser entendidos por suas aplicações ao futebol. O objetivo do quíper é minimax: diminuir o quanto possível o aproveitamento do adversário em cada peleja. Os infames frangos devem ser evitados pelos bons profissionais. Em raras ocasiões um goleiro fica famoso por uma defesa impossível - ele se chama Gordon Banks - mas o caminho para o sucesso embaixo dos arcos é o minimax, não os momentos espetaculares.

O objetivo dos beques é a maximização do desempenho médio, critério conhecido em controle como norma L1. Contanto que o zagueiro tenha um desempenho consistente, erros ocasionais podem ser desculpados, e momentos de brilhantismo são elogiados mas dispensáveis. Já os alfos objetivam o melhor desempenho médio quadrático ou norma L2: os passes e tentos geniais valem mais no meio de campo do que na zaga, mas não dispensam a eficiência no desarme e a permanente visão de jogo.

E os avantes usam o critério maximin. Craque, na linha, é quem sempre faz seu golzinho. Ninguém se lembra de quantos gols o Ronaldo deixou de anotar - o artilheiro é famoso porque a cada jogo da Copa ele carimbava a rede, desequilibrando a partida e garantindo a vitória do Timão Brasil.

São esses os critérios de controle ótimo usados pelos bons jogadores de futebol, ainda que expressões matemáticas não sejam aplicadas explicitamente.

08 março 2013

O legado do Chávez

Alguém escreveu em algum canto que Hugo Chávez apesar de seus defeitos deixa um legado.... Eis minha resposta:

Como assim as instituições permanecem? O vice-presidente não sabe quem é o presidente!

Desconheço lei venezuelana, mas numa situação normal, o vice-presidente que foi eleito para o cargo assumiria sem qualquer crise. Na Venezuela, tiveram que arrumar uma desculpa esfarrapada para dispensar a posse, e agora querem fazer uma nova eleição, porque o próprio vice não acha que tem legitimidade nenhuma - ou seja, o regime entende que o poder todo era pessoal do Chávez. Não sou eu dizendo isso, é o próprio vice!

Na minha opinião isso é um retrocesso enorme. Ainda não sabemos qual o preço que a Venezuela vai pagar pela desligitimização das instituições republicanas e pela imposição do poder pessoal. O único legado do Chávez é alertar às nossas elites para o que pode acontecer com o país se tratarem as massas como as elites latino-americanas de hábito fazem. O chavismo serve de advertência para não matarem a galinha dos ovos de ouro. Só.

26 fevereiro 2013

Eleições horrorosas em 2014

Vou fazer uma previsão: as eleições daqui a 2 anos vão ser nojentas e desanimadoras. Para presidente, o PT vai concorrer contra uns candidatos fraquíssimos. Os tucanos, a única oposição, gastaram seus candidatos antigos e não renovaram - sobrou o ex-governador de Minas que dizem hoje ocupar uma cadeira no Senado, mas pela atuação apagada ninguém saberia. Marina e os verdes desperdiçaram os votos da eleição de 2010 brigando um contra outro. Tem também um coronel de um partideco de aluguel no qual só presta o Romário.

Então a estratégia da Dilma é simples: torcer para a Argentina não implodir ainda esse ano. Porque se isso acontecer o eleitor pode perceber que a política voluntarista do PT é a mesma que está afundando os hermanos. Pior do que a reeleição, só mesmo algum outro candidato do PT, então se a implosão da economia demorar um pouco mais vamos ter que nos conformar.

Em S Paulo, o governador ausente, apalermado com um caso agudo de síndrome de 3o mandato, vai tentar a reeleição, apesar da morte do meu feirante. O único nome novo da oposição estadual não pode concorrer porque está começando o mandato de prefeito. Sobram os fracassos reconhecidos do PT, e o Kassab, que apesar de ter saído impopular da prefeitura talvez seja o menos pior.

E o Sarney continua governando as demais capitanias, como faz desde as ordenações afonsinas.

01 fevereiro 2013

Turismo sem Fronteiras e exportação de guaraná

Brilhante ideia do genial economista Goldbaum: o programa Turismo sem Fronteiras, através do qual o BNDE Social financiaria viagem de brasileiros ao exterior com o objetivo de aumentar as exportações de guaraná e goiabada.

O inspiração veio desse artigo de Armando Castellar, que nos lembra que a esperança de exportar motiva políticas industriais e concorrenciais do governo atual. Mas como só brasileiro bebe guaraná, temos que mandar turistas para o exterior. Está sobrando dólar de qualquer jeito.....

