Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

31 outubro 2012

Currículo da Poli - engenharia elétrica

Como os leitores desse blog podem saber, a Poli está discutindo currículos de graduação. A proposta de flexibilização que mencionei foi aprovada em algumas instâncias. Aproveitando as mudanças curriculares, os diversos cursos dentro da engenharia elétrica querem unificar os currículos até o 3o ano, o que considero bom.

O problema é que cada departamento enxerga a unificação do currículo como uma oportunidade para introduzir as disciplinas lecionados por seus docentes para um número maior de alunos. A discussão já está demorando muito e foca exclusivamente conteúdos que os departamentos querem que sejam ensinados em sala de aula. Com isso, chegamos a uma proposta na qual o 2o e 3o ano tem mais de 28 créditos de aula por semestre, tendo sido eliminado o espaço para as disciplinas eletivas e os interessantes laboratórios de práticas de eletricidade, cursos focados em projetos dados aos alunos de 2o ano.

Hoje um professor disse que "os alunos da Poli não têm maturidade para tomar decisões, e por isso temos que fornecer currículos extensos e rígidos para eles". Disse o que quis, ouviu o que não quis. A verdade. E a verdade dói. Com isso, ganhei um inimigo, ou mais. Mas isso não vem ao caso.

O que quero pedir aos alunos e ex-alunos que me leem é que identifiquem das matérias na tabela abaixo as que mais necessitam ser removidas do currículo proposto. Notem que algumas são velhas conhecidas, enquanto outras são metástases de disciplinas desfuncionais. Em alguns casos o conteúdo é óbvio, em outros fica como lição tentar adivinhar exatamente. Para cada disciplina, as recomendações podem incluir "considere como fundamental para engenharia elétrica e deve ser ensinada nos 3 primeiros anos", "elimine do currículo", "pode virar optativa", "pode ser interessante para alunos de quarto ou quinto ano de alguma ênfase", ou outras recomendações.

As discussões estão tendo quase nenhuma participação estudantil - na verdade a 1a vez que vejo alunos foi hoje, porque eu estava dando uma prova na sala de computadores ao lado e alguns dos meus alunos vieram escutar e deram algumas opiniões. Então a opinião de alunos e ex-alunos é fundamental. Me respondam nos comentários por favor.

Notem que são 28 matérias se eu contei certo, portanto 4 semestres inteirinhos para serem comprimidos em 2 anos, nos quais ainda deveriam caber os assunto básicos como físicas e matemáticas, além de eletivas e disciplinas de projeto.


Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Grupo 4
Grupo 5
Grupo 6
Eletromag.
Circuitos I
Intro. Eletrônica
Sistemas Digitais I
Sistemas e Sinais
Química
Ondas e Linhas
Circuitos II
Eletrônica I
Sistemas Digitais II
Controle
Energia Meio Amb.
Conversão
Lab. Circuitos I
Lab. Eletrônica I
Lab. Digital
Lab. Controle
Intro. Eng. Elétr.
Lab. Conversão
Lab. Circuitos II
Lab. Eletrônica II
Algor. e Estrut.
Intro. Redes e Com.
Res. Mat.

Variáveis Compl.

Lab. Programação

Fen. Transp.

Circuitos III




30 outubro 2012

Energy of hurricanes

According to the Wikipedia entry, the power of ONE cyclone is estimated at 10^15 Watts, that is to say, 200 times the electrical power generated worldwide.

Even if climate change produces a small number of extra hurricanes and typhoons a year, burning carbon fuels generates a lot more power in the form of hurricanes than in the form of electricity. An incredible form of leverage!

This mechanism would not work if it were true that humans cause hurricanes by allowing people of the same sex to marry, or that global warming is caused by Fernando Henrique Cardoso's neoliberal policies. These arguments may not be scientifically tenable but who knows?

28 outubro 2012

Vote cedo, e vote sempre

Votei 2 vezes hoje, então vou escrever sobre um assunto que aparece a cada eleição: no Brasil o voto é obrigatório. Assim diz a Constituição, e assim diz a tradição: se não fosse obrigatório, ninguém levava a sério. Votar é um direito, e também é um dever. Muito simples.

Não deixa de ser uma imposição, especialmente as punições para quem deixou de votar. Em geral reclama contra o voto obrigatório quem sabe não estar fazendo grande coisa pelo país, e procura alguma picuinha para culpar o país por sua pouca eficácia. Não somos forçados a votar em um candidato, nem outro, podemos anular o voto. Comparecer às urnas ocupa poucos minutos, justificar a ausência é fácil, e a multa em caso de não comparecimento é simbólica. Ou seja: o fardo para o cidadão é leve, não justifica maiores reclamações e muito menos uma emenda constitucional.

Mas a figura da multa é antipática. O voto é obrigatório mas o cidadão não precisa ser punido por não votar. Sem falar na visita ao cartório eleitoral, com funcionários pagos por nós para prestar um serviço indesejado, às vezes sem muita amabilidade. 

Um aperfeiçoamento que pode ser feito por regulamentação ou lei ordinária, sem mudança na Constituição, é o seguinte: quem não vota nem justifica a ausência fica isento de qualquer multa ou punição, bastando para isso que escreva de próprio punho uma carta endereçada à Justiça Eleitoral explicando o motivo de não ter votado. Qualquer explicação serve: doença, cansaço, viagem, desafeto ou ojeriza aos candidatos; protesto, bebedeira, ou pura preguiça; contanto que manuscrita e assinada. Isso dá ao eleitor a oportunidade de extravasar suas frustrações e exercitar as nobres artes da caligrafia epistolográfica. 

A Justiça Eleitoral deve arcar com as despesas de postagem  e até promover um concurso premiando as melhores justificativas. Vão ter o que fazer e se divertir. Por outro lado, prestigiando quem vota, o eleitor que comparece à urna ganha uma cocada, doce de goiaba, ou bananinha. Gera diversão, e emprego!

22 outubro 2012

Ameaças dos ministros

No programa politico hoje, o ministério da Dilma em peso ameaçando o eleitor paulistano de forma implícita mas pouco sutil: ou votam no PT, ou então o governo federal não manda dinheiro nenhum para S Paulo. Para quem prestou mais atenção nos detalhes, diversas contradições que não vale a pena enumerar. Mas o ponto principal ficou claro: ou votam no candidato afinado com o partido do governo federal, ou os impostos que o paulistano paga continuam sendo desviados exclusivamente para outros estados.

Parece propaganda de um candidato desesperado, não de alguém que lidera as pesquisas confortavelmente. Se o eleitor paulistano, tradicionalmente independente e orgulhoso, prestar alguma atenção às ameaças, Haddad perdeu as eleições no programa de hoje.

14 outubro 2012

Kleztival

Não esqueçam de ir ao 3o Festival de Música Klezmer, até 21 de outubro, em diversos locais da cidade. Links para o programa no site do Instituto de Música Judaica Brasil e no Guia da Folha. Na foto, Beny Zekhry tocando com Frank London dos Klezmatics e outros.

13 outubro 2012

Comentário no blog da Raquel Rolnik


Há tantos erros nesse artigo que talvez fosse mais fácil tentar achar os acertos. Mas vamos aos principais.

