28 agosto 2011
Estadão perde credibilidade com foto falsificada
O Estadão perdeu vários pontos na minha avaliação de credibilidade ao publicar uma foto falsificada do Steve Jobs na edição de ontem. 1o, pelo sensacionalismo indigno de um bom jornal. 2o, pelo desrespeito a um cidadão que claramente preza sua privacidade. 3o, pelo descuido em verificar a origem de uma fonte antes de publicar. E finalmente, pela falta de profissionalismo em não publicar um pedido de desculpas humilíssimo para o leitor enganado pela má fé de algum jornalista incompetente. Não vou sujar o blogspot com link.
26 agosto 2011
Viva Zapata! as retold by Henrique Pait
Emiliano Zapata leads a delegation of peasants bringing a grievance to the president of Mexico. The president listens politely. After they leave, the president asks an adviser for the name of the leader. "Emiliano Zapata, señor."
"Brilliant fellow. Very well spoken, well meaning."
And then gestures towards the adviser with his hand cutting across his throat.
Fast forward to the end of the movie. A peasant leads a delegation to now President Zapata, who listens attentively. After he leaves, President Zapata asks for the name of the leader.
"Brilliant fellow. Very well spoken, well meaning."
And then gestures towards the adviser with his hand cutting across his throat.
Fast forward to the end of the movie. A peasant leads a delegation to now President Zapata, who listens attentively. After he leaves, President Zapata asks for the name of the leader.
"Manuel Sánchez, señor." (or whatever)
"Brilliant fellow. He has a future."
And then gestures towards the adviser with his hand cutting across his throat.
As retold by my father, who had a very creative memory. I don't know how accurate, but for sure almost better than the version by John Steinbeck, Elia Kazan, Marlon Brando and the like ;-) Which I don't recall, have to watch with the kids one day.
14 agosto 2011
Tablet computer, made in Brazil
Fábrica de tablets no Brasil. Faz sentido? Vejamos o breakdown do iPad original mais barato, via iSuppli. Preços redondos em dólares.
Custo de materiais e componentes: $220.
Custo de fabricação: $10.
Preço de venda: $500.
Preço de venda no Brasil: $1000.
A suposta "fábrica da Apple no Brasil" que põe saliva na boca de políticos dirigistas, empresários do apoio oficial, e economistas campineiros iria competir com as fábricas da Foxconn na China pelos $10 da manufatura. Em troca desse valioso serviço e de gerar empregos responsáveis por uns 2% do valor total do produto, o "fabricante nacional" decerto vai querer vender o aparelho pelo preço do importado.
A fatia de $270 da Apple não desperta o interesse de nossos desenvolvimentistas. O mercado, potencialmente muito maior, de software e midia que seguem cada tablet vendido, desse então nem se fala. Coitadinho, sufocado pela proteção à "manufatura".
Custo de materiais e componentes: $220.
Custo de fabricação: $10.
Preço de venda: $500.
Preço de venda no Brasil: $1000.
A suposta "fábrica da Apple no Brasil" que põe saliva na boca de políticos dirigistas, empresários do apoio oficial, e economistas campineiros iria competir com as fábricas da Foxconn na China pelos $10 da manufatura. Em troca desse valioso serviço e de gerar empregos responsáveis por uns 2% do valor total do produto, o "fabricante nacional" decerto vai querer vender o aparelho pelo preço do importado.
A fatia de $270 da Apple não desperta o interesse de nossos desenvolvimentistas. O mercado, potencialmente muito maior, de software e midia que seguem cada tablet vendido, desse então nem se fala. Coitadinho, sufocado pela proteção à "manufatura".
07 agosto 2011
As prioridades da Usp
Recursos gastos na aquisição de livros para as bibliotecas da Usp em 2010: quase 2 contos (2 milhões de réis, para os mais novos). Para a biblioteca da Escola Politécnica: 110 milréis.
Informações do anuário da Usp.
Custo da repavimentação do estacionamento da elétrica: 300 milréis. Não sei dizer se vai sair mais caro, considerando que a obra planejada para durar 2 meses já atrasou 3 semanas. Como já disse o grande professor Chapéus, ensinar é construir estacionamentos.
Da vontade de ver como são as coisas na quasi-homônima USP, a University of South Pacific.
Informações do anuário da Usp.
Custo da repavimentação do estacionamento da elétrica: 300 milréis. Não sei dizer se vai sair mais caro, considerando que a obra planejada para durar 2 meses já atrasou 3 semanas. Como já disse o grande professor Chapéus, ensinar é construir estacionamentos.Da vontade de ver como são as coisas na quasi-homônima USP, a University of South Pacific.
27 julho 2011
Why don't US right wingers go to grad school?
As one of you may know and the other will guess, I consider NYTimes writer James Tierney an idiot. In his latest column The Left-Leaning Tower he makes an effort to support the theory that conservatives don't go to graduate school because academia in the United States leans left. First he quotes careful surveys that disprove most aspects of his argument, then he turns to the usual ideologues, who claim that the theory is correct because it must be, no matter the facts, and repeat a few anecdotes about the liberal bias of social scientists.
So, does academia have a liberal bias, or do conservatives have an antiscientific bias? I think one should look for the answers in the science departments. The overwhelming majority of scientists are liberals, in the American definition. An overwhelming majority of engineering and mathematics professors, a fairly conservative (in the sense of cautious) bunch altogether, are Democrats. So are almost 100% of biologists, a branch of science without a political bias if there is one. Even the majority of economists and business professors are liberals.
Thus 1) Republicans do not go to graduate school because they are against scientific reason; 2) John Tierney is a fool. QED.
So, does academia have a liberal bias, or do conservatives have an antiscientific bias? I think one should look for the answers in the science departments. The overwhelming majority of scientists are liberals, in the American definition. An overwhelming majority of engineering and mathematics professors, a fairly conservative (in the sense of cautious) bunch altogether, are Democrats. So are almost 100% of biologists, a branch of science without a political bias if there is one. Even the majority of economists and business professors are liberals.
Thus 1) Republicans do not go to graduate school because they are against scientific reason; 2) John Tierney is a fool. QED.
15 julho 2011
The paper is difficult to read because the results are novel
"It's obvious, it's wrong, and I've published it before." This kind of rejection I know. But "the paper is difficult to read because the results are novel" is a type of argument I had not yet seen used to reject a paper.
11 julho 2011
Decisão por pênaltis é o anti-futebol
Meta-comentários sobre a copa do mundo de futebol que terminou ontem (é isso que vocês leram; por definição copa do mundo termina quando o time do Brasil vai para casa, sejam os homens ou as mulheres).
1 - Decisão por pênaltis é o anti-futebol. No futebol de verdade quando os dois times marcam o mesmo número de gols o jogo termina empatado. Os cartolas que não têm competência para bolar um campeonato com as regras corretas estragam o torneio. Há muitas formas de fazer um torneio corretamente: pontos corridos, todos contra todos, eliminação múltipla com colchetes, chaves, sistema suíço.... O pior de todos é o "mata-mata", que ofende a essência do esporte. Até os corruptos da CBF têm aquele mínimo de competência necessário para fazer a tabela de um torneio de futebol, mas a FIFA não.
2 - Quando um time profissional faz coisas completamente inexplicáveis dá a impressão de que existe uma explicação que a gente não conhece. Uma americana pegou a bola com a mão, a outra derrubou a atacante brasileira dentro da área. Só no 2o caso houve o pênalti e a expulsão; será que o time achava que para esse jogo as regras tinham mudado? O que estava na cabeça do time alemão, que deixou as 2 melhores atacantes no banco no jogo contra o Japão?
3 - Futebol é como política: não brigue com seus amigos por causa dele. Os jogadores fazem as pazes e você perde um amigo.
1 - Decisão por pênaltis é o anti-futebol. No futebol de verdade quando os dois times marcam o mesmo número de gols o jogo termina empatado. Os cartolas que não têm competência para bolar um campeonato com as regras corretas estragam o torneio. Há muitas formas de fazer um torneio corretamente: pontos corridos, todos contra todos, eliminação múltipla com colchetes, chaves, sistema suíço.... O pior de todos é o "mata-mata", que ofende a essência do esporte. Até os corruptos da CBF têm aquele mínimo de competência necessário para fazer a tabela de um torneio de futebol, mas a FIFA não.
2 - Quando um time profissional faz coisas completamente inexplicáveis dá a impressão de que existe uma explicação que a gente não conhece. Uma americana pegou a bola com a mão, a outra derrubou a atacante brasileira dentro da área. Só no 2o caso houve o pênalti e a expulsão; será que o time achava que para esse jogo as regras tinham mudado? O que estava na cabeça do time alemão, que deixou as 2 melhores atacantes no banco no jogo contra o Japão?
3 - Futebol é como política: não brigue com seus amigos por causa dele. Os jogadores fazem as pazes e você perde um amigo.
06 julho 2011
Bellman's curse of dimensionality destroyed Friendster
It is instructive to learn why some social networks proper, and others tank. Social network pioneer Friendster was killed by Bellman's curse of dimensionality, with help of businessmen. Link, but don't open with Safari.
Apparently the algorithms didn't scale well. The businesspeople invested in more hardware and more expensive marketing instead of fixing the technical problem. MySpace took over, until News Corp destroyed it. Its story is less interesting; Murdoch wanted to make money fast. Now the race is between Facebook, Twitter, and G+.
Apparently the algorithms didn't scale well. The businesspeople invested in more hardware and more expensive marketing instead of fixing the technical problem. MySpace took over, until News Corp destroyed it. Its story is less interesting; Murdoch wanted to make money fast. Now the race is between Facebook, Twitter, and G+.
29 junho 2011
Vote NO on clamshell containers!
In Massachusetts, independents can vote in any party's primary, and there will not be a Democratic primary. Believe it or not, it crossed my mind to vote for Huntsman in the Republican primary, just so that Rosa and Hannah don't have to be ashamed of whichever meshuga the Republicans come up with to run for president of their country.
Now Susanna, who read the NYTimes magazine article on Huntsman - I didn't have the patience - tells me that his wealth comes from his father's invention of the Big Mac clamshell container. I hate those containers! They contain everything that is wrong in America: self-indulgence, bad food, trash, pollution, waste of energy, lazyness, all in the service of poor work and personal habits.
I hate those containers more than Sarah Palin. If Huntsman was counting on my vote, he lost it.
Clarificação sobre redes sociais
Uso muito pouco o Linkedin, mas aceito conexões de qualquer pessoa contanto que eu reconheça o nome, e a mensagem contenha algum texto no lugar do "fulano quer ser seu amigo no Linkedin". Quem conecta sem escrever uma mísera linha é spammer.
I don't get Facebook. A interface não faz nenhum sentido para mim. Vejo um monte de posts repetidos, porém os posts desaparecem depois de poucos dias, então não sei o que perdi. (I think I have a bad rapport with software written by Harvard dropouts.) I use it because you use it. I tend not to friend students on Facebook. Motivo: não quero unfriend ninguém, e aparecem posts além da minha capacidade de ler. Don't take it personally. I also don't friend suggestions, for the same reason. The fact that I have friended one student shall not be misconstrued as implying that I had any additional reasons to not friend another.
Twitter: I like twitter and I tend to follow anyone who doesn't tweet too much about things that are not relevant to me. When tweets become "too much" is a subjective decision.
Orkut: só não saio do Orkut porque para sair tem que entrar.
A melhor rede social é mathoverflow. Só se fala sobre coisas que interessam. Mas não é para todos.
Of course, all this may change if Google+ takes off. The idea of separate groups of friends makes a lot of sense. However social networks are a natural monopoly: I use what everyone uses. So unless everyone joins Google+, it will be irrelevant.
I don't get Facebook. A interface não faz nenhum sentido para mim. Vejo um monte de posts repetidos, porém os posts desaparecem depois de poucos dias, então não sei o que perdi. (I think I have a bad rapport with software written by Harvard dropouts.) I use it because you use it. I tend not to friend students on Facebook. Motivo: não quero unfriend ninguém, e aparecem posts além da minha capacidade de ler. Don't take it personally. I also don't friend suggestions, for the same reason. The fact that I have friended one student shall not be misconstrued as implying that I had any additional reasons to not friend another.
Twitter: I like twitter and I tend to follow anyone who doesn't tweet too much about things that are not relevant to me. When tweets become "too much" is a subjective decision.
Orkut: só não saio do Orkut porque para sair tem que entrar.
A melhor rede social é mathoverflow. Só se fala sobre coisas que interessam. Mas não é para todos.
Of course, all this may change if Google+ takes off. The idea of separate groups of friends makes a lot of sense. However social networks are a natural monopoly: I use what everyone uses. So unless everyone joins Google+, it will be irrelevant.
16 junho 2011
I have been completely unproductive in the past few days, so let's tell jokes.
A friend tells a story he got from his Japanese teacher. Not sure if the teacher saw it or just heard about it.
Japanese Go club, full of strong amateurs and several pros. Anyone under 5 dan is there for lessons. One regular is a well-known 9-dan pro. Everyone knows everyone else here, and most of the other strong players around.
One day, someone nobody recognises walks in, immediately sits down with the 9-dan, takes two stones, and loses by a narrow margin. Observers are amazed.
After he leaves, someone gets up the courage to ask "Sensei, who the devil was that?" "My elder brother. I learned Go from him and did not win a game against him until I was 18, but I turned pro and he went into business."The forgot to tell the rest of the dialogue:
"Sensei, are you all that strong in your family?"
"No, our younger brother wins against both of us even."
"So why doesn't he play?"
"He stopped when grandma learned to play. She beat him with 4 stones handicap."
09 junho 2011
Morumbi contra o metrô
Li no jornal hoje que os bacanas do Morumbi estão em pé de guerra contra uma nova linha do metrô. O motivo é que a linha 17 Ouro vai passar perto da favela. O pretexto é ambiental. (Estou vendendo o bondinho do Pão de Açúcar a preço especial para quem concorda com eles que o metrô faz mais fumaça e barulho que carro.)
Previsão: a imprensa alternativa e os movimentos sociais não vão fazer muito escândalo nesse caso, ao contrário do caso da estação em Higienópolis. Será porque não tem simpatia pelo povo que vai se beneficiar da nova linha, ou porque não vão conseguir encontrar um grupo étnico para culpar?
Previsão: a imprensa alternativa e os movimentos sociais não vão fazer muito escândalo nesse caso, ao contrário do caso da estação em Higienópolis. Será porque não tem simpatia pelo povo que vai se beneficiar da nova linha, ou porque não vão conseguir encontrar um grupo étnico para culpar?
Oportunidade: esticar a linha uns 2km traria o metrô para dentro da Usp, remediando em parte a oportunidade perdida com o traçado da linha Amarela.
07 junho 2011
Mileage may vary
The NYTimes states, in an otherwise impeccable editorial about fuel consumption standards, that
"actual highway mileage, as with all vehicles, is lower [than the EPA rating], in [the case of Ford Fusion S model with a rated mileage of 34.9 m.p.g.] about 27 m.p.g."
There is at least one exception to the rule. My 2002 Volkswagen Jetta 1.8T is rated by the EPA at 21 miles per gallon city, 29 highway. I thought it was to 24-31, but Edmund's site has 21-29. In any case, my car runs about 30 miles per gallon in mixed driving, 28 in the city, and above 32 on the highway. A site called Buzztrader confirms my numbers.
I suspect that the EPA tests are designed to overstate mileage of cars with large engines and automatic transmissions, so perhaps they overestimate fuel usage of a turbo engine with manual transmission. Or maybe the red color causes an hitherto unsuspected Doppler effect on efficiency.
"actual highway mileage, as with all vehicles, is lower [than the EPA rating], in [the case of Ford Fusion S model with a rated mileage of 34.9 m.p.g.] about 27 m.p.g."
There is at least one exception to the rule. My 2002 Volkswagen Jetta 1.8T is rated by the EPA at 21 miles per gallon city, 29 highway. I thought it was to 24-31, but Edmund's site has 21-29. In any case, my car runs about 30 miles per gallon in mixed driving, 28 in the city, and above 32 on the highway. A site called Buzztrader confirms my numbers.
I suspect that the EPA tests are designed to overstate mileage of cars with large engines and automatic transmissions, so perhaps they overestimate fuel usage of a turbo engine with manual transmission. Or maybe the red color causes an hitherto unsuspected Doppler effect on efficiency.
27 maio 2011
Megabus
Yesterday I came home from the Sontagfest using NJ Transit to NY Penn station and then took the Megabus to Boston. Quick review with engineering notes.
Pro. Megabus is cheap ($25 one-way for peak times) and service was impressive. There was a long line for the 8PM bus, and a 7:45 for the people without reservations just showed up. The double deck bus is comfortable, and probably inexpensive to operate.
Con. It must be true that the IT department thinks very highly of their incompetent selves. Complaints, in decreasing order of importance:
1 - The bus turned off 300 yards from South station and the driver was not able to turn it back on. The bus was working fine, it was a software glitch that the "central" was not capable of fixing. The driver let us out, gave us our bags, and we walked on the ramp into the station.
2 - The Blaupunkt TVs were not working and produced a very loud electronic screech through a good portion of the trip, until the driver managed to turn the whole electronic junk off. Who needs TV on a bus, and who buys Blaupunkt TVs?
3 - The bus took a creative route to Boston and managed to get stuck in a 1 hour traffic jam on I87. I am sure that finding the worst route required a lot of computer dispatching and optimization. Thanks also to the NY State Thruway authority for scheduling repairs on the night before Memorial day!