27 janeiro 2013

Se acaso distúrbio entrasse

Se acaso distúrbio entrasse
O processo seu, perturbasse
O equilíbrio em que você
O abandonou.

Será que tinha uma margem
Para manter a estabilidade
O controle que um dia você
Já projetou?

Eu falo por que o seu modelo
Ainda que bem identificado
Exibe um ganho errado
Não falo nem no fasor.

Em regime oscila um pouco
O transitório é meio louco
Assim se ajusta um controlador.

(Já é bem antigo, será que eu ainda não tinha postado?)

25 janeiro 2013

Albuquerque Lins

O governo federal não quer nada. O governo federal é um montão de funcionários, alguns canalhas, outros bem intencionados, a grande maioria gente que só quer terminar o serviço e voltar para casa. Os políticos também. Uns canalhas, uns decentes, a maioria só quer uma boquinha para ajudar os amigos. Não sei quem é esse cara, só sei que minha avó morava na R Albuquerque Lins. Não lembro de tucano nem de bandeirante na rua. Tinha uma seringueira dentro do apartamento, num vaso. Isso é uma lembrança feliz. Eu entrava embaixo da mesa e trocava os sapatos. O xará da rua, nunca ouvi falar. Se encontrar, escondo o sapato dele embaixo da seringueira. Eu posso fazer isso porque sou funcionário público e tenho estabilidade. Não é tão ruim assim. Uns dias tento dar uma mãozinha para os alunos aprenderem alguma coisa, ou resolver um probleminha que vai ajudar os engenheiros no futuro. Outros dias, exercito meu lado canalha. Se não consigo fazer nem uma coisa nem outra, espero o final do expediente e volto para casa. Isso é para dizer que o anúncio de vaga, que não li, pode nem ser tão ruim assim. Depende de você.

24 janeiro 2013

A USP em números, revisited


  • Orçamento da USP para 2012: R$ 4400 milhões. Fonte: sub-órgão da reitoria
  • Docentes em 2011: 6 mil. Fonte: página da reitoria.
  • Total de alunos: 90 mil.
  • Número de horas anuais trabalhadas por professor em atividade-fim da universidade: 1000 horas. Minha estimativa. Exclui reuniões administrativas e outras atividades internas. Inclui apenas horas dedicadas diretamente a pesquisa, ensino, e trabalhos de extensão não-remunerados por fontes externas.
  • Valor da hora trabalhada paga pelo contribuinte: $350 dólares. 

Seria uma bela remuneração por hora de engenharia, consultoria em negócios, serviço médico, trabalho de advocacia em qualquer parte do mundo. Números redondos. Não incluindo verbas de pesquisa recebidas de outras instituições, apenas o orçamento direto da Usp. Não incluindo as atividades fim realizadas por não-docentes. Segundo esses números, uma reunião de conselho de departamento com uma dúzia de docentes durando 2 horas e pouco valeria para o Estado a importância de 10 mil dólares, se fosse empregada em atividades fins.


16 janeiro 2013

A kind gentleman

Our neighbor in Brookline, Mr Chester Rubin, died this weekend. He was a kind gentleman who always had candy for Rosa and Hannah, a mentsh. He told me that he served his country during the 2nd War at the US Air Force base in Recife. Unfortunately I never had a chance to hear more. At the service were many nieces and nephews, who spoke beautifully in his memory, their children and grandchildren.

I am sad I didn't get to know him half as well as he deserved.

28 dezembro 2012

São Paulo e Rio de Janeiro

Recentemente li o excelente Capital da Solidão, uma história da cidade de S Paulo escrita por Roberto Pompeu de Toledo. O que me levou a comprar o livro foi a necessidade de passar tempo, a grata surpresa de ver que a livraria Book Stop onde comprávamos os livros texto dos professores Butija e Dárcio do Colégio Bandeirantes resiste bravamente às décadas na R Bernardino de Campos, e o fato que história é a única coisa que tenho paciência de ler entre os achados em livrarias comerciais.

Mas divago. O fato é que recomendo fortemente o livro, que apesar de ser escrito por um jornalista, com base em fontes historiográficas, eu consideraria uma fonte primária pela abrangência da concepção e clareza da escrita.

