Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

27 dezembro 2011

Cabral e a longitude

Comecei a ler Longitude, de Dava Sobel, e logo no começo aprendi uma coisa. É perfeitamente plausível que Cabral tenha se perdido no meio do Atlântico e não soubesse que estava a mais de 30 graus de longitude oeste da costa da África. A tecnologia da época não fornecia medidas de longitude, que em alto mar só podia ser estimada a partir de medidas de velocidade. Os erros da medida de velocidade iam se somando ao calcular a posição - fenômeno bem conhecido de quem estuda navegação inercial - e causaram desastres piores do que a descoberta do Brasil ;-)

As navegações portuguesas se orientavam pela costa da África, e seguiam a Volta do Mar que aproveitava os ventos permanentes favoráveis no meio do Atlântico. Na falta de vento, a localização em alto mar era incerta.

No meu tempo de escola ensinavam que não era plausível um engano dessa magnitude. Isso demonstrava que a viagem de Cabral que resultou na assim-chamada descoberta do Brasil tinha sido algum tipo de conspiração de forças ocultas. A explicação não era muito coerente com a curta estadia de Cabral no Brasil - 2 semanas, tempo para reabastecer e rezar 2 missas - mas o atrativo da teoria da conspiração era irresistível. Não sei como explicam na escola hoje - não caiu no vestibular - mas a versão da Wikipedia é mais cautelosa e apenas indica que o desvio de rota pode ter sido intencional. A teoria de conspiração não resiste ao estudo da história, que de qualquer forma é muito mais interessante.
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