4 - On board wifi is useful, but crashed after a short while, not to come back again during the trip. It's a minor point, but I'm including it here to persuade Megabus to keep their courteous service people and efficient mechanics, and fire their incompetent information technology managers. Yes, I'm sure they think their are geniuses and that they deserve their excessive compensation. Get rid of them and invest in safety, the company's record seems iffy.
In any case, the US really needs a Boston-NY-Washington train up to mid 1960s Japanese standards if it doesn't want to become a 3rd world country or a submerging market.
Pro. Megabus is cheap ($25 one-way for peak times) and service was impressive. There was a long line for the 8PM bus, and a 7:45 for the people without reservations just showed up. The double deck bus is comfortable, and probably inexpensive to operate.
Con. It must be true that the IT department thinks very highly of their incompetent selves. Complaints, in decreasing order of importance:
1 - The bus turned off 300 yards from South station and the driver was not able to turn it back on. The bus was working fine, it was a software glitch that the "central" was not capable of fixing. The driver let us out, gave us our bags, and we walked on the ramp into the station.
2 - The Blaupunkt TVs were not working and produced a very loud electronic screech through a good portion of the trip, until the driver managed to turn the whole electronic junk off. Who needs TV on a bus, and who buys Blaupunkt TVs?
3 - The bus took a creative route to Boston and managed to get stuck in a 1 hour traffic jam on I87. I am sure that finding the worst route required a lot of computer dispatching and optimization. Thanks also to the NY State Thruway authority for scheduling repairs on the night before Memorial day!
4 - On board wifi is useful, but crashed after a short while, not to come back again during the trip. It's a minor point, but I'm including it here to persuade Megabus to keep their courteous service people and efficient mechanics, and fire their incompetent information technology managers. Yes, I'm sure they think their are geniuses and that they deserve their excessive compensation. Get rid of them and invest in safety, the company's record seems iffy.
In any case, the US really needs a Boston-NY-Washington train up to mid 1960s Japanese standards if it doesn't want to become a 3rd world country or a submerging market.
20 maio 2011
A escola muito engraçada
Era uma escola muito engraçada.
Quem não faz cola não aprende nada.
Ninguém podia sair dela não.
Porque na escola tinha o provão.
Ninguém podia surfar na rede
Porque a força tinha acabado.
Ninguém podia matar a sede.
No bebedouro contaminado.
Ninguém podia fazer pipi.
Para o pinico não entupir.
E a prova é feita com muito esmero.
Pra todo aluno ter nota zero.
Quem não faz cola não aprende nada.
Ninguém podia sair dela não.
Porque na escola tinha o provão.
Ninguém podia surfar na rede
Porque a força tinha acabado.
Ninguém podia matar a sede.
No bebedouro contaminado.
Ninguém podia fazer pipi.
Para o pinico não entupir.
E a prova é feita com muito esmero.
Pra todo aluno ter nota zero.
11 maio 2011
Poli - vale a pena sonhar em entrar?
Pergunta para @jdborges, autor de "A Poli como ela é":
Até pouco tempo, eu era estudante de Licenciatura em Matemática no Ime-Usp. Por vários motivos abandonei o curso com o intuito de estudar para o vestibular e concorrer a uma vaga na Poli. Sou apaixonado por aplicações matemáticas e, também, por Mecânica. Assistindo a algumas aulas na Poli, ví que lá seria um lugar mais interessante para aplicar conhecimentos da área de exatas. Soube através algumas pessoas que a Poli é extremamente teórica e fiquei um pouco desprezado, contudo não desisti do sonho. Li um texto antigo escrito por você "A Poli como ela é" o qual despertou-me uma reflexão duradoura e gostaria de lhe pedir uns conselhos, ajuda ou qualquer informação que você acha útil. Na Poli, eu realmente aplicarei Matemática, Física e Química - ciências pelas quais sou apaixonado, entretanto não bitolado? Engenharia é um bom curso para quem possui estes intuitos? Sou oriundo de família pobre e escola pública. Preciso ter uma profissão que me auxilie na ajuda aos meus pais. Amo estudar - inclusive Língua Protuguesa, História, Geografia, etc. Nessas condições, o vestibular para a Poli é uma barreira intransponível? Apesar de não ter o perfil socioeconômico e idealista, descrito por você de um politécnico, você acha isso me atrapalhará no curso? E, finalmente, visto que existem outras instituições para estudar engenharia no país; também, que amo aplicações científicas da área de exatas em várias outras(com ênfase em Mecânica): Vale a pena sonhar com a Poli? Não sei se você terá tempo (ou paciência!) para responder um e-mail tão grande. Se não der, pediria que você respondesse apenas a pergunta contida no assunto.. Desculpe-me por tomar seu tempo. (Vestibulando vive cheio de dúvidas e ansioso para encontrar alguém para respondê-las, fiquei muito duvidoso ao ler seu texto e achei que poderia me ajudar.) Muito obrigado por ter lido e por ter escrito "A Poli como ela é" - Parabéns pela coragem!
Minha resposta:
O curso é o que cada aluno faz dele. A Poli? Professores bons, vários excelentes, outros mais fracos, até alguns picaretas. Alunos também: os excelentes, os bons, nem todos motivados. A organização, a burocra, é patética, horrenda, contra produtiva. Pode melhorar? Talvez. Num futuro próximo, continue imaginando as regras como inimigas dos seus estudos. Quem quer aprender, consegue. Precisa suar. Toma tempo.
Teórica? Uma boa teoria é a melhor prática. Quer sair montando carros e computadores? Procure a Foxconn. Paga uns 2 real por hora em Shenzhen. Engenharia moderna requer muito estudo. Tem muita coisa feita, quem não conhece reinventa a roda.
Hoje, sabendo o que sei, recomendaria à maioria das pessoas estudar para uma profissão aplicada. Talvez até engenharia de preferência ao direito e à medicina, cada um tem seu gosto, também gosto de economia. A imensa maioria dos diplomas da Usp são especializados demais, acadêmicos demais. Os alunos percebem e desistem, você já percebeu e desistiu. Só não percebem a Zelite acadêmica que parece não se importar com taxas de abandono enormes, com diplomas que não preparam os escassos diplomados para a vida fora da torre de marfim. Na Poli não é assim. Que o digam os alunos - a grande maioria completa o curso em 5 ou 6 anos, apesar das dificuldades, é porque veem vantagem na formação.
Vai aplicar o que aprendeu? Depende de você. Não espere achar um emprego em que usa cada curso, nem ter curso de cada coisa que seu emprego vai exigir. Matematicamente impossível preparar cada um dos milhares de politécnicos para as respectivas vidas futuras em 5 anos de aula. Receita para frustração.
Vestibular, a coisa que funciona melhor no Brasil. O pior critério de admissão para a universidade, com exceção dos demais. O vestibular não vê cor nem poupança, nem marca da roupa nem perna torta, não declina gênero, número, ou grau. Passou, entrou. Quem tem mais apoio para estudar, pode estudar mais. Quem não tem, sabe bem o que precisa fazer para chegar lá. Você sabe se dá para passar no vestibular, melhor que qualquer outra pessoa. Boa sorte!
O politécnico típico da minha época era neto de imigrante trabalhador, de família que valoriza o estudo e subiu na vida. Mas tem de tudo. Nosso diretor atual é o melhor na memória de quem está lá na Poli - de família modesta que não sabia o que é engenharia nem a Usp. Faz o que faz por mérito e dedicação. Teve diretor de família escravocrata, outro que se orgulhava de ser semi-anarfa, de nunca ter botado a mão na massa para escrever um artigo ou uma tese. Foram os 2 piores. A maioria, mais próximos da demografia do politécnico médio. Você vai encontrar de tudo lá. Prepare-se!
Das profissões a engenharia é a que menos facilita o progresso do picareta em detrimento da competência. Facilita menos, mas não impede. Nos negócios é mais fácil subir contando vantagem enquanto a firma afunda. Nas filosofias também, ficar atacando "esse sistema que está aí" sem contribuir para quem está tentando melhorar. Na engenharia, a competência tem um pouco mais de voz. Para quem tem meios materiais limitados, é uma vantagem.
E se não estudar na Poli, há outras escolas muito boas. As outras estaduais de S Paulo. Algumas das federais. As privadas mais sérias, como a Mauá e a FEI. E até todas as universidades estrangeiras, para quem tem a disposição e a energia para procurar mais longe. O tempo em que existia a Usp e ponto final acabou. O pessoal de esquerda esperneia contra a massificação do ensino - antigamente era a direita mas trocaram as posições - só que agora o gênio já saiu da garrafa. Dá para estudar e aprender em muitos lugares. Até na Poli. Vai ter companhia de muitos colegas, estudantes e professores.
Até pouco tempo, eu era estudante de Licenciatura em Matemática no Ime-Usp. Por vários motivos abandonei o curso com o intuito de estudar para o vestibular e concorrer a uma vaga na Poli. Sou apaixonado por aplicações matemáticas e, também, por Mecânica. Assistindo a algumas aulas na Poli, ví que lá seria um lugar mais interessante para aplicar conhecimentos da área de exatas. Soube através algumas pessoas que a Poli é extremamente teórica e fiquei um pouco desprezado, contudo não desisti do sonho. Li um texto antigo escrito por você "A Poli como ela é" o qual despertou-me uma reflexão duradoura e gostaria de lhe pedir uns conselhos, ajuda ou qualquer informação que você acha útil. Na Poli, eu realmente aplicarei Matemática, Física e Química - ciências pelas quais sou apaixonado, entretanto não bitolado? Engenharia é um bom curso para quem possui estes intuitos? Sou oriundo de família pobre e escola pública. Preciso ter uma profissão que me auxilie na ajuda aos meus pais. Amo estudar - inclusive Língua Protuguesa, História, Geografia, etc. Nessas condições, o vestibular para a Poli é uma barreira intransponível? Apesar de não ter o perfil socioeconômico e idealista, descrito por você de um politécnico, você acha isso me atrapalhará no curso? E, finalmente, visto que existem outras instituições para estudar engenharia no país; também, que amo aplicações científicas da área de exatas em várias outras(com ênfase em Mecânica): Vale a pena sonhar com a Poli? Não sei se você terá tempo (ou paciência!) para responder um e-mail tão grande. Se não der, pediria que você respondesse apenas a pergunta contida no assunto.. Desculpe-me por tomar seu tempo. (Vestibulando vive cheio de dúvidas e ansioso para encontrar alguém para respondê-las, fiquei muito duvidoso ao ler seu texto e achei que poderia me ajudar.) Muito obrigado por ter lido e por ter escrito "A Poli como ela é" - Parabéns pela coragem!
Minha resposta:
O curso é o que cada aluno faz dele. A Poli? Professores bons, vários excelentes, outros mais fracos, até alguns picaretas. Alunos também: os excelentes, os bons, nem todos motivados. A organização, a burocra, é patética, horrenda, contra produtiva. Pode melhorar? Talvez. Num futuro próximo, continue imaginando as regras como inimigas dos seus estudos. Quem quer aprender, consegue. Precisa suar. Toma tempo.
Teórica? Uma boa teoria é a melhor prática. Quer sair montando carros e computadores? Procure a Foxconn. Paga uns 2 real por hora em Shenzhen. Engenharia moderna requer muito estudo. Tem muita coisa feita, quem não conhece reinventa a roda.
Hoje, sabendo o que sei, recomendaria à maioria das pessoas estudar para uma profissão aplicada. Talvez até engenharia de preferência ao direito e à medicina, cada um tem seu gosto, também gosto de economia. A imensa maioria dos diplomas da Usp são especializados demais, acadêmicos demais. Os alunos percebem e desistem, você já percebeu e desistiu. Só não percebem a Zelite acadêmica que parece não se importar com taxas de abandono enormes, com diplomas que não preparam os escassos diplomados para a vida fora da torre de marfim. Na Poli não é assim. Que o digam os alunos - a grande maioria completa o curso em 5 ou 6 anos, apesar das dificuldades, é porque veem vantagem na formação.
Vai aplicar o que aprendeu? Depende de você. Não espere achar um emprego em que usa cada curso, nem ter curso de cada coisa que seu emprego vai exigir. Matematicamente impossível preparar cada um dos milhares de politécnicos para as respectivas vidas futuras em 5 anos de aula. Receita para frustração.
Vestibular, a coisa que funciona melhor no Brasil. O pior critério de admissão para a universidade, com exceção dos demais. O vestibular não vê cor nem poupança, nem marca da roupa nem perna torta, não declina gênero, número, ou grau. Passou, entrou. Quem tem mais apoio para estudar, pode estudar mais. Quem não tem, sabe bem o que precisa fazer para chegar lá. Você sabe se dá para passar no vestibular, melhor que qualquer outra pessoa. Boa sorte!
O politécnico típico da minha época era neto de imigrante trabalhador, de família que valoriza o estudo e subiu na vida. Mas tem de tudo. Nosso diretor atual é o melhor na memória de quem está lá na Poli - de família modesta que não sabia o que é engenharia nem a Usp. Faz o que faz por mérito e dedicação. Teve diretor de família escravocrata, outro que se orgulhava de ser semi-anarfa, de nunca ter botado a mão na massa para escrever um artigo ou uma tese. Foram os 2 piores. A maioria, mais próximos da demografia do politécnico médio. Você vai encontrar de tudo lá. Prepare-se!
Das profissões a engenharia é a que menos facilita o progresso do picareta em detrimento da competência. Facilita menos, mas não impede. Nos negócios é mais fácil subir contando vantagem enquanto a firma afunda. Nas filosofias também, ficar atacando "esse sistema que está aí" sem contribuir para quem está tentando melhorar. Na engenharia, a competência tem um pouco mais de voz. Para quem tem meios materiais limitados, é uma vantagem.
E se não estudar na Poli, há outras escolas muito boas. As outras estaduais de S Paulo. Algumas das federais. As privadas mais sérias, como a Mauá e a FEI. E até todas as universidades estrangeiras, para quem tem a disposição e a energia para procurar mais longe. O tempo em que existia a Usp e ponto final acabou. O pessoal de esquerda esperneia contra a massificação do ensino - antigamente era a direita mas trocaram as posições - só que agora o gênio já saiu da garrafa. Dá para estudar e aprender em muitos lugares. Até na Poli. Vai ter companhia de muitos colegas, estudantes e professores.
08 abril 2011
Div, grad, curl are not dead!
Let a be a vector field on a Riemannian manifold with metric < , > and connection ∇. Then curl a is a antisymmetric 2-form defined by:
curl a (X,Y) = <∇_Y a, X> - <∇_X a, Y>
There even exists a Helmholtz decomposition of a vector field into its divergence-free and curl-free parts. So maybe Burke was wrong, and div, grad, and curl still live!
curl a (X,Y) = <∇_Y a, X> - <∇_X a, Y>
There even exists a Helmholtz decomposition of a vector field into its divergence-free and curl-free parts. So maybe Burke was wrong, and div, grad, and curl still live!
06 abril 2011
The index in semi-Riemannian geometry and classification of partial differential equations
Semi-Riemannian geometry studies manifolds with a nonsingular metric tensor. Two cases have been studied in detail: Riemannian geometry, when the tensor is positive-definite, and Lorentz geometry, when at each point of the manifold it is negative-definite in a subspace of dimension 1 of the tangent space.
Writing the metric in diagonal form, its index is the number of negative diagonal terms. The Laplace operator Δ on a manifold, the divergence of the gradient of a function, has as many negative terms as this index. The Laplace equation Δv = 0 is elliptic in Riemannian geometry and hyperbolic in a Lorentz geometry. The ultrahyperbolic case when the index is neither 0 nor 1 has been much less studied. But this relationship between semi-Riemannian geometry and partial differential equations is not often mentioned in the literature.
Writing the metric in diagonal form, its index is the number of negative diagonal terms. The Laplace operator Δ on a manifold, the divergence of the gradient of a function, has as many negative terms as this index. The Laplace equation Δv = 0 is elliptic in Riemannian geometry and hyperbolic in a Lorentz geometry. The ultrahyperbolic case when the index is neither 0 nor 1 has been much less studied. But this relationship between semi-Riemannian geometry and partial differential equations is not often mentioned in the literature.
03 abril 2011
Eleição indireta em lista fechada é inconstitucional
O Congresso Nacional está discutindo proposta de eleição por meio de lista fechada: o eleitor vota no partido, e o partido escolhe os deputados de uma lista. Essa proposta viola uma cláusula pétrea da Constituição da República federativa do Brasil, contida na Subseção II - Da Emenda à Constituição. O constituinte foi claríssimo:
O Artigo 60, Parágrafo 4, citado acima, não deixa margem à dúvida: a proposta de emenda constitucional que restringe a escolha direta do eleitor é inconstitucional. O Constituinte foi mais longe: baniu a deliberação de qualquer proposta TENDENTE a abolir o voto direto. Qualquer argumentação de que o voto em lista fechada não elimina completamente o voto direto é irrelevante, em vista da cautela do texto constitucional em impedir qualquer deliberação nessa direção.
Mesmo o chamado voto misto, no qual parte dos deputados são eleitos diretamente e outra parte são escolhidos pelos partidos através de listas, é claramente inconstitucional. A deliberação pelo Congresso de emenda que estabelece o voto em lista, por si só, viola a Constituição.
Esse blog decerto não é o primeiro a notar essa flagrante ilegalidade, que já foi apontada até por alguns advogados e políticos. Mas como a discussão no Congresso continua, é importante a pressão popular para evitar que o direito de voto do cidadão brasileiro seja cerceado inconstitucionalmente em nome da conveniência dos políticos.
Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais.