Para fazer par comprei recentemente A História do Rio de Janeiro de Armelle Enders. O ponto de vista centrado numa cidade me parece muito apropriado para elucidar as partes da história que permanecem obscuras na historiografia de países ou épocas. Na verdade o motivo para essa compra é que Os Donos do Poder de Raymundo Faoro, sobre o qual esse blog certamente escreverá num futuro próximo, tem massa excessiva para leitura na cama numa época de feriados e viagens. Novamente, digressiono.

Esse livro-companheiro, embora de maneira nenhuma seja um mau livro, não está me entusiasmando tanto. O motivo principal há de se revelar a superioridade de minha ignorância sobre o Rio, e meu maior interesse por S Paulo. O motivo desse post é considerar outros.

Em 1o lugar, a cidade de S Paulo teve uma existência semi-autônoma, até certo ponto independente da coroa portuguesa. A história do Rio de Janeiro se confunde, ao menos como contada pela pesquisadora da Sorbonne nesse livro relativamente curto, com a história do Brasil e de Portugal; e assim traz menos surpresas ou revelações para o paulistano medianamente letrado.

Em 2o lugar, a documentação paulistana é farta - as atas da Câmara Municipal se preservam desde a origem dos Campos de Piratininga. Agradeceria alguma informação sobre a documentação carioca existente até nossos dias, mas especulo que tenda mais para o que já conhecemos sobre o Brasil todo. De qualquer modo, a apresentação do indispensável contexto luso-brasileiro reduz as oportunidades para revelar as características específicas da história urbana do Rio.

Finalmente, o livro do jornalista paulista é superior ao da historiadora francesa. Além de estar estruturado como uma fonte secundária ou didática, este contém ao menos um erro de interpretação imperdoável. Um tema fundamental da história carioca pré-independência são as invasões francesas do Rio e Lisboa. A cada uma delas, a autora da "História do Rio de Janeiro" ressalta a tensão entre o reino de Portugal e seu antigo aliado, a Inglaterra, indicando até que a preocupação primordial da Coroa durante a ocupação napoleônica de Lisboa fosse a autonomia das colônias em relação à pérfida Albion.

Essa visão galocêntrica da história detrai da qualidade do livro e coloca em dúvida a análise apresentada. Se houver alguma revelação importante na parte sobre o Rio de Janeiro imperial, ou sobre meu herói Pedrão, volto a escrever sobre o assunto.

PS: Cheguei até o fim do império. A conclusão é que o livro não é bom. Trata-se na verdade de uma história política do Brasil, de um ponto de vista franco-carioca. Não de uma história da cidade. Como exemplo, os mapas são escassos, insuficientemente informativos, e surpreendentemente, não foram traduzidos. Quando o título de um capítulo leva a esperar que finalmente a história urbana se revele, o texto logo recai na política da capital, tendo a cidade, sua economia, sua sociedade, e sua cultura apenas como temas secundários. O texto não revela o mesmo amor pelo objeto historiografado que lemos em cada página de Pompeu de Toledo.

Se uma grande história urbana do Rio já foi escrita, por favor me esclareçam.

25 dezembro 2012

Fraude, ética, e relevância na ciência

Existem eventos isolados de fraude em ciência.
Os artigos científicos fraudulentos são uma pequena minoria das publicações.
Afirmações científicas errôneas não se deixam reproduzir, estender, ou confirmar.
O impacto de artigos fraudulentos tende a sumir com o tempo.

Alguns indivíduos pouco merecedores se beneficiam com a fraude acadêmica.
São casos de injustiça.
Duas são as formas de injustiça que merecem a atenção de uma pessoa com senso de ética: quando um indivíduo obtém benefícios que não merece; e quando os azares da vida impedem que uma pessoa obtenha os merecidos sucessos. Isso é assunto para um post futuro, mas de maneira geral podemos dizer que a 1a preocupação é típica da ética conservadora, ou de direita, enquanto a 2a forma é central para a ética humanista, ou de esquerda.
O caso de um pesquisador cuja carreira progride graças à fraude é uma injustiça do 1o tipo.
É raro que os benefícios individuais da ciência fraudulenta persistam indefinidamente.

A detecção da fraude na ciência ocorre pelo processo de reprodução e extensão dos resultados.
Eliminação e punição da fraude exigem controle adicional da atividade científica.
A introdução de controles externos atrapalha o desenvolvimento científico.
Os danos do controle externo são mais duradouros do que o efeito de possíveis fraudes.

