Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

31 agosto 2012

Física moderna

Da engenharia de transportes vem a proposta de eliminar a física moderna do currículo da Poli. No lugar, um curso "de economia" cujo conteúdo não é economia - engenharia econômica aplicada, seja lá o que é isso, talvez ensinar comandos da HP12C. Ou então um curso sobre os impactos ambientais de antenas. Ou talvez outra coisa, contanto que seja ensinada pelo próprio autor da proposta.

Quem conhece física moderna lembra que Einstein ganhou Nobel por mostrar que microondas não conseguem ionizar moléculas - não foi pela relatividade. Quem não conhece os fundamentos da ciência, dá cursos sobre impacto ambiental da telefonia celular. O impacto não existe, mas o curso serve para preencher currículos.

Da mesma forma, quem vê a engenharia como um conjunto de especialidades desconexas resume engenharia de transportes a planilhas de compra de pavimentos. Engenheiro que pensa assim tem culpa pelo trânsito em S Paulo. #prontofalei

14 agosto 2012

O programa de governo do Haddad

O PT planeja redesenhar S Paulo descentralizando o desenvolvimento da cidade. Enquanto políticos e jornalistas discutem irrelevâncias, por exemplo se o projeto tem origem malufista, martista, ou neotucanista, e especialistas se entocaiam em suas especialidades, vamos pensar sobre os conceitos fundamentais do programa.

Para justificar grandes investimentos que rompem com o paradigma de planejamento urbano, em 1o lugar é necessário assumir que o transporte é a mais importante questão que a prefeitura deve abordar. Certamente existem questões mais relevantes para a cidade: educação, saúde, e segurança. Desperdiçando menos tempo no trânsito, produzindo mais e trabalhando menos, o cidadão teria recursos e tempo para investir nessas áreas. A educação, por exemplo, depende menos de gastos centralizados na prefeitura do que da soma dos esforços de estudantes, professores, e famílias. Em comparação, o paulistano perde horas em transporte, um problema que só pode ser resolvido com ação coletiva. Portanto essa justificativa está correta, exatamente porque reconhece que a prefeitura deve se concentrar nos problemas que não podem ser resolvidos individualmente.

Em 2o lugar, é importante verificar se a proposta de descentralização melhora o transporte na cidade. Podemos confiar nos autores do plano, ou pelo menos dar o benefício da dúvida, e considerar que o investimento em obras públicas terá retorno em termos da diminuição de horas de trabalho e lazer atualmente perdidas em transporte. Vamos anotar como ponto a ser corrigido que o plano enfatiza demais o transporte por carros e ônibus andando em ruas, que é ineficiente e insuficiente para o tamanho da cidade.

Finalmente, temos que saber se a oferta de subsídios e isenções ficais terá o efeito descentralizador desejado. Para isso, é necessário entender a causa da centralização da atividade econômica em S Paulo. Depois que a indústria praticamente saiu da cidade, as atividades não se concentram devido à localização de grandes empresas. A concentração vem de efeitos de rede. Um ator precisa residir em cidade com muitos teatros; e um teatro precisa apresentar peças em uma cidade com público grande e muitos atores. Da mesma forma, negócios na área financeira ou de software preferem se estabelecer em S Paulo porque os trabalhadores com experiência em finanças ou software estão por perto; e os trabalhadores moram onde estão os empregos.

A atividade econômica na cidade gira em torno dos setores de serviço mais sofisticados e especializados, e nos serviços para as pessoas que trabalham nessas áreas. A presença de uma rede de serviços é muito mais importantes para a localização dos negócios do que custos de aluguel ou impostos. Subsídios da prefeitura e renúncia fiscal vão ter um impacto mínimo sobre a localização dos negócios, porque as pessoas estão amarradas não a empresas específicas, mas à toda a rede de serviços relacionados. Uma família de advogados não vai se mudar inteira para o Cupecê atrás de um emprego em um banco, porque um emprego é uma coisa temporária, e o que atraiu essa família para S Paulo não é um emprego em uma organização, mas a variedade de empregos e serviços disponíveis na cidade inteira. Da mesma forma, o banco não vai se mudar para locais que não possuem as vantagens da rede de serviços de S Paulo, para longe de seus clientes e funcionários; e se o fizer, o tempo que eles perdem em transporte aumenta.

Subsídios e renúncia fiscal vão apenas desviar recursos que deveriam ser investidos em transporte rápido para milhões de pessoas, que necessita de uma ação coordenada do poder público. O projeto de descentralização está baseado num entendimento incorreto da dinâmica urbana e vai fracassar.

12 agosto 2012

O projeto de desenvolvimento das elites paulistas

Na segunda metade do século 19 as elites paulistas formularam um projeto de desenvolvimento fundamentado nos seguintes pontos:

1 - Governo republicano regido por uma constituição liberal.
2 - Fim da escravidão: trabalho livre e a liberdade de empresa.
3 - Desenvolvimento econômico baseado na importação de conhecimento, capitais, e mão de obra.
4 - Preservação da independência, das instituições e da cultura brasileira através da modernização.

Esse projeto foi bem sucedido além das expectativas da época. O exercício para o leitor é identificar 3 ou 4 projetos nacionais de desenvolvimento com sucesso comparável durante o século 20, e verificar que todos são de países muito menores. Toda a confusão que ocorre no Brasil tem uma causa comum: a rapidez excessiva do sucesso, maior que a capacidade de adaptação da cultura e instituições locais.

Os 2 intervalos de retrocesso desse projeto vieram da reação de políticos e militares, principalmente cariocas e gaúchos, contra a modernização liderada por agricultores e comerciantes paulistas e mineiros. Contraditoriamente, durante os regimes ditatoriais a concentração da atividade econômica em S Paulo aumentou; porém os benefícios da modernização deixaram de se espalhar pelo Brasil. As ditaduras são justamente os períodos de declínio do Rio de Janeiro e estagnação no Sul e no Nordeste. Agora que voltamos à normalidade, o país volta a crescer junto, sob a liderança de políticos de S Paulo e Minas Gerais. É fácil notar que as elites paulistas se renovaram - confira sobrenomes e locais de nascimento de prefeitos e governadores - mas elas mantêm o mesmo projeto fundamentado nos pontos 1 a 4.

O motivo desse post é perguntar se devemos considerar como insucesso a baixa reputação que as elites paulistas do século 19 desfrutam em nosso meio intelectual. Pelo contrário. O desprezo pelos autores desse projeto nacional utiliza ideias racistas, marxistas, e fascistas de origem europeia. É um besteirol que veio, infelizmente, junto com a ciência, a arte, e a técnica, e a importação dessas é parte crucial do projeto de modernização da vida intelectual. Cabe a nós refutar esse preconceito injustificado.

Próxima vez que você ouvir algum intelectual semiletrado xingando a Zelite, lembre de seus avós e bisavós que vieram para esse terra abençoada, agradeça a liberdade que temos de dizer qualquer disparate que nos passe pela cabeça, tape os ouvidos, e vá trabalhar.

10 agosto 2012

Give peace a chance?

The prime minister of Israel, Ehud Olmert, could have exchanged the Golan for a peace treaty with Assad. He could also have accepted Mubarak's invitation to put the Arab league in charge of the peace process with Palestine. Instead, he chose to destroy the nuclear explosive factory built in Syria by the North Koreans and ignore Mubarak's offer. Links at the bottom.

Had Olmert given peace a chance, Assad might now have nuclear bombs. He could use them against his own people or threaten Turkey. Israel would have a peace treaty with a genocidal dictator and a fruitless relationship with a jailed one. There would be additional obstacles to the dialog with Palestine and extra worries in the Syria-Israel border. 

How smart does "give peace a chance" sound now?

Olmert refused 2007 invite to address Arab League http://t.co/HO4rgTc9
Arie Shavit reflects on how had #srael given GolanHeights to Syria for peace in the 2000s, we'd have bloodshed today http://t.co/qn4u5CWv
The inside story of how a Syrian nuclear reactor was discovered and destroyed in 2007 http://t.co/segEp4NR

07 agosto 2012

Defesa dos mensalões

Digam se entendi corretamente o argumento da defesa: o que os réus fizeram juntos é contra a lei, mas eles não devem ser condenados porque cada um deles individualmente não cometeu um crime completo. É contra a lei pagar por um favor político, mas um fez o pagamento, outro tratou do favor político, então ambos são inocentes.

É essa mesma a defesa?

03 agosto 2012

IEEE Spectrum magazine, digital version

Since I opted for the digital version of the IEEE Spectrum magazine, I haven't read it. I noticed this because the pdf file for January issue was open on one of my desktops, and the email alerts were stored in some inbox.

Perhaps it is a failure of digital distribution, perhaps it is a symptom of information overload. I also noticed issues of technical magazines piling up on the table outside my office, which means students are not picking them up. In any case, maybe I will switch back to paper at the next renewal.

24 julho 2012

2009, Obama discursa no Cairo....

2009, Obama discursa no Cairo.
2010, ditaduras árabes mais moderadas e próximas aos Estados Unidos começam a cair, pacificamente. A limitada violência se deve à pressão da diplomacia americana; deixados sozinhos, não sei como os exércitos do Egito ou da Tunísia teriam reagido.
2011, as ditaduras mais extremistas começam a cair, violentamente. Quanto menos os Estados Unidos consegue intervir, maior a violência.
2012, conflitos nos países onde a influência americana é mínima.

Vários pontos poderiam ser questionados: onde a oposição interna é menos eficaz, as ditaduras continuam fortes; nem discursos nem diplomacia nem força resolvem todos os problemas; o fato anterior não é necessariamente causa do posterior.

Mas o presidente recebe crédito pelos bons resultados, como receberia culpa dos maus. Faz parte do cargo. Obama já fez por merecer o Nobel da paz, a posteriori.

22 julho 2012

Quem concorre a prefeito de S Paulo?

Minha impressão é que os jornais estão cobrindo a disputa entre Psdb e PT, enquanto as pesquisas indicam que os eleitores estão entre Serra e Russomano. Descartando a teoria chauísta de que a matemática está errada porque favorece as estruturas de poder dominantes, há 3 possibilidades. Uma é que por causa de minha simpatias e antipatias não presto atenção a notícias sobre os demais candidatos. Meu erro de leitura.

A 2a possibilidade é que o jornalista sabe que o eleitor, atualmente desinformado, ao longo da campanha vai prestar mais atenção aos candidatos dos partidos mais significativos. O povo é que está respondendo as pesquisas de opinião de modo enganoso.