1 - A região mais central de S Paulo historicamente foi a que votou contra a ditadura, contra Jânio e contra Maluf. Isso não surpreende, porque as pessoas que tiveram oportunidade de estudar mais se defendem melhor da pressão das ideias reacionárias. O PT ganhou os votos na periferia, que tendia a votar nos candidatos mais à direita, pela força de suas ideias e simplificação da apresentação.

O artigo confunde esse ponto usando um conceito inadequado, de "voto anti-petista", o que se explica pelo usa da janela "histórica" curta de menos de 10 anos, somada ao uso rígido da dicotomia direita-esquerda, que não representa adequadamente o pensamento do eleitor.

2 - As sutilezas da variação da porcentagem de votos nos últimos 4 anos não indicam uma mudança secular do padrão de comportamento do eleitor, e são melhor explicadas como opções dependentes das qualidades dos candidatos. Em particular, Haddad é um candidato muito melhor que Marta Suplicy. Essa não é a minha opinião particular - fio a opção do Lula, um dos maiores entendidos em política brasileira!

3 - O fenômeno Russomanno foi uma "bolha" que estourou. Se a eleição tivesse sido alguns dias depois, ele teria ficado em 4o ou 5o lugar, talvez a velocidade da queda de intenção de voto. O fenômeno se explica pelo fato que muitos eleitores decidem na última hora e antes disso dizem qualquer nome que conhecem, e não tem maior significado quanto às grandes questões urbanas.

Acho que esses 3 são os principais erros. Agradeço a atenção.

11 outubro 2012

Inspeção veicular em S Paulo

Acabei de fazer a inspeção do meu Fiat do século passado (anno 1999) na Controlar. A inspeção veicular em S Paulo é rápida, eficiente, e barata. Bom trabalho da prefeitura de S Paulo. Comparação, em Massachusetts a inspeção anual é feita em postos de gasolina, e custa o dobro. Aqui foi necessário montar toda a estrutura das inspeções - acredito que os responsáveis avaliaram corretamente que a inspeção descentralizada feita em oficinas mecânicas já existentes não iria funcionar. O preço está bem razoável.

@sgoldbaum me indica que o contrato da empresa responsável pelo programa Controlar está sob investigação, que não é claro que o programa melhorou a qualidade do ar, e que há distorções no programa.

Capacidade técnica a empresa tem: agendamento e inspeção são eficientes. Nem todos os carros são cobertos, mas a qualidade do ar tem melhorado apesar do aumento do número de carros circulando. Para garantir isso a inspeção é indispensável, porque um carro irregular polui mais do que centenas ou milhares de carros com equipamento antipoluição adequado. O prefeito Kassab está certo em declarar que o programa beneficia a saúde do cidadão, conforme citado no artigo acima.

Quanto ao resto das acusações do Ministério Público, não sei. Boa parte são filigranas legais, que não interessam nem a mim nem ao cidadão comum, embora sirvam para gerar emprego para advogados e polemistas políticos. Contrato perfeito no Brasil não há, nem negócio público insuspeito. Os promotores que apresentem suas denúncias, os advogados da prefeitura que preparem contratos rigorosamente dentro da lei, o ministério público que investigue irregularidades, e os juízes que decidam - cada um faz seu trabalho. Uns defendem a saúde do cidadão, outros servem ao lobby dos automóveis, e outros só querem aparecer.

Como cidadão, o que me interessa é que no total geral o programa é bom e barato. 

09 outubro 2012

Partido do Kassab

O partido novo do Kassab é o grande vencedor das eleições: elegeu mais prefeitos do que o antigo pefelê teve na eleição anterior. Se bem que muitos são prefeitos de cidades pequenas, nunca antes na história desse país um partido cresceu tão rápido. Beneficiou-se do colapso do antigo partido, mas também do PMDB e do partido Verde. Os verdes estavam numa boa trajetória, mas as pininbas entre Penna e Marina fizeram o partido retroceder vários anos.

O prefeito paulistano avaliou corretamente que estava limitado pelas deficiências dos ex-arenistas, e fez um excelente trabalho político montando o novo partido. Continuamos sem saber qual necessidade do Brasil ou que demanda do eleitor esse novo partido atende, mas o fim do pefelê não vai me provocar lágrimas.

Infelizmente para isso Kassab se descuidou do emprego de prefeito. Exemplo: obras do largo da Batata pararam depois que o metrô ficou pronto. Metrô é caro, praça custa pouco, não há desculpa senão desleixo ou peior.

O eleitor paulistano avalia corretamente que seu funcionário descuidou do serviço nos últimos anos.

07 outubro 2012

A Bucha

Os presidentes do Brasil que estudaram na Faculdade de Direito de S Paulo foram, a maioria deles pelo menos, membros da Bucha, uma sociedade secreta quase tão antiga quanto a faculdade. A wikipedia diz até que a Bucha tem relação com a Skull & Bones, sociedade secreta de Yale da qual são membros os presidentes Bush pai e filho, mas essa afirmação não é substanciada.

Durante a ditadura Getúlio a Bucha entrou em completo segredo. Nunca mais se ouviu falar dela. O único presidente da Faculdade de Direito desde 1930 foi Jânio, que provavelmente não foi membro da sociedade secreta liberal.

Será que ela ainda existe? Será que o Haddad foi membro da Bucha, uma sociedade liberal? O que isso significaria para o Brazil? Absolutamente nada, mas daria um romance.

Nunca antes na história desse país....

Com a eleição de hoje, são 30 anos que eu voto para prefeitos, governadores, presidentes, senadores, deputados, e vereadores. A partir de 1982, a única eleição fajuta, de cartas marcadas, foi para presidente em 1985.

Nunca antes na história desse país um cidadão teve direito de eleger seus representantes por tanto tempo.

(Há algum exagero na frase acima: houve eleição de 1894 a 1926. Mas faz tanto tempo que se eu não escrevesse ninguém ia lembrar, e se eu não fizer a conta ninguém vai perceber que foram 33 anos. Ninguém fora o leitor do blog, digo ;-)

Votei em alguns políticos bons, outros nem tanto. Os constituintes do PMDB que elegi escreveram uma Constituição muito melhor que os meio político brasileiro. Graças a ela o estado de direito consegue se defender até agora das tentativas de subversão por políticos e juristas, algumas delas objeto de posts nesse blog que defende solitariamente nossos direitos constitucionais: abcd.

No total geral, estou satisfeito.

05 outubro 2012

Fallacy of the political commentator

American voters respond to the state of the economy. When unemployment is going down, support for the incumbent president increases. When unemployment increases, voters move towards the opposition.  There seems to be consensus about this fact, which is largely true for several other countries.

Now the way to measure unemployment is through the report on jobs which is published monthly. So far so good.

From this the professional commentators seem to have concluded that voters will change their opinion on a given date of the month, with basis on the fall of the jobless rate. The enormity of this fallacy is unbelievable. Homework: identify the Latin name of this erroneous mode of reasoning.

04 outubro 2012

Debate do Grêmio Politécnico

Debate sobre educação organizado pelo Grêmio Politécnico: vieram 2 dos 3 debatedores, e a audiência completa.