A eliminação e punição de fraudes tendem a virar uma caça às bruxas contraproducente do ponto de vista científico, embora parcialmente justificável como preocupação ética do 1o tipo.

Existe um problema ético sério na ciência, que é o da relevância.
É difícil identificar a priori se uma linha de trabalho tem importância futura.
A ciência não dispõe de critérios claros para detectar trabalhos irrelevantes.
Pesquisas irrelevantes abundam em todo o meio acadêmico.
Trabalhos irrelevantes podem ser executados por má fé.
Mais frequentemente, resultam de pressão pela obtenção de resultados imediatos.
A proliferação de pesquisa irrelevante é uma barreira ao avanço científico e tecnológico.
A irrelevância nega a pessoas de bem o acesso aos frutos da ciência e da tecnologia.

A relevância é uma preocupação científica séria e uma preocupação ética do 2o tipo. Ela exige um esforço redobrado da comunidade acadêmica.

24 dezembro 2012

Christmas in Massachusetts

Two of the remaining newspapers in the United States (I forgot which is the other) give us an opportunity to compare the quality of their writing. The New York Times has a simple, informative piece by a young scholar reminding that religious intolerance among Puritans extended to banning Christmas celebrations. A week later the Wall Street Journal responds with a diatribe by a religious activist bringing the words "ethnic cleansing" to push his side of the debate about religious freedom.

The gift of free speech renews itself. Merry Christmas y'all!

22 dezembro 2012

English so-called soccer, TV so-called news

Yesterday on a flight to Colorado I watched MSNBC, Fox TV, and English soccer for the 1st, and hopefully last, time.

Microsoft TV was gloating about the double conservative shanda, Congress Republicans trying to bring the country down rather than tax people who make more than a million dollars a year, and the gun lobby trying to bring more guns into schools. Well it's a liberal's right to gloat, but I don't need to watch. Fox News was trying to avoid mentioning any news - they spent time trying to remember whether they used to have 5 or 6 talking heads in the show, and then moved on to a story about an American detained in Mexico over gun possession charges - apparently the US should invade Mexico over this or something like that.

If that is news, then so-called premier league can be called soccer. Although it looked to me that the keepers kick the ball to each other and the remaining 10 players try to pass the ball back to the keeper. So I fell asleep. The world may not have ended, but TV is over for me.

17 dezembro 2012

Corinthians, o campeão dos campeões!


Um colega escreve que o Tite é um grande técnico, e que gosta da ideia de um time de futebol virar um empresa de capital aberto.

Se é o caso de abrir o capital, não sei. É possível gerenciar bem um clube que continua sendo sem fins lucrativos. A diferença é entre gestão profissional e amadora. Quem quer ser amador, tem que se divertir, e aceitar derrotas. Para ser profissional, tem que ser sério, e aceitar os limites da competência de cada um. O problema são os camaleões do mundo moderno. Perante os futebolistas, são gerentes financeiros. Perante os banqueiros, são dirigentes esportivos. Mudam de cor, para não serem devorados.

Foram esses os caras que reafundaram o Palmeiras, o Belluzzo acima de todos. Não tiveram a humildade nem competência para aceitar as lições do rebaixamento, e vão ter que começar de baixo mais uma vez.

Há outros bons técnicos no Brasil além do Tite. O problema é que eles não têm apoio dos dirigentes, que ganham dinheiro e começam a achar que sabem de futebol. A direção do Corinthians sabe que quem entende de futebol são os bons técnicos e os jogadores. Outro time teria demitido o Tite quando perdeu algum jogo. A direção do Corinthians manteve o técnico competente e investiu no time, em vez de embolsar o faturamento.

A vantagem que o Timão tem é a Fiel, que bota mais torcedor em Yokohama (68.275) do que o São Paulo bota na Bambinera de Paraisópolis (67.042). E falando no São Paulo, tenho dúvidas se o velho mito da boa gestão sãopaulina não é exatamente isso - um mito. O time há muito é sustentado pela renda do estádio, que ficou obsoleto. Agora que a competição apertou, os dirigentes demitem o técnico a cada vez que querem evitar olhar para os próprios erros.

12 dezembro 2012

I didn't really scoop Paul Krugman

Last year after going to a bat mitzvah in N Jersey I wrote about Rabbits in New England. Now Paul Krugman writes that we should be paying more attention to how profit from capital is increasing at the expense of wages.

He is right and there is something wrong in the USA.

