Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

25 agosto 2016

O pré-mestrado da Poli e o Processo de Bolonha

A inspiração formal para a criação de programas de pré-mestrado na Escola Politécnica é o Processo de Bolonha, que harmonizou o o estudo superior na Europa e criou programas de graduação e que conduzem diretamente ao título de mestre. O objetivo do Processo de Bolonha foi facilitar a mobilidade de estudantes entre variadas universidades de diferentes países, através de procedimentos comuns, e com isso expor os estudantes a experiências em instituições diversas. Com os laços estabelecidos entre ensino universitário e a indústria na Europa, os estudantes de engenharia em particular combinam também a formação acadêmica com a exposição à prática industrial.

O objetivo do pré-mestrado na Poli é diametralmente oposto: fixar os estudantes na escola de origem, de forma a estimular a continuidade dos estudos de pós-graduação na mesma instituição da graduação. Para tal as propostas indicam que a iniciação científica substitua o estágio na indústria durante o último ano, e que o trabalho de conclusão de curso seja preferencialmente uma prévia de uma tese acadêmica individual, no lugar de projetos mais aplicados, realizados em equipe, como é mais comum atualmente.

O pré-mestrado reforça portanto as tendências à endogenia e ao distanciamento entre o ensino universitário e a prática da engenharia, que são fraquezas significativas do nosso ensino superior, ao lado da burocratização. Pelo lado positivo, o pré-mestrado encurta aos politécnicos o caminho da pós-graduação, o que pode trazer bons alunos para os programas de pós da Poli. Em resumo, as propostas trazem benefícios potenciais para o corpo docente, em compensação às deficiências de formação dos alunos que optarem por tal programa, que são, repito, a falta de exposição a experiências industriais, ao estudo em instituições diversas, e ao trabalho e formas de avaliação diversas da tradicional aula + prova.

Me parece um caso inovador da aplicação da Síndrome de Estocolmo como ferramenta de marketing para um público semi-cativo. O ponto mais positivo do programa proposto é não ser obrigatório.
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