Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

22 dezembro 2009

Notas na Politécnica

Fim de ano, passei minhas notas, e olhei umas outras tantas. Quanto mais branca minha barba, menos consigo entender os critérios de notas na Poli. Diria que seguem aproximadamente a seguinte fórmula:

Nota = 3 + 4 (esforço feito pelo aluno) / (esforço esperado pelo professor) + 3 RandomReal[-1,+1]

A prova típica dá 3 pontos por assinar a lista de presença e responder uma questãozinha primária, continua com duas questões que um aluno mais ou menos assíduo deveria saber responder, e termina com uma questão impossível para lembrar que 10 é a nota do professor. O inevitável componente aleatório, mais pronunciado no caso de avaliações ditas "objetivas," sempre pode tomar valores positivos ou negativos.

Isso para graduação. Para pós-graduação os critérios são diferentes: as notas são mais altas, embora não seja claro que os alunos sejam melhor preparados ou que se esforcem mais. E na avaliação dos próprios professores as notas são muito mais altas: só tira menos que 9 num concurso de titular quem comete o gravíssimo erro de não fazer parte da panelinha que escolheu a banca.

Proposta de pesquisa: como os critérios de avaliação afetam os hábitos de um estudante racional? Sabendo que o 3 está garantido pela questão fácil, parece razoável que o aluno que quer minimizar a probabilidade de reprovação estude pouco. E que o aluno que quer maximizar a nota também não estude muito, já que os últimos pontos são inatingíveis. Razoável esse modelo?



(Esse post gerou tantos comentários de visitantes ilustres, que resolvi linkar para um vídeo dando exemplo de prova com 5 perguntas no estilo politécnico, uma trivial, uma fácil, e uma aleatoriamente difícil.)
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