Debate sobre educação no Grêmio Politécnico. Presença do engenheiro que dá aulas, prof Piqueira da Poli, do diretor Aguiar do colégio Bandeirantes, e anfiteatro cheio de estudantes. Ausência ou atraso da filósofa Marilena Chauí. Debatedores presentes têm visão positiva e propositiva da educação no Brasil. Aguiar diz que se ficarmos entre Serra e Haddad temos propostas boas e honestas para ensino na cidade de S Paulo. Piqueira discorda e acha indispensável pagar melhor os professores, o resto das propostas interessa pouco. ENEM tem utilidade. Mas indefinição se avalia ensino ou seleciona alunos para faculdade causa confusão. Ensino médio especializa cedo demais por culpa do vestibular Fuvest e das exigências das burocras universitárias.

27 setembro 2012

Políticos na sinagoga

Existe desde pelo menos a redemocratização o hábito, talvez um pouco polêmico, de políticos em campanha visitarem sinagogas no Yom Kipur. Em geral eles escolhem os lugares grandes nos horários mais solenes, quando são vistos pelo maior número de judeus eleitores. As visitas são respeitosas e eles não abrem a boca, muito menos para pedir votos. Atualmente, autoridades eleitas às vezes fazem essas visitas nos anos ímpares, quando não há eleição.

Por 2000 anos os judeus tivemos relações de temor ou ao menos desconfiança com as autoridades. No Brasil de hoje, os políticos nos visitam, na pior das hipóteses, para pedir votos, como pedem a todos os cidadãos. Na melhor interpretação, tomam tempo dos dias atarefados apenas para mostrar respeito pelos judeus, e desta forma pela liberdade de religião e consciência em geral.

Não há o que discutir. Essas visitas são apenas positivas, e de tão positivas talvez sejam desnecessárias. Também não há problema em não mostrar a cara. Para os políticos judeus, sugiro que para ganhar votos e credibilidade com o eleitorado daria mais certo continuar na sinagoga rezando depois que os demais políticos se retiram para outras visitas e afazeres. A única outra coisa é que fiquei torcendo para o Haddad vir no final do jejum trazendo uns kibinhos, o que infelizmente não aconteceu. Ficam as sugestões para a próxima campanha.

Avaliação de professores: desisto

Becker-Posner desistiram de avaliar professores. Eles estão falando de primário, ginásio, e colégio, não de universidade, mas na minha opinião os argumentos deles se aplicam à universidade brasileira. É impossível medir a qualidade do trabalho de professor, e salários variáveis só conduzem a política de escritório.

A única coisa a fazer é usar critérios sérios para contratação, dar bons salários para todo mundo, e prêmios e bônus para quem se destaca. Se Posner escreveu isso, também desisto de buscar um método de avaliação de professores. Não vou ser eu que vou ensinar latim para o papa.

No mesmo blog Becker escreveu cautelosamente que talvez seja possível avaliar professores pela taxa de variação das notas em exames. Há 5 argumentos contrários:
1, que exames são medidas muito incertas;
2, que não são específicos;
3, que o esforço gasto na preparação para exames tem efeito negativo no aprendizado;
4, que a sugestão talvez faça sentido para alfabetização e aritmética mas não se aplica à universidade e nem a bons colégios; e
5, que derivada amplifica ruído na malha fechada e controle derivativo puro nunca é bem sucedido.

Juntos os 5 argumentos são definitivos. Posner ganhou a discussão. Ponto final.

18 setembro 2012

4 paths to success, 1 to failure

Four are the paths to success: genius, which is the most unusual; the path of diligence, which is the most righteous; the path of luck, which is the most uneven; and the path of dishonesty, of which we do not speak.

Success in business, but also in many other areas, is often a combination of the 4 paths, in varying degree and intensity.

The path to failure, in contrast, consists always in the incorrect judgement of which of the paths led to success, in oneself and in others. Confucius would doubtlessly have told Mitt Romney about that.

13 setembro 2012

11 setembro 2012

As propostas falam por si

Para quem precisa de alguma ajuda para decidir votar contra Mitt Romney basta consultar suas para educação. A exposição do conselheiro da campanha aparece em artigo no NYTimes. A parte crucial é a seguinte:
A Romney education adviser, Scott Fleming, said that in his first year as president, Mr. Romney would work to make financial aid available ... to fewer students.
Mr. Romney’s running mate, Representative Paul D. Ryan of Wisconsin, is the author of the House’s 2013 budget proposal, which would ... let the tuition tax credit expire.
In addition, private lenders and banks — rather than the government — would return to issuing federally subsidized college loans.
Mr. Fleming also said that Mr. Romney would act quickly to eliminate the Education Department’s “gainful employment” rule for college career programs. The regulation, introduced last year with for-profit colleges as the primary target, withholds grants and loans from institutions that do not provide training and credentials that translate to a “recognizable” profession.
Fim da dedução para taxas escolares é aumento de impostos. Rotear os empréstimos concedidos pelo governo através de bancos privados é desperdício - os bancos cobravam taxas significativas por serviços supérfluos, uma vez que os fundos são federais. E eliminar os regulamentos serviria para permitir que escolas lucrem com cursos inúteis ou fraudulentos subsidiados pelo governo federal.

Ou seja: o objetivo não é cortar impostos nem diminuir os gastos do governo, muito menos aumentar sua eficiência. O objetivo republicano é apenas e tão somente desviar dinheiro público para organizações que os apoiam. A desonestidade, a mendacidade, e a corrupção dos republicanos ficam melhor expostas nas palavras dos assessores da campanha do que nos discursos dos democratas. Num post anterior comparei Romney com Maluf. Mas as propostas de campanha parecem mais as de um Valdemar Costa Neto.

08 setembro 2012

How to save the Euro

While struggling with a class of matrices that appears useful in the study of elliptic partial differential equations, I found out that a much simpler problem, that of saving the Euro, admits a solution, and that it is unique.

Italy and Spain must set a date 2 years in the future to hold a referendum on whether to continue using the Euro. The governments will promise to campaign for the Euro while making all preparations for an orderly transition back to separate currencies. This gives an deadline for European financial authorities to get the economies back on track.

So far, the authorities have not shown they feel the problem is theirs. They have been happy procrastinating and pushing unsound austerity measures designed to clear their own conscience by blaming the less fortunate for European economic troubles. It is necessary to give the bureaucrats an ultimatum.

If Europe can execute the correct maneuver out of the crisis, then unemployment will go down and the people will vote to remain in the Euro. If it persists in the current course, then the currency integration project will end. The authorities must be told they are responsible for failure.

06 setembro 2012

Romney seria paulista, mas qual?

Afirma @gugachacra: "Romney, se fosse brasileiro, seria paulista. Daqui a pouco, explico no Globo News Em Pauta @gnempauta". Concordo com o Chacra, como de hábito. Mas se Romney fosse paulista, seria um paulista qualquer? Não, um paulista especial: Paulo Maluf.

Ambos membros da cultura dominante em seus países, anglo no caso dos Estados Unidos, mediterrânea no Brasil, porém de subgrupos, os mórmons e os árabes, vistos com desconfiança pelos reacionários. Dotados de ambição pessoal desmedida, sempre viram os cargos públicos como meio, e não como fim. Embora a nenhum se questione o patriotismo, acumularam enormes fortunas não-declaradas em paraísos fiscais de além-mar.

Como Romney, Maluf é odiado mais por suas virtudes do que por seus defeitos. A inteligência, a riqueza, e a obstinação não ficam bem para certos setores da opinião pública. A diferença principal é a frase atribuída a Maluf: estupra mas não mata. Romney não se pronunciou sobre o atentado violento ao pundonor, mas alguns de seus correligionários parecem vê-lo com relativa tolerância. Também não consta que Maluf acredite em fusão a frio como Romney.