08 dezembro 2012

O fractalista

Recentemente li o memorial de Mandelbrot. Devo começar dizendo que nunca acompanhei muito o trabalho do matemático, em parte porque uma vez ouvi uma conferência dele em Yale e não aproveitei muita coisa. Mas recentemente esperando a condução li 2 artigos nas Notices of the AMS sobre a vida e matemática do Mandelbrot. E me dei conta que um conjunto de importância no estudo do antigo problema de Lur'e tem dimensão fractal. Então o presente do livro do próprio Mandelbrot foi bem recebido.

Uma coisa que falta no tal memorial (sim, estou usando o termo com ironia) é matemática. Além disso, trechos do texto são repetitivos. E ele gosta de name dropping. Diverte, mas não é de bom gosto. Como disse Nimzovich, autopromoção é aceitável só quando o reconhecimento merecido é injustamente negado. Mas podemos dizer que o reconhecimento a Mandelbrot foi tardio, embora abundante, então a autopromoção não chega a desmoralizar.  O maior interesse foi ler o autor contando sua vida. Me chamaram a atenção alguns pontos.

Mandelbrot nunca se adaptou à rotina acadêmica, recebeu tenure aos 75 anos (sempre há esperança). Passou a maior parte da carreira na IBM Research Labs. Os laboratórios de pesquisa pura de grandes empresas, Bell Labs, Xerox PARC, Phillips, são hoje uma vaga saudade. Existiram numa época de grandes monopólios aceitos pela sociedade. Os bons, especialmente nos Estados Unidos, eram muito bons. Os ruins, por exemplo no Brasil, eram muito ruins. Mas isso é outra conversa. Na universidade de hoje, Mandelbrot ficaria ainda menos confortável. Os laboratórios fazem falta.

Ele tinha uma péssima impressão dos bourbakistas, o que criou atritos até com seu próprio tio, Szolem Mandelbrojt, um matemático de qualidade. Não estava de todo errado. O formalismo matemático faz sentido filosófico, é até útil, mas se sai de controle atrapalha a ciência e a educação. Não há motivo para deixar de estudar algo só porque não conseguimos provar teoremas completos. Nem para estudar algo só porque os teoremas se deixam provar e se transformar em publicações. Figuras ajudam o entendimento. Por outro lado, a informalidade atrapalha na aplicação das ideias da geometria fractal. Como dizia Amadeu Matsumura, desenhos não provam nada.

Acadêmicos que se saem mal das memórias são os economistas de Chicago. O solitário leitor saberá por que isso produz um sorriso nesse blogueiro. Eugene Fama, em particular, aparece como um pseudo-bourbakista da economia, sem o conhecimento matemático dos Bourbaki originais, nem a honestidade deles. Para ele o formalismo é apenas um instrumento de autopromoção. Diz Mandelbrot que a hipótese dos mercados eficientes é conveniente e às vezes útil, mas não se verifica; e Fama não merece nem o crédito nem a culpa de tê-la inventado, apenas de ter trocado seu nome. Como dizia o Prof Waneck....


Como dizia o Prof. Waneck...

Os economistas são aqueles que não sabem álgebra. Entraram na universidade pela porta dos fundos. Perante os humanistas, são técnicos; perante os engenheiros, filósofos. São os camaleões do mundo moderno: mudam de cor, para não serem devorados.

28 novembro 2012

Adam Smith sobre a burocra acadêmica


Vejam a perfeição do texto linkado. Tem tudo a ver com as discussões sobre currículo da Poli.

Smith: Wealth of Nations, Book V, Chapter 1, ARTICLE II: Of the Expence of the Institutions for the Education of Youth, V.1.130-V.1.146

Como é um pouco longo, seguem abaixo alguns trechos supimpas. Grifos meus. Para discussão de abordagens pedagógicas, a frase definitiva é: 

No discipline is ever requisite to force attendance upon lectures which are really worth the attending, as is well known wherever any such lectures are given.

V.1.133
In every profession, the exertion of the greater part of those who exercise it is always in proportion to the necessity they are under of making that exertion.

V.1.134
The endowments of schools and colleges have necessarily diminished more or less the necessity of application in the teachers.

V.1.136
It is the interest of every man to live as much at his ease as he can; and if his emoluments are to be precisely the same, whether he does or does not perform some very laborious duty, it is certainly his interest, at least as interest is vulgarly understood, either to neglect it altogether, or, if he is subject to some authority which will not suffer him to do this, to perform it in as careless and slovenly a manner as that authority will permit. If he is naturally active and a lover of labour, it is his interest to employ that activity in any way from which he can derive some advantage, rather than in the performance of his duty, from which he can derive none.

