Atendendo a algumas respostas apreciativas e inúmeras ignorativas, aqui está......

30 dezembro 2008

Editorial "The Gas Tax"

Since the NYTimes continues to publish this insanity, I continue writing letters that they will not publish........

From: Felipe M Pait
Date: 30 December 2008 2:20:19 PM EST
To: letters@nytimes.com
Cc: robert_lawrence@Harvard.Edu
Subject: Editorial "The Gas Tax"

Dears,

You rightly propose a gas tax, something America and the world badly need. Unfortunately, you undermine the argument by suggesting that a gas tax could come in the form of a price floor. A price floor would have disastrous consequences, because US importers would lose all incentive and leverage to negotiate lower crude oil prices. Thus a significant part of the tax would end up not with the US government but with oil exporters, which are involved in most of the sources of instability the world, many in countries run by tyrants and supporters of international terrorism. A simple tax on fossil fuel imports would have no such disadvantage, and would be much welcome from the environmental, geopolitical, and even health points of view.

Sincerely,

Felipe Pait
São Paulo, Brazil

Incidentally, this transatlantic lunacy also has space in FT.com.

20 dezembro 2008

Mugabista Amorim visita o Zimbabwe

O tiranófilo Amorim esteve no Zimbabwe em 17 de outubro em visita de solidariedade ao ditador Mugabe, para parabenizá-lo pelo trabalho em prol da inflação e da disseminação do vibrião colérico. E para somar um insulto à injúria, faz discurso de bom moço, "nós brasileiros somos a favor do diálogo."

19 dezembro 2008

Controle adaptativo: ementa igual ao soneto

Ementa igual ao soneto
ou,
As aventuras de um controlador adaptativo
nos domínios do Gigante Burocrator

O controle adaptativo
É um assunto interessante.
A ementa, em vez de livro,
É um soneto, meio pedante.

Se este ano oferecido,
Será quem sabe, é o Gigante
Burocrator, esbravecido
Terror de mestre e estudante!

Mas voltando à ementa.
Equação em verso, em rima.
Li o Goodwin, li o Narendra,

Fiz robot com eletroímã.
Não há mesmo quem entenda,
Sem geometria, a de Riemann.

(Soneto já antigo, escrito em julho 2005 a título de ementa para um curso de controle adaptativo, e encontrado acidentalmente pelo Spotlight.)

17 dezembro 2008

O segredo da didática

Após 20 anos como professor, entendi que para dar uma boa aula são necessários 3 ingredientes principais:

1 - Gostar do assunto;
2 - Tratar os alunos como gente; e
3 - Verificar se o zíper está fechado.

Talvez até sejam úteis outras mumunhas como: profundo domínio do assunto; excelente didática; e modernas ferramentas tecnológicas de ensino. Mas na minha experiência, para alunos de primário, graduação, ou pós, no hemisfério sul ou no hemisfério norte, o fundamental são os itens 1,2, e 3, e um pouco de bom senso.

"If programming languages were religions"

Hilariante. E bem escrito. LOL feito um bobo apesar de que estou tão defasado com programação que não conseguiria identificar em qual linguagem uma linha de código foi escrita. Não vou dizer que aprendi sobre linguagens lendo isso, mas sobre religião quem sabe...... Divirtam-se!

Aproveitando que estou aqui, tem coisa que acontece na Usp para deixar o "Gigante Burocrator" sem fôlego. Então esperem para logo uma nova edição, a mesma história com melhorias tipográficas para tornarem a leitura menos penosa, e uma tradução parcial para segundo idioma no qual Goscinny escreveu quadrinhos.

17 novembro 2008

How High Gas Prices Can Save the Car Industry

(Letter to the authors of the article "How High Gas Prices Can Save the Car Industry" published in the New York Times on Sunday 16 November.)

Dears Daniel Sperling and Deborah Gordon

I am writing about your piece in the NYTimes entitled "How High Gas Prices Can Save the Car Industry". You have not considered the implications that a variable tax in the form of a price floor would have on international politics and domestic security. If such a tax were enacted, US oil companies would lose all incentive or leverage to negotiate lower crude oil prices from suppliers. The consequence will be an increase in prices towards the level determined by the floor, limited perhaps thanks to other oil importing nations that do not follow such a wrong-headed floor policy.

Producers - rather than the US Treasury - would be able to keep a big part of the increase of consumer prices due to the floor. Oil exporters such as Iran, Russia, Venezuela, and Saudi Arabia are involved in most of the sources of geopolitical instability in today's world. Many are run by tyrants and supporters of international terrorism, and most of their leaders care very little for our democratic values. Their windfall profits would be a disaster for the free world.

