Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

06 julho 2012

Paraguay, Venezuela, Mercosul, e pragmatismo

Mercosul, Paraguay e Venezuela estão fora da minha piscininha. Mas já que os especialistas estão escrevendo bobagem, vou adicionar as minhas.

A deposição do presidente eleito do Paraguay foi assim tão diferente do impeachment do Collor? Não me parece, apesar de que o procedimento foi meio estranho e apressado. No Brasil, serviu pelo menos para reafirmar que tem gente que é contra o estado de direito. O bom da democracia é que sabemos quem eles são.

O Itamaraty usou o evento para trazer a Venezuela para o Mercosul pela porta dos fundos, como queria a Argentina. Foi uma espécie de golpe diplomático, que até certo ponto justifica a posteriori o comportamento do parlamento paraguayo. Sabe-se lá o que os pinguins venezuelanos estariam aprontando no Paraguay.

De um ponto de vista pragmático, trazer a Venezuela para o Mercosul faria algum sentido. Quem entra é a Venezuela, não o atual presidente, como escrevem os que gostam de escrever o óbvio. Faltou talvez explicar isso melhor para venezuelanos e paraguayos. Por outro lado, como escreve o embaixador Celso Lafer, a decisão do Mercosul foi de má fé, por não incluir o Paraguay, qualquer que seja a interpretação legalista da suspensão. Um acordo presume a boa fé das partes, senão dá errado. De qualquer modo não vai fazer diferença porque para todos os efeitos a Argentina já acabou com o Mercosul há anos.

O problema é que pragmatismo é bom na teoria mas não funciona na prática. Pronto, agora vocês sabem que esse post era só uma desculpa para citar Sidney Morgenbesser, o John Dewey Professor of Philosophy da Columbia University, o maior filósofo americano do século 20 e um dos mais importantes do Lower East Side.
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