V.1.137
If the authority to which he is subject resides in the body corporate, the college, or university, of which he himself is a member, and which the greater part of the other members are, like himself, persons who either are or ought to be teachers, they are likely to make a common cause, to be all very indulgent to one another, and every man to consent that his neighbour may neglect his duty, provided he himself is allowed to neglect his own. In the university of Oxford, the greater part of the public professors have, for these many years, given up altogether even the pretence of teaching.

V.1.138
If the authority to which he is subject resides, not so much in the body corporate of which he is a member, as in some other extraneous persons, in the bishop of the diocese, for example; in the governor of the province; or, perhaps, in some minister of state it is not indeed in this case very likely that he will be suffered to neglect his duty altogether. All that such superiors, however, can force him to do, is to attend upon his pupils a certain number of hours, that is, to give a certain number of lectures in the week or in the year. What those lectures shall be must still depend upon the diligence of the teacher; and that diligence is likely to be proportioned to the motives which he has for exerting it. An extraneous jurisdiction of this kind, besides, is liable to be exercised both ignorantly and capriciously.

V.1.139
Whatever forces a certain number of students to any college or university, independent of the merit or reputation of the teachers, tends more or less to diminish the necessity of that merit or reputation. The privileges of graduates in arts, in law, physic*113 and divinity, when they can be obtained only by residing a certain number of years in certain universities, necessarily force a certain number of students to such universities, independent of the merit or reputation of the teachers.

V.1.141
If in each college the tutor or teacher, who was to instruct each student in all arts and sciences, should not be voluntarily chosen by the student, but appointed by the head of the college; and if, in case of neglect, inability, or bad usage, the student should not be allowed to change him for another, without leave first asked and obtained, such a regulation would not only tend very much to extinguish all emulation among the different tutors of the same college, but to diminish very much in all of them the necessity of diligence and of attention to their respective pupils. Such teachers, though very well paid by their students, might be as much disposed to neglect them as those who are not paid by them at all, or who have no other recompense but their salary.

V.1.142
If the teacher happens to be a man of sense, it must be an unpleasant thing to him to be conscious, while he is lecturing his students, that he is either speaking or reading nonsense, or what is very little better than nonsense. It must, too, be unpleasant to him to observe that the greater part of his students desert his lectures; or perhaps attend upon them with plain enough marks of neglect, contempt, and derision. If he is obliged, therefore, to give a certain number of lectures, these motives alone, without any other interest, might dispose him to take some pains to give tolerably good ones. Several different expedients, however, may be fallen upon which will effectually blunt the edge of all those incitements to diligence. 

V.1.143
The discipline of colleges and universities is in general contrived, not for the benefit of the students, but for the interest, or more properly speaking, for the ease of the masters. Its object is, in all cases, to maintain the authority of the master, and whether he neglects or performs his duty, to oblige the students in all cases to behave to him, as if he performed it with the greatest diligence and ability. It seems to presume perfect wisdom and virtue in the one order, and the greatest weakness and folly in the other. Where the masters, however, really perform their duty, there are no examples, I believe, that the greater part of the students ever neglect theirs. No discipline is ever requisite to force attendance upon lectures which are really worth the attending, as is well known wherever any such lectures are given. Force and restraint may, no doubt, be in some degree requisite in order to oblige children, or very young boys, to attend to those parts of education which it is thought necessary for them to acquire during that early period of life; but after twelve or thirteen years of age, provided the master does his duty, force or restraint can scarce ever be necessary to carry on any part of education. Such is the generosity of the greater part of young men, that, so far from being disposed to neglect or despise the instructions of their master, provided he shows some serious intention of being of use to them, they are generally inclined to pardon a great deal of incorrectness in the performance of his duty, and sometimes even to conceal from the public a good deal of gross negligence.

V.1.146
The parts of education which are commonly taught in universities, it may, perhaps, be said are not very well taught. But had it not been for those institutions they would not have been commonly taught at all, and both the individual and the public would have suffered a good deal from the want of those important parts of education.