O Artigo 60, Parágrafo 4, citado acima, não deixa margem à dúvida: a proposta de emenda constitucional que restringe a escolha direta do eleitor é inconstitucional. O Constituinte foi mais longe: baniu a deliberação de qualquer proposta TENDENTE a abolir o voto direto. Qualquer argumentação de que o voto em lista fechada não elimina completamente o voto direto é irrelevante, em vista da cautela do texto constitucional em impedir qualquer deliberação nessa direção.
Mesmo o chamado voto misto, no qual parte dos deputados são eleitos diretamente e outra parte são escolhidos pelos partidos através de listas, é claramente inconstitucional. A deliberação pelo Congresso de emenda que estabelece o voto em lista, por si só, viola a Constituição.
Esse blog decerto não é o primeiro a notar essa flagrante ilegalidade, que já foi apontada até por alguns advogados e políticos. Mas como a discussão no Congresso continua, é importante a pressão popular para evitar que o direito de voto do cidadão brasileiro seja cerceado inconstitucionalmente em nome da conveniência dos políticos.
31 março 2011
Why is the Cauchy problem for elliptic equations not well posed?
I spent a long morning at the library trying to understand why it so happens that the Cauchy problem for elliptic partial differential equations is not well posed. I still don't - I understand that it is, but what is the geometrical property of elliptic equations that makes it not well-posed, in contrast to parabolic or hyperbolic equations?
In the process I was not impressed by the creativity shown in textbooks. There are some good books out there - but the majority of them are isomorphic to each other. Most are well-written, a few stand out. But mostly they present the same topics in a different order, with more or less space devoted to each of them. Every preface should answer: "Why is this book different from all the other books?" Unfortunately, it seems that the question is not on most publishers' minds.
The good side is that there are plenty of open problems, even in areas that have already been studied a million times. Ask good questions, don't try to read all the literature, and have fun!
In the process I was not impressed by the creativity shown in textbooks. There are some good books out there - but the majority of them are isomorphic to each other. Most are well-written, a few stand out. But mostly they present the same topics in a different order, with more or less space devoted to each of them. Every preface should answer: "Why is this book different from all the other books?" Unfortunately, it seems that the question is not on most publishers' minds.
The good side is that there are plenty of open problems, even in areas that have already been studied a million times. Ask good questions, don't try to read all the literature, and have fun!
29 março 2011
Iracema e Lucíola
Antes que comecem a elogiar o cara porque ficou doente e morreu, na minha opinião deixar um país sem um vice-presidente em condições de exercer o cargo é falta de respeito com os concidadãos, descaso com a atividade do governo, e um tremendo egocentrismo. #prontofalei
The battle is won by strategy; the war by reliable supply lines
I was reminded of the following #fact:
"The fight is won by bravery; the battle by strategy; and the war by reliable supply lines."
by Krugman's blog post. Who proved the theorem above? I don't know, and I don't have time to research - I need to assign reviewers to 15 conference papers before the other editors fill up the reviewers' inboxes with requests.
"The fight is won by bravery; the battle by strategy; and the war by reliable supply lines."
by Krugman's blog post. Who proved the theorem above? I don't know, and I don't have time to research - I need to assign reviewers to 15 conference papers before the other editors fill up the reviewers' inboxes with requests.
21 março 2011
Terremoto no Japão: a Usp pode ajudar?
Terremoto no Japão. Deve haver muito estudante deslocado, universidade sem aula. Gente com bom currículo, futuro promissor, só que com habilidades pouco relevantes para a tarefa imediata de reconstrução. Professores também nessa situação. O problema no Japão não é dinheiro nem recursos, mas por algum tempo os recursos e as necessidades não vão estar casadas.
Podemos abrir vagas de emergência em universidades brasileiras, na Usp, especialmente na Poli? Os estudantes mudam de ares, continuam seus estudos, e contribuem para a Usp estudando conosco. Também facilita a reconstrução lá, alivia um pouco a necessidade imediata. Para a Usp, não atrapalha nada. Em alguns cursos, alguns alunos a mais. O professor fala em português, explica um pouco em inglês, quem sabe alguém ajuda em japonês, em 6 meses os alunos estão em casa. Não atrapalha nem o professor nem os outros alunos - pelo contrário, é um desafio a mais que ajuda a sair da rotina e valorizar as aulas.
Custo baixo, benefício para os 2 lados. Adaptação em S Paulo não vai ser problema para quem quiser vir. Não serão muitos - mas cada estudante ou professor que vier, é um ganho para todos. Dá certo? Se há dificuldades, são apenas burocráticas. Mais uma razão para enfrentar a burocracia.
Podemos abrir vagas de emergência em universidades brasileiras, na Usp, especialmente na Poli? Os estudantes mudam de ares, continuam seus estudos, e contribuem para a Usp estudando conosco. Também facilita a reconstrução lá, alivia um pouco a necessidade imediata. Para a Usp, não atrapalha nada. Em alguns cursos, alguns alunos a mais. O professor fala em português, explica um pouco em inglês, quem sabe alguém ajuda em japonês, em 6 meses os alunos estão em casa. Não atrapalha nem o professor nem os outros alunos - pelo contrário, é um desafio a mais que ajuda a sair da rotina e valorizar as aulas.
Custo baixo, benefício para os 2 lados. Adaptação em S Paulo não vai ser problema para quem quiser vir. Não serão muitos - mas cada estudante ou professor que vier, é um ganho para todos. Dá certo? Se há dificuldades, são apenas burocráticas. Mais uma razão para enfrentar a burocracia.
15 março 2011
Why nuclear power is always unsafe
I was asked to explain why nuclear power is inherently and unavoidably unsafe, and will try to give a common sense engineering answer. You know that I am not an expert. This is actually an advantage, because in this case the more people know, the more they say nonsense. Why? Because a little knowledge is a dangerous thing. The nuclear engineering community has answers to all questions they have asked, but the problem is too complex for them to have asked enough questions. Decisions about nuclear power cannot be left to the nuclear power community, the same way that decisions about nuclear weapons cannot be left to the military, and banking regulation cannot be left to bankers. Their excessive familiarity with the subject limits their thinking, distorts their knowledge, and corrupts their judgment.
The amount of energy that can be released by nuclear reactions is enormous. Worse, it can be released very fast, and in a very small space. Even worse, fissile material can continue to release energy for very long period of time.
Nuclear reactors cannot be designed in a safe manner. What can be done is lower the probability of a given undesired event. However, the damage caused by a nuclear disaster is almost unbounded. The total risk will remain very large even if a sophisticated design makes the probability of an individual event small. Contrast that to the worst-case scenario of a airplane crash, or a fire at a thermoelectric plant. Such accidents are comparatively common, however the total damage is limited to people on the plane and at the crash site, or in a neighborhood of the power plant. The area and the number of people threatened by a nuclear plant are incomparably larger. The fact that nuclear accidents are so rare only gives plant operators a misleading sense of security. (Another comparison is to the risk that large, highly-leveraged banks bring to the economy. A failure can cause paralysis to the whole financial system, but bankers reason with basis on the small-scale events that they observe daily. The safer the system, the longer the interval between crashes, the bigger the risk.)
Nuclear reactors cannot be built in a safe manner. The high energy content of the fissile material amplifies the consequences of any disaster. No place is safe enough at the time scales of nuclear fuel decay. Even at the small time scales of reactor operation, disasters happen. Japan is more prepared for earthquakes than anyone else, but still not prepared enough. And earthquakes happen everywhere, not only in Japan. Moreover, nuclear material is an inviting target for acts of war. France, the only one of the 4 major operators of nuclear plants which hasn't had a serious nuclear accident at home yet, built a nuclear power plant in Saddam Hussein's Iraq. Had in not been destroyed by Israel before it could enter operation, it would likely have been the target of Iranian bombs later, with consequences that we can only imagine.
Nuclear reactors cannot be operated in a safe manner. This is a straightforward engineering consideration. In case of malfunction, a nuclear reactor becomes inaccessible and cannot be maintained properly. A disaster becomes inevitable. No design can avoid this consideration, and therefore no design is acceptable from an operational point of view. An appropriate engineering comparison is an iPhone. It is difficult to fix an iPhone if some part goes bad. This is a problematic engineering decision with many detractors. However, it's just an iPhone. If it breaks, it broke. Nuclear reactors cannot be maintained if something goes wrong, and in that is not acceptable.
A common engineering requirement is that a critical system be fail-safe (baka-yoke in Japanese): that in case of failure it goes to a safe mode. The safest fire doors are kept open by electromagnets, and close without any intervention if power is cut. Nuclear power plants are exactly the opposite: they cannot be turned off safely. Even a reactor that has already been turned off is not safe without power.
The amount of energy that can be released by nuclear reactions is enormous. Worse, it can be released very fast, and in a very small space. Even worse, fissile material can continue to release energy for very long period of time.
Nuclear reactors cannot be designed in a safe manner. What can be done is lower the probability of a given undesired event. However, the damage caused by a nuclear disaster is almost unbounded. The total risk will remain very large even if a sophisticated design makes the probability of an individual event small. Contrast that to the worst-case scenario of a airplane crash, or a fire at a thermoelectric plant. Such accidents are comparatively common, however the total damage is limited to people on the plane and at the crash site, or in a neighborhood of the power plant. The area and the number of people threatened by a nuclear plant are incomparably larger. The fact that nuclear accidents are so rare only gives plant operators a misleading sense of security. (Another comparison is to the risk that large, highly-leveraged banks bring to the economy. A failure can cause paralysis to the whole financial system, but bankers reason with basis on the small-scale events that they observe daily. The safer the system, the longer the interval between crashes, the bigger the risk.)
Nuclear reactors cannot be built in a safe manner. The high energy content of the fissile material amplifies the consequences of any disaster. No place is safe enough at the time scales of nuclear fuel decay. Even at the small time scales of reactor operation, disasters happen. Japan is more prepared for earthquakes than anyone else, but still not prepared enough. And earthquakes happen everywhere, not only in Japan. Moreover, nuclear material is an inviting target for acts of war. France, the only one of the 4 major operators of nuclear plants which hasn't had a serious nuclear accident at home yet, built a nuclear power plant in Saddam Hussein's Iraq. Had in not been destroyed by Israel before it could enter operation, it would likely have been the target of Iranian bombs later, with consequences that we can only imagine.
Nuclear reactors cannot be operated in a safe manner. This is a straightforward engineering consideration. In case of malfunction, a nuclear reactor becomes inaccessible and cannot be maintained properly. A disaster becomes inevitable. No design can avoid this consideration, and therefore no design is acceptable from an operational point of view. An appropriate engineering comparison is an iPhone. It is difficult to fix an iPhone if some part goes bad. This is a problematic engineering decision with many detractors. However, it's just an iPhone. If it breaks, it broke. Nuclear reactors cannot be maintained if something goes wrong, and in that is not acceptable.
A common engineering requirement is that a critical system be fail-safe (baka-yoke in Japanese): that in case of failure it goes to a safe mode. The safest fire doors are kept open by electromagnets, and close without any intervention if power is cut. Nuclear power plants are exactly the opposite: they cannot be turned off safely. Even a reactor that has already been turned off is not safe without power.
14 março 2011
Academic boycott of university rankings
In the 2010 Times Higher Education World university rankings, Israeli universities were excluded from the top 200 list. In the list of 400 universities (not available on the web, only as an iPhone app), the Technion appears in position 221 and Bar Ilan University in 354. The Hebrew University and the University of Tel Aviv, which in 2008 were ranked 93 and 114, were not included in the most recent ranking.
The Academic Ranking of World Universities published in Shanghai includes 6 institutions from Israel among the world's top 400: the 4 above plus the Weizmann Institute and Ben Gurion University.
Does anyone have an explanation of why Times Higher Education excluded the top Israeli institutions from its ranking? Preferably an explanation without the words "Qaddafi oil money", please.
The Academic Ranking of World Universities published in Shanghai includes 6 institutions from Israel among the world's top 400: the 4 above plus the Weizmann Institute and Ben Gurion University.
Does anyone have an explanation of why Times Higher Education excluded the top Israeli institutions from its ranking? Preferably an explanation without the words "Qaddafi oil money", please.
3 things wrong with nuclear reactors: design, construction, and operation
There are only 3 things wrong with nuclear reactors: design, construction, and operation. It appears that the atomic energy community considers fission reactors as versions of thermal power plants, only more powerful. They are wrong. They are wrong in the same way that the people in the military and political establishments who thought of nuclear bombs as stronger dynamite were wrong. Top scientists such as Feynman and Oppenheimer knew better, and were terrified of the bomb.
Nuclear energy is completely different from the energy that comes from chemical reactions which combine carbon with oxygen. The underlying nuclear forces are more powerful, longer-lasting, and more destructive to chemical-based lifeforms by orders of magnitude. A quantitative change means a qualitative change.
Because fissile nuclear material can release so much energy and can keep releasing it over long periods of time, it is not possible to design, build, and operate fissions reactors safely - certainly not with the technological and managerial level we currently employ, which is appropriate for burning gas, oil, and coal. This fact was demonstrated by experience: if the Japanese cannot use their reactors safely, then who can? Neither the richest and freest country in the world could; nor the most secretive, militarized, and centrally planned; now we see that the best organized and most disciplined people in the world aren't able to design, construct, and operate nuclear reactors in a safe manner.
Supporters of nuclear power will say that Japan suffered an earthquake. Yes, they have earthquakes and tsunamis more often then most other countries, and therefore are better prepared for them. In the time scales of atomic power, every place will suffer natural disasters for which even the Japanese haven't prepared. Anyone who thinks they can operate a nuclear power plant safely is like a drunkard who thinks only bad drivers get into accidents.
Nuclear energy is completely different from the energy that comes from chemical reactions which combine carbon with oxygen. The underlying nuclear forces are more powerful, longer-lasting, and more destructive to chemical-based lifeforms by orders of magnitude. A quantitative change means a qualitative change.
Because fissile nuclear material can release so much energy and can keep releasing it over long periods of time, it is not possible to design, build, and operate fissions reactors safely - certainly not with the technological and managerial level we currently employ, which is appropriate for burning gas, oil, and coal. This fact was demonstrated by experience: if the Japanese cannot use their reactors safely, then who can? Neither the richest and freest country in the world could; nor the most secretive, militarized, and centrally planned; now we see that the best organized and most disciplined people in the world aren't able to design, construct, and operate nuclear reactors in a safe manner.
Supporters of nuclear power will say that Japan suffered an earthquake. Yes, they have earthquakes and tsunamis more often then most other countries, and therefore are better prepared for them. In the time scales of atomic power, every place will suffer natural disasters for which even the Japanese haven't prepared. Anyone who thinks they can operate a nuclear power plant safely is like a drunkard who thinks only bad drivers get into accidents.
11 março 2011
RISC x CISC
Geeks of a certain age will remember the great RISC x CISC wars. Back in 1990 I, like everyone else, was convinced that reduced instruction set computers would win and complex instruction set chips such as 486 and Pentium were toast. For example, NeXTStep ran on Intel and Motorola oldstyle CISC chips, and on HP and Sparc wave-of-the-future RISC ones. I was wrong.
All chipmakers except for Intel changed their microprocessor architectures to RISC, but Intel still won, thanks to economies of scale and good engineering incorporating RISC ideas. HPPA, PowerPC, and Sparc are gone or irrelevant. Even Apple was brought back to CISC by the low power and multicore designs coming out of Intel's Haifa shop. The only surviving CISC architecture of any importance is x86, but that is precisely what my computer has inside, and yours.
Unless of course you are reading this in an iPad or iPhone. Then your mobile device runs iOS, a direct descendant of NeXTStep, and has a RISC processor with the ARM architecture (chances that someone would read a blog on other mobile devices are so slim that it's not worth checking what kind of processor they use. ARM RISC also, probably, or lookalike). And where are the technological advances and the profits, in desktop computers or mobiles?
It seems that RISC won after all. As did NeXT. Just took longer than expected.
All chipmakers except for Intel changed their microprocessor architectures to RISC, but Intel still won, thanks to economies of scale and good engineering incorporating RISC ideas. HPPA, PowerPC, and Sparc are gone or irrelevant. Even Apple was brought back to CISC by the low power and multicore designs coming out of Intel's Haifa shop. The only surviving CISC architecture of any importance is x86, but that is precisely what my computer has inside, and yours.
Unless of course you are reading this in an iPad or iPhone. Then your mobile device runs iOS, a direct descendant of NeXTStep, and has a RISC processor with the ARM architecture (chances that someone would read a blog on other mobile devices are so slim that it's not worth checking what kind of processor they use. ARM RISC also, probably, or lookalike). And where are the technological advances and the profits, in desktop computers or mobiles?
It seems that RISC won after all. As did NeXT. Just took longer than expected.
07 março 2011
Rashid Khalidi no Nation
Sobre o artigo de Rashid Khalidi no Nation (link). Vale a pena ler, como o Chacra indicou, mas está cheio de erros. Os maiores na minha opinião são:
Primeiro, existe a fração da mídia ocidental que mostra os árabes como terroristas, mas não é difícil encontrar uma visão sobre o Oriente Médio rica e cheia de nuances. O exemplo melhor no Brasil é o blog do Guga Chacra! Há também colunistas no NYTimes que conhecem bem a região, para dar outro exemplo. Khalidi parece identificar "Western Media" com Fox News. Uma simplificação quase comparável a identificar muçulmanos com terroristas. (Nessa última frase pode ser lida minha opinião sobre a a imprensa de extrema direita.)
Segundo, justamente agora que os cidadãos de países árabes estão tomando a iniciativa de decidir sobre seus destinos, o artigo busca trazer o debate de volta para o colonialismo, o império Otomano, as potências europeias, e os padrões de interferência americana. Me parece, ou pelo menos tenho a esperança, que é para os termos desse debate que os jovens no Norte da África estão dizendo "Basta!"