Finalmente, pode ser que o povo realmente decida votar nos nomes que conhece, sejam do bem ou do mal, do noticiário político ou das páginas policiais. Para tal eleitor o currículo do ex-ministro da educação não conta muito, como não conta o de ex-ministro da Saúde. O que conta é que Serra é famoso porque já concorreu em outras eleições. Nesse caso, leitura correta do Psdb, que lançou Serra como candidato. Melhor para S Paulo e para o partido teria sido um candidato novo, trazendo o debate para propostas novas, mas o eleitor não quer ouvir. A leitura errada seria a dos jornais, e do Lula que escolheu o Haddad como candidato.

Me chamem de elitista, torço para a possibilidade número 2. Fica também a pergunta se Serra e Haddad apoiariam um ao outro em um 2o turno contra o candidato da bandidagem.

19 julho 2012

Serra e Haddad

Típicos paulistanos de famílias imigrantes mediterrâneas, trabalharam no comércio da família - quitanda no mercado da Cantareira e tecidos na 25 de Março. Estudaram nas escolas tradicionais da Usp - Poli e Direito - depois foram para as ciências humanas. Escreveram teses de doutorado em economia de esquerda nas quais ninguém fora da academia acredita muito - são teses autênticas apesar do que os wingnuts dizem. Palmeirense e sãopaulino, levados a Brasília por corintianos, foram os melhores ministros nos cargos mais importantes - saúde e educação, justamente aqueles de menos interesse para a mídia e para os políticos corruptos. Até comício de bicicleta os dois fazem no mesmo fim de semana!

A diferença é duas quadras e uma geração. Serra estudou em escola pública e fugiu da ditadura militar. No tempo da Haddad a escola pública tinha piorado, mas a repressão tinha ficado mais branda. Se falarem mal um do outro, vão fazer papelão.

Sim, os leitores desse blog poderiam fazer um serviço melhor que qualquer um deles, se tivessem a habilidade política necessária.

14 julho 2012

iPad tropicalizado.

Conforme previsto pela teoria econômica e nesse blog, repetidas vezeso iPad montado no Brasil chega às lojas com incentivos de quase 30%, sem redução do preço, e sem tecnologia nacional nenhuma. A montagem dos tablets envolve uma fração irrisória do processo produtivo, justamente aqueles 2% que não geram empregos relacionados à tecnologia.

O incentivo fiscal quem paga é você, através de maiores impostos nos produtos não contemplados com os favores da burocra do protecionismo. Desculpe a redundância, mas até que percebam que subsidiar industriais picaretas não traz nada de bom para o país, vou continuar insistindo.


10 julho 2012

Schlesinger in "The age of Jackson"

Page 279 of "The Age of Jackson" has the beautiful passage reproduced here. Thanks to my 9th grade history teacher Arnaldo Fazoli who explained how important Jackson was to American history. Decades later, I appreciate his point.

06 julho 2012

Paraguay, Venezuela, Mercosul, e pragmatismo

Mercosul, Paraguay e Venezuela estão fora da minha piscininha. Mas já que os especialistas estão escrevendo bobagem, vou adicionar as minhas.

A deposição do presidente eleito do Paraguay foi assim tão diferente do impeachment do Collor? Não me parece, apesar de que o procedimento foi meio estranho e apressado. No Brasil, serviu pelo menos para reafirmar que tem gente que é contra o estado de direito. O bom da democracia é que sabemos quem eles são.

O Itamaraty usou o evento para trazer a Venezuela para o Mercosul pela porta dos fundos, como queria a Argentina. Foi uma espécie de golpe diplomático, que até certo ponto justifica a posteriori o comportamento do parlamento paraguayo. Sabe-se lá o que os pinguins venezuelanos estariam aprontando no Paraguay.

De um ponto de vista pragmático, trazer a Venezuela para o Mercosul faria algum sentido. Quem entra é a Venezuela, não o atual presidente, como escrevem os que gostam de escrever o óbvio. Faltou talvez explicar isso melhor para venezuelanos e paraguayos. Por outro lado, como escreve o embaixador Celso Lafer, a decisão do Mercosul foi de má fé, por não incluir o Paraguay, qualquer que seja a interpretação legalista da suspensão. Um acordo presume a boa fé das partes, senão dá errado. De qualquer modo não vai fazer diferença porque para todos os efeitos a Argentina já acabou com o Mercosul há anos.

O problema é que pragmatismo é bom na teoria mas não funciona na prática. Pronto, agora vocês sabem que esse post era só uma desculpa para citar Sidney Morgenbesser, o John Dewey Professor of Philosophy da Columbia University, o maior filósofo americano do século 20 e um dos mais importantes do Lower East Side.

The Cold War’s Arab Spring

O artigo The Cold War’s Arab Spring acerta a análise, embora não perfeitamente. Acredito sue as imprecisões se devem ao método de análise. Correspondência diplomática é uma forma de ficção, embora não completamente desvinculada da realidade. Abaixo comentários que fiz para @helopait:

 @pait Será q v poderia dizer quais as incorreções?

 @helopait Ditadores árabes eram aliados soviéticos, não fantoches como Fidel. Anti-semitismo é uma arma de propaganda, não apenas militar.

 @helopait Parte sobre golpe comunista na Pérsia parece duvidosa, começando pela confusão entre nomes do ayatollahs Khomeini e Khamenei.

 @helopait Análise de Mubarak acertou na mosca. Mas não sei quanto Arafat controlou a intifada de 1988. Willy Brandt espião soviético, ok.

 @helopait Baroness Ashton 5a coluna, correto. Mas a história vai ser mais camarada com Gorbachev, com quem o autor tem uma pinimba.

 @helopait Bush 41 não era amigo de Israel. Mas a triangulação para desarmar Israel é fantasia em cima de comunicado diplomático.

 @helopait Grande acerto: primavera árabe é o segundo ato da queda do muro. Falta a China. Quem viver, verá.

 http://www.tabletmag.com/jewish-news-and-politics/103576/the-cold-wars-arab-spring

29 junho 2012

A experiência de Mitt Romney

Será que o sucesso no mundo dos negócios é relevante para o sucesso no governo de uma país? Quatro são as capacidades que conduzem ao sucesso nos negócios. A 1a é o conhecimento da indústria e dos produtos, necessária para construir e continuamente reconstruir uma empresa. É o saber do Bill Gates, e dos executivos das empresas japonesas de fotografia.

A 2a é a visão e liderança que inspira as pessoas a fazerem melhor do que são capazes. Steve Jobs tinha essa qualidade, que não é incomum entre fundadores de empresas.

Em 3o, existe a capacidade gerencial, a condução quotidiana dos negócios e busca de melhorias e eficiência. Para continuar nos computadores, Tim Cook, mas talvez um exemplo melhor sejam os executivos quase anônimos da Exxon e de outras indústrias estabelecidas.

Finalmente há a habilidade de encontrar oportunidades e firmar transações, obtendo controle do mercado e se livrando de operações menos eficientes. Essa é que fez as fortunas de Eike Batista e Mitt Romney.

Infelizmente para os eleitores americanos, que merece boas alternativas, essa última habilidade que o candidato republicano possui não tem qualquer relevância para o governo. A fatia de mercado de um país é 100%. O presidente governa ganhadores e perdedores. Não pode vender um estado pobre, nem comprar uma potência emergente para evitar a concorrência; e se um setor da economia fechar, os desempregados deixam de pagar impostos e se tornam um peso para a sociedade.

O trabalho de Romney na Bain não envolvia administração. Ele mostrou capacidade gerencial nas olimpíadas de inverno, porém não reproduziu esse sucesso como governador em Massachusetts, onde suas realizações foram poucas - algumas economias muito pequenas dentro do orçamento estadual, e a aprovação do sistema de saúde público, sobre o qual ele mudou de ideia e agora promete eliminar. De qualquer modo, o governo americano administra muito menos coisa que o brasileiro. Há poucas empresas estatais, as funções de governo são na maioria executadas pelos estados e cidades, e a maior parte do orçamento federal é dedicado a programas sociais e às forças armadas. A habilidade gerencial - que é o grande trunfo da presidente Dilma no meio político - é menos relevante nos Estados Unidos. 

Ouvindo seus discursos e examinando suas declarações, é fácil notar que nem o carisma nem o conhecimento de assuntos de estado são os pontos fortes de Romney. Em resumo, na medida em que a experiência no mundo dos negócios é relevante para a administração pública, a experiência de Mitt Romney não o recomenda como presidente. Por default, independentemente de ideologia, a única alternativa são mais 4 anos com Barack Obama.

25 junho 2012

Ode de Ricardo Ruireis

Não a Ti, Boca, odeio ou menosprezo
Que aos outros títulos que precederam
Na memória corintiana.
Nem mais nem menos é, mas outra taça.

Que ao Timão faltava. Pois chegamos
À decisão na Bombonera,
Mas cuida não procures
Usurpar o que aos outros é devido.

A Boca com suas casas de várias cores
- Tricolores, alviverdes, rubronegras -
E tuas conquistas conhecemos
E as sete copas de seu grande rival.
A Boca fica ao pé do River Plate
Pelo Rio da Prata se chega de Gênova
No Rio da Prata se veem navios com bandeiras azuis e amarelas
Colecionas títulos e campeonatos,
E jogam contigo ainda
Para aqueles que em tudo veem o que não mais há
As glórias de Maradona.

Pelo rio que passa pela minha fazendinha
Ia-se ao Paraná
Na sua várzea se jogava futebol
Hoje ninguém mais sonha em navegar
No rio que passa pela minha fazendinha
Quem está ao pé dele está parado no congestionamento.

Melhores equipes se recolheram
Ao torneio de consolação
Onde os torcedores não vão.
A Libertadores não é mais que uma copa
Que todo ano vem, e todo ano vai
Numa seção do jornal
- A gazeta esportiva - 
Que a cada dia se repete
E a cada ano se não muda
(Mudam só os obituários.)

Mas que torcedores paulistas não ergam sobre
Teu time esperanças que
Seus próprios ídolos não lhes podem dar
Pois na origem do torneio foram eliminados
Por el eterno Timón.

Nem a esses, não, que trazem âmago cheio de ódio
Nesse momento consigo desprezar,
Que venham também esses orgulhosos, leigos
Do estado de espírito corintiano,
Torcer contra, como só sabem fazer
Juntos contigo na arquibancada.