05 setembro 2012

Exigência de diploma para jornalista

O Supremo Tribunal Federal já resolveu que a exigência de diploma para a prática do jornalismo contraria a liberdade de expressão, e portanto é inconstitucional. Diz o artigo 60, parágrafo 4 da Constituição: "Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir... os direitos e garantias individuais." A garantia de liberdade de expressão é portanto uma cláusula pétrea da Constituição.

Ou seja, a discussão no Congresso sobre a volta dessa exigência é inconstitucional. A restrição da liberdade de expressão não pode ser feita nem mesmo por emenda constitucional. É um ponto claríssimo da nossa Constituição, que não está sendo apresentado nem pelos congressistas, nem pela imprensa, nem por nossos doutos juristas.

Então volta aqui esse engenheiro na solitária defesa das liberdades individuais, tão sabiamente garantidas pela Assembleia Constituinte em cláusulas pétreas e imutáveis.

31 agosto 2012

Física moderna

Da engenharia de transportes vem a proposta de eliminar a física moderna do currículo da Poli. No lugar, um curso "de economia" cujo conteúdo não é economia - engenharia econômica aplicada, seja lá o que é isso, talvez ensinar comandos da HP12C. Ou então um curso sobre os impactos ambientais de antenas. Ou talvez outra coisa, contanto que seja ensinada pelo próprio autor da proposta.

Quem conhece física moderna lembra que Einstein ganhou Nobel por mostrar que microondas não conseguem ionizar moléculas - não foi pela relatividade. Quem não conhece os fundamentos da ciência, dá cursos sobre impacto ambiental da telefonia celular. O impacto não existe, mas o curso serve para preencher currículos.

Da mesma forma, quem vê a engenharia como um conjunto de especialidades desconexas resume engenharia de transportes a planilhas de compra de pavimentos. Engenheiro que pensa assim tem culpa pelo trânsito em S Paulo. #prontofalei

14 agosto 2012

O programa de governo do Haddad

O PT planeja redesenhar S Paulo descentralizando o desenvolvimento da cidade. Enquanto políticos e jornalistas discutem irrelevâncias, por exemplo se o projeto tem origem malufista, martista, ou neotucanista, e especialistas se entocaiam em suas especialidades, vamos pensar sobre os conceitos fundamentais do programa.

Para justificar grandes investimentos que rompem com o paradigma de planejamento urbano, em 1o lugar é necessário assumir que o transporte é a mais importante questão que a prefeitura deve abordar. Certamente existem questões mais relevantes para a cidade: educação, saúde, e segurança. Desperdiçando menos tempo no trânsito, produzindo mais e trabalhando menos, o cidadão teria recursos e tempo para investir nessas áreas. A educação, por exemplo, depende menos de gastos centralizados na prefeitura do que da soma dos esforços de estudantes, professores, e famílias. Em comparação, o paulistano perde horas em transporte, um problema que só pode ser resolvido com ação coletiva. Portanto essa justificativa está correta, exatamente porque reconhece que a prefeitura deve se concentrar nos problemas que não podem ser resolvidos individualmente.

Em 2o lugar, é importante verificar se a proposta de descentralização melhora o transporte na cidade. Podemos confiar nos autores do plano, ou pelo menos dar o benefício da dúvida, e considerar que o investimento em obras públicas terá retorno em termos da diminuição de horas de trabalho e lazer atualmente perdidas em transporte. Vamos anotar como ponto a ser corrigido que o plano enfatiza demais o transporte por carros e ônibus andando em ruas, que é ineficiente e insuficiente para o tamanho da cidade.

Finalmente, temos que saber se a oferta de subsídios e isenções ficais terá o efeito descentralizador desejado. Para isso, é necessário entender a causa da centralização da atividade econômica em S Paulo. Depois que a indústria praticamente saiu da cidade, as atividades não se concentram devido à localização de grandes empresas. A concentração vem de efeitos de rede. Um ator precisa residir em cidade com muitos teatros; e um teatro precisa apresentar peças em uma cidade com público grande e muitos atores. Da mesma forma, negócios na área financeira ou de software preferem se estabelecer em S Paulo porque os trabalhadores com experiência em finanças ou software estão por perto; e os trabalhadores moram onde estão os empregos.

A atividade econômica na cidade gira em torno dos setores de serviço mais sofisticados e especializados, e nos serviços para as pessoas que trabalham nessas áreas. A presença de uma rede de serviços é muito mais importantes para a localização dos negócios do que custos de aluguel ou impostos. Subsídios da prefeitura e renúncia fiscal vão ter um impacto mínimo sobre a localização dos negócios, porque as pessoas estão amarradas não a empresas específicas, mas à toda a rede de serviços relacionados. Uma família de advogados não vai se mudar inteira para o Cupecê atrás de um emprego em um banco, porque um emprego é uma coisa temporária, e o que atraiu essa família para S Paulo não é um emprego em uma organização, mas a variedade de empregos e serviços disponíveis na cidade inteira. Da mesma forma, o banco não vai se mudar para locais que não possuem as vantagens da rede de serviços de S Paulo, para longe de seus clientes e funcionários; e se o fizer, o tempo que eles perdem em transporte aumenta.

Subsídios e renúncia fiscal vão apenas desviar recursos que deveriam ser investidos em transporte rápido para milhões de pessoas, que necessita de uma ação coordenada do poder público. O projeto de descentralização está baseado num entendimento incorreto da dinâmica urbana e vai fracassar.

12 agosto 2012

O projeto de desenvolvimento das elites paulistas

Na segunda metade do século 19 as elites paulistas formularam um projeto de desenvolvimento fundamentado nos seguintes pontos:

1 - Governo republicano regido por uma constituição liberal.
2 - Fim da escravidão: trabalho livre e a liberdade de empresa.
3 - Desenvolvimento econômico baseado na importação de conhecimento, capitais, e mão de obra.
4 - Preservação da independência, das instituições e da cultura brasileira através da modernização.

Esse projeto foi bem sucedido além das expectativas da época. O exercício para o leitor é identificar 3 ou 4 projetos nacionais de desenvolvimento com sucesso comparável durante o século 20, e verificar que todos são de países muito menores. Toda a confusão que ocorre no Brasil tem uma causa comum: a rapidez excessiva do sucesso, maior que a capacidade de adaptação da cultura e instituições locais.

Os 2 intervalos de retrocesso desse projeto vieram da reação de políticos e militares, principalmente cariocas e gaúchos, contra a modernização liderada por agricultores e comerciantes paulistas e mineiros. Contraditoriamente, durante os regimes ditatoriais a concentração da atividade econômica em S Paulo aumentou; porém os benefícios da modernização deixaram de se espalhar pelo Brasil. As ditaduras são justamente os períodos de declínio do Rio de Janeiro e estagnação no Sul e no Nordeste. Agora que voltamos à normalidade, o país volta a crescer junto, sob a liderança de políticos de S Paulo e Minas Gerais. É fácil notar que as elites paulistas se renovaram - confira sobrenomes e locais de nascimento de prefeitos e governadores - mas elas mantêm o mesmo projeto fundamentado nos pontos 1 a 4.