Terceiro, Khalidi não resiste a no final invocar o conflito entre Israel e Palestina como a chave de todos os problemas do mundo árabe. Por décadas os tiranos do Oriente Médio tem usado esse conflito entre 2 dos menores países da região para adiar a solução dos problemas de países muito maiores. Os fatos parecem estar se construindo exatamente ao contrário: só após os países árabes estabelecerem regimes razoavelmente livres e democráticos é que israelenses e palestinos vão ter a possibilidade de resolverem seus conflitos com menos interferência externa negativa.
O ponto de vista expresso por Khalidi não é parte da solução. É parte do problema.
Primeiro, existe a fração da mídia ocidental que mostra os árabes como terroristas, mas não é difícil encontrar uma visão sobre o Oriente Médio rica e cheia de nuances. O exemplo melhor no Brasil é o blog do Guga Chacra! Há também colunistas no NYTimes que conhecem bem a região, para dar outro exemplo. Khalidi parece identificar "Western Media" com Fox News. Uma simplificação quase comparável a identificar muçulmanos com terroristas. (Nessa última frase pode ser lida minha opinião sobre a a imprensa de extrema direita.)
Segundo, justamente agora que os cidadãos de países árabes estão tomando a iniciativa de decidir sobre seus destinos, o artigo busca trazer o debate de volta para o colonialismo, o império Otomano, as potências europeias, e os padrões de interferência americana. Me parece, ou pelo menos tenho a esperança, que é para os termos desse debate que os jovens no Norte da África estão dizendo "Basta!"
Terceiro, Khalidi não resiste a no final invocar o conflito entre Israel e Palestina como a chave de todos os problemas do mundo árabe. Por décadas os tiranos do Oriente Médio tem usado esse conflito entre 2 dos menores países da região para adiar a solução dos problemas de países muito maiores. Os fatos parecem estar se construindo exatamente ao contrário: só após os países árabes estabelecerem regimes razoavelmente livres e democráticos é que israelenses e palestinos vão ter a possibilidade de resolverem seus conflitos com menos interferência externa negativa.
O ponto de vista expresso por Khalidi não é parte da solução. É parte do problema.
27 fevereiro 2011
Uma semana sem ler jornal brasileiro.....
.... e não perdi nada. Alguns colunistas bons, como o @AlonFe e o @gugachacra, acompanhei via twitter. E os demais? O Safatle estava todo assanhado quando o Mubarak caiu. Mas agora que o companheiro polpotista dele Qadafi está na berlinda, mudou de assunto, prefere escrever sobre o Carlos Lacerda. Notícias, nada de novo. Ainda bem. No news is good news.
16 fevereiro 2011
12 fevereiro 2011
A Poli precisa de VOCÊ!
Mandei o pedido abaixo a meus colegas de turma. Mas quem não é politécnico também pode ajudar!
Caros colegas,
Estou escrevendo para pedir ajuda.
No final do ano passado uma comissão para discutir currículos da Poli montou uma proposta que pode ser lida no link:
http://ec3.polignu.org/wp-content/uploads/2011/01/relatFlexibilizacao.pdf
A parte principal está na figura da página 4, que envio anexa. Em resumo: os cursos consistiriam de matérias básicas, matérias gerais de engenharia, e matérias na especialidade, como é hoje e sempre foi; e adicionalmente 1 MATÉRIA OPTATIVA LIVRE POR SEMESTRE e no quinto ano UM PACOTE DE MATÉRIAS ESCOLHIDO POR CADA ALUNO e voltado para um projeto de formatura.
Essa proposta essencialmente foi defendida pelos alunos, e resolveria a grande maioria dos problemas que nós conhecemos na nossa época de estudante e que se mantém quase inalterados até hoje. Por exemplo continuam havendo cursos ruins dos quais não dá para fugir porque são obrigatórios; concorrência para não pegar opções desprestigiadas; currículos rígidos e superespecializadosque não atendem os interesses de nenhum estudante, mas apenas a conveniência das burocracias. A proposta de currículo acima dá a cada estudante a possibilidade de resolver esses problemas por sua própria iniciativa.
Quem já tem rebentos na faculdade sabe que as estruturas não melhoraram muito. Quem já teve contato com universidades estrangeiras sabe que a USP poderia oferecer uma experiência muito melhor se não fossem as amarras burocráticas - há gente boa para isso, estudantes e professores. Aprovar essa proposta na comissão de flexibilização foi um passo enorme. Eu diria quase um milagre. Melhor que isso é impossível na prática.
Agora começam as complicações. As forças da inércia vão começar a se organizar para desorganizar a proposta. Seria uma melhoria enorme em relação a tudo que existe na Poli há décadas, e há gente a favor, mas a proposta não vai vencer a inércia burocrática sem pressão externa.
Só vejo um modo de levar adiante essa proposta, e depende de ex-alunos com nós - na verdade de vocês, dos ex-alunos que não são professores da Poli. Precisamos de manifestação maciça das pessoas que conhecem o curso da Poli e também a realidade do trabalho da engenharia. Então vou pedir o seguinte: entrem na página de discussões de novos currículos, chamada "EC-3":
http://www8.poli.usp.br/
e escrevam com entusiasmo a respeito da flexibilização curricular. Quanto menos o meu nome e de outros professores da Poli aparecer com relação à proposta, melhor. Depois repassem esse pedido e sugestão a colegas de outras turmas, outros anos. Contra a experiência dos engenheiros formados, a inércia não vai ter argumentos.
Escrevam! Os politécnicos das gerações futuras vão ficar enormemente gratos.
Caros colegas,
Estou escrevendo para pedir ajuda.
No final do ano passado uma comissão para discutir currículos da Poli montou uma proposta que pode ser lida no link:
http://ec3.polignu.org/wp-content/uploads/2011/01/relatFlexibilizacao.pdf
A parte principal está na figura da página 4, que envio anexa. Em resumo: os cursos consistiriam de matérias básicas, matérias gerais de engenharia, e matérias na especialidade, como é hoje e sempre foi; e adicionalmente 1 MATÉRIA OPTATIVA LIVRE POR SEMESTRE e no quinto ano UM PACOTE DE MATÉRIAS ESCOLHIDO POR CADA ALUNO e voltado para um projeto de formatura.
Essa proposta essencialmente foi defendida pelos alunos, e resolveria a grande maioria dos problemas que nós conhecemos na nossa época de estudante e que se mantém quase inalterados até hoje. Por exemplo continuam havendo cursos ruins dos quais não dá para fugir porque são obrigatórios; concorrência para não pegar opções desprestigiadas; currículos rígidos e superespecializadosque não atendem os interesses de nenhum estudante, mas apenas a conveniência das burocracias. A proposta de currículo acima dá a cada estudante a possibilidade de resolver esses problemas por sua própria iniciativa.
Quem já tem rebentos na faculdade sabe que as estruturas não melhoraram muito. Quem já teve contato com universidades estrangeiras sabe que a USP poderia oferecer uma experiência muito melhor se não fossem as amarras burocráticas - há gente boa para isso, estudantes e professores. Aprovar essa proposta na comissão de flexibilização foi um passo enorme. Eu diria quase um milagre. Melhor que isso é impossível na prática.
Agora começam as complicações. As forças da inércia vão começar a se organizar para desorganizar a proposta. Seria uma melhoria enorme em relação a tudo que existe na Poli há décadas, e há gente a favor, mas a proposta não vai vencer a inércia burocrática sem pressão externa.
Só vejo um modo de levar adiante essa proposta, e depende de ex-alunos com nós - na verdade de vocês, dos ex-alunos que não são professores da Poli. Precisamos de manifestação maciça das pessoas que conhecem o curso da Poli e também a realidade do trabalho da engenharia. Então vou pedir o seguinte: entrem na página de discussões de novos currículos, chamada "EC-3":
http://www8.poli.usp.br/
e escrevam com entusiasmo a respeito da flexibilização curricular. Quanto menos o meu nome e de outros professores da Poli aparecer com relação à proposta, melhor. Depois repassem esse pedido e sugestão a colegas de outras turmas, outros anos. Contra a experiência dos engenheiros formados, a inércia não vai ter argumentos.
Escrevam! Os politécnicos das gerações futuras vão ficar enormemente gratos.
Now, watch Gaza
No remotely popular government in Egypt can keep the Gaza border closed. And Hamas cannot rule only one side of an open border. Expect something interesting. (I could be wrong as usual.)
07 fevereiro 2011
G zero (not on the Space Station)
Nouriel Roubini has been talking about a G0 world - after the G7, G8, and G20 stopped making much difference or making much sense. The danger as I see it is that the Euro is pushing the UK and Scandinavia out and forcing the continent to integrate. Russia may join, even without a Russian stooge in Berlin, and so will the Southern Mediterranean.
The UK is converging to N America, probably Japan and the Pacific as well. If China and the rest of East Asia take Africa, they win the game of Risk. Else it's 1984 with a few decades delay.
The UK is converging to N America, probably Japan and the Pacific as well. If China and the rest of East Asia take Africa, they win the game of Risk. Else it's 1984 with a few decades delay.
03 fevereiro 2011
Sei que falar mal de funcionário público dá cadeia....
......mas o Itamaraty está mostrando em relação ao Mubarak a mesma indolência e pusilanimidade que sempre tiveram com ditaduras de esquerda. Talvez a tiranofilia não seja ideológica.
01 fevereiro 2011
Egito e Brasil
No final da ditadura o Brasil já tinha experiência com democracia desde a independência sesquicentenária. O Egito foi o berço de uma civilização extinta, mas não governa a si próprio desde o tempo de Al Sikandar. São 2300 anos, está na hora de declararem a independência. Pode ser que não vire uma democracia, mas a falta de democracia recente não é um obstáculo intransponível. Hoje com a internet todo mundo consegue ler o que se faz por aí.
Aproveito para reclamar de quem compara o Sarney com Mubarak. O Sarney não é presidente há mais de 20 anos, não controla o exército, não desliga telefone, e foi eleito livremente pelos amapaenses.
Aproveito para reclamar de quem compara o Sarney com Mubarak. O Sarney não é presidente há mais de 20 anos, não controla o exército, não desliga telefone, e foi eleito livremente pelos amapaenses.
Mubarak = Suharto?
A melhor comparação para o final do governo Mubarak é a queda de Suharto em 1998. O Egito e a Indonesia são países populosos, com maioria islâmica e minorias significativas, toleradas e bem integradas. Nasser e Sukarno foram ditadores formalmente não-alinhados, na prática ambos fantoches soviéticos com ligações históricas ao Eixo. Mubarak, como Suharto, liderou uma longa ditadura militar com apoio americano - Suharto tomou o poder após uma guerra civil, Mubarak após os acordos de paz de Sadat que puseram fim ao nasserismo.
Em ambos os países o exército é forte, tem algum prestígio, e parece ter decidido não usar violência contra a população. Em ambos há organizações islâmicas importantes cuja existência vai ser usada pelos partidários do status quo para espalhar FUD - fear, uncertainty, and doubt. A população se cansou de um governo estável que manteve a paz, mas tornou-se cada vez mais fechado e corrupto.
Há diferenças, especialmente na economia. A Indonesia, embora bem mais pobre, tem recursos naturais e humanos. A economia do Egito depende de 4 setores: Suez, remessas de trabalhadores no Golfo, pirâmides, e ajuda militar, que geram recursos sem correspondente trabalho interno com valor adicionado. E o Egito parece ser terreno mais fértil para radicais. Mas a possibilidade de um governo periclitante, se movendo na direção de mais democracia e (lentamente) de menos corrupção, parece real.
Em ambos os países o exército é forte, tem algum prestígio, e parece ter decidido não usar violência contra a população. Em ambos há organizações islâmicas importantes cuja existência vai ser usada pelos partidários do status quo para espalhar FUD - fear, uncertainty, and doubt. A população se cansou de um governo estável que manteve a paz, mas tornou-se cada vez mais fechado e corrupto.
Há diferenças, especialmente na economia. A Indonesia, embora bem mais pobre, tem recursos naturais e humanos. A economia do Egito depende de 4 setores: Suez, remessas de trabalhadores no Golfo, pirâmides, e ajuda militar, que geram recursos sem correspondente trabalho interno com valor adicionado. E o Egito parece ser terreno mais fértil para radicais. Mas a possibilidade de um governo periclitante, se movendo na direção de mais democracia e (lentamente) de menos corrupção, parece real.
24 janeiro 2011
Ignorativa
Abaixo está uma mensagem que enviei faz tempo ao então diretor da Poli, tendo recebido resposta ignorativa. Para que escrever para a diretoria não tenha sido perda total de tempo, ponho cópia aqui no blog, sem alteração.
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From: Felipe M Pait
Date: 5 August 2006 8:31:47 PM GMT-02:00
To: Ivan Gilberto Sandoval Falleiros
Subject: Re: Pergunta para orientar ações
Prezado Prof. Falleiros, prezados colegas,
Estou escrevendo em resposta à pergunta sobre valorização da graduação, assunto que me é muito caro.
A valorização do ensino de graduação tem que ser uma atividade conjunta dos estudantes, dos professores, e das empresas que contratam os engenheiros formados pela Poli. Não estou propondo uma série de reuniões e comissões tripartites. O que quero dizer é que cada um deve cumprir seu papel.
As empresas devem contratar nossos alunos. Até agora pelo que sei nenhuma empresa mostra qualquer interesse pela formação que o aluno teve na escola. Elas gostam de ver o "canudo", o diploma de uma escola com prestígio, mas critérios de avaliação que eles usam para contratar recém formados não tem qualquer relação com a universidade: são exames psicotécnicos, entrevistas em grupo, contagem de tempo de estágio, tudo menos exame do currículo do candidato. Muitas vezes ouvimos a pergunta "O que pode ser feito para estreitar a relação entre universidade e empresas?" Correndo o risco de simplificar, podemos resumir as respostas: as universidades tendem a responder "queremos dinheiro", e as empresas "queremos soluções prontas de baixo custo". Nossa resposta deveria ser sempre: queremos que a indústria contrate nossos alunos, levando em conta nossos critérios. Afinal, um politécnico foi examinado durante 5 anos por dezenas de professores, de maneira cuidadosa, criteriosa, e podemos dizer imparcial e justa. Para valorizar o nosso ensino de graduação, precisamos que a indústria esteja lendo o livro na mesma página que nós. Posso dar como argumento adicional o fato de que o desempenho dos estudantes é levado em consideração pelo mercado de trabalho em qualquer país com sistema de educação universitária bem sucedido. O currículo de graduação é fundamental na busca do primeiro emprego, e até mais tarde. Quanto a isso estou bastante familiarizado com o sistema norte-americano, e entendo que as coisas na Europa não são diferentes. Nós não temos como ser a exceção. As empresas não levam o conteúdo acadêmico a sério, e conseqüentemente os estudantes, que não são bobos, também não o fazem. Essa é talvez a maior deficiência de nosso sistema de ensino: a falta de reforço pelo meio industrial da importância da universidade.
Externamente, então, minha proposta para valorizar o ensino de graduação é "fechar a malha de controle". Estamos atuando sem realimentação, o que é problemático. Internamente, o que precisamos fazer também é fechar a malha de controle. Precisamos flexibilizar a estrutura curricular de modo a dar aos estudante a possibilidade de buscarem os cursos e disciplinas onde acreditam que seu tempo será melhor aproveitado. Precisamos oferecer a eles a liberdade de usarem seu tempo de estudo nos assuntos dos quais esperam obter maior retorno intelectual ou profissional, seja por preferência e inclinação individual, seja pela situação do mercado de trabalho, ou seja pela qualidade do ensino oferecido pelos docentes dos diversos departamentos. A forma como operamos agora é desastrosa: os currículos são rígidos e inflexíveis, portanto a alocação do tempo dos estudantes entre os diversos assuntos é decidida pela congregação e pelos conselhos de departamentos. Lamento dizer que muitas vezes os critérios são mais políticos e da conveniência do corpo docente do que de maximização da utilidade para os alunos e a sociedade. O exemplo melhor dessa situação é o sistema de opções: o número de vagas oferecidas em cada "grande área", em cada ênfase dentro das grandes áreas, guarda relação muito mais estreita com o tamanho do corpo docente, aproximadamente fixo há décadas apesar da evolução da engenharia e da economia brasileiras, do que com a real procura dos alunos pelas diversas disciplinas. E sabemos também que cada departamento ou subdepartamento quase sempre buscar alocar seus professores com menor vocação didática para as disciplinas obrigatórias oferecidas para os "alunos de outras áreas", guardando os professores que melhor se dão em salas de aula para os "nossos (seus) alunos", isto é, buscando tornar a opção que oferecem mais atraente às custas da qualidade de ensino na Escola Politécnica e na universidade como um todo. Só quando dermos aos estudantes a possibilidade de "votar com os pés", de fazer a avaliação dos disciplinas cursando as melhores, é que os professores que se dedicam mais à atividade de ensino terão a medida clara de quanto seus esforços têm impacto na formação dos alunos.
Quanto à terceira parte envolvida, os alunos reagem à situação que se lhes apresenta. Eles precisam se formar, e após isso trabalhar. Quando eles tiverem a consciência de que a dedicação às atividades acadêmicas traz uma recompensa clara, o desempenho deles em sala de aula melhorará. E quando eles tiverem liberdade de escolherem os cursos mais adequados aos interesses e habilidades individuais, a atividade dos professores em sala de aula será muito mais compensadora. Isso será nossa própria recompensa. Dar aulas para alunos motivados e satisfeitos supera qualquer motivação que a administração da Poli pode nos conceder. Mesmo o prazer de fazer um bom trabalho de pesquisa, ou a remuneração por uma atividade de consultoria, dificilmente se compara à alegria de uma boa aula.