Ou vem sentar-te comigo, no estádio do Pacaembu.
Sossegadamente fitemos a peleja e aprendamos
Que a corrida não é do veloz, nem a lide do forte,
Que os torneios passam, e não estamos de voz rouca.
Gritemos juntos, Poderoso Timão!

Torçamos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar pancadas e insultos e garrafadas,
Mas que mais vale estarmos assistindo o jogo
Ouvindo rolar a bola e vendo-o.

Depois pensemos, crianças adultas, que a bola
Rola e nunca faz video tape,
Vai para um estádio distante, para fora do gramado,
Mais longe que Itaquera.

Ao menos, se formos campeões, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca baixamos o sarrafo, nem nos xingamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes de mim levares a pelota ao arqueiro tristonho,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar da partida.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - na segundona,
Campeonato humilde dos jogos ao sábado.

20 junho 2012

Na hora vai dar Maluf

Em que pese meu post sobre a eleição para prefeito de S Paulo esse ano, o debate, se é que assim pode ser chamado, vai ser lamentável, constituído de troca de acusações sobre corrupção em Brasília somado talvez a 1% de discussões sobre a cidade. Então vou escrever sobre o Maluf, coisa que queria fazer antes do bafafá sobre minutos na TV, aliança com Lula, e xilique da Erundina.

Fazia algum tempo que quero dizer que o Maluf é um grande injustiçado da política. Como é que Maluf se tornou sinônimo do mal? Porque todos o rejeitam? Pelas suas qualidades.

A esquerda odeia Maluf por seu amor a S Paulo e por representar o empreendedorismo do pequeno negócio. A esquerda perdoa gente ligada diretamente à opressão da ditadura e aceita nomes ligados a grandes empresas de tráfico de influência, mas não tolera Maluf. Erundina quer fechar os jornais que não apoiam o governo, como se faz na Argentina, mas acha antidemocrático quem não se sujeita ao partido único.

A direita odeia Maluf por sua cara de pau, por sua obstinação independente, por sua origem árabe e por não ser racista. A direita quer capachos bem comportados, Maluf para eles não serve.

Os políticos detestam a inteligência do Maluf, um dos poucos entre eles que lê jornal e entende. Corrupção para eles não é demérito. Inteligência e independência sim.

O paulistano em sua generosidade deu a Maluf uma segunda chance na prefeitura, que ele desperdiçou por ambição desmedida e completa falta de noção de limites. É um Richard Nixon do Brasil, odiado por suas virtudes mas traído por suas fraquezas.

18 junho 2012

(Em preparação para o que vier.)

Cem anos sofredor fiel torcia
Timão, parque S Jorge, Fazendinha;
Mas não por ter inveja, ou pinimba,
A Copa só por prêmio pretendia.

Os turnos, eternamente altaneria,
Sonhava, celebrando o Paulistinha;
O Corinthians, usando de catimba,
Em vez de golear empataria.

Vendo o torcedor roxo juiz malandro,
Que lhe havia negado copa Libertadora,
Qual foram gaviões mera torcida,

Vai ao Pacaembu outros cem anos,
Dizendo: — Mais torcera, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

11 junho 2012

Guerra civil na Síria #prontofalei

A guerra civil na Síria, entre esquerda nacionalista e direita religiosa, já matou mais que todos os conflitos entre israelenses e palestinos.

Esse é um conflito artificial criado pelos ditadores árabes para se manterem no poder. Funcionou por mais de 50 anos: a dinastia Assad e seus homólogos encontraram um modo de alavancar o anti-semitismo, ora da direita, ora da esquerda, para se legitimarem internamente e se afirmarem internacionalmente. Quem hoje paga o maior preço são os sírios, espremidos entre alternativas insuportavelmente violentas.

A culpa é em grande parte da esquerda internacional que sempre legitimou e apoiou a opressão nos países árabes em nome do anti-semitismo, do anti-americanismo, e do anti-liberalismo. Vamos agora aguardar um mea culpa, uma retratação, uma revisão de posições. Não prendam a respiração enquanto esperam. #prontofalei

08 junho 2012

Câmera nova em breve?

Pogue diz para ninguém comprar câmera esse mês, porque vai sair uma compacta nova impressionante. O quê será?

Não Olympus, porque a OM-D parece ser o melhor que eles conseguem hoje no formato micro 4/3. Portanto nem Panasonic, que é menos inovadora. Não Pentax, que errou com uma câmera pequena demais e outra grande demais; de qualquer modo, Pogue não gosta da Pentax. Sony e Nikon, duvido; uma parece contente com as Alpha Nex, outra com os formatos Nikon 1 e DSLR. Leica está parada no tempo. Das marcas menores, incluindo Samsung, é difícil esperar grande novidade.

Sobrou Canon, a marca preferida do Pogue, a maior fabricante de câmeras e a única sem nenhuma câmera de verdade - Canon atualmente só vende SLRs e telefones sem voz. A Canon com sensor de 1 polegada não parece ser algo que consumiu tanto esforço de engenharia, então podemos esperar talvez uma full frame compacta com lente fixa.

Uma Fujifilm full frame compacta com lente fixa seria menos provável, mas mais interessante. A Fuji lançou recentemente um formato novo, mas é uma empresa grande que poderia estar desenvolvendo várias câmeras ao mesmo tempo. Uma X200 iria canibalizar a X-Pro1, mas o pessoal da Fuji tem inovado muito mais que a Canon, talvez queiram arriscar. Pogue deve saber o que diz, porque recebeu equipamento para testar, então vamos esperar.

05 junho 2012

Porteira na Usp

O Pasqüim nos informa que a Usp vai controlar o acesso de pedestres ao campus do Butantã à noite e nos finais de semana. Como alguns sabem, sou um entre a meia dúzia de 3 ou 4 professores que com alguma frequência entra no campus a pé. Sempre detestei os muros que o reitor Fava, um de nossos piores reitores, construiu com o objetivo dificultar o acesso de pedestres ao campus.

Como usuário dos portões de pedestre, devo dizer que não tenho objeção ao controle da entrada à noite e nos finais de semana. É um inconveniente, porém limitado, porque são os horários de menor uso. O inconveniente é compensado pela maior segurança, uma preocupação que ainda temos que ter em S Paulo.

Por outro lado, colocar porteiras dentro do campus e exigir documentos para entrar nos prédios acadêmicos é um absurdo completo. Também acho que o campus devia ser aberto para lazer da população em geral durante os finais de semana, mediante o pagamento de uma taxa de estacionamento que seria usada para garantir a segurança de todos e a integridade do patrimônio público. Aliás, o estacionamento devia ser cobrado todos os dias, e de todos os usuários, incluindo estudantes, professores e funcionários. Não faz sentido que os motoristas recebam um subsídio para uso do veículo particular, na forma de estacionamento gratuito, enquanto usuários de transporte coletivo não são contemplados com nenhuma dessas regalias.

24 maio 2012

Carta antiga: a burocra e a cesta

Fui buscar um arquivo no meu computador e o Spotlight abriu por acaso a carta abaixo, enviada à Sociedade Brasileira de Automática em resposta a uma solicitação vinda de órgãos federais para que os associados identificassem uma "cesta de problemas" que dificultam o trabalho da comunidade científica no Brasil. Tendo a carta recebido uma resposta ignorativa, reproduzo o texto aqui.
Prezado Colega, 
O maior problema para a pesquisa científica no Brasil é a burocracia em suas diversas formas. A burocracia é um obstáculo para a liberdade e criatividade nas ciências. Como exemplos das formas como a burocracia atrapalha o trabalho dos cientistas cito:
- As taxas e outras barreiras alfandegárias custam tempo e dinheiro, e nos põem em em posição de atraso e desvantagem em relação aos pesquisadores em países onde esses entraves são menores. Estas barreiras não trazem nenhum benefício para o país, apenas para as burocracias que vivem delas. 
- As burocracias internas das universidades impedem que os alunos busquem os conhecimentos de acordo com seus interesses e que os professores ofereçam cursos de acordo com seus conhecimentos. Os rígidos currículos regulamentados pelo Ministério da Educação, pelos conselhos profissionais, e pelas próprias universidades ficam obsoletos mais rápido do que eles são modificados pelas lerdas burocracias destas instituições. Com isso a diversidade de formação e de interesses de nossos estudantes e professores não é valorizada, e o mal uso dos talentos faz com que a pesquisa nacional fique prejudicada em relação às de países onde as instituições de ensino superior são mais ágeis e flexíveis. 
- A burocracia nas contratações e promoções dentro das universidades dificulta a absorção dos profissionais mais competentes e eleva os burocratas a posições de influência. A política de recursos humanos é feita por critérios formalistas que só privilegiam aqueles mais afeitos à politicagem, e solapa o ânimo dos cientistas mais competentes e dedicados ao ensino e à pesquisa. 
As instituições de pesquisa e ensino superior não parecem ser capazes de se fazerem menos burocráticas por si sós. Me parece que é necessária uma ação de cima para baixo, vinda do executivo da União, orientada pelos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, para a desburocratização das instituições científicas. 
Sinceramente, Felipe Pait

23 maio 2012

13 maio 2012

Peça do presidente da Capes no pasqüim de SP

Vergonhosa a peça que o presidente da Capes aprontou na Folha (exige assinatura). Resumo: S Paulo ruim, governo federal (depois de 2002) bom. Em todos os níveis, ensino básico, médio, técnico, superior, e pós-graduação, tudo que está errado é culpa do governo de S Paulo, e as ações federais (a partir de 2002) só não dão resultados ainda mais maravilhosos por culpa de S Paulo. Sobrou até para a Fapesp, que financia a maior parte da pesquisa no Brasil.

Leia-se: tucano mau, petista bom - partidarizando tudo que tem a ver com a educação no Brasil. O artigo saiu num jornal paulistano em época de eleições, por pura coincidência é claro.

Torturando um número, ele confessa qualquer coisa. A manipulação é tão acintosa que levanta a questão: será que os sistemas de avaliação do ensino básico e superior também estão sendo fraudados com objetivo de fazer propaganda partidária? Ou será que a manipulação ainda está restrita a artigos de opinião nesse pasqüim de SP?

07 maio 2012

Jogo dos erros: "Bearish on Brazil"

A Foreign Affairs publicou um artigo "Bearish on Brazil" (paywall). Um artigo robótico escrito automaticamente, cheio de chavões e erros. Vamos contar alguns? Minha contribuição segue, reproduzindo o que escrevi para um amigo.

