Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

28 agosto 2014

Desmoralização do trabalho

Parece que os desembargadores e juízes decidiram que a USP não pode descontar os salários dos grevistas. Deixando para os doutos bacharéis a discussão sobre a base jurídica da necessidade de decisão judicial para não pagar quem não está trabalhando, considere o ponto de vista de quem trabalha.

Já é embaraçoso ouvir de nossos concidadãos contribuintes, que dependem da execução satisfatória de suas incumbências profissionais para pagar as contas e recolher os impostos que sustentam nossos salários, a pergunta: "E como vocês fazem durante a greve de 3 meses? Não vai dizer que continuam recebendo mesmo sem trabalhar!" Temos que explicar que são 1% de grevistas ativos trancando as vias públicas e votando pela greve nas assembleias; uns 10% deixando de ir ao trabalho e às aulas por conta do clima de greve; e que quem têm vocação para ensino e ciência continua trabalhando, junto com a maioria dos funcionários.

Entendemos que a universidade está em péssima situação devido à incompetência e má fé de alguns dirigentes. Mas a sociedade e os alunos não têm culpa disso. Até merecemos um aumentozinho por conta da carestia e da qualidade de nosso trabalho; mas não estamos na universidade apenas para pensar em nosso próprio umbigo, nem para fazer apenas as partes do trabalho que trazem benefícios pessoais ou avanços na carreira. Queremos tentar conquistar esse merecido aumento trabalhando mais e com melhores resultados para o cidadão paulista.

E agora que os doutíssimos beleguins deliberaram que a universidade deve pagar igualmente a quem trabalha e a quem não trabalha, como ficamos? Aguardando, talvez, o próximo passo da desmoralização total: que a assim-chamada justiça declare que a universidade deve dar aumento a quem fez greve, mas não aos fura greves que continuaram dando aula.


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