Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

10 agosto 2006

A notável coerência ideológica da esquerda uspiana

Uma coisa que ninguém pode negar sobre a esquerda brasileira, tão bem representada na USP e especialmente nas associações sindicais, é sua coerência ideológica. Desde que eu me lembro por gente eles nunca deixaram de dar seu apoio irrestrito a qualquer tirano sanguinário que se pusesse a cometer alguma atrocidade, em nome do anti-imperialismo. Era assim com os caquéticos sucessores de Stalin antes da queda do muro, sempre foi assim nos piores momentos da repressão aos dissidentes cubanos. Ainda se encontram por aí panfletos com as eloqüentes manifestações dos colegas "terceiro-mundistas" em apoio a Saddam Hussein durante suas invasões e bombardeios químicos, e em defesa do socialista Slobodan Milosevic em suas guerras contra bósnios e kosovares. Faz mais tempo mas me recordo - embora não possa mais comprovar, porque foi antes da internet arquivar e indexar tudo - as menções que agrupamentos de esquerda alternavam a favor da Pérsia ou da Mesopotâmia nos anos 80, dependendo de qual lado daquela insensata guerra consideravam o mais antiamericano, se os aiatolás ou as ditaduras militares armadas pelos comunistas. Eu que era calouro na USP não entendia xongas. Como não entendia como esses mesmos esquerdistas deixavam de lado sua antipatia pela junta militar argentina para apoiá-la abertamente por ter iniciado a guerra suicida contra a Inglaterra.

Mas é uma questão de coerência ideológica. Sempre que algum ditador ou terrorista decide promover um massacre, ele pode contar com palavras de apoio do nosso "movimento universitário." Foi ainda no ano passado que uma conferência de cúpula internacional, promovida em Brasília pelo embaixador chefe do Itamaraty, um orgulhoso membro do IEA, saiu em defesa veemente dos direitos soberanos do governo do Sudão de praticar o genocídio contra as minorias africanas do país, e da Síria de assassinar políticos e jornalistas no seu vizinho Líbano, sem interferência externa. A linha albanesa, a linha maoísta, a linha fidelista, têm como denominador comum o desprezo pela vida, pela liberdade, e pela felicidade dos povos sujeitos a esses regimes.

Pela graça divina, esses socialistas nacionais tem uma tremenda "mufa". Seus ungidos se estrepam. Com o tempo, cada um dos bandidos que esses azarados exaltam tão loquazmente vai se indo embora em desgraça e infâmia. Foi assim com os ditadores da Europa Oriental, com os terroristas bascos, irlandeses, e do Baader Meinhof, com Arafat e abu Nidal. Grande consolo podem ser na prisão os eloqüentes louvores da esquerda uspiana...... Após a saída de cena dos fidéis, o stalinismo terá seu último refúgio na Coréia do Norte esfaimada. Mas mesmo nesse dia nossos esquerdistas continuarão urrando contra o FMI e defendendo o protecionismo econômico, versão tropical da "juche" do imperador Kim Segundo.

Essa semana, o mesmo pessoal de esquerda promove manifestações em apoio ao Hizbollah e ao Hamas, gritando palavras de ordem pela a destruição do estado e do povo de Israel. A esquerda se junta ao fanatismo religioso mais obscurantista, financiado pelo Irã e pelas monarquias do Golfo Pérsico, uma reedição - em farsa - do pacto Ribbentrop-Molotov. Os povos livres e as pessoas de bem agradecem à providência: mais uma vez, os idolatrados pelos "anti-imperialistas" de plantão não vencerão. Os governos democráticos não serão apagados pelos mísseis iranianos, como não se curvaram às bombas dos comunistas. E muito menos à gritaria das "forças de resistência" contra a razão, o bom senso, e a decência humana. Da mesma forma que sobreviveu, unido, aos seqüestradores e homens bomba da Fatah, aos tanques russos do socialismo nacionalista do Baath, o estado judaico não será destruído pelos mísseis e palavras de ordem do Hesballah.

E aqui no Brasil, essa democracia que a esquerda tanto gostaria de ver sabotada, uma certeza podemos continuar tendo: que qualquer antidemocrata de plantão, quanto mais sanguinário ou corrupto melhor, poderá continuar encontrando na esquerda da USP um impotente conforto.
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