No meu entendimento a análise é completamente errada. O autor acredita que o real está valorizado ou por causa dos juros altos, ou por causa do preço das commodities. Nenhuma dessas explicações se sustenta. São fatores relevantes, mas não explicam o câmbio atual. Nos últimos anos a taxa de juros baixou, e as commodities flutuaram, mas o real subiu.

O principal motivo da valorização do real é a falta de bons investimentos nos países ricos, e a percepção dos investidores que o Brasil é comparativamente um bom país para investir. O motivo para acreditar que investimentos no Brasil vão ter retorno é que o mercado consumidor está crescendo e que a produção pode crescer se os gargalos da infra-estrutura forem resolvidos.

Por outro lado, caso uma queda nos preços das commodities leve à desvalorização do real, a manufatura brasileira ficará mais competitiva. De qualquer forma, o preço das commodities só vai despencar se a economia chinesa sofrer uma pane. E se a economia chinesa sofrer uma pane, o argumento de que o Brasil erra em não copiar a China fica prejudicado, não é?

O fenômeno da desindustrialização que artigo menciona é uma invenção, ao que tudo indica. A manufatura não está crescendo à mesma taxa que os setores que mais crescem, o que não significa que esteja desaparecendo. O argumento do artigo é contraditório: a indústria não cresce porque a indústria cresce tanto que faltam engenheiros. Outro disparate do tipo "it's so crowded that no one goes there anymore" é a frase "As a result, although unemployment is now at a decade-low six percent, businesses complain that they have no choice but to hire unqualified applicants." É justamente isso: a economia está crescendo tanto que os gargalos ficam evidentes.

No meio dessa análise disparatada há alguns pontos válidos e conhecidos: o Brasil precisa investir mais em educação, a burocracia brasileira atrapalha, os impostos são complexos demais, o protecionismo dificulta a inovação, etc. São pontos que não têm relação com o argumento principal, um besteirol que amontoa slogans da direita e da esquerda sem qualquer referência à realidade ou à ciência econômica.

Vale a pena ler o artigo com cuidado para procurar mais erros e verificar como existe gente escrevendo bobagem por aí.

04 maio 2012

Becápi da Midia

O objetivo desse post é fazer uma pergunta à Srta. Googlenice Becápi da Midia, mas aceito boas respostas de qualquer comentarista.

Vou ficar algumas semanas usando um "outro computador", que não é o meu principal. O que costumo fazer é botar todos os emails e arquivos que crio em outro computador em folders especiais, e depois transferir via nuvem ou disco externo. O método se baseia em designar um "computador principal", que sempre tem backups confiáveis. Dá certo, só que na volta fica tudo fora da organização. Então ou gasto tempo organizando, ou para aqueles itens tenho que confiar no Spotlight para encontrar.

Uma alternativa é colocar tudo no Dropbox. Daí quando eu trocar de computador os arquivos se sincronizam. Além do Dropbox, existe o Microsoft Skydrive e o Google Drive, mais baratos, mas ainda menos testados.

Um receio com Dropbox é o seguinte, me digam se é bobagem. Se eu tiver, digamos, 50GB na nuvem, o Dropbox vai sincronizando. Se ele fizer uma besteira e apagar arquivos antigos, eu não vou perceber, porque não uso regularmente. O erro vai se propagar pelas outras máquinas, e quando eu perceber os arquivos já se foram. Seria difícil, talvez impossível, recuperar. Esse receio vem de uma má experiência com o Mozy. Pode haver outros riscos: só os paranoicos sobrevivem.

Outra alternativa é ter um disco externo no bolso com todos os arquivos importantes, e considerar esse como "oficial". Esse é o que tem que ter backup. Quando for usar outro computador qualquer, conecto esse disco e trabalho em cima dele. O disco interno fica só para boot e coisas extras. Parece um pouco desajeitada, muito manual e pouco automática, mas talvez seja a melhor. Se houvesse um disco pequeno e barato, alimentado pelo bus Thunderbolt, acho que eu escolheria essa alternativa.

21 abril 2012

Teatro encomiástico dedicado ao Prof Butija

Cena: sala de aula do Colégio Bandeirantes, anos 1970.

Prof Butija: Trata-se de um poema encomiástico.
Alunos: Um poema o quê?
Prof Butija: Um poema panegírico.
Alunos: Como assim?
Prof Butija: De caráter enaltecedor.
Alunos (entrando no jogo): De caráter......
Prof Butija (levantando a voz): Laudatório!
Alunos esboçam um sorriso mudo.
Prof Butija (sem pausa, em brado retumbante): PUXA SACO!

13 abril 2012

Nomes de bebês da próxima geração


Não sei quem bolou isso. Estou postando aqui para saber onde encontrar. Se achar engraçada, pode dizer que a piada é sua.

Maria Anderlaine Tracinho da Silva
Telaplana Dilédi Digital Aguiar
Francisco Trend Tops de Almeida
Aifonne Tresgê Habilitado de Medeiros
Faicebuque Cutucado da Rocha
Controucê Controuvê Mendes Junior
Googlenice Pendrive de Oitogigas
Fanpage Wireless da Silva Pontocom
Estivejóbson Aiméc de Oliveira Sobrinho
Uebecam Tequepix Pereira Fernandes
Esmartefone de Cincochips Fidalgo
Blurrei Pleier do Romititer Delfino
Dáuloadi do Retuíte Jápranet Junior
Orkutência Becápi da Midia
Maria Tuiteira Racheteg Peixoto
Uessebênio da Conexão Travassos
Navegando Arroba do Emeio
Faireuol do Uaifai Ativado
Espaiuer Raqueado Tavares
Pauerpointe do Uorde Falsiê
Aifone Aipede Tabletti dos Santos

11 abril 2012

Essa situação parece familiar?

Ponha cinco macacos numa jaula, pendure um cacho de bananas no teto, e deixe uma escada sob as bananas. Logo um dos macacos vai subir a escada para alcançar a banana. Assim que ele puser os pés na escada, um chuveiro joga água gelada nos macacos.

Logo depois, um outro macaco vai tentar subir a escada, com o mesmo resultado --- água gelada em cima de todos os macacos.

Desligue a água. Se algum macacos tentar subir as escadas, os outros vão segurá-lo, para evitar receber um balde de água fria na cabeça.

Tire um dos macacos da jaula. Traga um novo macaco para dentro. O macaco vê as bananas e tenta subir as escadas. Os outros macacos o seguram. Após mais uma tentativa, ele aprende que é melhor deixar as bananas onde estão.

Tire um outro macaco dos cinco originais, e traga um sétimo macaco para a jaula. Ele vai à escada, e é agarrado pelos outros macacos, inclusive o sexto, que nunca sido molhado com água fria. Tire mais um macaco e substitua por um macaco novo. Ele é atacado por quatro macacos, dois dos quais não sabem porque é proibido subir as escadas, nem fazem a menor ideia de porque estão batendo no novo macaco.

Depois de substituir o quarto e quinto macacos, nenhum dos macacos na jaula teve a experiência de ser molhado com água gelada. Mesmo assim, nenhum macaco tenta pegar as bananas ou chegar perto da escada. Porque?

"Aqui nós não fazemos as coisas desse jeito."

02 abril 2012

Câmeras novas

Desde o início do ano há mais câmeras a venda. Algumas novidades depois que escrevi 4 types of photo cameras são:

Fujifilm X-Pro1: a versão profissional com lente intercambiável da X100. Qualidade excelente, engenharia brilhante, preço de pro. Não tenho justificativa para gastar mais, então vou ficar com a minha X100. Mas é tentador poder carregar uma teleobjetiva leve e rápida.

Olympus OM-D: versão retro e de melhor qualidade das micro four-thirds. Ideal para quem se lembra da OM de verdade e gostou da X100. Várias vantagens em relação à Fuji, incluindo diversas lentes disponíveis, e melhor que as Olympus Pen ou Panasonic. Fotografa na chuva! Único problema: sensor usa tecnologia meio antiquada. Talvez seja o caso de esperar uma OM-D2.

Pentax K-01: o ponto forte é que usa todas a lentes com baioneta K da Pentax, e tem sensor muito melhor que a Pentax Q. Pouca vantagem em relação às reflex: o tamanho e peso não mudam muito. Várias desvantagens por não ter espelho. Design de griffe, mas esqueceram que a forma segue a função. O sujeito que desenhou foi assunto de um artigo espetacularmente mal sincronizado na revista do NYTimes: a matéria saiu no dia do anúncio dessa câmera, que vai afundar a tradicional marca Asahi Pentax de vez. Não dá para uma marca pequena ter 2 linhas de mirrorless, uma pequena demais, outra grande demais. Quando voltar a lembrança dela e de você apenas restar a mesma caixa amarela.

Canon G1 X: sensor grande, lente zoom fixa. É a câmera da Canon. A estratégia da Canon é construir um nome, usando as máquinas profissionais de altíssima qualidade, para vender telefones sem voz e câmeras para amadores que querem se fingir de pro. O problema dessa estratégia é que a faixa mais barata está sendo comida pelos telefones, e a faixa mais cara pelas câmeras sem espelho. Mas a Canon não quer vender câmera sem espelho para não comer sua própria fatia. Então a G1 X, como a Nikon 1, deixa a desejar em relação à X100 ou à OM-D. Mas com certeza é uma boa câmera para quem gosta de Canon. (Não confundir com a G12 que é um telefone mudo.)

30 março 2012

Assassinar pode, Arnaldo?

Estados Unidos, caso Trayvon. Sujeito matou a tiros um jovem preto por usar capuz. Assassino qualificado, nem foi preso porque é branco e membro de bando de matadores. Caso está virando escândalo nacional.

Brasil, caso Bertioga. Sujeito matou criança com jet ski porque estava na praia. Assassino qualificado, mas no Brasil pode porque é empresário e dono de veículo. Ministério público considera pedir que os criminosos por favor prestem serviço comunitário.

Ah, vão dizer que o caso Bertioga é diferente, que o alcoolizado só deu a arma para um menor desabilitado conduzir de maneira irresponsável, que não tinha a intenção de matar aquela criança naquela praia naquele momento. Na Florida com certeza dizem que o caso Traynor é diferente, o cara só atropelou porque se sentiu ameaçado. Mais evidentes são as semelhanças: a lei a favor do mais forte.