Apoio da Usp a estudantes menos favorecidos

A Usp devia montar um programa de apoio a estudantes de colégios menos favorecidos. Professores da Usp visitariam colégios, conversariam com administradores, professores, e estudantes, com o objetivo de aproximar a universidade das populações menos assistidas sociedade. Os professores da Usp poderiam dar apoio direto falando sobre suas sobre suas especialidades acadêmicas, tirando dúvidas sobre assuntos tratados nas aulas dos colégios, e respondendo perguntas gerais.

Um compromisso razoável seria de uma semana de trabalho por ano para cada professor, podendo ser redistribuído de forma razoável entre os docentes das unidades e departamentos. Seriam 2% do trabalho total da universidade, o que não pode ser considerado excessivamente oneroso. Esse programa  desmistificaria a experiência universitária, mostrando a frações da população que a Usp é uma instituição acessível, embora seletiva. Assim teria um impacto muito maior do que iniciativas como quotas, pontuação extra, e outros esforços na direção de maior justiça social que têm sido discutidos, sem a maioria dos problemas que essas iniciativas podem trazer.

Eu não sei como organizar um programa desses. Mas confio que face a face com estudantes de colégio os professores da Usp vão saber dar o melhor de si e fazer uma contribuição inestimável à justiça social. O maior obstáculo é a inércia burocrática, que certamente vai preferir criar comissões e reuniões para gerar relatórios e criar regras que ficam aqui dentro da universidade, contam pontos nas carreiras, mas têm impacto nulo sobre a ciência e cultura no país.

15 novembro 2012

Em 1889....

Hoje é aniversário do 1o golpe militar da história do Brasil. O governo constitucional só foi restabelecido 5 anos depois, com a posse do paulista Prudente de Morais na presidência.

Dizem que o então presidente americano, Benjamin Harrison, quando soube da Proclamação da República do Brasil, disse ter deixado de existir a única verdadeira república na América Latina. A citação pode não ser atestada, mas não deixa de ter um fundo de verdade.

10 novembro 2012

I have nothing against numbers.

I like numbers. Some of my best friends are numbers. But you can't trust numbers. You never know on whose side they are. If you torture a number, it will confess anything. You just can't trust numbers.

09 novembro 2012

Gerrymandering rule


Proposed rule:
No portions of any two cities or towns shall be in a district if the said cities or towns are joined by a paved road which stays within the State, if the length of the said road between the two towns is not longer than two thirds of the shortest distance of a drive beginning in one said city or town, ending in the other, and remaining within the district.
The rule above has the goal of enforcing a practical measure of convexity upon voting districts, with the goal of avoiding extreme cases of gerrymandering. It is an attempt to answer a questions that @JohnAllenPaulos asked on Twitter

Another different answer mentioned in the conversation is splitline districting.



05 novembro 2012

Nowhere to run

"Nowhere to run" é o melhor episódio da melhor série de TV americana, Murphy Brown. Se alguém conseguir assistir, boa diversão. Alguém lembra se era nesse episódio que a secretária da Murphy Brown só dizia "Sure, fine, no problem"? O melhor momento é quando Miles conta que recebeu sua primeira ameaça de morte.

Miles: Some guy called. He said if we don't drop the story he's gonna send me to Toledo in several small sandwich bags.
Murphy: Is that what this is all about? Hey, everybody, Miles, just got his first death threat! Death threats happen to every good journalist, Miles. You've gotta look at it as a right of passage.

Miles: I'm sorry I had my rite of passage. There was a rabbi and a big buffet.

Ao contrário da vida real, a máfia do programa de TV telefonava diretamente para o Miles, não para o chefe dele.

02 novembro 2012

Darboux's method

Darboux's method, as explained by Cartan, is a systematic way to find whether a partial differential equation can be solved using ordinary differential equations techniques. If so we may be able to solve a given equation point-by-point, or curve-by-curve, without the need to find the complete solution. Ordinary equations are easier to solve and, most important, the answers are a lot easier to understand, so Darboux's method should be widely used. That does not seem to be the case. Why? I have a number of explanations, possibly all equally wrong.

1 - The number of situations for which Darboux's method gives useful answers is too limited. As I understand, that happens when the exterior differential system admits so-called Monge characteristics, which, for many equations of practical importance, may not be the case.

2 - Darboux's method is used more often than my growing ignorance has been able to discern.

3 - Physicists, the people who most often solve partial equations, need complete solutions. In this case a complete numerical solution is less complicated and more useful than a piecewise solution along given curves.

