Uma coisa que ninguém pode negar sobre a esquerda brasileira, tão bem representada na USP e especialmente nas associações sindicais, é sua coerência ideológica. Desde que eu me lembro por gente eles nunca deixaram de dar seu apoio irrestrito a qualquer tirano sanguinário que se pusesse a cometer alguma atrocidade, em nome do anti-imperialismo. Era assim com os caquéticos sucessores de Stalin antes da queda do muro, sempre foi assim nos piores momentos da repressão aos dissidentes cubanos. Ainda se encontram por aí panfletos com as eloqüentes manifestações dos colegas "terceiro-mundistas" em apoio a Saddam Hussein durante suas invasões e bombardeios químicos, e em defesa do socialista Slobodan Milosevic em suas guerras contra bósnios e kosovares. Faz mais tempo mas me recordo - embora não possa mais comprovar, porque foi antes da internet arquivar e indexar tudo - as menções que agrupamentos de esquerda alternavam a favor da Pérsia ou da Mesopotâmia nos anos 80, dependendo de qual lado daquela insensata guerra consideravam o mais antiamericano, se os aiatolás ou as ditaduras militares armadas pelos comunistas. Eu que era calouro na USP não entendia xongas. Como não entendia como esses mesmos esquerdistas deixavam de lado sua antipatia pela junta militar argentina para apoiá-la abertamente por ter iniciado a guerra suicida contra a Inglaterra.
Mas é uma questão de coerência ideológica. Sempre que algum ditador ou terrorista decide promover um massacre, ele pode contar com palavras de apoio do nosso "movimento universitário." Foi ainda no ano passado que uma conferência de cúpula internacional, promovida em Brasília pelo embaixador chefe do Itamaraty, um orgulhoso membro do IEA, saiu em defesa veemente dos direitos soberanos do governo do Sudão de praticar o genocídio contra as minorias africanas do país, e da Síria de assassinar políticos e jornalistas no seu vizinho Líbano, sem interferência externa. A linha albanesa, a linha maoísta, a linha fidelista, têm como denominador comum o desprezo pela vida, pela liberdade, e pela felicidade dos povos sujeitos a esses regimes.
Pela graça divina, esses socialistas nacionais tem uma tremenda "mufa". Seus ungidos se estrepam. Com o tempo, cada um dos bandidos que esses azarados exaltam tão loquazmente vai se indo embora em desgraça e infâmia. Foi assim com os ditadores da Europa Oriental, com os terroristas bascos, irlandeses, e do Baader Meinhof, com Arafat e abu Nidal. Grande consolo podem ser na prisão os eloqüentes louvores da esquerda uspiana...... Após a saída de cena dos fidéis, o stalinismo terá seu último refúgio na Coréia do Norte esfaimada. Mas mesmo nesse dia nossos esquerdistas continuarão urrando contra o FMI e defendendo o protecionismo econômico, versão tropical da "juche" do imperador Kim Segundo.
Essa semana, o mesmo pessoal de esquerda promove manifestações em apoio ao Hizbollah e ao Hamas, gritando palavras de ordem pela a destruição do estado e do povo de Israel. A esquerda se junta ao fanatismo religioso mais obscurantista, financiado pelo Irã e pelas monarquias do Golfo Pérsico, uma reedição - em farsa - do pacto Ribbentrop-Molotov. Os povos livres e as pessoas de bem agradecem à providência: mais uma vez, os idolatrados pelos "anti-imperialistas" de plantão não vencerão. Os governos democráticos não serão apagados pelos mísseis iranianos, como não se curvaram às bombas dos comunistas. E muito menos à gritaria das "forças de resistência" contra a razão, o bom senso, e a decência humana. Da mesma forma que sobreviveu, unido, aos seqüestradores e homens bomba da Fatah, aos tanques russos do socialismo nacionalista do Baath, o estado judaico não será destruído pelos mísseis e palavras de ordem do Hesballah.
E aqui no Brasil, essa democracia que a esquerda tanto gostaria de ver sabotada, uma certeza podemos continuar tendo: que qualquer antidemocrata de plantão, quanto mais sanguinário ou corrupto melhor, poderá continuar encontrando na esquerda da USP um impotente conforto.
10 agosto 2006
26 maio 2006
Mudou o plano da eclíptica!