Much better for the US would be a straight tax on imports of fossil fuels from outside North America, at a rate equivalent to $70 per barrel or so. That would have a similar effect on promoting conservation and fuel efficiency, without diverting funds to oil exporting countries. It is very dangerous to formulate policy without considering all its implications. Your piece looked at the question of oil taxes exclusively from the point of view of your narrow specialty, and came up with a disastrous proposal.

Yours sincerely,
Felipe Pait
University of São Paulo

14 novembro 2008

Discurso de inauguração de estacionamento

Prezado Professor Fulano de Tal, Chefe em Exercício do Departamento de Altas Engenharias Mesoscópicas - PMO -, resultante do desmembramento do antigo Gabinete de Engenharia Microscópica e Macroscópica; Excelentíssimo Senhor Sicrano do Qual, representante da Magnífica Reitoria; Sr. Diretor do CREA - Camorra Regional de Engenharia Automotiva -; otoridades e desotoridades; meus caros colegas professores; Admiráveis Veículos Estacionados; Folhas de Grama; Senhoras Saúvas, Içás, Tanajuras, e outras representantes do gênero Hymenoptera; e por último alunos e estudantes, se houver.

É imensa minha satisfação e honra em poder tomar do megafone para lhes dirigir algumas brevíssimas palavras no evento da inauguração do Estacionamento Politécnico Professor Doutor Catedrático Themístocles Brasileiro von Kswagen. Esta obra de inaudito alcance social e profundo apelo cultural e tecnológico, que vem abrilhantar a já gloriosa e portanto dispensante de apresentações história da nossa Escola Politécnica, ou Poli como é familiarmente denominada, fundada em 1893 através do Parecer n.o 142 da Comissão de Instrução do Congresso Legislativo de São Paulo - favorável à fusão das Leis n.o 26 (11/5/1892) e 64 (17/08/1892) e à aprovação do regulamento da Escola Politécnica, resultante desta fusão (4/7), e da Lei Estadual n.o 191 (1o Regulamento da Escola Politécnica para execução das Leis n.o 26 e 64), assinada no governo de Bernardino de Campos, constituindo o Ato de nomeação de Antonio Francisco de Paula Souza para diretor da Escola Politécnica, com base no artigo 8o do Regulamento da Escola Politécnica (14/11), e que há mais de 116 anos portanto vem efetivamente formando engenheiros e contribuindo para a formação de profissionais que tanto engrandecem a história de nossa cidade, nosso estado, e porque não dizer efetivamente, de nossa nação,

.... esta obra, dizia, de grande alcance social, constituindo um subsídio efetivo aos Srs. Proprietários de Viaturas Motorizadas e um importante empecilho ao deslocamento de pedestres, vêm a acrescentar ao patrimônio da Universidade um total de 25 vagas para Estacionamento de Automóveis das mais diversas marcas entre as mais plenas de Tradição e Modernidade do mundo, e ocupa uma localização privilegiada praticamente no interior do edifício do Biênio, onde se realizariam as aconchegantes atividades de ensino da Física e do Cálculo - relembrando que os Institutos de Física e de Matemática foram fundados por professores auridos e exauridos da Escola Politécnica - se os alunos se encontrassem nas salas de aula e não nos já mencionados Estacionamentos.

Esteticamente podemos também afirmar que o Estacionamento forma um conjunto harmonioso com o magnífico Estacionamento Prof Doutor Antonio Hélio Guerra Vieira, criador do primeiro computador brasileiro, o Patinho Feio, em cuja memória foram armazenados os dados referentes aos processos de caça às bruxas ocorridos nesta Universidade durante os anos negros do regime ditatorial, um Estacionamento com E maiúsculo, este sim localizado no interior de um Edifício, o da Engenharia Elétrica, cujo nome não recordo, em lugar outrora ocupado por aprazíveis azaléias, ambos estacionamentos que se constituem em obras-marco da engenharia nacional, estorvos de altíssima tecnologia utilizando métodos construtivos inovadores e consagrados que já hoje são referência internacional, e ocupando espaços que outrossim poderiam ser detonados à atividades acadêmicas menos nobres tais como aulas.

Ressaltamos também que hoje em dia com as propostas dos nossos destacados departamentos de Engenharia de Transportes Rodoviários - PTB - e Engenharia Ambiental - PTA - torna-se cada vez mais necessário para a Universidade e, - porque não dizer? - a Escola Politécnica incentivarem cada vez mais aperfeiçoadamente o Transporte Individual de forma a efetivamente contribuirem para a indústria do trânsito e da Poluição Ambiental nessa pujante Metrópole, pois afinal de contas como dizia o poeta, que talvez não tenha sido Politécnico mas bem poderia ter sido, "Ensinar é construir Estacionamentos."

