Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

23 setembro 2011

Progressão na carreira docente

A Usp está embarcando em mais uma discussão medíocre e infrutífera sobre um assunto completamente irrelevante para o ensino e a pesquisa, que é a progressão continuada na carreira docente, ou promoção horizontal. Atualmente existem 3 níveis do cargo de professor: doutor, associado, e titular. A Usp resolveu criar 1 nível intermediário entre doutor e associado, e 2 níveis entre associado e titular. Para administrar tudo isso vão surgir a Comissão Central de Avaliação para Progressão de Nível na Carreira Docente e as Comissões Setoriais Temáticas. É difícil imaginar de que maneira o trabalho dessas comissões vai beneficiar a ciência e a educação.

Eu não tinha prestado atenção à discussão até que ela chegou aos professores-soldados. Quem quer receber um aumento tem que entregar um memorial no mês que vem. Como não há recursos extras para pagar as promoções horizontais, quem não receber aumento terá uma diminuição, não no salário nominal mas certamente em relação ao salário que receberia sem as promoções horizontais. Os critérios para promoção ainda não foram definidos. Os diversos departamentos e áreas da Poli produziram 4 propostas diferentes, cada um usando um recurso diferente do Microsoft Office: Word, Powerpoint, Excel, além de pdf, num total de mais de 30 páginas. Quantas páginas de propostas virão das outras unidades da Usp?

O maior problema salarial da Usp é que a recompensa financeira pela dedicação ao ensino e à pesquisa é limitada. Professores doutores e associados podem ser promovidos por concurso, mas um professor titular só recebe aumentos por tempo de serviço, pela desincumbência de atividades administrativas, ou por trabalhos de extensão pagos por terceiros. Isso não ajuda a atrair e motivar pesquisadores e professores que se destacam.

Os aumentos sem "promoção vertical" não têm impacto nesse sentido, porque apenas criam faixas salariais intermediárias. Como a promoção horizontal depende apenas de análise de memorial, e deve ser menos trabalhosa do que a concurso de livre docência e menos disputada do que o concurso de titular, a tendência é os professores se concentrarem nas faixas doutor 2 e associado 3, achatando mais os salários. As diferenças de salário entre professor associado 1, 2, e 3 não são grande, e a análise das promoções é mais uma tarefa burocrática que rouba tempo dos professores e não traz benefício para o contribuinte paulista. Em resumo, uma solução que não funciona para um problema que não existe.
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