O motivo desse post é perguntar se devemos considerar como insucesso a baixa reputação que as elites paulistas do século 19 desfrutam em nosso meio intelectual. Pelo contrário. O desprezo pelos autores desse projeto nacional utiliza ideias racistas, marxistas, e fascistas de origem europeia. É um besteirol que veio, infelizmente, junto com a ciência, a arte, e a técnica, e a importação dessas é parte crucial do projeto de modernização da vida intelectual. Cabe a nós refutar esse preconceito injustificado.

Próxima vez que você ouvir algum intelectual semiletrado xingando a Zelite, lembre de seus avós e bisavós que vieram para esse terra abençoada, agradeça a liberdade que temos de dizer qualquer disparate que nos passe pela cabeça, tape os ouvidos, e vá trabalhar.

10 agosto 2012

Give peace a chance?

The prime minister of Israel, Ehud Olmert, could have exchanged the Golan for a peace treaty with Assad. He could also have accepted Mubarak's invitation to put the Arab league in charge of the peace process with Palestine. Instead, he chose to destroy the nuclear explosive factory built in Syria by the North Koreans and ignore Mubarak's offer. Links at the bottom.

Had Olmert given peace a chance, Assad might now have nuclear bombs. He could use them against his own people or threaten Turkey. Israel would have a peace treaty with a genocidal dictator and a fruitless relationship with a jailed one. There would be additional obstacles to the dialog with Palestine and extra worries in the Syria-Israel border. 

How smart does "give peace a chance" sound now?

Olmert refused 2007 invite to address Arab League http://t.co/HO4rgTc9
Arie Shavit reflects on how had #srael given GolanHeights to Syria for peace in the 2000s, we'd have bloodshed today http://t.co/qn4u5CWv
The inside story of how a Syrian nuclear reactor was discovered and destroyed in 2007 http://t.co/segEp4NR

07 agosto 2012

Defesa dos mensalões

Digam se entendi corretamente o argumento da defesa: o que os réus fizeram juntos é contra a lei, mas eles não devem ser condenados porque cada um deles individualmente não cometeu um crime completo. É contra a lei pagar por um favor político, mas um fez o pagamento, outro tratou do favor político, então ambos são inocentes.

É essa mesma a defesa?

03 agosto 2012

IEEE Spectrum magazine, digital version

Since I opted for the digital version of the IEEE Spectrum magazine, I haven't read it. I noticed this because the pdf file for January issue was open on one of my desktops, and the email alerts were stored in some inbox.

Perhaps it is a failure of digital distribution, perhaps it is a symptom of information overload. I also noticed issues of technical magazines piling up on the table outside my office, which means students are not picking them up. In any case, maybe I will switch back to paper at the next renewal.

24 julho 2012

2009, Obama discursa no Cairo....

2009, Obama discursa no Cairo.
2010, ditaduras árabes mais moderadas e próximas aos Estados Unidos começam a cair, pacificamente. A limitada violência se deve à pressão da diplomacia americana; deixados sozinhos, não sei como os exércitos do Egito ou da Tunísia teriam reagido.
2011, as ditaduras mais extremistas começam a cair, violentamente. Quanto menos os Estados Unidos consegue intervir, maior a violência.
2012, conflitos nos países onde a influência americana é mínima.

Vários pontos poderiam ser questionados: onde a oposição interna é menos eficaz, as ditaduras continuam fortes; nem discursos nem diplomacia nem força resolvem todos os problemas; o fato anterior não é necessariamente causa do posterior.

Mas o presidente recebe crédito pelos bons resultados, como receberia culpa dos maus. Faz parte do cargo. Obama já fez por merecer o Nobel da paz, a posteriori.

22 julho 2012

Quem concorre a prefeito de S Paulo?

Minha impressão é que os jornais estão cobrindo a disputa entre Psdb e PT, enquanto as pesquisas indicam que os eleitores estão entre Serra e Russomano. Descartando a teoria chauísta de que a matemática está errada porque favorece as estruturas de poder dominantes, há 3 possibilidades. Uma é que por causa de minha simpatias e antipatias não presto atenção a notícias sobre os demais candidatos. Meu erro de leitura.

A 2a possibilidade é que o jornalista sabe que o eleitor, atualmente desinformado, ao longo da campanha vai prestar mais atenção aos candidatos dos partidos mais significativos. O povo é que está respondendo as pesquisas de opinião de modo enganoso.

Finalmente, pode ser que o povo realmente decida votar nos nomes que conhece, sejam do bem ou do mal, do noticiário político ou das páginas policiais. Para tal eleitor o currículo do ex-ministro da educação não conta muito, como não conta o de ex-ministro da Saúde. O que conta é que Serra é famoso porque já concorreu em outras eleições. Nesse caso, leitura correta do Psdb, que lançou Serra como candidato. Melhor para S Paulo e para o partido teria sido um candidato novo, trazendo o debate para propostas novas, mas o eleitor não quer ouvir. A leitura errada seria a dos jornais, e do Lula que escolheu o Haddad como candidato.

Me chamem de elitista, torço para a possibilidade número 2. Fica também a pergunta se Serra e Haddad apoiariam um ao outro em um 2o turno contra o candidato da bandidagem.

19 julho 2012

Serra e Haddad

Típicos paulistanos de famílias imigrantes mediterrâneas, trabalharam no comércio da família - quitanda no mercado da Cantareira e tecidos na 25 de Março. Estudaram nas escolas tradicionais da Usp - Poli e Direito - depois foram para as ciências humanas. Escreveram teses de doutorado em economia de esquerda nas quais ninguém fora da academia acredita muito - são teses autênticas apesar do que os wingnuts dizem. Palmeirense e sãopaulino, levados a Brasília por corintianos, foram os melhores ministros nos cargos mais importantes - saúde e educação, justamente aqueles de menos interesse para a mídia e para os políticos corruptos. Até comício de bicicleta os dois fazem no mesmo fim de semana!

A diferença é duas quadras e uma geração. Serra estudou em escola pública e fugiu da ditadura militar. No tempo da Haddad a escola pública tinha piorado, mas a repressão tinha ficado mais branda. Se falarem mal um do outro, vão fazer papelão.

Sim, os leitores desse blog poderiam fazer um serviço melhor que qualquer um deles, se tivessem a habilidade política necessária.

14 julho 2012

iPad tropicalizado.

Conforme previsto pela teoria econômica e nesse blog, repetidas vezeso iPad montado no Brasil chega às lojas com incentivos de quase 30%, sem redução do preço, e sem tecnologia nacional nenhuma. A montagem dos tablets envolve uma fração irrisória do processo produtivo, justamente aqueles 2% que não geram empregos relacionados à tecnologia.

O incentivo fiscal quem paga é você, através de maiores impostos nos produtos não contemplados com os favores da burocra do protecionismo. Desculpe a redundância, mas até que percebam que subsidiar industriais picaretas não traz nada de bom para o país, vou continuar insistindo.


10 julho 2012

Schlesinger in "The age of Jackson"

Page 279 of "The Age of Jackson" has the beautiful passage reproduced here. Thanks to my 9th grade history teacher Arnaldo Fazoli who explained how important Jackson was to American history. Decades later, I appreciate his point.

06 julho 2012

Paraguay, Venezuela, Mercosul, e pragmatismo

Mercosul, Paraguay e Venezuela estão fora da minha piscininha. Mas já que os especialistas estão escrevendo bobagem, vou adicionar as minhas.