Acho que é isso que queria dizer. Peço desculpas se não me expressei de maneira suficientemente clara, estou escrevendo a bordo do avião ao final de uma longa viagem de volta de uma conferência, chegando em terra envio. Será um prazer continuar este diálogo por email ou pessoalmente com quem possa se interessar. Fique à vontade para divulgar, agradeço a atenção,
πt
On 24 Jul 2006, at 10:42 AM, Ivan Gilberto Sandoval Falleiros wrote:
Prezadas e Prezados
A Diretoria da Escola quer reforçar as atividades de ensino de graduação. O assunto tem aparecido de várias formas em discussões, passando por temas como "valorização da graduação", "competição entre pesquisa e ensino", "avaliação da graduação" e outros semelhantes.
Esta tem a finalidade de pedir ajuda a cada pessoa, na forma de sugestões para valorizar o ensino de graduação na Escola. O objetivo é levantar idéias para ações concretas. Numa primeira rodada, valem todas as idéias, sem preocupação com barreiras reais ou potenciais.
Muito obrigado pela atenção a mais este pedido.
Prof. Dr. Ivan G. S. Falleiros
Diretor
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From: Felipe M Pait
Date: 5 August 2006 8:31:47 PM GMT-02:00
To: Ivan Gilberto Sandoval Falleiros
Subject: Re: Pergunta para orientar ações
Prezado Prof. Falleiros, prezados colegas,
Estou escrevendo em resposta à pergunta sobre valorização da graduação, assunto que me é muito caro.
A valorização do ensino de graduação tem que ser uma atividade conjunta dos estudantes, dos professores, e das empresas que contratam os engenheiros formados pela Poli. Não estou propondo uma série de reuniões e comissões tripartites. O que quero dizer é que cada um deve cumprir seu papel.
As empresas devem contratar nossos alunos. Até agora pelo que sei nenhuma empresa mostra qualquer interesse pela formação que o aluno teve na escola. Elas gostam de ver o "canudo", o diploma de uma escola com prestígio, mas critérios de avaliação que eles usam para contratar recém formados não tem qualquer relação com a universidade: são exames psicotécnicos, entrevistas em grupo, contagem de tempo de estágio, tudo menos exame do currículo do candidato. Muitas vezes ouvimos a pergunta "O que pode ser feito para estreitar a relação entre universidade e empresas?" Correndo o risco de simplificar, podemos resumir as respostas: as universidades tendem a responder "queremos dinheiro", e as empresas "queremos soluções prontas de baixo custo". Nossa resposta deveria ser sempre: queremos que a indústria contrate nossos alunos, levando em conta nossos critérios. Afinal, um politécnico foi examinado durante 5 anos por dezenas de professores, de maneira cuidadosa, criteriosa, e podemos dizer imparcial e justa. Para valorizar o nosso ensino de graduação, precisamos que a indústria esteja lendo o livro na mesma página que nós. Posso dar como argumento adicional o fato de que o desempenho dos estudantes é levado em consideração pelo mercado de trabalho em qualquer país com sistema de educação universitária bem sucedido. O currículo de graduação é fundamental na busca do primeiro emprego, e até mais tarde. Quanto a isso estou bastante familiarizado com o sistema norte-americano, e entendo que as coisas na Europa não são diferentes. Nós não temos como ser a exceção. As empresas não levam o conteúdo acadêmico a sério, e conseqüentemente os estudantes, que não são bobos, também não o fazem. Essa é talvez a maior deficiência de nosso sistema de ensino: a falta de reforço pelo meio industrial da importância da universidade.
Externamente, então, minha proposta para valorizar o ensino de graduação é "fechar a malha de controle". Estamos atuando sem realimentação, o que é problemático. Internamente, o que precisamos fazer também é fechar a malha de controle. Precisamos flexibilizar a estrutura curricular de modo a dar aos estudante a possibilidade de buscarem os cursos e disciplinas onde acreditam que seu tempo será melhor aproveitado. Precisamos oferecer a eles a liberdade de usarem seu tempo de estudo nos assuntos dos quais esperam obter maior retorno intelectual ou profissional, seja por preferência e inclinação individual, seja pela situação do mercado de trabalho, ou seja pela qualidade do ensino oferecido pelos docentes dos diversos departamentos. A forma como operamos agora é desastrosa: os currículos são rígidos e inflexíveis, portanto a alocação do tempo dos estudantes entre os diversos assuntos é decidida pela congregação e pelos conselhos de departamentos. Lamento dizer que muitas vezes os critérios são mais políticos e da conveniência do corpo docente do que de maximização da utilidade para os alunos e a sociedade. O exemplo melhor dessa situação é o sistema de opções: o número de vagas oferecidas em cada "grande área", em cada ênfase dentro das grandes áreas, guarda relação muito mais estreita com o tamanho do corpo docente, aproximadamente fixo há décadas apesar da evolução da engenharia e da economia brasileiras, do que com a real procura dos alunos pelas diversas disciplinas. E sabemos também que cada departamento ou subdepartamento quase sempre buscar alocar seus professores com menor vocação didática para as disciplinas obrigatórias oferecidas para os "alunos de outras áreas", guardando os professores que melhor se dão em salas de aula para os "nossos (seus) alunos", isto é, buscando tornar a opção que oferecem mais atraente às custas da qualidade de ensino na Escola Politécnica e na universidade como um todo. Só quando dermos aos estudantes a possibilidade de "votar com os pés", de fazer a avaliação dos disciplinas cursando as melhores, é que os professores que se dedicam mais à atividade de ensino terão a medida clara de quanto seus esforços têm impacto na formação dos alunos.
Quanto à terceira parte envolvida, os alunos reagem à situação que se lhes apresenta. Eles precisam se formar, e após isso trabalhar. Quando eles tiverem a consciência de que a dedicação às atividades acadêmicas traz uma recompensa clara, o desempenho deles em sala de aula melhorará. E quando eles tiverem liberdade de escolherem os cursos mais adequados aos interesses e habilidades individuais, a atividade dos professores em sala de aula será muito mais compensadora. Isso será nossa própria recompensa. Dar aulas para alunos motivados e satisfeitos supera qualquer motivação que a administração da Poli pode nos conceder. Mesmo o prazer de fazer um bom trabalho de pesquisa, ou a remuneração por uma atividade de consultoria, dificilmente se compara à alegria de uma boa aula.
Acho que é isso que queria dizer. Peço desculpas se não me expressei de maneira suficientemente clara, estou escrevendo a bordo do avião ao final de uma longa viagem de volta de uma conferência, chegando em terra envio. Será um prazer continuar este diálogo por email ou pessoalmente com quem possa se interessar. Fique à vontade para divulgar, agradeço a atenção,
πt
On 24 Jul 2006, at 10:42 AM, Ivan Gilberto Sandoval Falleiros wrote:
Prezadas e Prezados
A Diretoria da Escola quer reforçar as atividades de ensino de graduação. O assunto tem aparecido de várias formas em discussões, passando por temas como "valorização da graduação", "competição entre pesquisa e ensino", "avaliação da graduação" e outros semelhantes.
Esta tem a finalidade de pedir ajuda a cada pessoa, na forma de sugestões para valorizar o ensino de graduação na Escola. O objetivo é levantar idéias para ações concretas. Numa primeira rodada, valem todas as idéias, sem preocupação com barreiras reais ou potenciais.
Muito obrigado pela atenção a mais este pedido.
Prof. Dr. Ivan G. S. Falleiros
Diretor
20 janeiro 2011
Como vocês 3 sabem, meu maior medo como corintiano é o Palmeiras desaparecer. Isso porque em anos de vacas magras, é só a esperança de um dia ver o fim do Palestra que nos mantém vivos. Vem daí a apreensão com a administração Belluzzo. Agora após ser rejeitado pelos palmeirenses ele se superou, como mostram notícias na Folha ontem e hoje (requer assinatura), das quais reproduzo trechos abaixo:
"Eleito como pessoa que mudaria a concepção de administração no futebol, Luiz Gonzaga Belluzzo deixa o Palmeiras sem ganhar títulos e com as finanças do clube em situação mais complicada da que encontrou. A demissão de treinadores e a contratação de jogadores com salários fora do padrão foram alguns fatores que minaram a saúde financeira do clube na gestão Belluzzo. Ao mesmo tempo que fazia essas manobras, chamadas por opositores de "Belluzzionismo", o presidente pedia grandes empréstimos para sanar dívidas do clube. No primeiro ano de sua gestão, Belluzzo fechou as contas do Palmeiras com deficit de aproximadamente R$ 40 milhões. Em 2010, o clube teve R$ 25 milhões de prejuízo. Atualmente, a dívida total do Palmeiras está perto de R$ 150 milhões. Belluzzo também foi protagonista de declarações que mancharam sua imagem, ofendendo rivais e árbitros. Enquanto suas contas eram rejeitadas pelo conselho, Belluzzo ainda desabafou sobre a "dívida" que o Palmeiras tem com ele."
Além de tudo ainda é arrogante. Felizmente não voltará a ocupar cargos no governo, onde poderia impactar as finanças públicas, a seleção, e talvez até o Timão.
"Eleito como pessoa que mudaria a concepção de administração no futebol, Luiz Gonzaga Belluzzo deixa o Palmeiras sem ganhar títulos e com as finanças do clube em situação mais complicada da que encontrou. A demissão de treinadores e a contratação de jogadores com salários fora do padrão foram alguns fatores que minaram a saúde financeira do clube na gestão Belluzzo. Ao mesmo tempo que fazia essas manobras, chamadas por opositores de "Belluzzionismo", o presidente pedia grandes empréstimos para sanar dívidas do clube. No primeiro ano de sua gestão, Belluzzo fechou as contas do Palmeiras com deficit de aproximadamente R$ 40 milhões. Em 2010, o clube teve R$ 25 milhões de prejuízo. Atualmente, a dívida total do Palmeiras está perto de R$ 150 milhões. Belluzzo também foi protagonista de declarações que mancharam sua imagem, ofendendo rivais e árbitros. Enquanto suas contas eram rejeitadas pelo conselho, Belluzzo ainda desabafou sobre a "dívida" que o Palmeiras tem com ele."
Além de tudo ainda é arrogante. Felizmente não voltará a ocupar cargos no governo, onde poderia impactar as finanças públicas, a seleção, e talvez até o Timão.
19 janeiro 2011
Brasil real e Brasil oficial
Ariano Suassuna gosta de citar Machado de Assis: "Não é desprezo pelo que é nosso, não é desdém pelo meu País. O 'país real', esse é bom, revela os melhores instintos. Mas o 'país oficial', esse é caricato e burlesco." Há uma contradição fundamental entre o "Brasil real", que é prático, pragmático, e libertário até em excesso, e o "Brasil oficial", organizado, porém às vezes de forma burocrática, pedante, e pouco criativa.
O Brasil dá certo quando compatibiliza os 2 conceitos: quando os sambistas entram em compasso; quando o time passa a bola para o craque imprevisível. Senão fica um ridículo anseio de ser quem não é, uma contrafação da verdadeira universalidade. Um lugar complicado é a universidade, porque a ciência vem em grande parte justamente das culturas europeias que o Brasil oficial tenta imitar de forma caricata e burocrática. O Brasil oficial fracassa e o Brasil real se desinteressa. Justamente onde a criatividade mais precisa da disciplina, e a disciplina mais precisa da criatividade, as 2 se desencontram. É por isso que as salas de aula ficam vazias e as publicações não viram patente.
Outra entrevista do Suassuna citando a frase está aqui. Não que seja o autor certo para entender cientificamente o conceito. Quem deve ter explicado isso direito foi o Sérgio Buarque de Hollanda, mas não tenho Raízes do Brasil agora comigo e vou ter que estudar outra hora.
O Brasil dá certo quando compatibiliza os 2 conceitos: quando os sambistas entram em compasso; quando o time passa a bola para o craque imprevisível. Senão fica um ridículo anseio de ser quem não é, uma contrafação da verdadeira universalidade. Um lugar complicado é a universidade, porque a ciência vem em grande parte justamente das culturas europeias que o Brasil oficial tenta imitar de forma caricata e burocrática. O Brasil oficial fracassa e o Brasil real se desinteressa. Justamente onde a criatividade mais precisa da disciplina, e a disciplina mais precisa da criatividade, as 2 se desencontram. É por isso que as salas de aula ficam vazias e as publicações não viram patente.
Outra entrevista do Suassuna citando a frase está aqui. Não que seja o autor certo para entender cientificamente o conceito. Quem deve ter explicado isso direito foi o Sérgio Buarque de Hollanda, mas não tenho Raízes do Brasil agora comigo e vou ter que estudar outra hora.
15 janeiro 2011
Teorema da tolerância relativa à violência
Considere uma ditadura, isto é, um regime impopular que se mantém no poder pela força. Vamos admitir como fato experimental o seguinte
Postulado: Nenhuma ditadura se mantém indefinidamente no poder com manifestações populares constantes contra o regime.
Teorema da tolerância relativa à violência: Uma ditadura se mantém no poder se e somente se a tolerância do governo à violência for maior do que a tolerância da população à violência.
Prova: Um regime impopular toma medidas impopulares, que geram manifestações contrárias, apesar da existência de um aparato repressivo. Uma vez iniciadas as manifestações, as opções do governo são as seguintes:
1 - Revogar as medidas impopulares. Isso é uma contradição com a hipótese de que o governo é impopular.
2 - Permitir as manifestações, se o governo não estiver disposto à aumentar a violência da repressão. Nesse caso o regime muda, pelo postulado.
3 - Reprimir as manifestações através do uso de mais força. Nesse caso a população tem 2 opções:
a) Desistir das manifestações. Nesse caso o regime continua no poder, conforme o enunciado do teorema.
b) Continuar as manifestações anti-governo apesar do aumento da violência. Caímos no dilema original, no qual o governo precisa optar entre o recrudescimento da repressão ou permitir as manifestações.
O caso nulo da recursão é quando não há manifestações contra as medidas impopulares. Este é o caso em que a tolerância da população à violência é menor que a do regime, analogamente à alternativa a).
O teorema está demonstrado por recursão (indução matemática). QED
Exemplos onde a tolerância do governo à violência foi menor que a tolerância popular: a queda do Xá da Pérsia em 1979, derrubada do muro de Berlim, e do ditador a Tunísia essa semana.
Exemplos da situação oposta: Hungria 1956, Tchecoslováquia 1968, Pérsia 2009.
Previsão para o futuro: O Fidel amoleceu depois da doença. Se os cubanos resolverem se manifestar contra o regime, o regime não está disposto a aplicar muita violência contra a população. Não sei se é o acontecimento mais provável, mas seria o mais interessante.
Postulado: Nenhuma ditadura se mantém indefinidamente no poder com manifestações populares constantes contra o regime.
Teorema da tolerância relativa à violência: Uma ditadura se mantém no poder se e somente se a tolerância do governo à violência for maior do que a tolerância da população à violência.
Prova: Um regime impopular toma medidas impopulares, que geram manifestações contrárias, apesar da existência de um aparato repressivo. Uma vez iniciadas as manifestações, as opções do governo são as seguintes:
1 - Revogar as medidas impopulares. Isso é uma contradição com a hipótese de que o governo é impopular.
2 - Permitir as manifestações, se o governo não estiver disposto à aumentar a violência da repressão. Nesse caso o regime muda, pelo postulado.
3 - Reprimir as manifestações através do uso de mais força. Nesse caso a população tem 2 opções:
a) Desistir das manifestações. Nesse caso o regime continua no poder, conforme o enunciado do teorema.
b) Continuar as manifestações anti-governo apesar do aumento da violência. Caímos no dilema original, no qual o governo precisa optar entre o recrudescimento da repressão ou permitir as manifestações.
O caso nulo da recursão é quando não há manifestações contra as medidas impopulares. Este é o caso em que a tolerância da população à violência é menor que a do regime, analogamente à alternativa a).
O teorema está demonstrado por recursão (indução matemática). QED
Exemplos onde a tolerância do governo à violência foi menor que a tolerância popular: a queda do Xá da Pérsia em 1979, derrubada do muro de Berlim, e do ditador a Tunísia essa semana.
Exemplos da situação oposta: Hungria 1956, Tchecoslováquia 1968, Pérsia 2009.
Previsão para o futuro: O Fidel amoleceu depois da doença. Se os cubanos resolverem se manifestar contra o regime, o regime não está disposto a aplicar muita violência contra a população. Não sei se é o acontecimento mais provável, mas seria o mais interessante.
13 janeiro 2011
Quem avisa amigo é
Se as autoridades não fizerem algo para infernizar a vida de pedestres e usuários do transporte coletivo, do jeito que está o trânsito logo não vai haver mais vantagem em ser dono de automóvel nesse país. Seria o fim do capitalismo, do modo de vida que conhecemos.
11 janeiro 2011
Dilma's good start
How are the first few days of the Dilma administration?
1 - She has made her support for freedom of speech very clear. The proposal to establish a national censorship board, made by former minister Franklin Martins, will be sent to committees from where they are not expected to emerge.
2 - She started her first week of work without anticonstitutional religious symbols in her office.
3 - The minister of Science & Technology, though himself a failed politician and a failed academic, has chosen able and respected people to run the government research agencies.
4 - Dilma's cabinet gives a limited amount of space for professional politicians and other people without ethical commitment or professional background to run the government.