28 março 2012

A vaga impressão de que não estou na morada

Poeminha Última Vontade

Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossego
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre folhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos
(Como eu).
E, como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a laje do meu túmulo
Com a raiz poderosa,
Haja a vaga impressão
De que não estou na morada.

Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome,
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora,
Preso à angústia infinita
Do ser e do não ser.
Ficarei entre ratos, lagartos,
Sol e chuva ocasionais,
Estes sim, imortais.
Até que um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr

Peço desculpas pela infração aos direitos autorais. Original em http://www2.uol.com.br/millor/aberto/poemas/059.htm

27 março 2012

"Edison Illuminated", by Edmund Morris

To: The editors, the NYTimes
Re: "Edison Illuminated", by Edmund Morris, NYTimes Book Review, Sunday March 25

The Institute of Electrical and Electronics Engineers has more than 400 thousand members who are perfectly able to say exactly what electricity is, contrary to what Mr Edmund Morris writes in "Edison Illuminated." Any of us, as well as millions of colleagues in related professions, are perfectly glad to explain this beautiful subject to anyone who is interested in learning.

I ought to add that in our profession we recognize that Steve Jobs led the most innovative corporation of the last few decades. To appreciate the achievements of Thomas Edison, an ad hominem attack on Jobs is not necessary.

Yours,
Felipe Pait
Senior Member, IEEE
University of Sao Paulo

26 março 2012

Brasileiro se ofende quando você discorda da opinião dele.

Por outro lado, brasileiro não se ofende com ofensas pessoais. Ou pelo menos perdoa rapidamente. Todos cooperam para enganar a Coroa, assim evitam guerras civis, até convivem com o racismo. Por muito menos do que as pessoas ouvem abertamente no Brasil, um europeu ou asiático monta uma milícia fratricida. As relações pessoais fazem parte do país real: esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco, como nos ensinou Machado de Assis no Diário do Rio de Janeiro em 29 dezembro 1861.

As relações profissionais são o Brasil oficial. Discordância é subversão à hierarquia, à burocracia, ameaça ao status e aos direitos adquiridos.

Isso ajuda a entender alguns obstáculos para a inovação em ciência e tecnologia no Brasil. Quem quer desenvolver tecnologia na universidade precisa começar rendendo homenagens ao Patinho Feio, ao Pal-M, e ao Corcel II, senão toda a infraestrutura fecha as portas. Empresas grandes têm os mesmos cacoetes. De homenagem em homenagem, de discurso em discurso, a inovação some do centro e é empurrada para a borda.

09 março 2012

Mais ônibus circular da Usp

Passado o riso depois de ler sobre o Instituto de Astrologia da Usp, vale a pena olhar para o mapa para observar a incompetência com a qual foi desenhado o trajeto. Os circulares passam pelas mesmas rotas 2 vezes, na ida e na volta, em direções diferentes. Com isso o trajeto dura o dobro. A vantagem de ter 2 rotas, e a vantagem do trajeto circular, desaparecem.

Com um pouco de raciocínio e de competência por parte dos responsáveis pelo projeto, os circulares poderiam fazer trajetos diferentes. Por exemplo, um pela parte norte do campus, outro pela parte sul. Ou um por um trajeto interno, outro por um trajeto externo. O leitor pode se divertir olhando para os mapas e inventando um trajeto melhor.

A duração da viagem seria a metade. Metade do trânsito, metade do desperdício de combustível, metade do tempo de viagem. O trajeto mais curto, com menos passageiros em cada ônibus em qualquer determinado momento, talvez pudesse até ser feito com microônibus. Se 20 mil usuários gastam 15 minutos a mais por dia, são 1 milhão de horas perdidas em transporte a cada ano. O equivalente a 10 vidas em horas de trabalho desperdiçadas todo ano, por conta da incompetência e descaso com a engenharia de transporte na Usp.

06 março 2012

Criar dificuldades para discutir facilidades

O Laboratório de Automação e Controle do Departamento de Engenharia de Telecomunicações e Controle da Escola Politécnica da Universidade de S Paulo.... xi, já perdi meus 3 leitores. Vou começar de novo.

O Lac tem 9 professores ativos, e dá aulas para 35 alunos da opção A&C entre os 135 da engenharia elétrica da Poli. A reitoria autorizou contratação temporária até o final do ano, em tempo parcial, para substituir um colega que infelizmente faleceu prematuramente há quase 2 anos. O concurso será aberto em breve.

Nessas condições - emprego temporário, com pagamento de apenas 12 horas semanais, com prazo curto - é muito difícil atrair candidatos bem qualificados. Em compensação, a burocra da Usp tem a oportunidade de conceder uma vaga agora, outra mais tarde, e de analisar pedidos e aceitar ou não justificativas de mudança do regime de trabalho. Criar dificuldades para discutir facilidades continua sendo o lema da burocra da Usp.

É inútil tentar divulgar a oportunidade de trabalho fora da vizinhança estrita. É extremamente improvável que a vaga interesse a candidatos de fora da cidade de S Paulo, muito menos para quem vem do exterior, porque o salário não paga nem uma fração do custo de vida. Fica garantida a endogenia: quem ocupar uma vaga temporária está em posição natural para conseguir uma vaga permanente, se e quando a concessão desta vier a interessar aos donatários de cargos na reitoria.

De qualquer modo, se algum interessado ler essa página, o aviso está dado. De positivo: o ambiente de trabalho no LAC é excelente. Os professores mais graduados dão todo o apoio para atividades de ensino, pesquisa, e extensão; e a liberdade de investigação é completa.

Adjetivos pátrios

Talvez vocês conheçam a moda inventada pela esquerda nacionalista: chamar os americanos de estadunidenses. Via @moyzes e @helopait, podemos levar essa brincadeira às últimas consequências, e evitar os nomes próprios em todos os adjetivos pátrios.

O José Serra, eu, e os demais brasileiros nascidos antes do golpe de 64 somos estadunidenses meridionais; vocês jovens são repúblico-federativenses. Quem nasce na Venezuela é repúblico-bolivarense, no Uruguay é oriental-republicano - ou será repúblico-orientalense? Fica a dúvida de como chamar os estadunidenses mexicanos. Tem que usar uma palavra que eles mesmo não usam. Sugestões nos comentários por favor.

Lá no extremo norte da América moram os nunaáticos, a meio caminho dos ilha-gelenses. Continuando para Leste, quem nasce no Reino Unido é reino-unidense; e na Alemanha, bundesrepublicano.

Egito é um termo imperialista grego. Quem nasce na República Árabe do Egito é repúblico-arabense; não confundir com os repúblico-arabenses asiáticos, também conhecidos como sírios. Grego não, desculpe, helênico. Ou melhor, sem usar nome próprio: democrático. Pois entre os helenos se diz democracia, em grego, no lugar de república, um termo romano. Que horror!

04 março 2012

Silly article by Mankiw

Gregory Mankiw has a rather silly article in today's NYTimes. The article itself is not worth reading, but presumably it reflects of the quality of economic advice to and from Mitt Romney. He shows that it is not easy to see the difference between earned income and capital gains. But he is not capable of stating the unavoidable conclusion: that earned and non-earned income should be taxed at the same rate.

I have walked out of lectures for lesser errors.

03 março 2012

Conselho do George Washington para o José Serra

Respeito o José Serra. Admiro o José Serra. Gosto do José Serra - até leio os tweets dele com prazer. Mas não vou votar no José Serra para prefeito. 

Porque? Em primeiro lugar, porque vou votar no Fernando Haddad. Mas mesmo sem candidato escolhido, haveria outra razão. George Washington saiu dos cargos políticos quando terminou seu 2o mandato. Fernando Henrique também. O 3o mandato é o fim da reputação do político. O desgaste é inevitável, as coisas nunca saem como planejado. Com todos os cargos que já ocupou e eleições que já disputou, o Serra concorrer a prefeito é overplay. 

Se o Covas Neto, ou o Matarazzo, perdessem a eleição, ou se um deles ganhasse e fizesse um governo ruim, o prejuízo seria deles, e do eleitor que teria escolhido errado. Na eleição seguinte o partido botava outro candidato. Se o José Serra perder a eleição, ou se ganhar e as administração tiver problemas, os tucanos ficam sem alternativa. É ruim para o Serra, é ruim para o Psdb, é ruim para S Paulo, é ruim para o país.

Por isso o Gilberto Kassab ofereceu apoio ao Haddad. Ele avaliou que, com o apoio do Lula e do prefeito anterior, o Haddad faria uma boa administração. Apoiá-lo seria o melhor para o Kassab, para o partido dele, e para S Paulo. O Haddad não consegui que o PT aceitasse o apoio. Na minha opinião, foi um erro.

02 março 2012

Mais um artigo sobre o "custo" da educação

Dessa vez, no NYTimes. Educação é descrita como custo, ou pior, um fardo ("burden"). Enquanto isso, "vendas de automóveis crescem", "varejo supera expectativas", "melhoras no mercado imobiliário".

"Educação das crianças, saúde das vovós, que triste que isso custa. Desperdiçar dinheiro em ferro, tijolo, e shmates é que seria bom." É a mensagem diária da mídia, de direita e de esquerda, nos Estados Unidos e no Brasil, é só olhar o jornal.

Um dia o povo vai acordar dessa psicose coletiva. Nesse dia vocês vão poder dizer: li aqui primeiro.

20 fevereiro 2012

Eyeglass lens reviews?

There exists no source of independent reviews of eyeglass lenses. Hoya, Zeiss, Essilor, Shamir, Zhetta, Seiko, Trufocals, Kodak, and others - which are good? Why? Which are worth the price?

There are plenty of resources to help decide about consumer goods  - www.dpreview.com for photographic equipment just to give an example. A good camera is fun, but not nearly as critical as a good pair of glasses. More people spend more money on eyeglasses then on most consumer goods, almost all of the time without thinking much - roughly, you go to a nearby optician and leave with whatever they sell you. In the United States, in most cases this means a chain optician whose employees have very little knowledge of the product they sell.

Patients are seldom competent to make decisions about medical treatment - this is why "the market" works poorly for health care. But I don't see any reason why consumers would not be able to make informed decisions about eyeglass lenses, the same way they decide on cars and computers.

Maybe this is a market failure that can be corrected. A business opportunity for someone with knowledge of eyeglass optics perhaps?

