Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

06 novembro 2013

Cobertura do debate dos candidatos a reitor da USP

“@pait: Zago lista coisas que devem mudar na Usp: graduação, carreiras, gestão, burocra... Não diz quais mudanças fará. Modernização, o que é?”

“@pait: Vanderlei lista politécnicos que conheceu e homenageia. Passa a homenagear sua vice e a si próprio. Vai pensar em propostas para graduação.”

“@pait: Cardoso feliz que os outros candidatos adotaram suas propostas para graduação e transparência. Conta coisas que fez pela graduação na Poli.”

“@pait: Cardoso defende flexibilização do ensino, novo currículo de graduação aprovados pela Poli, laboratório de inovação, cursos novos, noturno.”

“@pait: Cardoso lista outras iniciativas suas em graduação, inovação, gestão, cultura, e extensão na Poli. Promete expandir para a USP toda.”

“@pait: Hélio elogia Poli e Cardoso, apoia curso noturno de engenharia, mudanças curriculares na Poli.”

“@pait: Hélio lista experiência da candidata a vice e sua própria, sem detalhar ações específicas. Sugere imitar iniciativas da Politécnica.”

“@pait: Hélio menciona em termos genéricos que coisas foram feitas e outras ainda devem ser continuadas. Alerta para situação financeira precária. Hélio defende quotas.”

Funcionário pedem que candidatos sejam mais específicos sobre suas propostas, e fazem solicitações específicas sobre carreira. Professor contesta que talentos sejam bem selecionados por quotas para escolas públicas sem melhorar escola pública.

Perguntei por email para o prof Hélio: "O senhor é economista experiente, reconhecido, que ocupou altos cargos na administração da universidade, e nos conta que a situação financeira da universidade é periclitante. Gostaria de saber em qual ponto das últimas gestões o vice-reitor e os pró-reitores tomaram conhecimento que a universidade estava praticando uma gestão imprudente dos recursos públicos." Aguardo resposta.

Hélio dá respostas gerais para as perguntas específicas. Cardoso promete mais transparência na administração, critica administração atual, não acha fácil atingir metas de quotas e inclusão sem prejudicar qualidade; USP deve apoiar mais os alunos do ensino médio. Vanderlei afirma que fundamento da sua candidatura é a continuidade das últimas duas gestões, pede que confiem na astúcia dele para fazer os pequenos ajustes necessários, sem maiores inovações, conta anedotas folclóricas. Zago diz que universidade precisa inovar, cumprimenta quem já fez mudanças, mas não diz quais; critica vestibular mas elogia Fuvest, diz que é preciso discutir, discutir, discutir, não diz suas propostas; o problema central não é prédios nem pesquisa, é a graduação que deve estar no centro. "Quem tem 100 prioridades não tem nenhuma", diz Zago; concordo.

Aluna conta que veio de escola pública, entrou no vestibular, pergunta sobre violência contra a mulher na USP, estupros na Poli, e sobre acesso de minorias à USP.

Zago começa dizendo que que violência contra mulheres é subcaso da questão de segurança geral no campus. (Suspiros da audiência.) Depois passa a generalidades sobre cultura e barbárie. Volta para a tese que é uma questão de geral de segurança, não apresenta propostas. Não defende quotas mas diz que deve haver ações, não diz quais. Critica a pergunta pouco precisa. Vanderlei diz que já foi prefeito da USP e aprendeu sobre iluminação e segurança. A favor das câmeras e das lâmpadas e da guarda universitária e da polícia militar. Cardoso defende controle de acesso aos prédios, critica falha de segurança inaceitável, assume que universidade falhou em sua responsabilidade. Cumprir decisões do conselho universitário quanto a quotas, embora a universidade não seja capaz de resolver todos os problemas sociais. Hélio defende critérios étnicos no vestibular, elogia a iluminação do estacionamento da FEA, colocação de catracas na reitoria, e sua experiência administrativa.

Comentário: nenhum dos candidatos parece ter a menor noção de que a violência contra as alunas é frequente em festas e outras atividades estudantis. Isso sugere que os candidatos não conversam o suficiente com os estudantes.

As perguntas feitas pela internet não serão respondidas durante o debate. A minha fica aqui no blog. Professor pergunta sobre avaliação de atividades de graduação na carreira acadêmica, e sobre invasões à reitoria.

Hélio afirma que atividades de ensino não são consideradas na carreira docente e que práticas não democráticas ficaram corriqueiras na vida universitária. Cardoso: ensino, pesquisa, e atividades de cultura devem ser pesadas em concursos de contratação e progressão. Ninguém ensina sem saber aprender, então pesquisa é importante, mas outras atividades devem ser formalmente consideradas. Violência chegou a níveis altos, não se faz democracia com marreta, a minoria de violentos não é representativa. Vanderlei diz que crise atual com os estudantes não é fato isolado, é crise sistêmica, se agravou nos últimos anos (nas administrações que ele pretende continuar), cita discussões teóricas na Filosofia sobre black blocks, melhor caminho é trabalho de prevenção, atrair lideranças estudantis que aceitam discutir de forma democrática, afirma que segmentos violentos estão em grande parte na sua unidade, a Filosofia. Avaliar só por produção de paper não dá, mas a discussão é difícil e a profa Sueli faz partes de comissões que ainda não sabem o que fazer.

Zago diz que vai fazer proposta muito diferente: reconhecer que universidade é muito heterogênea, que as pessoas têm perfis diferentes, não misturar indivíduos que dão contribuição excelente como educadores com os que transferem conhecimentos para a sociedade com os pesquisadores. Diz que Harvard considera 3 perfis diferentes de professor (comentário: nunca ouvi falar desses perfis). Agressividade: porque? A maioria é silenciosa porque nós nos afastamos do diálogo com a maioria. Falta diálogo durante o ano todo. Se nunca nos preocupamos com o diálogo, na hora da invasão já é tarde. Falta de entusiasmo pela vida universitária e de participação é a causa da passividade da maioria silenciosa não-violenta. (Excelente resposta. Faltou dizer quem e como vai começar o diálogo.)

Vanderlei reforça que seu website reitera suas propostas de continuar as políticas das 2 últimas gestões. Cardoso diz que na Poli há diálogo permanente com estudantes, conflitos foram mínimos, precisamos ser tolerantes, o diálogo foi perfeito nos últimos 4 anos na Poli (acho que com um certo otimismo), vai fazer o mesmo na USP, garante que minimizará os conflitos. Hélio elogia a USP em generalidades, exceto o equilíbrio financeiro que precisa ser restabelecido e procedimentos arcaicos que contribuem para conflitos.

Perguntas da internet não serão lidas. Fim do debate.


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