The latter is the only way to keep the government accounts under control - they are under stress from excessive spending during the last year of Lula's government. Members of PMDB, the party most affected by the loss of lucrative positions, received just enough that they can grumble ineffectively, but not revolt openly. We may expect some retreats from the positions above, under pressure from all sorts of antidemocratic forces, but it is a good start.
1 - She has made her support for freedom of speech very clear. The proposal to establish a national censorship board, made by former minister Franklin Martins, will be sent to committees from where they are not expected to emerge.
2 - She started her first week of work without anticonstitutional religious symbols in her office.
3 - The minister of Science & Technology, though himself a failed politician and a failed academic, has chosen able and respected people to run the government research agencies.
4 - Dilma's cabinet gives a limited amount of space for professional politicians and other people without ethical commitment or professional background to run the government.
The latter is the only way to keep the government accounts under control - they are under stress from excessive spending during the last year of Lula's government. Members of PMDB, the party most affected by the loss of lucrative positions, received just enough that they can grumble ineffectively, but not revolt openly. We may expect some retreats from the positions above, under pressure from all sorts of antidemocratic forces, but it is a good start.
05 janeiro 2011
O axioma fundamental do trânsito
Por trás de todos os problemas de transporte numa grande cidade está o "Axioma fundamental do trânsito", que ninguém parece contestar, nem mesmo saber que existe ou que as coisas poderiam ser diferentes. Em todos os traçados urbanos a via dos automóveis é contínua, enquanto a calçada desaparece nos pontos em que o pedestre precisa atravessar o caminho dos automóveis. O mesmo se dá com ciclovias em relação às "ruas" - a própria terminologia já indica a concepção de que a rua é do carro, o resto vem depois.
Uma vez explicitando o axioma fundamental do transporte urbano, fica fácil de ver que ele está errado. O correto seria o contrário. As calçadas deveriam ser contínuas, de forma que o automóvel teria que atravessar a calçada para passar de um quarteirão a outro. Onde houver ciclovia, a rua dos carros teria uma descontinuidade extra no cruzamento com a ciclovia. O ciclista por sua vez teria que atravessar a calçada do pedestre para ir de um quarteirão ao outro.
Isso aumentaria a velocidade e segurança do transporte a pé, consequentemente favorecendo o transporte público e diminuindo problemas urbanos e sociais. É incrível como uma hipótese geométrica tão simples e tão obviamente indesejável pode perdurar por tanto tempo sem ser contestada, apesar de causar tantos problemas urbanos, sociais, e ambientais.
(Post motivado por uma discussão no grupo da Poli no Linkedin.)
Vamos formalizar, para o caso sem ciclovias por simplicidade.
Definições: Rua é a via pelo qual se movem os automóveis. Calçada é a via pelo qual se movem os pedestres.
Axioma fundamental do trânsito: O conjunto das ruas formam uma via conexa.
Axioma fundamental do trânsito, versão 2: O conjunto das calçadas possui descontinuidades.
Teorema: O pedestre deve atravessar a rua para chegar de um quarteirão ao outro.
Lição de casa: Provar a equivalência das 2 versões do axioma e mostrar o teorema acima.
São conhecidas 2 contra-exemplos, para os quais o axioma não é válido. Primeira, na entrada de garagens. Isso não contradiz as hipóteses, apenas exige que a definição de rua não inclua estacionamentos subterrâneos. Porém note que a maioria dos estacionamentos ao ar livre, bem como postos de gasolina, podem ser considerados como ruas sem violar as hipóteses.
O segundo contra exemplo ficava no subúrbio de Copenhagen, mas acho que eles mudaram para um sistema mais convencional com ruas sem saída. Vou buscar me informar.
Uma vez explicitando o axioma fundamental do transporte urbano, fica fácil de ver que ele está errado. O correto seria o contrário. As calçadas deveriam ser contínuas, de forma que o automóvel teria que atravessar a calçada para passar de um quarteirão a outro. Onde houver ciclovia, a rua dos carros teria uma descontinuidade extra no cruzamento com a ciclovia. O ciclista por sua vez teria que atravessar a calçada do pedestre para ir de um quarteirão ao outro.
Isso aumentaria a velocidade e segurança do transporte a pé, consequentemente favorecendo o transporte público e diminuindo problemas urbanos e sociais. É incrível como uma hipótese geométrica tão simples e tão obviamente indesejável pode perdurar por tanto tempo sem ser contestada, apesar de causar tantos problemas urbanos, sociais, e ambientais.
(Post motivado por uma discussão no grupo da Poli no Linkedin.)
Vamos formalizar, para o caso sem ciclovias por simplicidade.
Definições: Rua é a via pelo qual se movem os automóveis. Calçada é a via pelo qual se movem os pedestres.
Axioma fundamental do trânsito: O conjunto das ruas formam uma via conexa.
Axioma fundamental do trânsito, versão 2: O conjunto das calçadas possui descontinuidades.
Teorema: O pedestre deve atravessar a rua para chegar de um quarteirão ao outro.
Lição de casa: Provar a equivalência das 2 versões do axioma e mostrar o teorema acima.
São conhecidas 2 contra-exemplos, para os quais o axioma não é válido. Primeira, na entrada de garagens. Isso não contradiz as hipóteses, apenas exige que a definição de rua não inclua estacionamentos subterrâneos. Porém note que a maioria dos estacionamentos ao ar livre, bem como postos de gasolina, podem ser considerados como ruas sem violar as hipóteses.
O segundo contra exemplo ficava no subúrbio de Copenhagen, mas acho que eles mudaram para um sistema mais convencional com ruas sem saída. Vou buscar me informar.
02 janeiro 2011
Correção a artigo da Folha sobre Gaza
Enviei a seguinte correção à Folha de S Paulo, referente a artigo publicado hoje.
O artigo "Ex-assentamentos viram terreno baldio" dá a entender que as instalações agrícolas em Gaza foram destruídas quando as colônias israelenses foram retiradas. Na verdade a maioria das instalações agrícolas foram adquiridas com dinheiro de doadores internacionais por iniciativa do antigo presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, e transferidas a autoridades palestinas.
Subsequentemente as instalações foram depredadas por vândalos palestinos, na época em que o Hamas assumiu o controle da faixa de Gaza.
Uma boa referência para iniciar a verificação dos fatos é o artigo:
http://www.csmonitor.com/2005/1025/p04s01-wome.html
Sinceramente,
Felipe Pait
O artigo "Ex-assentamentos viram terreno baldio" dá a entender que as instalações agrícolas em Gaza foram destruídas quando as colônias israelenses foram retiradas. Na verdade a maioria das instalações agrícolas foram adquiridas com dinheiro de doadores internacionais por iniciativa do antigo presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, e transferidas a autoridades palestinas.
Subsequentemente as instalações foram depredadas por vândalos palestinos, na época em que o Hamas assumiu o controle da faixa de Gaza.
Uma boa referência para iniciar a verificação dos fatos é o artigo:
http://www.csmonitor.com/2005/1025/p04s01-wome.html
Sinceramente,
Felipe Pait
30 novembro 2010
Proposta de flexibilização dos currículos
O grupo de trabalho discutindo flexibilização de currículos na Politécnica montou uma proposta cujas ideias principais podem ser visualizadas na figura ao lado. Essencialmente é a proposta defendida pelos estudantes. Ela respeita a cultura e a organização da Poli e da USP, e não fica muito distante das estruturas curriculares praticadas nas melhores universidade norte-americanas. Na minha opinião, a aprovação da proposta seria um ENORME AVANÇO para o ensino na Poli. Os pontos principais a favor dos alunos são o 9 cursos eletivos livres (em amarelo) e o módulo dentro da especialidade ou em uma especialidade diferente (em vermelho), bem como a limitação da carga horária em valores razoáveis.
Pelo que vale minha opinião, sugiro que os alunos se empenhem na aprovação da proposta. Ela é perfeitamente factível e conta com a simpatia de pessoas muito competentes e influentes na Poli, mas sem dúvida terá que enfrentar oposição da inércia e do conservadorismo. Se for implantada em uma reforma próxima a essa proposta, as gerações futuras de politécnicos serão muito gratas!
Pelo que vale minha opinião, sugiro que os alunos se empenhem na aprovação da proposta. Ela é perfeitamente factível e conta com a simpatia de pessoas muito competentes e influentes na Poli, mas sem dúvida terá que enfrentar oposição da inércia e do conservadorismo. Se for implantada em uma reforma próxima a essa proposta, as gerações futuras de politécnicos serão muito gratas!
Butim dos correios
Selo para carta nacional de 30 gramas no Brasil: R$1,45.
Selo para carta nacional de 1 onça nos EUA: US$0.44.
Quantia que sobra para os políticos corruptos distribuírem: 69 centavos por carta.
Nas cartas internacionais, a porcentagem de esbulho é maior: custam R3,70 no Brasil contra US$0.79 nos Estados Unidos. Sobram R$2,33 por carta para serem disputados entre o PT e o PMDB.
Selo para carta nacional de 1 onça nos EUA: US$0.44.
Quantia que sobra para os políticos corruptos distribuírem: 69 centavos por carta.
Nas cartas internacionais, a porcentagem de esbulho é maior: custam R3,70 no Brasil contra US$0.79 nos Estados Unidos. Sobram R$2,33 por carta para serem disputados entre o PT e o PMDB.
28 novembro 2010
Wikileaks
The US State Department doesn't look too bad when you look at the wikileaks, does it? Most of the material seems to be what you expect they would be saying internally, which is not exactly what they say in public, but isn't that far. I'd say the same for Israel - no surprises. The leaked cables do bring the question: how come there was no military action against the Persian nukes? Is the answer "Stuxnet"?
Other leaders do look bad - Berlusconi, Putin, the Gulf kings. No big surprises there either, what did we expect from them? The Red Crescent brought heavy weapons to Hezbollah, North Korea sold long range missiles to Persia... Dangerous games, who would have guessed?
With a bit of luck, this will be the end of the obsolete culture of diplomacy. Rituals from a time before the telegraph, affectations of a time before democracy, formalities that have no place in the contemporary world. The hypocrisy of diplomacy has never brought us closer to peace. A world in which diplomats talk the way other professionals, or even politicians, do after 1968 will be a safer world.
Other leaders do look bad - Berlusconi, Putin, the Gulf kings. No big surprises there either, what did we expect from them? The Red Crescent brought heavy weapons to Hezbollah, North Korea sold long range missiles to Persia... Dangerous games, who would have guessed?
With a bit of luck, this will be the end of the obsolete culture of diplomacy. Rituals from a time before the telegraph, affectations of a time before democracy, formalities that have no place in the contemporary world. The hypocrisy of diplomacy has never brought us closer to peace. A world in which diplomats talk the way other professionals, or even politicians, do after 1968 will be a safer world.
27 novembro 2010
Flexibilização de currículos na Politécnica
Faço parte da comissão que está discutindo flexibilização dos currículos da Escola Politécnica da USP, dentro da assim-chamada EC3. Os trabalhos estão andando bem, mas receio que saia uma proposta pouco ambiciosa e cheia de detalhes que mais tarde possam levantar discussões pouco úteis para o objetivo de flexibilização. Para quem quiser ler, copio abaixo mensagem que enviei aos colegas da comissão. Não vou editar, mas o ponto importante é o 3.
Caros,
Achei que o texto reflete bem as discussões. Demorei para responder porque queria pensar um pouco mais antes de escrever minhas sugestões:
1 - Acho que seria melhor nem mencionar alguns pontos que fizeram parte dos trabalhos do grupo mas não estão diretamente relacionados com a flexibilização, e poderão desviar a atenção do assunto principal. Estou pensando nas entradas nas carreiras, opções no vestibular, regulamentação de estágio, duração do curso, e nas ênfases da elétrica por exemplo - pessoalmente estou de acordo com que o que foi escrito, mas pode levar a discussão nas instâncias seguintes para direções improdutivas.
2 - Como o texto descreve a diversidade dos assunto que abordamos, seria bom apresentar logo no início um "resumo executivo" bem curto das propostas que endossamos para flexibilização, de modo a focar a atenção de quem vier a ler sem ter participado do grupo.
3 - Agora vou dar uma opinião pessoal. Temos uma oportunidade que não se repetirá de fazermos uma proposta forte porém executável para integrar mais as diversas especialidades da Politécnica. Na minha opinião devemos recomendar que cada curso, carreira, grande área, e ênfase inclui em cada semestre a partir do 1o ao menos uma disciplina eletiva de livre escolha dentro da Poli, e a partir do 3 ano ao menos 2 eletivas livres por semestre. É uma medida simples de discutir, elaborar e executar; que não interfere na estrutura das carreiras e cursos individuais; que faz pleno uso de todos os recursos humanos que são os professores e estudantes; e que tem um potencial enorme para desengessar os currículos, facilitar uma inovação contínua, e dar aos estudantes a oportunidade de usufruírem do que a Poli tem a oferecer da maneira que for mais adequada para cada um.
Infelizmente tenho temor que se não apresentarmos uma proposta forte, factível, e expressada em 2 linhas de texto, há um grande risco que nosso trabalho venha a se perder em discussões sobre detalhes quando chegar o momento de expor a um grupo maior.
Gostaria de ver as opiniões do resto do grupo, e peço desculpas pela demora em fazer estes comentários. Agradeço a atenção!
Caros,
Achei que o texto reflete bem as discussões. Demorei para responder porque queria pensar um pouco mais antes de escrever minhas sugestões:
1 - Acho que seria melhor nem mencionar alguns pontos que fizeram parte dos trabalhos do grupo mas não estão diretamente relacionados com a flexibilização, e poderão desviar a atenção do assunto principal. Estou pensando nas entradas nas carreiras, opções no vestibular, regulamentação de estágio, duração do curso, e nas ênfases da elétrica por exemplo - pessoalmente estou de acordo com que o que foi escrito, mas pode levar a discussão nas instâncias seguintes para direções improdutivas.
2 - Como o texto descreve a diversidade dos assunto que abordamos, seria bom apresentar logo no início um "resumo executivo" bem curto das propostas que endossamos para flexibilização, de modo a focar a atenção de quem vier a ler sem ter participado do grupo.
3 - Agora vou dar uma opinião pessoal. Temos uma oportunidade que não se repetirá de fazermos uma proposta forte porém executável para integrar mais as diversas especialidades da Politécnica. Na minha opinião devemos recomendar que cada curso, carreira, grande área, e ênfase inclui em cada semestre a partir do 1o ao menos uma disciplina eletiva de livre escolha dentro da Poli, e a partir do 3 ano ao menos 2 eletivas livres por semestre. É uma medida simples de discutir, elaborar e executar; que não interfere na estrutura das carreiras e cursos individuais; que faz pleno uso de todos os recursos humanos que são os professores e estudantes; e que tem um potencial enorme para desengessar os currículos, facilitar uma inovação contínua, e dar aos estudantes a oportunidade de usufruírem do que a Poli tem a oferecer da maneira que for mais adequada para cada um.
Infelizmente tenho temor que se não apresentarmos uma proposta forte, factível, e expressada em 2 linhas de texto, há um grande risco que nosso trabalho venha a se perder em discussões sobre detalhes quando chegar o momento de expor a um grupo maior.
Gostaria de ver as opiniões do resto do grupo, e peço desculpas pela demora em fazer estes comentários. Agradeço a atenção!
26 novembro 2010
Astonishing development
Again Teddy Roosevelt, in the beginning of chapter IV, The headwaters of the Paraguay:
It is at any rate certain that this inland region of Brazil, including the state of Matto Grosso, which we were traversing, is a healthy region, excellently adapted to settlement; railroads will speedily penetrate it, and then it will witness an astonishing development.
Took a while longer than he expected.
It is at any rate certain that this inland region of Brazil, including the state of Matto Grosso, which we were traversing, is a healthy region, excellently adapted to settlement; railroads will speedily penetrate it, and then it will witness an astonishing development.
Took a while longer than he expected.
24 novembro 2010
Conheça sua vizinhança - Vila Madalena
Caminhando para casa, passei na rua Ferreira Araújo, travessa da Natingui. Lá fica o Instituto Rosa Luxemburg Stiftung, uma fundação subvencionada pelo governo alemão e ligada ao antigo partido comunista da Alemanha Oriental, atualmente conhecido simplesmente como "a esquerda". Uma casa comum, numa rua residencial, com uma pequena placa na entrada. Bom saber que a guerra fria acabou.
Tropicalismo científico?
Não entendi o tal "Manifesto da Ciência Tropical" do Miguel Nicolelis que está levantando poeira na web. São 15 pontos defendendo mais gastos do governo com ciência e tecnologia. Uns redundantes ou óbvios, outros pouco concretos, e alguns obscuros ou bem viajantes. Alguns mais outros menos relevantes, e de forma geral apontando na direção de maiores esforços em pesquisa e não do ensino, da tecnologia e não das humanidades. Como os recursos totais - o número de cientistas capazes de fazer trabalho de qualidade - são em primeira aproximação constantes, cientistas que pesquisam mas não ensinam significa menos gente ensinando - e portanto um crescimento ainda mais lento no número de cientistas. Por outro lado, julgando pela quantidade de lixo que as faculdades de filosofia e ciências sociais mandam, as tais cidades marítimas e espaciais podem não ser tão absurdas.
Deve-se dar um desconto pela fonte onde apareceu, um tal de Viomundo. Aparentemente mais um daqueles blogs aparelhados com dinheiro meu e seu, consultores ilicitados da TV Brasil, da Petrobrás, e de outras estatais. Esses blogs empregam jornalistas que têm menos medo de arriscarem a reputação duramente conseguida do que de arriscarem a poupança nesses tempos incertos para a rentabilidade dos meios de comunicação tradicionais. No caso, um Sr Luiz Carlos Azenha, que consta na wikipedia uma vez ter perguntado, meio por acaso, se o Gorbachev viria ao Brasil.