12 fevereiro 2012

Bolsas da Usp

Sou o professor responsável por um projeto em software livre que tem bolsistas pagos pela Usp. Mensalmente devo cadastrar o número de horas trabalhadas por cada um dos estudantes, para que eles recebam as bolsas. Ao longo de mês, recebo repetidas vezes a seguinte mensagem:
Prezado(a) Professor(a),
Encerra-se dia "12/02/2012" o cadastro de frequência de seu bolsista para este mês. Se o número de horas, não for cadastrado, os bolsistas sob sua coordenação deixarão de receber o valor da bolsa. Acesse: http://sistemas.usp.br/apolo
Atenciosamente,
Gestor do Aprender com Cultura e Extensão
ATENÇÃO! Este e-mail é apenas informativo, não é necessário respondê-lo.
O problema é que cada vez que chega a mensagem eu fico em dúvida se já cadastrei as horas trabalhadas daquele mês. Parece pouco, mas o acúmulo dessas pequenas burocracias acaba atrapalhando o trabalho acadêmico. Cansei um pouco da repetição e respondi:
Caros,
Já cadastrei as frequências. Seria muito amável e cordial reprogramar o sistema, de forma que os avisos não sejam enviados repetidamente após as frequências terem sido cadastradas.
Não tenho dúvida que esta especial fineza está ao alcance das habilidades de programação do pessoal responsável.
Grato,
Pait
Acredito que obterei resposta ignorativa. Afinal facilitar, ou ao menos não atrapalhar, o trabalho de professores e de alunos não parece fazer parte das atribuições funcionais da burocra da Usp.

Poste escrito, a bolsa é uma miséria. A Usp tem verba para centenas ou milhares de bolsas com valores irrisórios e pouco atraentes. Quase dá a impressão que a ideia é mesmo tratar o aluno como indigente, só para depois dizer "eu ofereci milhares de bolsas, se vocês não quiseram aceitar minha caridade eu vou para o céu e vocês vão para o inferno".

03 fevereiro 2012

Goodbye Asahi Pentax cameras?

As I recently wrote, it's become fun to follow camera technology. Pentax now has 2 interchangeable lens cameras, besides its line of digital single-lens reflex cameras (with mirrors). The 1st was the Pentax Q format, which is a flop because the sensor is too small, so image quality is not good.

Yesterday the former Asahi Optical Company announced the K-01 camera, which uses the old and excellent Pentax K mount, meaning that it can take advantage of many of the standard Pentax SLR lenses. This is great, but forces a number of technical compromises that may result in inferior performance. Unfortunately the camera is fairly large, despite the absence of the mirror. It has no viewfinder or manual controls. I fear that it is a victory of form over substance - a selling point seems to be the designer's name. Incidentally, the designer was featured in last week's NYTimes magazine, a badly timed piece if his Pentax design has the expected consequences.

One line of garden variety cameras, one line of too-small cameras, one line of too-large cameras. I fear that the old Pentax brand is doomed.

Perhaps Olympus will come out with a worthy successor to the OM-1 using the 4/3 format, despite the financial shenanigans of its managers. Fortunately, Fujifilm is cooking with gas. And there is Sony if you are more into the electronics that the cameras themselves.

30 janeiro 2012

Aposentadoria compulsória por idade é inconstitucional

O diretor da Poli, @profcardoso pergunta no Twitter: "O que você acha da aposentadoria compulsória dos juízes passar de 70 para 75 anos? E para os professores da USP?"
A aposentadoria compulsória discrimina por idade e viola um direito garantido pela Constituição do Brasil. Vejam:
Título I - Dos Princípios Fundamentais. Art. 3o Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: ...
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Evidentemente, o Constituinte entende que nenhuma medida legal que restringe o bem de indivíduos por meio de preconceitos de idade é inadmissível. Adicionalmente:
Capítulo II - Dos Direitos Sociais. Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ...
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
O Constituinte explicita que a discriminação por idade no exercício do trabalho viola direito do trabalhador. É verdade que a aposentadoria compulsória é assunto de leis, decretos, e até da própria Constituição:
Capítulo VII - Da Administração Pública, Seção II - Dos Servidores Públicos. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios... § 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados ...
II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição;
Porém o artigo acima está em flagrante contradição com direitos fundamentais garantidos pela Constituição. É portanto necessário corrigir o deslize do Constituinte e eliminar toda e qualquer referência à aposentadoria compulsória por idade da Constituição e de todos os outros diplomas legais.
Alguém vai dizer que essa opinião é irrelevante porque não possuo diploma de advogado. Digam o que disserem, tanto se me dá. O leitor deve lembrar da intenção de certos membros do Congresso Nacional de instituir o voto indireto para o Congresso, em violação à cláusulas pétreas da Constituição. Enquanto a quase totalidade da imprensa e dos juristas se escondiam atrás de filigranas legais para focar a discussão em argumentos partidários, mesquinhos, e politiqueiros, esse blog se insurgiu contra a tentativa de golpe institucional e obteve sucesso completo: a proposta desapareceu das discussões.
Com a publicação deste artigo inicio campanha, deflagrada pela pergunta do Professor Cardoso, para acabar com a discriminação inconstitucional por idade. Espero que a campanha obtenha o mesmo sucesso retumbante que a campanha pela defesa do direito ao voto livre e direto promovida por este blog em 2011.

27 janeiro 2012

Stone, steel, and fire

Heard NPR during lunch. Good news first, according to the analysts: more car & truck sales, housing starts. The bad news: rising cost of education & health. Question for the occasional economist visiting this blog: why is it that transactions in the "male" sectors of the economy - steel, fire, and stone - are considered as growth, a positive thing, while transactions in the "female" sectors - health and education - are considered as a drag to growth, a cost to be lowered?

As far as I know this is an invariant of the press coverage of economic news: North and South, right and left, deep or shallow. If you find a counter example in the African or Asian press, or perhaps in distant Northern Europe, please let me know.

I thought the science of economics was supposed to be without a judgement of value on specific products and services - if there is a consumer, a producer, and a market to clear the transaction, then you add to the national accounts without judging the value of the good. Personally I might think that a Cadillac, or a Canon photo camera, or an HP printer, just to give examples, is a pile of junk, worth less than the plastic used to manufacture it; but presumably it satisfies a need of the buyer, so the economist doesn't and shouldn't care.

The exception is the classification of the economy into 2 main sectors: "male" goods, and the "female" service sector which is not so good. (The one exception is the price of gasoline, which counts as a minus even though it is in the "fire" sector, presumably because it gets on the way of car sales. But when more gas is burnt, that's ok, so perhaps it's not a real exception.) Isn't this distinction anti-scientific?

20 janeiro 2012

Kodak

Someone linked to a bad article about Kodak, which reveals more about the writer and the paper that publishes it than about the photo company. Not completely wrong; but "some part of an error is always right" (yes, this is just an excuse to quote Tartakower.

My answer on G+: I found the article nonsense. It's essentially an apology for chief executives, which happens to be precisely the mission statement of Forbes and the WSJ. Sure the remote location in Rochester played a role - a small town lacks the positive externalities of a large own, such as a large and skilled workforce. And companies suffer or disappear when technology changes.

But Kodak was killed by bad management - for comparison, Fujifilm is doing fine; Digital Equipment and Data General were killed by bad management, not by their Boston location. Kodak's current CEO came from the HP printer business, and decided to remake Kodak as a competitor to his previous business - it must have been a decision borne out of personal desires for revenge, who would think of inkjet printing as a growth field in 2005? Sadly the story parallels HP itself - its former chief executive decided to remake HP into a competitor to the software business from which he had been fired, with equally disastrous results. And the destruction from HP follows from hiring a chief executive out of the team that destroyed AT&T and Bell Labs. Here we have a connection between the destruction of the 3 great American technology companies of the 20th century.

Kodak might have reinvented itself as smaller company using its leadership in digital sensors and other technologies - a point that the article ignores, looking only at the consumer camera side. But admitting that would violate the tenets of Forbes and the Journal: that a company has to grow; and that upper management can do no wrong unless it pays attention to the needs of employees, consumers, and society.

 A better article by a competent journalist appears in a serious newspaper.

18 janeiro 2012

Greve!

13 janeiro 2012

Apple University next week?

Apple is planning an education event at the Guggenheim in NYC next week. Judging by how little attention the event is receiving from analysts, it promises to be big.

I believe Apple University will finally be announced. Judging by the lack of attention it has received during the 3 years since the first preparations were made public, Apple university promises to be significant. I guess it will be an educator support system, in the same way that the Apple store supports software developers, and the iTunes store supports musicians. I expect Apple university to include a richer set of educational and multimedia tools, beyond a distribution and sales system, and will not be surprised if, unlike the app and music stores, Apple funds part of the costs out of the generosity of Steve Jobs.

Privatdozenten of the world, rejoice! I am preparing my first two courses. Are you?

11 janeiro 2012

Why I'm voting for Huntsman in the primaries

If Huntsman is still running in March when Massachusetts holds primaries, he'll have my vote. Reasons include:

0 - I'm a Yankee independent and I can vote for whomsoever I want.
1 - Now that I am a US citizen and can spend as long as I wish outside the country, I don't want to be laughed at when I do.
2 - Teddy Roosevelt, the last great Republican president, died of illnesses contracted in Brazil; as an apology I owe him a vote for someone he would at least consider worth shooting, perhaps even shooting with.
3 - I'm voting for my Worker's Party buddy Fernando Haddad for mayor of S Paulo this year, so I should vote right-wing in the Northern Hemisphere to balance.
4 - I don't want my daughters to be ashamed that a person without any morals or principles is running for president in their country.
5 - I am afraid someone who wants to fight the Cold War again, but this time make sure the Free World loses, might actually become president.
6 - I am afraid someone who wants to fight the Second World War again, but this time make sure the Free World loses, might actually become president.
7 - I am afraid someone who wants to fight the Civil War again, but this time make sure that that government of the people, by the people, for the people, shall perish from the earth, might actually become president.
8 - I am afraid someone who wants to go back to the good old Depression era, but this time make sure we stay there, might actually become president.
9 - I believe the presidential election should have two candidates who are willing and able to actually think and talk about real issues.

Chances that I would actually vote against President Obama remain negligible.

10 janeiro 2012

An engineer goes back to photography

I got stuck at a subtle point while thinking about complex barycenter methods for direct optimization. So I checked out news on the just announced Fujifilm X-Pro1. It is a fascinating piece of engineering.

A year ago I started looking at cameras because I wanted to take pictures again. Except for a toy camera, a gift to Hannah, and the iPhone, I had so far passed on digital photography. Actually I had barely photographed since she was born, my interest turned off by the gift of a Canon Rebel 2000 - a low point in the history of photo technology, the photographic equivalent of Windows Millenium Bug.