A deposição do presidente eleito do Paraguay foi assim tão diferente do impeachment do Collor? Não me parece, apesar de que o procedimento foi meio estranho e apressado. No Brasil, serviu pelo menos para reafirmar que tem gente que é contra o estado de direito. O bom da democracia é que sabemos quem eles são.

O Itamaraty usou o evento para trazer a Venezuela para o Mercosul pela porta dos fundos, como queria a Argentina. Foi uma espécie de golpe diplomático, que até certo ponto justifica a posteriori o comportamento do parlamento paraguayo. Sabe-se lá o que os pinguins venezuelanos estariam aprontando no Paraguay.

De um ponto de vista pragmático, trazer a Venezuela para o Mercosul faria algum sentido. Quem entra é a Venezuela, não o atual presidente, como escrevem os que gostam de escrever o óbvio. Faltou talvez explicar isso melhor para venezuelanos e paraguayos. Por outro lado, como escreve o embaixador Celso Lafer, a decisão do Mercosul foi de má fé, por não incluir o Paraguay, qualquer que seja a interpretação legalista da suspensão. Um acordo presume a boa fé das partes, senão dá errado. De qualquer modo não vai fazer diferença porque para todos os efeitos a Argentina já acabou com o Mercosul há anos.

O problema é que pragmatismo é bom na teoria mas não funciona na prática. Pronto, agora vocês sabem que esse post era só uma desculpa para citar Sidney Morgenbesser, o John Dewey Professor of Philosophy da Columbia University, o maior filósofo americano do século 20 e um dos mais importantes do Lower East Side.

The Cold War’s Arab Spring

O artigo The Cold War’s Arab Spring acerta a análise, embora não perfeitamente. Acredito sue as imprecisões se devem ao método de análise. Correspondência diplomática é uma forma de ficção, embora não completamente desvinculada da realidade. Abaixo comentários que fiz para @helopait:

 @pait Será q v poderia dizer quais as incorreções?

 @helopait Ditadores árabes eram aliados soviéticos, não fantoches como Fidel. Anti-semitismo é uma arma de propaganda, não apenas militar.

 @helopait Parte sobre golpe comunista na Pérsia parece duvidosa, começando pela confusão entre nomes do ayatollahs Khomeini e Khamenei.

 @helopait Análise de Mubarak acertou na mosca. Mas não sei quanto Arafat controlou a intifada de 1988. Willy Brandt espião soviético, ok.

 @helopait Baroness Ashton 5a coluna, correto. Mas a história vai ser mais camarada com Gorbachev, com quem o autor tem uma pinimba.

 @helopait Bush 41 não era amigo de Israel. Mas a triangulação para desarmar Israel é fantasia em cima de comunicado diplomático.

 @helopait Grande acerto: primavera árabe é o segundo ato da queda do muro. Falta a China. Quem viver, verá.

 http://www.tabletmag.com/jewish-news-and-politics/103576/the-cold-wars-arab-spring

29 junho 2012

A experiência de Mitt Romney

Será que o sucesso no mundo dos negócios é relevante para o sucesso no governo de uma país? Quatro são as capacidades que conduzem ao sucesso nos negócios. A 1a é o conhecimento da indústria e dos produtos, necessária para construir e continuamente reconstruir uma empresa. É o saber do Bill Gates, e dos executivos das empresas japonesas de fotografia.

A 2a é a visão e liderança que inspira as pessoas a fazerem melhor do que são capazes. Steve Jobs tinha essa qualidade, que não é incomum entre fundadores de empresas.

Em 3o, existe a capacidade gerencial, a condução quotidiana dos negócios e busca de melhorias e eficiência. Para continuar nos computadores, Tim Cook, mas talvez um exemplo melhor sejam os executivos quase anônimos da Exxon e de outras indústrias estabelecidas.

Finalmente há a habilidade de encontrar oportunidades e firmar transações, obtendo controle do mercado e se livrando de operações menos eficientes. Essa é que fez as fortunas de Eike Batista e Mitt Romney.

Infelizmente para os eleitores americanos, que merece boas alternativas, essa última habilidade que o candidato republicano possui não tem qualquer relevância para o governo. A fatia de mercado de um país é 100%. O presidente governa ganhadores e perdedores. Não pode vender um estado pobre, nem comprar uma potência emergente para evitar a concorrência; e se um setor da economia fechar, os desempregados deixam de pagar impostos e se tornam um peso para a sociedade.

O trabalho de Romney na Bain não envolvia administração. Ele mostrou capacidade gerencial nas olimpíadas de inverno, porém não reproduziu esse sucesso como governador em Massachusetts, onde suas realizações foram poucas - algumas economias muito pequenas dentro do orçamento estadual, e a aprovação do sistema de saúde público, sobre o qual ele mudou de ideia e agora promete eliminar. De qualquer modo, o governo americano administra muito menos coisa que o brasileiro. Há poucas empresas estatais, as funções de governo são na maioria executadas pelos estados e cidades, e a maior parte do orçamento federal é dedicado a programas sociais e às forças armadas. A habilidade gerencial - que é o grande trunfo da presidente Dilma no meio político - é menos relevante nos Estados Unidos. 

Ouvindo seus discursos e examinando suas declarações, é fácil notar que nem o carisma nem o conhecimento de assuntos de estado são os pontos fortes de Romney. Em resumo, na medida em que a experiência no mundo dos negócios é relevante para a administração pública, a experiência de Mitt Romney não o recomenda como presidente. Por default, independentemente de ideologia, a única alternativa são mais 4 anos com Barack Obama.

25 junho 2012

Ode de Ricardo Ruireis

Não a Ti, Boca, odeio ou menosprezo
Que aos outros títulos que precederam
Na memória corintiana.
Nem mais nem menos é, mas outra taça.

Que ao Timão faltava. Pois chegamos
À decisão na Bombonera,
Mas cuida não procures
Usurpar o que aos outros é devido.

A Boca com suas casas de várias cores
- Tricolores, alviverdes, rubronegras -
E tuas conquistas conhecemos
E as sete copas de seu grande rival.
A Boca fica ao pé do River Plate
Pelo Rio da Prata se chega de Gênova
No Rio da Prata se veem navios com bandeiras azuis e amarelas
Colecionas títulos e campeonatos,
E jogam contigo ainda
Para aqueles que em tudo veem o que não mais há
As glórias de Maradona.

Pelo rio que passa pela minha fazendinha
Ia-se ao Paraná
Na sua várzea se jogava futebol
Hoje ninguém mais sonha em navegar
No rio que passa pela minha fazendinha
Quem está ao pé dele está parado no congestionamento.

Melhores equipes se recolheram
Ao torneio de consolação
Onde os torcedores não vão.
A Libertadores não é mais que uma copa
Que todo ano vem, e todo ano vai
Numa seção do jornal
- A gazeta esportiva - 
Que a cada dia se repete
E a cada ano se não muda
(Mudam só os obituários.)

Mas que torcedores paulistas não ergam sobre
Teu time esperanças que
Seus próprios ídolos não lhes podem dar
Pois na origem do torneio foram eliminados
Por el eterno Timón.

Nem a esses, não, que trazem âmago cheio de ódio
Nesse momento consigo desprezar,
Que venham também esses orgulhosos, leigos
Do estado de espírito corintiano,
Torcer contra, como só sabem fazer
Juntos contigo na arquibancada.