Provavelmente, o cientista tem pensamentos mais organizados do que os que saíram no dito blog. Não deixa de ser curioso que tanta gente esteja linkando para um entrevista que diz quase nada.
Deve-se dar um desconto pela fonte onde apareceu, um tal de Viomundo. Aparentemente mais um daqueles blogs aparelhados com dinheiro meu e seu, consultores ilicitados da TV Brasil, da Petrobrás, e de outras estatais. Esses blogs empregam jornalistas que têm menos medo de arriscarem a reputação duramente conseguida do que de arriscarem a poupança nesses tempos incertos para a rentabilidade dos meios de comunicação tradicionais. No caso, um Sr Luiz Carlos Azenha, que consta na wikipedia uma vez ter perguntado, meio por acaso, se o Gorbachev viria ao Brasil.
Provavelmente, o cientista tem pensamentos mais organizados do que os que saíram no dito blog. Não deixa de ser curioso que tanta gente esteja linkando para um entrevista que diz quase nada.
19 novembro 2010
Conhecimento produzido nas universidades não atinge diretamente professores do ensino básico
Surpresa surpreendente! Sem a pesquisa, pensaríamos que todas as professoras do primário acompanham atentamente nossas transactions, proceedings, e communications, sem falar nos doklady, uspekhi, e sbornik. A pesquisa apontou que "a maioria dos professores busca informações em revistas (23%) e livros didáticos (16%), seguidos da internet (14%) e jornais (10%)". O pessoal ainda lê revista e jornal? Preocupante....
Me lembra o concerto "encontro de gerações" que a USP promoveu essa semana. Recebi um email sexta à noite, e liguei na terça de manhã depois do feriado. Parece que os ingressos já estavam esgotados, o convite tinha sido feito através de um ofício. Quem lê ofício, de qual geração é? Nem da minha, nem da mais nova. Podiam ter chamado de "encontro de geração".
Me lembra o concerto "encontro de gerações" que a USP promoveu essa semana. Recebi um email sexta à noite, e liguei na terça de manhã depois do feriado. Parece que os ingressos já estavam esgotados, o convite tinha sido feito através de um ofício. Quem lê ofício, de qual geração é? Nem da minha, nem da mais nova. Podiam ter chamado de "encontro de geração".
18 novembro 2010
Innumeracy?
Deu na Folha hoje: segundo o IBGE, o PIB do estado de S Paulo cresceu .7% mais do que a média brasileira em 2008, mas a fração paulista do PIB brasileiro caiu .8%. Há 2 explicações: ou os articulistas da Folha estão exibindo as dificuldades aritméticas que lhes são peculiares, ou então o IBGE foi anexado pelos torturadores de números da Sealopra e abandonou a pretensão de produzir informações confiáveis. Uma das campanhas recentes da Sealopra tem mesmo sido a diminuição do status do estado de S Paulo nas estatísticas nacionais, com finalidades político-partidárias. Espero que não tenham contaminado o IBGE.
De madrugada teve chuva de meteoros, mas estava nublado. Agora de manhã o céu está azul. Então estou adiando ir para os feios prédios e tediosas reuniões da USP. Aqui na V Madalena está mais bonito. Infelizmente besteira tem também no computador.
De madrugada teve chuva de meteoros, mas estava nublado. Agora de manhã o céu está azul. Então estou adiando ir para os feios prédios e tediosas reuniões da USP. Aqui na V Madalena está mais bonito. Infelizmente besteira tem também no computador.
17 novembro 2010
Tiririca
Os promotores do ministério público que estão armando um circo anti-palhaço estão agredindo também vários princípios legais. O ministério público está colocando o ônus da prova de inocência no acusado; quer coagir o Tiririca a depor contra ele mesmo; e agora tenta abrir repetidos processos contra o deputado eleito, fazendo a mesma acusação várias vezes, após ele ter sido absolvido.
Mesmo para um analfabeto jurídico como o promotor Maurício Lopes, não seria difícil consultar os seguintes termos latinos na wikipedia: "in dubio pro reo", "non bis in idem", e "nemo tenetur se detegere". Com a tecnologia moderna, não precisa ser bacharel em direito nem saber latim para deixar de ser canalha.
A campanha deles não é somente contra o Tiririca, nem apenas contra o milhão e meio de eleitores que sabiam muito bem em qual palhaço estavam votando. É uma campanha judicial contra as liberdades mais fundamentais do cidadão em um estado de direito.
Mesmo para um analfabeto jurídico como o promotor Maurício Lopes, não seria difícil consultar os seguintes termos latinos na wikipedia: "in dubio pro reo", "non bis in idem", e "nemo tenetur se detegere". Com a tecnologia moderna, não precisa ser bacharel em direito nem saber latim para deixar de ser canalha.
A campanha deles não é somente contra o Tiririca, nem apenas contra o milhão e meio de eleitores que sabiam muito bem em qual palhaço estavam votando. É uma campanha judicial contra as liberdades mais fundamentais do cidadão em um estado de direito.
16 novembro 2010
Question about spreadsheets
I have a spreadsheet in Google docs. I download it and sort it according to one of the columns using Numbers. The other columns get readjusted, keeping each row organized. That's what I expect.
But once I sorted it using Excel, "Sort A-Z." The remaining columns stay where they are. The correspondence between the data in different columns of the same row is lost. For all intents and purposes, the date is lost unless and until I undo the sorting. I find this unbelievable! Can any of you confirm this experimental result?
Google docs does the same thing as Numbers.app: if one row had the name, height, and weight of a person, it would still have the name, height, and weight of the same person after sorting by any criteria. In Excel, on the other hand, the height would no longer correspond to the same name after sorting.
This seems a very basic error. Is it possible that people have been putting up with this crazy behavior in Excel for years and years? If so, I can almost understand how spreadsheet-using accountants managed to give a clean bill of health to Enron and Banco Panamericano. Please tell me I am wrong.
But once I sorted it using Excel, "Sort A-Z." The remaining columns stay where they are. The correspondence between the data in different columns of the same row is lost. For all intents and purposes, the date is lost unless and until I undo the sorting. I find this unbelievable! Can any of you confirm this experimental result?
Google docs does the same thing as Numbers.app: if one row had the name, height, and weight of a person, it would still have the name, height, and weight of the same person after sorting by any criteria. In Excel, on the other hand, the height would no longer correspond to the same name after sorting.
This seems a very basic error. Is it possible that people have been putting up with this crazy behavior in Excel for years and years? If so, I can almost understand how spreadsheet-using accountants managed to give a clean bill of health to Enron and Banco Panamericano. Please tell me I am wrong.
We veil our ignorance by the use of high-sounding nomenclature
"...behind them lie forces as to which we veil our ignorance by the use of high-sounding nomenclature..."
Through the Brazilian Wilderness, by Theodore Roosevelt, at the end of Chapter I, just before Chapter II, Up the Paraguay, begins.
Through the Brazilian Wilderness, by Theodore Roosevelt, at the end of Chapter I, just before Chapter II, Up the Paraguay, begins.
14 novembro 2010
Dia da república
Nos anos 70 a Arena ganhava eleições na maior parte do Brasil. A partir de vitórias em S Paulo, o MDB cresceu, e nos anos 80 seu sucessor, o PMDB, se tornou o partido mais forte, dominando a assembleia constituinte. Com esse crescimento, o partido incorporou vícios da Arena, entre eles a corrupção, levando ao mau desempenho da economia.
Em resposta, o PSDB e o PT cresceram. Ambos inicialmente em S Paulo, e em seguida no resto do Brasil. Hoje os partidos que se originaram na antiga Arena e MDB desapareceram quase completamente de S Paulo, embora ainda tenham votos em outros estados. Na eleição de 2010, o PV se tornou a terceira força em S Paulo. Nacionalmente os verdes ainda são pequenos, porque os eleitor paulista tem uma representação desproporcionalmente pequena no congresso. Mas isso pode mudar, como sugere o resultado da campanha da Marina para presidente.
Parece razoável extrapolar que o PV vai crescer eleitoralmente, com o desgaste do PT, consequência inevitável do poder numa democracia. Contribuirá também uma futura diminuição do espaço do PMDB no país inteiro devido à corrupção, como já ocorreu em S Paulo. Note que os partidos que surgiram de outros estados, por exemplo os brizolistas, os colloridos, ou o PTB, foram dominados por caudilhos e nunca conseguiram se firmar no cenário nacional. Podemos imaginar PSDB, PT, e PV como as maiores forças no Brasil na segunda metade da década.
Em resposta, o PSDB e o PT cresceram. Ambos inicialmente em S Paulo, e em seguida no resto do Brasil. Hoje os partidos que se originaram na antiga Arena e MDB desapareceram quase completamente de S Paulo, embora ainda tenham votos em outros estados. Na eleição de 2010, o PV se tornou a terceira força em S Paulo. Nacionalmente os verdes ainda são pequenos, porque os eleitor paulista tem uma representação desproporcionalmente pequena no congresso. Mas isso pode mudar, como sugere o resultado da campanha da Marina para presidente.
Parece razoável extrapolar que o PV vai crescer eleitoralmente, com o desgaste do PT, consequência inevitável do poder numa democracia. Contribuirá também uma futura diminuição do espaço do PMDB no país inteiro devido à corrupção, como já ocorreu em S Paulo. Note que os partidos que surgiram de outros estados, por exemplo os brizolistas, os colloridos, ou o PTB, foram dominados por caudilhos e nunca conseguiram se firmar no cenário nacional. Podemos imaginar PSDB, PT, e PV como as maiores forças no Brasil na segunda metade da década.
13 novembro 2010
Gênio do twitter
@MinCelsoAmorim Ministro! Como o senhor permitiu trocarem a cor de nossos passaportes de verde para a cor azul tucano-estadunidense?
@pait Desatenção imperdoável, meu único erro nesse período. Já contratamos a agência do Duda para fazer o design de passaportes vermelhos.
@pait Desatenção imperdoável, meu único erro nesse período. Já contratamos a agência do Duda para fazer o design de passaportes vermelhos.
11 novembro 2010
Enquete carreira docente
From: Felipe M Pait
Date: 11 November 2010 2:31:37 PM GMT-02:00
To: caa@usp.br
Subject: Re: Enquete carreira docente
Sugiro sorteio. Não encontrei a opção na enquete. Seria mais a prova de maracutaia.
On 11 Nov 2010, at 1:31 PM, caa@usp.br wrote:
Senhores(as) Docentes,
Todos os docentes da USP podem expressar sua opinião sobre a forma de avaliação
(Parecer ou Banca) que consideram mais adequada para progressão na carreira docente.
Esta é uma enquete sem poder decisório e está disponível no sistema Marte.
(http://sistemas.usp.br/marteweb)
Contamos com sua participação.
Atenciosamente
Welington B. C. Delitti
Presidente da Comissão de Estudos da carreira Docente
Date: 11 November 2010 2:31:37 PM GMT-02:00
To: caa@usp.br
Subject: Re: Enquete carreira docente
Sugiro sorteio. Não encontrei a opção na enquete. Seria mais a prova de maracutaia.
On 11 Nov 2010, at 1:31 PM, caa@usp.br wrote:
Senhores(as) Docentes,
Todos os docentes da USP podem expressar sua opinião sobre a forma de avaliação
(Parecer ou Banca) que consideram mais adequada para progressão na carreira docente.
Esta é uma enquete sem poder decisório e está disponível no sistema Marte.
(http://sistemas.usp.br/marteweb)
Contamos com sua participação.
Atenciosamente
Welington B. C. Delitti
Presidente da Comissão de Estudos da carreira Docente
10 novembro 2010
Pérolas da mídia chapa branca
Pérolas da mídia chapa branca:
1 - Para estudar direito os americanos não fazem SAT, que é um exame para entrar na faculdade.
2 - O SAT é um exame privado, não é feito pelo ministério da educação.
3 - O ENEM é um exame de saída do colégio que verifica conhecimentos adquiridos.
4 - Nem o SAT nem outros exames são usados como critério único de admissão.
Ou seja, não há muita relação entre o SAT e o ENEM, fora serem exames. Porém, foi isso que escreveu Paulo Henrique Amorim. Ele nem ficou zangado com o governo só porque uma bolinha de papel rendeu 2 mil e quinhentos contos de réis para o Sílvio Santos, enquanto o Nassif ganha só uns 2 contos por ano, e o conversafiada deve levar menos ainda.
Para entar na faculdade de Direito da Universidade de Harvard, Barack Obama teve que fazer o ENEM (lá conhecido como SAT).Quantos erros cabem em uma frase só?
1 - Para estudar direito os americanos não fazem SAT, que é um exame para entrar na faculdade.
2 - O SAT é um exame privado, não é feito pelo ministério da educação.
3 - O ENEM é um exame de saída do colégio que verifica conhecimentos adquiridos.
4 - Nem o SAT nem outros exames são usados como critério único de admissão.
Ou seja, não há muita relação entre o SAT e o ENEM, fora serem exames. Porém, foi isso que escreveu Paulo Henrique Amorim. Ele nem ficou zangado com o governo só porque uma bolinha de papel rendeu 2 mil e quinhentos contos de réis para o Sílvio Santos, enquanto o Nassif ganha só uns 2 contos por ano, e o conversafiada deve levar menos ainda.
05 novembro 2010
What to expect from the Rousseff administration?
First, that it will be called "governo Dilma" in Brazil. With a few exceptions, Brazilians prefer to call their elected presidents by the first name. Now let's speculate about the economy, foreign relations, individual rights, and government programs under Dilma.
1 - Brazil's economy is overheated. It seems that the government preference is to cool it by raising taxes. That seems more feasible than lowering expenses, and less insane than either increasing interest rates or letting inflation rise. It is unclear whether anyone in the inner circles of power really understands what they are doing, but they seem to have reached a reasonable conclusion nevertheless.
2 - Dilma does not seem interested in foreign affairs. Expect less activism than under Lula. The silly idea of becoming a permanent member of the UN security council has been forgotten, and Itamaraty will be treated more strictly as a lunatic asylum, in the mold of Sealopra. Proposals to support nuclear weapon development by Chávez and Ahmadinejad are strictly for internal party consumption, as are Samuel Pinheiro Guimarães's consideration that the Axis was the victim of Anglo-Saxon imperialism.
3 - Dilma's platform contained an unstable combination of very progressive proposals for individual liberties, and calls for unconstitutional restrictions to the freedom of press and property rights. Under conservative fire her campaign backtracked, and turned to accusing Serra of being an abortionist supporter of homosexuality. Which in fact is not untrue: he has offered clear defenses of civil unions and abortion rights, although not of changes in the constitution. Do not expect any major advances on individual rights under Dilma. On the other hand, we have no reason to doubt her strong defense of freedom of press.
This will create a problem with the army of psychopaths, racketeers, and failed media entrepreneurs that have been supported by government funds to fire up the PT base. Will Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Emir Sader, Carta Capital, and others in the self-entitled "alternative media" continue their campaign for "social control" of the press? For sure. Will they succeed in establishing a censorship regime, or will they have to accept government funds instead? The smart money is in the latter. A significant amount, if you ask me. That's another reason why taxes will go up, as seen above.
4 - Under Lula the ministries of education and health, as well as the central bank, were run professionally, specially after the "mensalão" scandals. Besides welfare programs, those 3 were the (qualified) success stories of the last 8 years. The remaining cabinet positions, used as exchange for congressional support, or directly to extract funding for political campaigns, are not very relevant except as money sinks. Administration may even improve under Dilma, who was respected by the professionals in the government.
But she will have to enforce more discipline among the ranks than seen in the last year or so. If corruption scandals force her actions, the Worker's Party depleted ranks of qualified individuals may prove insufficient. The fact that they were conspicuously absent from the presidential and legislative campaigns is a worrying sign.
One more prediction: the next election will not be decided by the result of the World Cup or by the triangulations of politicians and their analysts. It will depend on the phase of the economic cycle in 2014, a variable which science is not able to extrapolate.
1 - Brazil's economy is overheated. It seems that the government preference is to cool it by raising taxes. That seems more feasible than lowering expenses, and less insane than either increasing interest rates or letting inflation rise. It is unclear whether anyone in the inner circles of power really understands what they are doing, but they seem to have reached a reasonable conclusion nevertheless.
2 - Dilma does not seem interested in foreign affairs. Expect less activism than under Lula. The silly idea of becoming a permanent member of the UN security council has been forgotten, and Itamaraty will be treated more strictly as a lunatic asylum, in the mold of Sealopra. Proposals to support nuclear weapon development by Chávez and Ahmadinejad are strictly for internal party consumption, as are Samuel Pinheiro Guimarães's consideration that the Axis was the victim of Anglo-Saxon imperialism.
3 - Dilma's platform contained an unstable combination of very progressive proposals for individual liberties, and calls for unconstitutional restrictions to the freedom of press and property rights. Under conservative fire her campaign backtracked, and turned to accusing Serra of being an abortionist supporter of homosexuality. Which in fact is not untrue: he has offered clear defenses of civil unions and abortion rights, although not of changes in the constitution. Do not expect any major advances on individual rights under Dilma. On the other hand, we have no reason to doubt her strong defense of freedom of press.
This will create a problem with the army of psychopaths, racketeers, and failed media entrepreneurs that have been supported by government funds to fire up the PT base. Will Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Emir Sader, Carta Capital, and others in the self-entitled "alternative media" continue their campaign for "social control" of the press? For sure. Will they succeed in establishing a censorship regime, or will they have to accept government funds instead? The smart money is in the latter. A significant amount, if you ask me. That's another reason why taxes will go up, as seen above.