In any case, the photo industry has long been rather uninteresting. Engineering progress after the Asahi Pentax Spotmatic and the Olympus OM-1 was evolutionary, and uneven. Electronics was used to make film cameras more foolproof (bakachon in the unpc Japanese expression) with the predictable result that mostly fools wanted to use them. Exposure controls familiar to photographers were replaced by pre-programmed modes designed by marketers; classic rangefinders and focusing screens were killed by dubious autofocus schemes.

Then low-quality light sensors were matched to low-quality optics to start the digital photography revolution. The most successful brands, Canon and Nikon, were concerned with preserving their market share in the single lens reflex market rather than with advancing camera design - not that they didn't have very good engineers. Smaller makers fought the silly megapixel race. European brands abandoned any attempt at innovation for some notion of prestige - only Leica is left, catering to people stuck with pricey legacy lenses.

But things are changing. From unexpected corners: large Japanese corporations without a heavy commitment to the DSLR format, which is a lousy compromise that doesn't take good advantage of modern technology. Sony matched their electronics with optics and camera designs from traditional manufacturers. Fuji realized that the film business was disappearing, and made the best out of their technological expertise (unfortunately Kodak, which had a bigger lead, was occupied by HP executives who were passed over in the quest to destroy HP and proceeded to destroy Kodak instead). The new Fuji expands and explains the engineering design ideas that were present in the X100, the best camera ever made. Optics, electronics, materials science, mechanical design, signal processing, software and interfaces - it's all there. Read about it!

This all happened in the last year or so. Before that, both Sony and Fujifilm produced nondescript cameras. Olympus and Panasonic have the interesting 4/3 standard, but Sony and Fuji seem to be far ahead of everyone else. Nikon and Canon may be waking up - they have great engineering, but still fear that good designs will cannibalize their market share.

Meanwhile the pace of computer innovation is likely to slow. An interesting time for an engineer to go back to photography.

09 janeiro 2012

Randall Stross's columns

Letter to the NYTimes:

Dears,
I'm an avid reader of the Times. I am also a professor of electrical engineering.

If you would like my advice, I'm writing to say that Randall Stross's columns are mixture of the obvious with the obviously wrong. Some people may disagree, but his writing is well below the NYTimes' standard. It pains me that no one seems to have noticed that a paper that prints columns by Paul Krugman and David Pogue, among others, could do a lot better in the area of internet and digital communications.

Thanks for considering the opinions of your readers!
Sincerely, Felipe Pait

08 janeiro 2012

Bode's integral formula

Bode's integral formula can be useful for: a) People who can't keep a plan, and continue making phone calls until there is a communication failure. b) People who check their GPS repeatedly until they get lost.

07 janeiro 2012

Denúncia de corrupção no futebol

Só tenho uma coisa a dizer, correndo o risco de ser repetitivo:

O Corinthians quando ganha,
Alegria do povão.
O Corinthians quando perde,
O juiz é que é ladrão!

 Se a vitória é roubada,
Alegria é dobrada.
Se a derrota merecida,
Pega os porco na saída!

06 janeiro 2012

Joint Mathematics Meeting seen by an engineer

I am attending the Joint Mathematics Meeting as a form of vacation, and will share some observations with the three of you. It is much larger than the IEEE Control and Decision Conference. The crowd is a lot more diverse than the usual bunch of engineers. Mathematics is a much wider subject.

I am mostly attending plenary talks (called invited addresses). The regular sessions are very specialized, not unlike a controls conference, and probably incomprehensible for the uninitiated - a category that for many talks includes pretty much anyone but the coauthors.

Some addresses are very good, and a good fraction are given by women. Conjecture: the 2 facts are related. However they are not heavily attended. Perhaps because the math community is more fragmented, and because there are parallel sessions simultaneous with the plenaries. In general the schedule is a non Cartesian mess. The sessions are not synchronized, and the presentation timing is not uniform. Session hopping would be a challenge. Brings to mind the schedule that an Usp student has to fight against.

The best engineering work holds its intellectual ground compared to the mathematics presentations, but there may be a higher proportion of high level work in mathematics. Control theory in the math community seems to occupy a small corner of math, and cover a small corner of controls. Mathematical control theory at an engineering conference is richer.

The PC is dead. Mostly you see Macs around, many iPads, and a few PC, probably mostly running some sort of Linux. Windows is becoming a niche product for people under the yoke of corrupt and incompetent information technology managers, or left-wingnut government trade protectionists.

The exhibits are incomparably better than at a control conference. More better books by many more publishers, plus puzzles, artwork, t-shirts, and the like. Unfortunately the scarves for sale do not have mathematical motives or patterns - it is cold in Boston.

27 dezembro 2011

Cabral e a longitude

Comecei a ler Longitude, de Dava Sobel, e logo no começo aprendi uma coisa. É perfeitamente plausível que Cabral tenha se perdido no meio do Atlântico e não soubesse que estava a mais de 30 graus de longitude oeste da costa da África. A tecnologia da época não fornecia medidas de longitude, que em alto mar só podia ser estimada a partir de medidas de velocidade. Os erros da medida de velocidade iam se somando ao calcular a posição - fenômeno bem conhecido de quem estuda navegação inercial - e causaram desastres piores do que a descoberta do Brasil ;-)

As navegações portuguesas se orientavam pela costa da África, e seguiam a Volta do Mar que aproveitava os ventos permanentes favoráveis no meio do Atlântico. Na falta de vento, a localização em alto mar era incerta.

No meu tempo de escola ensinavam que não era plausível um engano dessa magnitude. Isso demonstrava que a viagem de Cabral que resultou na assim-chamada descoberta do Brasil tinha sido algum tipo de conspiração de forças ocultas. A explicação não era muito coerente com a curta estadia de Cabral no Brasil - 2 semanas, tempo para reabastecer e rezar 2 missas - mas o atrativo da teoria da conspiração era irresistível. Não sei como explicam na escola hoje - não caiu no vestibular - mas a versão da Wikipedia é mais cautelosa e apenas indica que o desvio de rota pode ter sido intencional. A teoria de conspiração não resiste ao estudo da história, que de qualquer forma é muito mais interessante.

21 dezembro 2011

Sinclair, BBC, and Acorn computers

Acorn Computers grew in Cambridge, England. It evolved in cooperation and competition with products such as the Sinclair home computer, a ludicrously inexpensive machine from the time of the Apple II and the TRS 80. Acorn's defining product was the BBC computer - developed and marketed in cooperation with the British broadcaster.

To improve on the BBC computer's 6502 processor, Acorn developed an architecture called the Acorn Risc Machine. I wrote previously about the Risc x Cisc war, which the former is winning decisively though somewhat belatedly. Acorn doesn't exist anymore; but its Risc architecture, owned by a former subsidiary called ARM, has a 95% market share of smartphone processors.

ARM is the only relevant alternative to the Intel processor architecture, despite (or because) its socialist taxpayer-funded state-owned origins. It is always instructive to remember the history of the computer industry. Wikipedia links are provided for the benefit of the younger, the forgetful, and the non-geeks.

19 dezembro 2011

Adeus Saab

Num passado muito remoto, numa galáxia distante, minha escola primária, o Externato Pequeno Príncipe, fez uma excursão para as Minas Gerais. Visitamos as cidades históricas, a gruta de Maquiné, ficamos alojados no Mineirão infestado de pernilongos. Mas esse post é sobre outro tipo de nostalgia - o saudosismo tecnológico.

O motorista que nos levou tinha muito orgulho de seu ônibus Scania Vabis. Recordo bem do motorista, encostado nas escadas do ônibus em uma parada na estrada, contando aos meninos do grupo que o Mercedes era o Fusca das estradas; mas ônibus de qualidade mesmo era o Scania. Nunca vou dirigir um ônibus, mas gostaria de ter dirigido um Saab-Scania - um carro escandinavo originado na Escânia. O Saab nunca foi vendido a sério no Brasil; e nas 2 oportunidades que tive para comprar um carro nos Estados Unidos, por motivos práticos as escolhas foram Renault e Volkswagen.

Nos anos 90 a fabricante de carros Saab se separou da Scania e se juntou à GM. O início do fim de uma fabricante pequena e inventiva. Agora a Saab fechou de vez. Não terei a oportunidade de ser motorista de um Scania Vabis. Nem de viajar no último dos vapores transatlânticos - o Eugênio C foi para Alang em 2005.

18 dezembro 2011

Barça

Não consegui assistir o baile, mas fica claro que o futebol europeu está em grande fase: 30 anos depois de começarem a importar craques como Falcão e o Dr Sócrates, os europeus estão aprendendo a jogar futebol. Venceram 2 copas do mundo em seguida, pela 1a vez em 3 gerações; e sem roubar, pela 1a vez desde....... (quantas vezes algum país europeu tinha vencido a copa do mundo usando talentos futebolísticos mais do que os talentos de prata?). Clubes europeus ganharam 5 copas da Fifa seguidas, e estão se aproximando dos sul-americanos em títulos interclubes intercontinentais. O Barça do Cruyff, o maior futebolista europeu, é mesmo um timaço. Uma democracia corintiana que deu certo.

07 dezembro 2011

Prêmio Excelência, 2011

Poste escrito sobre o Prêmio Excelência Acadêmica Institucional USP. O prêmio não foi pago pelo ano 2010, com o pretexto que algum índice caiu - tem mais índice de desempenho do que universidade no mundo, então sempre tem um que sobe, outro que desce. Para 2011 vamos receber dobrado, e mais uma explicação de cafezinho: além de algum índice ter subido, não houve greve. Já sabemos o critério para premiar todo mundo igualmente!

4 types of photo camera

I did some research and I'd say there are now 4 types of camera. At the high end, professional cameras with large sensors (APSC or larger), meant to be used with several lenses: fast normal, telephoto, wide-angle, and macro. At the low end, telephones are always in your pocket. Cameras that have small sensors but don't make phone calls no longer make sense, even if they are cheap. Note that the main spec that affects picture quality is sensor size, assuming that you have the camera with you - a large and heavy camera that stays at home doesn't take any pictures, good or bad.