Ou vem sentar-te comigo, no estádio do Pacaembu.
Sossegadamente fitemos a peleja e aprendamos
Que a corrida não é do veloz, nem a lide do forte,
Que os torneios passam, e não estamos de voz rouca.
Gritemos juntos, Poderoso Timão!

Torçamos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar pancadas e insultos e garrafadas,
Mas que mais vale estarmos assistindo o jogo
Ouvindo rolar a bola e vendo-o.

Depois pensemos, crianças adultas, que a bola
Rola e nunca faz video tape,
Vai para um estádio distante, para fora do gramado,
Mais longe que Itaquera.

Ao menos, se formos campeões, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca baixamos o sarrafo, nem nos xingamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes de mim levares a pelota ao arqueiro tristonho,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar da partida.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - na segundona,
Campeonato humilde dos jogos ao sábado.

20 junho 2012

Na hora vai dar Maluf

Em que pese meu post sobre a eleição para prefeito de S Paulo esse ano, o debate, se é que assim pode ser chamado, vai ser lamentável, constituído de troca de acusações sobre corrupção em Brasília somado talvez a 1% de discussões sobre a cidade. Então vou escrever sobre o Maluf, coisa que queria fazer antes do bafafá sobre minutos na TV, aliança com Lula, e xilique da Erundina.

Fazia algum tempo que quero dizer que o Maluf é um grande injustiçado da política. Como é que Maluf se tornou sinônimo do mal? Porque todos o rejeitam? Pelas suas qualidades.

A esquerda odeia Maluf por seu amor a S Paulo e por representar o empreendedorismo do pequeno negócio. A esquerda perdoa gente ligada diretamente à opressão da ditadura e aceita nomes ligados a grandes empresas de tráfico de influência, mas não tolera Maluf. Erundina quer fechar os jornais que não apoiam o governo, como se faz na Argentina, mas acha antidemocrático quem não se sujeita ao partido único.

A direita odeia Maluf por sua cara de pau, por sua obstinação independente, por sua origem árabe e por não ser racista. A direita quer capachos bem comportados, Maluf para eles não serve.

Os políticos detestam a inteligência do Maluf, um dos poucos entre eles que lê jornal e entende. Corrupção para eles não é demérito. Inteligência e independência sim.

O paulistano em sua generosidade deu a Maluf uma segunda chance na prefeitura, que ele desperdiçou por ambição desmedida e completa falta de noção de limites. É um Richard Nixon do Brasil, odiado por suas virtudes mas traído por suas fraquezas.

18 junho 2012

(Em preparação para o que vier.)

Cem anos sofredor fiel torcia
Timão, parque S Jorge, Fazendinha;
Mas não por ter inveja, ou pinimba,
A Copa só por prêmio pretendia.

Os turnos, eternamente altaneria,
Sonhava, celebrando o Paulistinha;
O Corinthians, usando de catimba,
Em vez de golear empataria.

Vendo o torcedor roxo juiz malandro,
Que lhe havia negado copa Libertadora,
Qual foram gaviões mera torcida,

Vai ao Pacaembu outros cem anos,
Dizendo: — Mais torcera, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

11 junho 2012

Guerra civil na Síria #prontofalei

A guerra civil na Síria, entre esquerda nacionalista e direita religiosa, já matou mais que todos os conflitos entre israelenses e palestinos.

Esse é um conflito artificial criado pelos ditadores árabes para se manterem no poder. Funcionou por mais de 50 anos: a dinastia Assad e seus homólogos encontraram um modo de alavancar o anti-semitismo, ora da direita, ora da esquerda, para se legitimarem internamente e se afirmarem internacionalmente. Quem hoje paga o maior preço são os sírios, espremidos entre alternativas insuportavelmente violentas.

A culpa é em grande parte da esquerda internacional que sempre legitimou e apoiou a opressão nos países árabes em nome do anti-semitismo, do anti-americanismo, e do anti-liberalismo. Vamos agora aguardar um mea culpa, uma retratação, uma revisão de posições. Não prendam a respiração enquanto esperam. #prontofalei

08 junho 2012

Câmera nova em breve?

Pogue diz para ninguém comprar câmera esse mês, porque vai sair uma compacta nova impressionante. O quê será?

Não Olympus, porque a OM-D parece ser o melhor que eles conseguem hoje no formato micro 4/3. Portanto nem Panasonic, que é menos inovadora. Não Pentax, que errou com uma câmera pequena demais e outra grande demais; de qualquer modo, Pogue não gosta da Pentax. Sony e Nikon, duvido; uma parece contente com as Alpha Nex, outra com os formatos Nikon 1 e DSLR. Leica está parada no tempo. Das marcas menores, incluindo Samsung, é difícil esperar grande novidade.

Sobrou Canon, a marca preferida do Pogue, a maior fabricante de câmeras e a única sem nenhuma câmera de verdade - Canon atualmente só vende SLRs e telefones sem voz. A Canon com sensor de 1 polegada não parece ser algo que consumiu tanto esforço de engenharia, então podemos esperar talvez uma full frame compacta com lente fixa.

Uma Fujifilm full frame compacta com lente fixa seria menos provável, mas mais interessante. A Fuji lançou recentemente um formato novo, mas é uma empresa grande que poderia estar desenvolvendo várias câmeras ao mesmo tempo. Uma X200 iria canibalizar a X-Pro1, mas o pessoal da Fuji tem inovado muito mais que a Canon, talvez queiram arriscar. Pogue deve saber o que diz, porque recebeu equipamento para testar, então vamos esperar.

05 junho 2012

Porteira na Usp

O Pasqüim nos informa que a Usp vai controlar o acesso de pedestres ao campus do Butantã à noite e nos finais de semana. Como alguns sabem, sou um entre a meia dúzia de 3 ou 4 professores que com alguma frequência entra no campus a pé. Sempre detestei os muros que o reitor Fava, um de nossos piores reitores, construiu com o objetivo dificultar o acesso de pedestres ao campus.

Como usuário dos portões de pedestre, devo dizer que não tenho objeção ao controle da entrada à noite e nos finais de semana. É um inconveniente, porém limitado, porque são os horários de menor uso. O inconveniente é compensado pela maior segurança, uma preocupação que ainda temos que ter em S Paulo.

Por outro lado, colocar porteiras dentro do campus e exigir documentos para entrar nos prédios acadêmicos é um absurdo completo. Também acho que o campus devia ser aberto para lazer da população em geral durante os finais de semana, mediante o pagamento de uma taxa de estacionamento que seria usada para garantir a segurança de todos e a integridade do patrimônio público. Aliás, o estacionamento devia ser cobrado todos os dias, e de todos os usuários, incluindo estudantes, professores e funcionários. Não faz sentido que os motoristas recebam um subsídio para uso do veículo particular, na forma de estacionamento gratuito, enquanto usuários de transporte coletivo não são contemplados com nenhuma dessas regalias.