4 - Under Lula the ministries of education and health, as well as the central bank, were run professionally, specially after the "mensalão" scandals. Besides welfare programs, those 3 were the (qualified) success stories of the last 8 years. The remaining cabinet positions, used as exchange for congressional support, or directly to extract funding for political campaigns, are not very relevant except as money sinks. Administration may even improve under Dilma, who was respected by the professionals in the government.
But she will have to enforce more discipline among the ranks than seen in the last year or so. If corruption scandals force her actions, the Worker's Party depleted ranks of qualified individuals may prove insufficient. The fact that they were conspicuously absent from the presidential and legislative campaigns is a worrying sign.
One more prediction: the next election will not be decided by the result of the World Cup or by the triangulations of politicians and their analysts. It will depend on the phase of the economic cycle in 2014, a variable which science is not able to extrapolate.
03 novembro 2010
Where can trouble come from?
In a previous post, I wrote (in Portuguese) that Brazilians vote according to their pockets - a simpleminded and suboptimal feedback control strategy, which has the merit of being robust against long-term, constant disturbances - and that the PT government will not be strong politically starting January 1st. The possible sources of trouble are as follows:
1 - Political (self generated). As pointed out in A Mão Visível, the Worker's Party has completed the transition of its voter base: from a party of rentiers ensconced in protected industries, government offices, and nonperforming academic departments, to a party representing the poor and uneducated Brazilians who have benefited from social programs started in the last 15 years. Trying to reconcile the interests of the 2 sectors, which are diametrically opposed, PT often becomes embroiled in scandals. Lula's political skill kept the government running. Dilma seems less adept at controlling the party hacks, and the option for an agressive electoral campaign seems to have sidelined PTs more professionally qualified side. Probability of trouble: 100%. Danger: from minor to medium (been there, seen that).
2 - Economic (domestic). Brazil's private and government consumption is balanced by imports, the lack of domestic savings by a massive inflow of investments. At the moment foreign goods and capital have nowhere else to go, but this cannot go on forever. PTs two wings can only be kept in peace by generous social programs combined with inefficient and unproductive federal spending. Probability of trouble in the next 4 years: 50%. Danger: serious to very serious (been there, seen that, didn't like it).
3 - Foreign relations (exogenous, mostly). Although Brazil's neighbors have not been a serious concern since Pedro II won the Paraguay war seven score years ago, at present the solanolopistas can count on a sizable domestic fifth column. The Foreign Office has proved itself completely inept in the Honduras episode. Dilma, who showed herself to be curiously uninterested in international affairs, even more so than the Brazilian voter, would have to be the one making decisions if there are discontinuities in Argentina, Cuba, Paraguay, or Venezuela? Probability of trouble: ask the Moirae. Danger: uncertain.
4 - Environment (including public health and access to energy sources). Brazil's environment is healthy in the short term. Probability of trouble: very small. Danger: extreme.
Still to be answered: how would the Dilma administration react if there is trouble?
1 - Political (self generated). As pointed out in A Mão Visível, the Worker's Party has completed the transition of its voter base: from a party of rentiers ensconced in protected industries, government offices, and nonperforming academic departments, to a party representing the poor and uneducated Brazilians who have benefited from social programs started in the last 15 years. Trying to reconcile the interests of the 2 sectors, which are diametrically opposed, PT often becomes embroiled in scandals. Lula's political skill kept the government running. Dilma seems less adept at controlling the party hacks, and the option for an agressive electoral campaign seems to have sidelined PTs more professionally qualified side. Probability of trouble: 100%. Danger: from minor to medium (been there, seen that).
2 - Economic (domestic). Brazil's private and government consumption is balanced by imports, the lack of domestic savings by a massive inflow of investments. At the moment foreign goods and capital have nowhere else to go, but this cannot go on forever. PTs two wings can only be kept in peace by generous social programs combined with inefficient and unproductive federal spending. Probability of trouble in the next 4 years: 50%. Danger: serious to very serious (been there, seen that, didn't like it).
3 - Foreign relations (exogenous, mostly). Although Brazil's neighbors have not been a serious concern since Pedro II won the Paraguay war seven score years ago, at present the solanolopistas can count on a sizable domestic fifth column. The Foreign Office has proved itself completely inept in the Honduras episode. Dilma, who showed herself to be curiously uninterested in international affairs, even more so than the Brazilian voter, would have to be the one making decisions if there are discontinuities in Argentina, Cuba, Paraguay, or Venezuela? Probability of trouble: ask the Moirae. Danger: uncertain.
4 - Environment (including public health and access to energy sources). Brazil's environment is healthy in the short term. Probability of trouble: very small. Danger: extreme.
Still to be answered: how would the Dilma administration react if there is trouble?
02 novembro 2010
Previsões
Primeira previsão: os comentaristas políticos vão continuar dizendo abobrinha. Com isso, fico liberado para fazer previsões que podem no futuro se mostrarem erradas. A diferença é que esse blog fica arquivado, portanto vocês três aí que estão lendo poderão se quiserem conferir minhas previsões e dizerem: "o Pait errou!" Já quem vive de fazer previsão do tempo, do futebol, ou da política, prefere apagar os rastros.
Segunda previsão: o governo Dilma não será forte. Os tucanos ficaram mais fortes que o PT nos estados, especialmente nos estados pagadores de impostos. A sustentação política do governo terá que vir do congresso, onde nenhum partido tem maioria. Enquanto as coisas andarem bem, não haverá muito problema. Quando ocorrerem dificuldades, a quem Dilma poderá recorrer?
1 - A direita apoiou 11 de cada 10 governos nos últimos séculos. Só que a direita malufista acabou - estou pensando naquele partido que mudou de nome uma dúzia de vezes mas manteve o número, como um presidiário. Os conservadores que sobraram fizeram uma campanha nojenta, não vão poder apoiar esse governo.
2 - Os verdes só fizeram uma boa bancada no estado de S Paulo, que não tem peso no congresso. De qualquer modo os verdes estão divididos - entre os verdes maduros, que queriam apoiar Serra, e os verdes verdes, que querem se manter à margem, superiores a tudo, mais ou menos como o PT fazia antes de se projetar em verdadeira grandeza.
3 - A esquerda está atiçada. Quer sangue. Vai ter que se contentar com cargos e dinheiro. Podem esperar mais contratos sem licitação para o braço armados do PT, como aFox News Carta Capital. Institucionalmente, contam pouco.
4 - O centrão. O PMDB, extinto em S Paulo, vai apoiar o governo. Em troca de grana. Muita grana. Se faltar dinheiro, vai faltar apoio.
5 - Em caso de crise, só sobram...... os tucanos. Não é impossível. Os grupos que disseram as coisas mais nojentas contra a Dilma não eram do PSDB, pelo menos não tucanos históricos. Já o PT fez uma campanha asquerosa começando com o Lula e continuando pela imprensa chapa branca. Dilma não se envolveu pessoalmente, mas não será fácil construir essa ponte, a não ser em caso de crise grave.
Em resumo, até haver dificuldades, o governo Dilma irá caminhando. De onde poderão vir os problemas? Outro dia especulo.
Segunda previsão: o governo Dilma não será forte. Os tucanos ficaram mais fortes que o PT nos estados, especialmente nos estados pagadores de impostos. A sustentação política do governo terá que vir do congresso, onde nenhum partido tem maioria. Enquanto as coisas andarem bem, não haverá muito problema. Quando ocorrerem dificuldades, a quem Dilma poderá recorrer?
1 - A direita apoiou 11 de cada 10 governos nos últimos séculos. Só que a direita malufista acabou - estou pensando naquele partido que mudou de nome uma dúzia de vezes mas manteve o número, como um presidiário. Os conservadores que sobraram fizeram uma campanha nojenta, não vão poder apoiar esse governo.
2 - Os verdes só fizeram uma boa bancada no estado de S Paulo, que não tem peso no congresso. De qualquer modo os verdes estão divididos - entre os verdes maduros, que queriam apoiar Serra, e os verdes verdes, que querem se manter à margem, superiores a tudo, mais ou menos como o PT fazia antes de se projetar em verdadeira grandeza.
3 - A esquerda está atiçada. Quer sangue. Vai ter que se contentar com cargos e dinheiro. Podem esperar mais contratos sem licitação para o braço armados do PT, como a
4 - O centrão. O PMDB, extinto em S Paulo, vai apoiar o governo. Em troca de grana. Muita grana. Se faltar dinheiro, vai faltar apoio.
5 - Em caso de crise, só sobram...... os tucanos. Não é impossível. Os grupos que disseram as coisas mais nojentas contra a Dilma não eram do PSDB, pelo menos não tucanos históricos. Já o PT fez uma campanha asquerosa começando com o Lula e continuando pela imprensa chapa branca. Dilma não se envolveu pessoalmente, mas não será fácil construir essa ponte, a não ser em caso de crise grave.
Em resumo, até haver dificuldades, o governo Dilma irá caminhando. De onde poderão vir os problemas? Outro dia especulo.
01 novembro 2010
O brasileiro vota conforme o bolso
O que decide é a situação econômica. Boa, vota na situação. Má, na oposição. Está certo votar em função de ciclos que independem do trabalho do presidente? Às vezes sim, às vezes não. Com essa estratégia de controle simplória, pelo menos se evita eternizar políticas desastrosas. A democracia é o pior dos sistemas, com exceção dos demais.
Conjectura: o crescimento econômico do Brasil nos últimos 16 anos pode ser explicado por uma variável independente apenas: a diminuição do tamanho das famílias. Ou seja, a soma de decisões individuais de milhões de mulheres, com uma contribuição mínima das políticas econômicas da ditadura, dos tucanos e dos petistas. Aposto que dá para provar com uma análise estatística de componentes principais bem simplificada.
E os sucessos dos governos Lula? No primeiro mandato, manter as políticas do Fernando Henrique. No segundo, seu maior aliado foi George Bush. Sem a deflação mundial causada pela crise americana, os preços no Brasil teriam estourado.
Amanhã ou depois, previsão para os próximos 4 anos. Não sou muito otimista.
Conjectura: o crescimento econômico do Brasil nos últimos 16 anos pode ser explicado por uma variável independente apenas: a diminuição do tamanho das famílias. Ou seja, a soma de decisões individuais de milhões de mulheres, com uma contribuição mínima das políticas econômicas da ditadura, dos tucanos e dos petistas. Aposto que dá para provar com uma análise estatística de componentes principais bem simplificada.
E os sucessos dos governos Lula? No primeiro mandato, manter as políticas do Fernando Henrique. No segundo, seu maior aliado foi George Bush. Sem a deflação mundial causada pela crise americana, os preços no Brasil teriam estourado.
Amanhã ou depois, previsão para os próximos 4 anos. Não sou muito otimista.
26 outubro 2010
Regularizaram a variedade!
Faz algum tempo a variedade não diferenciável havia sumido da FEA. Agora ela está de volta, bem mais suave! Devem ter usado uma equação elíptica para regularizar as arestas. Parabéns!
Please send to the null device
cat www.advivo.com.br/luisnassif www.conversaafiada.com.br marilena_chauí.org | grep *.jpeg|*.mp3|*.doc|*.* > /dev/null
If you intended to correct the junk they write: don't bother. Your time on Earth is finite, and the supply of mean idiots is unlimited.
If you planned to quote them to me, don't. My time is also finite.
If you intended to correct the junk they write: don't bother. Your time on Earth is finite, and the supply of mean idiots is unlimited.
If you planned to quote them to me, don't. My time is also finite.
25 outubro 2010
It ain't necessarily so
Oh Jonah he lived in de whale
For he made his home in dat fish's abdomen
Oh Jonah he lived in de whale
120 million people who cannot tell right from left, and beyond that much cattle. Have mercy on them.
For he made his home in dat fish's abdomen
Oh Jonah he lived in de whale
120 million people who cannot tell right from left, and beyond that much cattle. Have mercy on them.
21 outubro 2010
...ponham mais água no feijão que eu estou voltando.
Caminhão do sindicato azucrinando minha zoreia aqui na Usp. Parece que estão planejando uma minigreve em protesto contra a falta de feriado no dia do funcionário público. Para distrair até o barulho passar, vou compartilhar as boas notícias: o físico Moysés Nussenzveig está trabalhando para lançar uma nova edição dos kits "Os cientistas".
20 outubro 2010
Vlad o Vampiro
O blogueiros da situação vivem acusando o Serra de vampirismo - só nesse blog chapa branca são centenas de menções. Agora, depois da queda da Guerra, o PT foi colocar no cargo de chefe do gabinete de corrupção da república justamente Vlad o Empalador. Pelo pouco que entendo de piscologia isso se chama projeção: o conde Drácula vê vampiro em toda capa de revista. País da piada pronta.
Quem quiser se declarar a favor do Serra sem baixar ao nível do Barão Silas Costaverde tem a opção de assinar o abaixo assinado de professores o profissionais a favor de José Serra. Talvez quem é a favor da Dilma tenha alguma alternativa racional, mas as últimas manifestações antitucanas têm sido um tanto emotivas. Antes que alguém pergunte, sei que existe uma extrema direita psicótica mas o carro de som lacerdista não buzina nas minhas orelhas.
Quem quiser se declarar a favor do Serra sem baixar ao nível do Barão Silas Costaverde tem a opção de assinar o abaixo assinado de professores o profissionais a favor de José Serra. Talvez quem é a favor da Dilma tenha alguma alternativa racional, mas as últimas manifestações antitucanas têm sido um tanto emotivas. Antes que alguém pergunte, sei que existe uma extrema direita psicótica mas o carro de som lacerdista não buzina nas minhas orelhas.
18 outubro 2010
Restaurante chinês em Pinheiros
Vamos falar de coisa importante. O Restaurante China Town, dos donos do antigo China Kwon Min, mudou há alguns meses para a Rua Artur de Azevedo 1884, em Pinheiros, próximo à Pedroso de Morais. A comida é excelente, e as especialidades são as massas caseiras: macarrão com molho chinês, bifum, e especialmente o pastéis (gyoza) fritos, cozidos, ou no vapor. Também recomendo as saladas de acelga, frango com macarrão, e pepino, e o frango frito com molho de gengibre. Aberto terça a domingo almoço e jantar, fecha segunda. Durante a semana, almoço por kilo. Telefones para entrega: 3088-8220 e 9417-9083.
13 outubro 2010
Teddy Roosevelt in Butantã
Through the Brazilian Wilderness:
On reaching Sao Paulo on our southward journey from Rio to Montevideo, we drove out to the "Instituto Serumtherapico," designed for the study of the effects of the venom of poisonous Brazilian snakes. Its director is Doctor Vital Brazil, who has performed a most extraordinary work and whose experiments and investigations are not only of the utmost value to Brazil but will ultimately be recognized as of the utmost value for humanity at large. I know of no institution of similar kind anywhere. It has a fine modern building, with all the best appliances, in which experiments are carried on with all kinds of serpents, living and dead, with the object of discovering all the properties of their several kinds of venom, and of developing various anti-venom serums which nullify the effects of the different venoms. Every effort is made to teach the people at large by practical demonstration in the open field the lessons thus learned in the laboratory. One notable result has been the diminution in the mortality from snake-bites in the province of Sao Paulo.
12 outubro 2010
@MinCelsoAmorim
Se tem alguém lendo esse blog que ainda não pegou a dica, sigam o @MinCelsoAmorim. Impagável. Autor de tweets lapidares como "Hackearam meu twitter e postaram uma verdade inverídica. Peço desculpas a quem leu tal ofensa"; "Qualquer um pode manifestar a opinião que quiser em Cuba. Contanto que obedecendo à lei local"; e "Depois da tal revolução laranja, nossa simpatia pela Ucrânia caiu muito. 2 a 0 foi pouco".
E se alguém sente falta de dois minutos de ódio, pode ler o blog do Nassif. Com José Serra no papel de Emmanuel Goldstein. Pior é que nós sustentamos esse blog. Jornal e TV, quem não gosta, não lê, não assiste. Blogueiro oficial do Partido, você paga - quer leia, quer não.
E se alguém sente falta de dois minutos de ódio, pode ler o blog do Nassif. Com José Serra no papel de Emmanuel Goldstein. Pior é que nós sustentamos esse blog. Jornal e TV, quem não gosta, não lê, não assiste. Blogueiro oficial do Partido, você paga - quer leia, quer não.
11 outubro 2010
Prêmio Nobel da Paz
Busque o nome do Nobel da Paz desse ano, Liu Xiabo, no blog do Luiz Nassif. Você vai encontrar: um telegrama das agências noticiando o prêmio copiado da Folha; um artigo vagamente relacionado, sobre brasileiros e o prêmio Nobel; e uma entrevista com uma jornalista chapa-branca do governo chinês criticando o vencedor como um radical irrelevante. Essa entrevista é prefaciada por comentários elogiosos onde o nobelista é chamado de Xiaobobo. Possivelmente esse "bobo" é apenas uma gralha eletrônica.
Além disso há alguns comentários, de autoria dos leitores e não do blog: o teor tende a ser "se a imprensa golpista tucano-americana não controlasse os escandinavos para premiar somente pessoas que apoiam a agenda sionista o Lula teria levado." Não valeria a pena nem olhar, exceto pelo fato que o blog do Nassif em geral corta comentários que discordam dele. Por exemplo se alguém perguntar se o contrato de R$110 mil por mês que o blog tem com a Petrobrás não traz uma certa dúvida sobre sua imparcialidade, com certeza não vai ser publicado.
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