Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

01 outubro 2011

Redução de aulas de português e matemática

A secretaria de educação do estado de S Paulo estuda reduzir o número de horas de aula de português e matemática. Faz sentido.

Não é bom aumentar o número de horas de aula. Muitas horas na sala de aula são contraproducentes. Só servem para cansar e desmotivar o aluno, e para reduzir a possibilidade de pensamento independente. Alunos não prestam atenção a aulas em excesso, e em geral simplesmente cabulam. Quem acha que os alunos não faltam porque há controle de presença é só quem dá aulas de costas para a sala.

Os melhores meios de aprender português e matemática não são aulas de gramática e aritmética. Estudar ciência e história é muito mais eficaz e motivante. Gramática e redações de colégio são uma chatice, pouco conectadas com a língua viva, e infelizmente a álgebra do colégio também é ensinada assim. Discorda? Pergunte para algum aluno de colégio sobre o determinante da matriz de Vandermonde.

O lado ruim é o que se propõe no lugar. Ensino de espanhol é picaretagem. É um fato conhecido que quem sabe o português direito se comunica perfeitamente com quem sabe o espanhol direito. Quem lê português tem acesso a toda a literatura e jornalismo em língua espanhola internacionais. Umas aulinhas tipo "El libro está sobre la mesa" vão ser uma regressão. Com o inglês não é assim. E o inglês é a língua franca para a maior parte da humanidade, que não tem outra língua em comum. Aulas de inglês são muito mais úteis.

Sociologia e filosofia vão ser aulas de doutrinação ideológica pela máfia dos sindicatos e das faculdades de educação. Com provinhas para ver se os alunos pensam certo. Na melhor da hipóteses, uma perda de tempo federal. Não são disciplinas que se prestam ao ensino médio, certamente não com os professores que estão por aí. Já a história é fascinante, e imprescindível no mundo conectado. Quase ninguém no Brasil conhece história bizantina ou do sudeste da Ásia, por exemplo. Deviam. Nem história da China, nem história dos povos originais do nosso continente. No caso da história, isso é bom. Os estudantes vão ler algum dos excelentes livros de história, e rapidamente saber mais que os professores. Nada mais motivante! Da leitura para a escrita, é meio passo.

Repetindo: mais aulas de história, geografia, física, e biologia no lugar da gramática e da álgebra seriam bem vindas. Melhor ensinar a física de Newton antes de esperar o estudante passar pelo cálculo, melhor ensinar física quântica do que começar por matrizes e logaritmos. Melhor ler Braudel e Sérgio Buarque do que manuais de gramática. Mas se for para piorar, deixem como está.
Postar um comentário