24 maio 2012

Carta antiga: a burocra e a cesta

Fui buscar um arquivo no meu computador e o Spotlight abriu por acaso a carta abaixo, enviada à Sociedade Brasileira de Automática em resposta a uma solicitação vinda de órgãos federais para que os associados identificassem uma "cesta de problemas" que dificultam o trabalho da comunidade científica no Brasil. Tendo a carta recebido uma resposta ignorativa, reproduzo o texto aqui.
Prezado Colega, 
O maior problema para a pesquisa científica no Brasil é a burocracia em suas diversas formas. A burocracia é um obstáculo para a liberdade e criatividade nas ciências. Como exemplos das formas como a burocracia atrapalha o trabalho dos cientistas cito:
- As taxas e outras barreiras alfandegárias custam tempo e dinheiro, e nos põem em em posição de atraso e desvantagem em relação aos pesquisadores em países onde esses entraves são menores. Estas barreiras não trazem nenhum benefício para o país, apenas para as burocracias que vivem delas. 
- As burocracias internas das universidades impedem que os alunos busquem os conhecimentos de acordo com seus interesses e que os professores ofereçam cursos de acordo com seus conhecimentos. Os rígidos currículos regulamentados pelo Ministério da Educação, pelos conselhos profissionais, e pelas próprias universidades ficam obsoletos mais rápido do que eles são modificados pelas lerdas burocracias destas instituições. Com isso a diversidade de formação e de interesses de nossos estudantes e professores não é valorizada, e o mal uso dos talentos faz com que a pesquisa nacional fique prejudicada em relação às de países onde as instituições de ensino superior são mais ágeis e flexíveis. 
- A burocracia nas contratações e promoções dentro das universidades dificulta a absorção dos profissionais mais competentes e eleva os burocratas a posições de influência. A política de recursos humanos é feita por critérios formalistas que só privilegiam aqueles mais afeitos à politicagem, e solapa o ânimo dos cientistas mais competentes e dedicados ao ensino e à pesquisa. 
As instituições de pesquisa e ensino superior não parecem ser capazes de se fazerem menos burocráticas por si sós. Me parece que é necessária uma ação de cima para baixo, vinda do executivo da União, orientada pelos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, para a desburocratização das instituições científicas. 
Sinceramente, Felipe Pait

23 maio 2012

13 maio 2012

Peça do presidente da Capes no pasqüim de SP

Vergonhosa a peça que o presidente da Capes aprontou na Folha (exige assinatura). Resumo: S Paulo ruim, governo federal (depois de 2002) bom. Em todos os níveis, ensino básico, médio, técnico, superior, e pós-graduação, tudo que está errado é culpa do governo de S Paulo, e as ações federais (a partir de 2002) só não dão resultados ainda mais maravilhosos por culpa de S Paulo. Sobrou até para a Fapesp, que financia a maior parte da pesquisa no Brasil.

Leia-se: tucano mau, petista bom - partidarizando tudo que tem a ver com a educação no Brasil. O artigo saiu num jornal paulistano em época de eleições, por pura coincidência é claro.

Torturando um número, ele confessa qualquer coisa. A manipulação é tão acintosa que levanta a questão: será que os sistemas de avaliação do ensino básico e superior também estão sendo fraudados com objetivo de fazer propaganda partidária? Ou será que a manipulação ainda está restrita a artigos de opinião nesse pasqüim de SP?

07 maio 2012

Jogo dos erros: "Bearish on Brazil"

A Foreign Affairs publicou um artigo "Bearish on Brazil" (paywall). Um artigo robótico escrito automaticamente, cheio de chavões e erros. Vamos contar alguns? Minha contribuição segue, reproduzindo o que escrevi para um amigo.

No meu entendimento a análise é completamente errada. O autor acredita que o real está valorizado ou por causa dos juros altos, ou por causa do preço das commodities. Nenhuma dessas explicações se sustenta. São fatores relevantes, mas não explicam o câmbio atual. Nos últimos anos a taxa de juros baixou, e as commodities flutuaram, mas o real subiu.

O principal motivo da valorização do real é a falta de bons investimentos nos países ricos, e a percepção dos investidores que o Brasil é comparativamente um bom país para investir. O motivo para acreditar que investimentos no Brasil vão ter retorno é que o mercado consumidor está crescendo e que a produção pode crescer se os gargalos da infra-estrutura forem resolvidos.

Por outro lado, caso uma queda nos preços das commodities leve à desvalorização do real, a manufatura brasileira ficará mais competitiva. De qualquer forma, o preço das commodities só vai despencar se a economia chinesa sofrer uma pane. E se a economia chinesa sofrer uma pane, o argumento de que o Brasil erra em não copiar a China fica prejudicado, não é?

O fenômeno da desindustrialização que artigo menciona é uma invenção, ao que tudo indica. A manufatura não está crescendo à mesma taxa que os setores que mais crescem, o que não significa que esteja desaparecendo. O argumento do artigo é contraditório: a indústria não cresce porque a indústria cresce tanto que faltam engenheiros. Outro disparate do tipo "it's so crowded that no one goes there anymore" é a frase "As a result, although unemployment is now at a decade-low six percent, businesses complain that they have no choice but to hire unqualified applicants." É justamente isso: a economia está crescendo tanto que os gargalos ficam evidentes.

No meio dessa análise disparatada há alguns pontos válidos e conhecidos: o Brasil precisa investir mais em educação, a burocracia brasileira atrapalha, os impostos são complexos demais, o protecionismo dificulta a inovação, etc. São pontos que não têm relação com o argumento principal, um besteirol que amontoa slogans da direita e da esquerda sem qualquer referência à realidade ou à ciência econômica.

Vale a pena ler o artigo com cuidado para procurar mais erros e verificar como existe gente escrevendo bobagem por aí.

04 maio 2012

Becápi da Midia

O objetivo desse post é fazer uma pergunta à Srta. Googlenice Becápi da Midia, mas aceito boas respostas de qualquer comentarista.

Vou ficar algumas semanas usando um "outro computador", que não é o meu principal. O que costumo fazer é botar todos os emails e arquivos que crio em outro computador em folders especiais, e depois transferir via nuvem ou disco externo. O método se baseia em designar um "computador principal", que sempre tem backups confiáveis. Dá certo, só que na volta fica tudo fora da organização. Então ou gasto tempo organizando, ou para aqueles itens tenho que confiar no Spotlight para encontrar.

Uma alternativa é colocar tudo no Dropbox. Daí quando eu trocar de computador os arquivos se sincronizam. Além do Dropbox, existe o Microsoft Skydrive e o Google Drive, mais baratos, mas ainda menos testados.

Um receio com Dropbox é o seguinte, me digam se é bobagem. Se eu tiver, digamos, 50GB na nuvem, o Dropbox vai sincronizando. Se ele fizer uma besteira e apagar arquivos antigos, eu não vou perceber, porque não uso regularmente. O erro vai se propagar pelas outras máquinas, e quando eu perceber os arquivos já se foram. Seria difícil, talvez impossível, recuperar. Esse receio vem de uma má experiência com o Mozy. Pode haver outros riscos: só os paranoicos sobrevivem.

Outra alternativa é ter um disco externo no bolso com todos os arquivos importantes, e considerar esse como "oficial". Esse é o que tem que ter backup. Quando for usar outro computador qualquer, conecto esse disco e trabalho em cima dele. O disco interno fica só para boot e coisas extras. Parece um pouco desajeitada, muito manual e pouco automática, mas talvez seja a melhor. Se houvesse um disco pequeno e barato, alimentado pelo bus Thunderbolt, acho que eu escolheria essa alternativa.