Revolução na ciência! Mais do que isso, revolução na órbita terrestre! Mudou o plano da eclíptica! Leiam no Boletim Fapesp de hoje:
Mundo mais tropical
26/05/2006
Agência FAPESP - A zona tropical terrestre pode estar aumentando de tamanho. Dados obtidos por satélites mostram uma expansão da região contida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio nos dois hemisférios. (...) Os pesquisadores não sabem se a expansão tropical teve como causa uma variação climática natural ou foi motivada por algum fenômeno como o aquecimento global ou a diminuição da camada de ozônio. (...)
Leiam o artigo completo no site da FAPESP:
Análise a partir de dados obtidos por nove satélites sugere que a zona contida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio pode ter se expandido 230 quilômetros em direção aos pólos desde 1979
Mundo mais tropical
26/05/2006
Agência FAPESP - A zona tropical terrestre pode estar aumentando de tamanho. Dados obtidos por satélites mostram uma expansão da região contida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio nos dois hemisférios. (...) Os pesquisadores não sabem se a expansão tropical teve como causa uma variação climática natural ou foi motivada por algum fenômeno como o aquecimento global ou a diminuição da camada de ozônio. (...)
Leiam o artigo completo no site da FAPESP:
08 novembro 2005
Show de desorganização na Politécnica
Demos um show de desorganização na palestra internacional do IEEE agora de manhã. Para começar, o aviso da palestra foi enviado em cima da hora, na forma de um email sem título e sem corpo. A maioria dos recipientes não deve nem ter lido a mensagem, se é que passou pelos spam filters. Para aqueles que nem ficaram sabendo, o assunto da palestra foi comunicação multiponto em redes móveis ad hoc, que deveria interessar ao pessoal de controle, comunicações, computação, e áreas afins. Os organizadores do IEEE não estavam, ninguém foi recepcionar o palestrante, e tudo atrasou porque não havia projetor.
Havia alguns alunos de graduação. Alunos de pós eu não reconheci. E 2 ou 3 professores. Alguns não podiam ir porque estavam se desincumbindo da carga didática. Outros participando de discussões sobre as campanhas dos reitoráveis. Ou assistindo a um evento sobre políticas governamentais de financiamento para a reforma das salas e compra de equipamento de informática para seminários. Ou na fila do bar. Ou comparecendo à antepenúltima reunião preparatória para a comemoração dos 1200 dias da posse do terceiro vice-secretário da subcomissão de comemorações de efemérides.
Não dá para esperar que todos venham. Muitos tem que compor relatórios sobre pesquisas antigas, não têm tempo para se ocuparem com assuntos novos. Pode até ter alguém, espero que de outro departamento, que não veio porque o palestrante tem sotaque africano. Mas com tal desinteresse, não venham reclamar que os alunos não assistem aulas.
Havia alguns alunos de graduação. Alunos de pós eu não reconheci. E 2 ou 3 professores. Alguns não podiam ir porque estavam se desincumbindo da carga didática. Outros participando de discussões sobre as campanhas dos reitoráveis. Ou assistindo a um evento sobre políticas governamentais de financiamento para a reforma das salas e compra de equipamento de informática para seminários. Ou na fila do bar. Ou comparecendo à antepenúltima reunião preparatória para a comemoração dos 1200 dias da posse do terceiro vice-secretário da subcomissão de comemorações de efemérides.
Não dá para esperar que todos venham. Muitos tem que compor relatórios sobre pesquisas antigas, não têm tempo para se ocuparem com assuntos novos. Pode até ter alguém, espero que de outro departamento, que não veio porque o palestrante tem sotaque africano. Mas com tal desinteresse, não venham reclamar que os alunos não assistem aulas.
27 outubro 2005
Amanhã é dia do funcionário público não trabalhar
Amanhã é dia do funcionário público não trabalhar, então não tem dia melhor que hoje para começar esse blog. Aliás, já não tem 364 dias do ano para barnabé não trabalhar, precisa de mais esse feriado? No começo do ano bem que tinham posto "funcionário público" na cartilha das expressões politicamente incorretas banidas, mas ela voltou com força total e mais um feriado - mais um tapa na cara do contribuinte.
E para somar insulto à injúria: A Politécnica distribuiu sacolas alusivas à data aos seus funcionários públicos. A minha veio sem alça, tive que implorar para não ficar com a mala sem alça. E não chega eu trabalhar de graça, ainda tem que me mandar girar bolsinha?
Aproveitando a deixa, leiam abaixo sobre a prisão e soltura de um companheiro politécnico. E leiam também meu colega Manuel Tenide:40 Anos da República Popular do Brasil
IMPORTANT COPYRIGHT INFORMATION. Did you like the joke? You may say it is yours.