4 - Numerical methods using computers are convenient for finding complete solutions. However they are not likely ever to be useful for finding real-time answers in engineering applications such as feedback control. This is of course the reason I am interested in Darboux's method.

5 - Cartan is difficult to read. There exist more recent texts, including ones by Burke; Arnold; Ivey & Landsberg; Stormark; Olver; and Bryant, Chern, Gardner, Goldschmidt & Griffiths. Except for Burke and Arnold, who wrote for physicists and are not complete explanations of Cartan, they are not that much easier going than the originals.

6 - Cartan wrote in French, as did Darboux. That should not be a serious problem, because everybody should be able to understand mathematics written in French. Or so thought our teachers when they began to translate all of science into English after Europe devolved into barbarity in 1933. They translated German and Russian, but of course translating French was not urgent - the literature in Italian and the other European languages was smaller. By now the subset of researchers who would consult a French original is a proper subset of the French-speaking scientists, possibly not even a very large one. So Cartan is still somewhat shrouded in mystery.

7 - Darboux's method requires working with complex characteristics, even for real differential equations. Of course imaginary and complex numbers are the delight of every self-respecting electrical engineer, may you have the same joy. The less fortunate might find them challenging.

I would not be very keen on alternative 1 being the main explanation. The others appear in the order of how amused I am by them.

31 outubro 2012

Currículo da Poli - engenharia elétrica

Como os leitores desse blog podem saber, a Poli está discutindo currículos de graduação. A proposta de flexibilização que mencionei foi aprovada em algumas instâncias. Aproveitando as mudanças curriculares, os diversos cursos dentro da engenharia elétrica querem unificar os currículos até o 3o ano, o que considero bom.

O problema é que cada departamento enxerga a unificação do currículo como uma oportunidade para introduzir as disciplinas lecionados por seus docentes para um número maior de alunos. A discussão já está demorando muito e foca exclusivamente conteúdos que os departamentos querem que sejam ensinados em sala de aula. Com isso, chegamos a uma proposta na qual o 2o e 3o ano tem mais de 28 créditos de aula por semestre, tendo sido eliminado o espaço para as disciplinas eletivas e os interessantes laboratórios de práticas de eletricidade, cursos focados em projetos dados aos alunos de 2o ano.

Hoje um professor disse que "os alunos da Poli não têm maturidade para tomar decisões, e por isso temos que fornecer currículos extensos e rígidos para eles". Disse o que quis, ouviu o que não quis. A verdade. E a verdade dói. Com isso, ganhei um inimigo, ou mais. Mas isso não vem ao caso.

O que quero pedir aos alunos e ex-alunos que me leem é que identifiquem das matérias na tabela abaixo as que mais necessitam ser removidas do currículo proposto. Notem que algumas são velhas conhecidas, enquanto outras são metástases de disciplinas desfuncionais. Em alguns casos o conteúdo é óbvio, em outros fica como lição tentar adivinhar exatamente. Para cada disciplina, as recomendações podem incluir "considere como fundamental para engenharia elétrica e deve ser ensinada nos 3 primeiros anos", "elimine do currículo", "pode virar optativa", "pode ser interessante para alunos de quarto ou quinto ano de alguma ênfase", ou outras recomendações.

As discussões estão tendo quase nenhuma participação estudantil - na verdade a 1a vez que vejo alunos foi hoje, porque eu estava dando uma prova na sala de computadores ao lado e alguns dos meus alunos vieram escutar e deram algumas opiniões. Então a opinião de alunos e ex-alunos é fundamental. Me respondam nos comentários por favor.

Notem que são 28 matérias se eu contei certo, portanto 4 semestres inteirinhos para serem comprimidos em 2 anos, nos quais ainda deveriam caber os assunto básicos como físicas e matemáticas, além de eletivas e disciplinas de projeto.


Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Grupo 4
Grupo 5
Grupo 6
Eletromag.
Circuitos I
Intro. Eletrônica
Sistemas Digitais I
Sistemas e Sinais
Química
Ondas e Linhas
Circuitos II
Eletrônica I
Sistemas Digitais II
Controle
Energia Meio Amb.
Conversão
Lab. Circuitos I
Lab. Eletrônica I
Lab. Digital
Lab. Controle
Intro. Eng. Elétr.
Lab. Conversão
Lab. Circuitos II
Lab. Eletrônica II
Algor. e Estrut.
Intro. Redes e Com.
Res. Mat.

Variáveis Compl.

Lab. Programação

Fen. Transp.

Circuitos III