In the middle there are 2 types: cameras that amateurs use when they want to look like pros, and cameras that pros use when they are not on assignment. The first are prosumer digital SLRs. If you carry only one zoom lens the advantage of a large sensor is unclear, but the weight is still there. The latter are the interesting ones: the ones we should reserve the word "camera" for. They all try to be more or less like Leica rangefinders. Choices include Fujifilm X100; Leica X1; Olympus and Panasonic micro 4/3 mirrorless cameras; and Sony NEX. The Nikon 1 cameras are in the low end of the range, because their sensor is barely large enough to get them out of the "telephone" category. In fact the Nikon 1 format is pretty much the only sensor with intermediate size. The Fujifilm X10 is nice but not quite there. I still like Pentax but I believe their Q format is a flop.

All have prices in the range of a prosumer digital single lens reflex. Among them I think it's a question of personal preference. I find the X100, with manual controls and a hybrid viewfinder, the most interesting one, although it has a fixed non-zoom non-image stabilized lens. Or because of that - zoom with your feet and stabilize with your hands. The Leica is a Leica. Micro 4/3 has more lenses available. I bet that Sony will be the most successful in the market. And Nikon knows what they are doing, even with a smaller sensor.

(Reposted from a comment on And now for something completely different… Cameras!)

03 dezembro 2011

Questões erradas na Fuvest 2012

Havia 3 questões erradas na prova da Fuvest 2012. O tipo de erro era semelhante: a questão podia ser resolvida seguindo os passos que se espera do estudante, levando a uma das alternativas apresentadas, mas a resposta era incompatível com o mundo real.

A questão 62 da prova V pedia cálculos sobre os ângulos de um hexágono convexo. Os cálculos mostravam que pelo menos um ângulo do polígono era maior ou igual a 180°, portanto não podia ser um hexágono convexo. Matemática sendo um assunto relativamente fácil, os professores de cursinho descobriram o erro e a questão foi anulada. Note que não falei que a prova de matemática era fácil - pelo contrário, achei de longe a prova mais difícil.

A questão 74 da prova V trazia um texto cuja interpretação era dada na alternativa E: "o principal motivo da adoção da mão de obra de origem africana era o fato de que esta precisava ser transportada de outro continente, o que implicava a abertura de um rentável comércio para a metrópole...". De fato o texto afirmava isso, portanto como questão de interpretação de texto a alternativa está correta. Porém a afirmação não faz sentido. A escravidão no Brasil só foi estabelecida pelos colonizadores porque a venda dos produtos do trabalho escravo na Europa era rentável. Caso contrário, o tráfico de escravos africanos não traria qualquer lucro. Um estudante que raciocinasse a respeito da alternativa, sem estar inoculado contra o viés ideológico que produz esse tipo de explicação absurda, não encontraria nenhuma alternativa correta. Talvez pela maior complexidade do tema, o erro não foi detectado pelos professores de cursinho.

Finalmente, segundo a resposta "correta" da questão 22 da prova V: "Uma das consequências do “efeito estufa” é o aquecimento dos oceanos. Esse aumento de temperatura provoca .... menor dissolução de CO2 nas águas oceânicas, o que leva ao consumo de menor quantidade desse gás pelo fitoplâncton, contribuindo, assim, para o aumento do efeito estufa global." O estudante poderia lembrar que a absorção de CO2 pelos oceanos ajuda a diminuir o o efeito estufa, que é causado em grande parte pelo aumento da concentração de CO2 na atmosfera. A maior concentração de CO2 no ar aumenta a proporção de CO2 entre os gases absorvidos pelos oceanos, um efeito contrário à diminuição da dissolução de ar na água devida ao aumento da temperatura. O efeito descrito na questão, embora seja a resposta "correta", é menos importante. Esse erro também não levou a anulação da questão.

Conclusão: a prova de matemática é a mais difícil, apesar de matemática ser a ciência mais fácil.

28 novembro 2011

Fuvest 2012

O vestibular se repete como farsa. Três décadas mais um ano após a Fuvest 1980, que 2 dos 3 leitores devem lembrar, fui ontem fazer vestibular.

Porque? Um dia tomando cafezinho na Usp, ou talvez durante alguma reunião, um colega diz: "O problema da Usp é o vestibular, que não seleciona os melhores alunos" ou qualquer coisa assim. Será? Fui conferir. Da próxima vez, se não puder trazer o McLuhan para a conversa, pelo menos posso dizer "Há quanto tempo o lídimo colega não faz vestibular?"

Antes que perguntem: não vou fazer a 2a fase, não vou tirar vaga de ninguém, não vou fazer Usp de novo.

Fiz o exame na Fac S Judas, do lado do metrô Butantã. As salas de aula são limpas, com iluminação adequada e ventiladores silenciosos. Como cortesia a faculdade distribuiu de brinde uma caneta azul e um lápis verde, inútil durante a prova. A prova começou com 40 minutos de atraso "porque o coordenador teve que resolver um problema com um aluno". Não houve outros problemas de organização.

A prova com 90 questões é difícil, mas me pareceu muito bem feita. Nenhuma questão errada; 1 ou 2 com respostas dúbias, baseadas em teorias históricas marxistas vulgares ou coisa assim, que revelam mais sobre a filosofia uspiana do que comprometem o vestibular. Uma em 10 questões, talvez menos, recaem na "decoreba": saber o nome de uma ou outra organela celular, tratado de Methuen, ou nomes de personagens de romances.

Surpresa: de longe a prova mais difícil é matemática. Tinha que achar a soma dos ângulos internos de um hexágono. Era para os alunos saberem ou deduzirem? Falta espaço para fazer as contas intermediárias na margem. Talvez eles esperem que os vestibulandos usem atalhos e fórmulas que eu não lembro. Quase todas as questões exigem pensar em diversos passos intermediários. Não me parece que a dificuldade da prova é desejável. O assunto em que todos acertam menos é um assunto que faz menos diferença na classificação. Dá mais um motivo para o pessoal estudar menos matemática. Mas as questões em si são bem feitas.

Física é bem mais fácil, não caem exercícios trabalhosos com máquinas de Rube Goldberg. Química eu sei menos, e biologia não sei, mas dá para sentir que as provas são razoáveis. Tinha uma questão discriminatória contra pessoas de uma certa idade, perguntando o que acontece com o cristalino quando o olho muda o foco de longe para perto. Com o meu, não acontece nada. Vou pedir um ponto a mais para os presbíopes ;-)

História e geografia são as partes mais fáceis. É mais interpretação de texto do que lembrar um lista longa de fatos históricos. Não caiu a guerra do Peloponeso. Quem lê jornal, passa. A prova de inglês é curta e bem feita - interpretação de textos jornalísticos. Português tem uma coisa estranha: diversas perguntas sobre detalhes dos livros do ano. É uma opção da Fuvest. Quem faz a prova fora do contexto pergunta: porque esses livros e não outros? Uns não li, outros não lembro. Mas para o vestibulando não é difícil: um ano para ler uma dúzia de livros. Uma boa preparação para a universidade. Não cai aquela inútil gramática de vestibular.

O total geral é que a prova é cansativa. Acho que deve ser mais fácil aos 18 anos. Mas 5 horas sentado na carteira dura pensando e escrevendo não é moleza. Acho que a prova poderia ter 60 a 70 questões sem prejuízo da avaliação. Decerto o que acontece é que cada um quer incluir sua parte, e não enxergam a desvantagem da prova longa. Então está aí porque fiz a prova: só sentando lá você sabe como é a vida do aluno.

Na saída, por alegre coincidência, encontrei 2 amigos, pais de estudantes que faziam a prova no mesmo lugar. Boa sorte para todos, que encontrem uma escola onde serão felizes. Outra hora confiro o gabarito.

15 novembro 2011

Eleição para prefeito

Vai ser uma boa eleição para prefeito em S Paulo ano que vem. 1 - Gilberto Kassab tem sido um bom prefeito: administrou a cidade de forma decente e mostrou coragem ao enfrentar o lobby dos donos de automóvel e vetar a lei pró homofobia. Quem tiver o apoio dele merece ao menos consideração. 2 - O melhor grande partido em S Paulo e no Brasil é o Psdb. O candidato tucano, seja lá quem for, em princípio é um bom candidato. 3 - O partido com as melhores propostas, as mais relevantes para o bem estar do cidadão, é o partido Verde. 4 - O velho Partidão é hoje coerente, honesto, e desempenha um papel muito construtivo. Soninha é mais uma boa candidata. 5 - Não tenho como não votar no Haddad, amigo pessoal de longa data, o melhor ministro de 3 governos bem sucedidos. Os outros candidatos do Pt eram ruins, o Lula acertou em impor sua preferência. No total, talvez 5 candidatos que prometem, ou pelo menos não assustam. Vamos dar um desconto, porque nos próximos meses é bem provável que alguns desses partidos façam uma escolha infeliz. Mesmo assim, o Brasil está realmente mudando para melhor, antigamente era raro ter mais de uma escolha não nefasta. Infelizmente o mesmo não se pode dizer dos demais países do G20 ;-)

22 outubro 2011

Jacaré - para a 317 Band 80

Apesar do quórum nulo, logaritmicamente falando, fui testar e aprovar o Jacaré, um boteco já estabelecido na V Madalena há 4 lustros. Apesar de mais recente que a 317 Bandeirantes 1980, depois que o Bartolo fechou é um dos mais antigos do pedaço. Frequentei outrora com a Susanna, quando éramos jovens apaixonados.
Sem empinar ares, é sempre bem procurado por uma clientela variada. O ambiente é correto, o som não ensurdece embora tenha mais volume que melodia.
A comida de bar é caprichada. Pedi uma alheira, afinal hoje é shabbat. Servida de forma apropriada: acompanhada de pão, molho de cebola, farofa, ovo, e verdura, de forma que comer no bar não significa abrir mão de uma refeição saudável. O contrário do que se vê em estabelecimentos voltados para um público emergente ou em bairros nouveau riche, onde a clientela tende a deglutir quase que exclusivamente alimentos outrora considerados de maior prestígio pelas pessoas que tem a necessidade de afirmar seu status através da mesa - nesses as porções são compostas quase que exclusivamente por carne.
Se optarem pelo Jacaré para o próximo evento, só não recomendo a Brahma Extra, uma cerveja meio aguada, sem arestas, de sabor pouco definido, mais ao gosto de emergentes que tentam imitar os sabores padronizados norte-americanos ou talvez alemães. A Brahma comum tem um sabor característico de antigamente, e deve ser preferida em qualquer ocasião.
O Jacaré continua movimentado após a virar a madrugada. A noite está bonita, eu voltei para casa.