IMPORTANTE: INFORMAÇÃO SOBRE DIREITOS AUTORAIS. Gostou da piada? Pode dizer que é sua.
E para somar insulto à injúria: A Politécnica distribuiu sacolas alusivas à data aos seus funcionários públicos. A minha veio sem alça, tive que implorar para não ficar com a mala sem alça. E não chega eu trabalhar de graça, ainda tem que me mandar girar bolsinha?
Aproveitando a deixa, leiam abaixo sobre a prisão e soltura de um companheiro politécnico. E leiam também meu colega Manuel Tenide:
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IMPORTANTE: INFORMAÇÃO SOBRE DIREITOS AUTORAIS. Gostou da piada? Pode dizer que é sua.
22 outubro 2005
Agora que já nos acostumamos com desvios de bilhões de dólares dos cofres públicos, o que mais espanta no episódio da prisão e soltura de Paulo Maluf é a rapidez da justiça. Sabemos que há incontáveis processos tramitando em diversos tribunais e instâncias, durante anos e décadas. Já as demandas do ex-prefeito de São Paulo foram examinadas por diversos tribunais, em rápida sucessão, no curto prazo de 40 dias. Os pedidos de habeas corpus, recursos, liminares, alvarás, e o que mais foram rapidamente apreciados pelo Tribunal Regional Federal, Superior Tribunal de Justiça, e Supremo Tribunal Federal, este último atropelando suas próprias normas. Será que um caso com menos oportunidades para fama, envolvendo um cidadão menos endinheirado, seria sido tratado de maneira tão diligente por nossos juízes?
Independentemente do mérito do caso, também fascina a facilidade dos tribunais em chegarem a decisões contraditórias. O politécnico Maluf seu filho são réus em um processo, e haviam tentado impedir o depoimento de outro réu. Estavam em prisão preventiva para evitar que atrapalhassem as investigações. A questão legal era absolutamente banal: coagir uma testemunha, quando se trata de outro réu, interfere nas investigações? O mais alto tribunal decidiu que não, então está decidido. Mas, concordemos, não se trata de questão de enorme alcance e complexidade, cuja resposta poderia influenciar todo o relacionamento entre os cidadãos e os poderes da república... Quem acha fácil não é o leigo: o pedido foi julgado em menos de dois dias. Se fosse uma questão complexa, teria merecido uma avaliação cuidadosa por parte do Supremo Tribunal Federal. Mas se era uma questão tão simples, para ser decidida de um dia para o outro, como será que as instâncias inferiores se enganaram? Não tiveram receio de fazer um pronunciamento tão facilmente revertido?
Nós brasileiros reclamamos, com bastante razão, da atuação de prefeitos, governadores, e presidentes. Mas bem ou mal, eles cumprem sua função constitucional, que é governar. Os recentes escândalos não nos deixam esquecer que o legislativo é de qualidade ainda pior. Mas esses ainda podemos dizer que são a escolha do povo. Do judiciário poderia se esperar, no mínimo, que julgasse de acordo com a lei, e que a aplicasse igualmente para todos - não opiniões pessoais arbitrárias. O fundamento do estado de direito é a impessoalidade e previsibilidade da justiça. Qualquer outra coisa é um convite ao crime. Entre as instituições da república, alguma inspira menos confiança do que o judiciário?
Independentemente do mérito do caso, também fascina a facilidade dos tribunais em chegarem a decisões contraditórias. O politécnico Maluf seu filho são réus em um processo, e haviam tentado impedir o depoimento de outro réu. Estavam em prisão preventiva para evitar que atrapalhassem as investigações. A questão legal era absolutamente banal: coagir uma testemunha, quando se trata de outro réu, interfere nas investigações? O mais alto tribunal decidiu que não, então está decidido. Mas, concordemos, não se trata de questão de enorme alcance e complexidade, cuja resposta poderia influenciar todo o relacionamento entre os cidadãos e os poderes da república... Quem acha fácil não é o leigo: o pedido foi julgado em menos de dois dias. Se fosse uma questão complexa, teria merecido uma avaliação cuidadosa por parte do Supremo Tribunal Federal. Mas se era uma questão tão simples, para ser decidida de um dia para o outro, como será que as instâncias inferiores se enganaram? Não tiveram receio de fazer um pronunciamento tão facilmente revertido?
