Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

16 maio 2014

Dia triste

Hoje foi um dia triste, quem me segue nas redes sociais sabe. S Paulo tem mais de 7 milhões de proprietários de automóvel. Um desses tirou a vida de uma pessoal muito boa. Excesso de velocidade, falta de prudência, excesso de álcool, falta de manutenção? Não sei.

Mas como a vida continua e não consegui concentração para preparar uma palestra sobre otimização livre de derivadas, fui cuidar da burocra. Entre uma ordem de pagamento e um notário público para o consulado sentei para arroz e feijão num restaurante brasileiro novo, pequeno, que apareceu em Allston do outro lado da rua do antigo Café Belô que pegou fogo há anos.

Tinha um paulista que não vai no Brasil há anos reclamando do PT, dos bagunceiros, do preço da coxinha na lanchonete do aeroporto de Guarulhos, dos larápios que roubaram uma mala cheia de perfume que a amiga dele comprou em Miami. Essa parte não tinha graça. Mas daí entraram na conversa um outro freguês e o dono da lanchonete, depois de acabar o prato feito pedi um guaraná para ficar ouvindo.
A lanchonete vende muita marmita, entregas quase todas em Brookline porque lá tem muita reforma. Porque comer lanche é ruim. 7 dólares você compra só um sanduíche, comida mesmo é arroz e feijão, custa 11 e você está alimentado. Para trabalhar precisa comer direito. E tem muito trabalho! O que tem de reforma lá em Brookline. Acabei de quebrar uma cozinha em Everett, semana que vem volto para refazer tudo. Só que tem gente que não quer trabalhar. Com tanta reforma, tanta disha, quem não está bisado é que não tem vontade de trabalhar. Lá na praça sempre tem uma dúzia de sujeitos só esperando trabalho. Passei lá e ofereci 15 por hora, 4 horas garantidas, todas as despesas pagas, para fazer uma mudança, serviço fácil, só botar no caminhão e depois descarregar. Não quiseram, pediram 25 pesos. Então arrumei outro, aquele ficou esperando serviço na pracinha. Outro dia na volta do serviço comi numa lanchonete em Everett e falei com uns americanos. Me explicaram que os americanos não querem qualquer tipo de serviço porque têm orgulho. Mas orgulho de quê? Uma crioulo desse tamanho muito mais forte do que eu ficar na porta do 7-11 pedindo esmola? Que orgulho é ficar sentado na praça esperando serviço, com tanta reforma em Brookline?
É isso que ouvi. Custou uma guaraná. Aula de sociologia popular por 2 pesos.
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