Nós brasileiros reclamamos, com bastante razão, da atuação de prefeitos, governadores, e presidentes. Mas bem ou mal, eles cumprem sua função constitucional, que é governar. Os recentes escândalos não nos deixam esquecer que o legislativo é de qualidade ainda pior. Mas esses ainda podemos dizer que são a escolha do povo. Do judiciário poderia se esperar, no mínimo, que julgasse de acordo com a lei, e que a aplicasse igualmente para todos - não opiniões pessoais arbitrárias. O fundamento do estado de direito é a impessoalidade e previsibilidade da justiça. Qualquer outra coisa é um convite ao crime. Entre as instituições da república, alguma inspira menos confiança do que o judiciário?
23 maio 2000
Famosos economistas brasileiros
Procurando uma outra coisa no computador o Spotlight me encontrou um email antigo que escrevi a um colunista de jornal, tendo recebido resposta ignorativa. O Brasil mudou muito - para melhor - nesses anos, apesar dos esforços de economistas como o destinatário. Mas como pode ter gente que gosta de trocadilho, vai abaixo uma cópia do email.......
Subject: Dolarização em Timor Leste
Date: 23 May 2000 9:26:58 AM EDT
To: pnbjr@attgobal.net
Reply-To: pait@lac.usp.br
No artigo "Dolarização em Timor Leste," de 6 de abril, Paulo
Nogueira Batista Jr aponta as desvantagens para o novo país da adoção
do dólar como moeda oficial, o que parece prudente já que os prós e
os contras das uniões cambiais são controversos entre os economistas.
Além disso o artigo propõe que o Brasil apóie o Timor Leste em seu
processo de independência, uma ótima idéia considerando que nosso
país não tem mostrado excesso de generosidade com outras nações menos
afortunadas.
Mas o artigo finaliza sugerindo que esse apoio venha na forma de
aconcilhamento em política econômica. Vamos ser francos: a política
marioenconômica brasileira tem sido motivo de chicota desde o tempo
do regente Feijó com arroz. Os erris e a administração ruym da moeda
nacional tem causado inflação, desemprego, perdas irricuperáveis de
bulhões e bulhões de dólares. Se não compreendi mal, ilso que foi
proposto significa enviar os delfins do real para uma cruzada
financeira pelos campos robertos de Timor, onde um dílson de economistas
brasileiros podem confiscandir mais estragos do que uma praga de
gafanhotos sarneyntos.
O histórico recente das moedas brasileiras é comparável só ao de
países em situação bem pior que o do nosso; podemos dizer até, é
slobodânico, ou mobutesco. Podemos dar consultoria em esportes,
música, televisão, e talvez em medicina, engenharia, e até língua
portuguesa. A sugestão de dar apoio em políticas econômicas, para
alguém que nunca nos fez mal algum, devia aparecer só nas páginas
humorísticas.
Felipe M Pait
Subject: Dolarização em Timor Leste
Date: 23 May 2000 9:26:58 AM EDT
To: pnbjr@attgobal.net
Reply-To: pait@lac.usp.br
No artigo "Dolarização em Timor Leste," de 6 de abril, Paulo
Nogueira Batista Jr aponta as desvantagens para o novo país da adoção
do dólar como moeda oficial, o que parece prudente já que os prós e
os contras das uniões cambiais são controversos entre os economistas.
Além disso o artigo propõe que o Brasil apóie o Timor Leste em seu
processo de independência, uma ótima idéia considerando que nosso
país não tem mostrado excesso de generosidade com outras nações menos
afortunadas.
Mas o artigo finaliza sugerindo que esse apoio venha na forma de
aconcilhamento em política econômica. Vamos ser francos: a política
marioenconômica brasileira tem sido motivo de chicota desde o tempo
do regente Feijó com arroz. Os erris e a administração ruym da moeda
nacional tem causado inflação, desemprego, perdas irricuperáveis de
bulhões e bulhões de dólares. Se não compreendi mal, ilso que foi
proposto significa enviar os delfins do real para uma cruzada
financeira pelos campos robertos de Timor, onde um dílson de economistas
brasileiros podem confiscandir mais estragos do que uma praga de
gafanhotos sarneyntos.
O histórico recente das moedas brasileiras é comparável só ao de
países em situação bem pior que o do nosso; podemos dizer até, é
slobodânico, ou mobutesco. Podemos dar consultoria em esportes,
música, televisão, e talvez em medicina, engenharia, e até língua
portuguesa. A sugestão de dar apoio em políticas econômicas, para
alguém que nunca nos fez mal algum, devia aparecer só nas páginas
humorísticas.
Felipe M Pait
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