Passo então a palavra ao meu querido colega Ilustríssimo Sr Engenheiro Beltrano do Val, enviado plenipotenciário da Liga dos Ex-Formandos da Escola Politécnica, seção do Clube Federal de Detenção do Alto Carandiru, que vai nos relembrar um pouco das histórias e da carreira do Professor Doutor Catedrático Themístocles Brasileiro von Kswagen, a quem tão merecidamente prestamos nossa singela homenagem parquimétrica.

(Rascunho de discurso a ser proferido pelo Ilmo. Diretor da Escola Politécnica por ocasião da inauguração do estacionamento supre-citado, seja lá quem for o Diretor quando e se alguma obra na USP algum dia ficar pronta. Confidencial. Circulação restrita.)

13 novembro 2008

Apple University

What is Apple University? Apple as usual is not talking, nor letting anyone talk. Business media, with its usual lack of imagination, is writing about yet another corporate training center. But you don't need the dean of Yale's School of Management to teach powerpoint engineering. Apple has as much cash as a large university endowment, and the new recruit talked to the Yale Alumni Magazine about a once-in-a-lifetime opportunity. Expect something interesting.

06 novembro 2008

Red states and blue states

In the of maps here, obtained from Wikipedia, states that voted for Obama in 2008 or for Brazil's Social Democrats in 2006 are shown in BLUE. The states that voted for the Republican Party or for Lula's Worker's Party are shown in RED.

In both maps, the states almost form connected sets. Have fun spotting other similarities, and some differences.

Where are the leading universities, and who brags about ignorance? Where are the large, empty states, and where are the hard working taxpayers? Where did the sugarcane and cotton plantations use to be, and where is "colonel" a term of respect? In which states do religious obscurantist politicians live off oil royalties? Where is the media, and where do the news take longest to arrive?

But in a democracy, news do arrive. As control theorist say, learn to live with delay.

03 novembro 2008

Vendo MacBook

MacBook branco 2006 primeira geração tela 13.3" processador Intel 1.83GHz, turbinado, memória 2GB, disco 200GB rápido (7200 rpm), CD apenas (não DVD), bateria 100%. Caixa um pouco encardida e empenada. Motivo: quero um feito em alumínio usinado. Preço original US$1100, preço no mercadolivre.com.br uns R$2800, preço no craigslist.org uns US$700. Aceito qualquer oferta razoável. Promoção para leitores desse blog: pagamento em 10x sem juros, compre agora e só comece a pagar após a posse do Obama.

01 novembro 2008

Canalha-mor da república visita a Pérsia

O canalha-mór da República, Celso Amorim, visita amanhã a Pérsia, com o propósito de fazer conluio com o presidente Ahmadinejad. Não confundir com o assessor especial de canalhices Marco Aurélio Garcia, mais recentemente visto nessas páginas dando apoio ao genocídio no Sudão, e na televisão comemorando um acidente de avião com gestos obscenos. Ou melhor, pode confundir, são gente da mesma laia. Já o Lula prefere ir para Cuba. Num lugar tem rum, no outro lima-da-Pérsia, na Coréia do Norte e no Zimbabwe eles não sabem bem o que tem então não vão?

Isso só não é mais preocupante porque o Itamaraty há décadas não faz nada. O impacto cumulativo das declarações e dos acordos que nossos diplomatas assinam é nulo. Outro alívio é que a extrema esquerda liberticida, reunida em partidecos comunistas e socialistas, teve mais de 99% de rejeição na eleição para prefeito em São Paulo. Esse pessoal sonha com a volta do muro de Berlim, consegue sinecuras no governo e nas universidades públicas, joga dinheiro no lixo, e avacalha com o bom nome do nosso país, mas fora isso felizmente não tem maior impacto no mundo real. Confinados no Butantã e em Brasília, fazem estrago limitado.

27 outubro 2008

O mais nobre dos brasileiros

D. Pedro II
José Murilo de Carvalho
Companhia das Letras, 2007.
R$39,00 na Livraria Cultura (ou uma pequena fortuna na livraria do aeroporto, mas valeu o preço).

Relatos honestos sobre a vida de Pedro d'Alcântara e a obra de D Pedro II lhe são favoráveis, como indicam as sugestões bibiográficas dessa biografia recente, também bastante simpática a nosso segundo imperador. Porém, não é tão positiva a imagem que um estudante colegial faz do mais nobre dos brasileiros - corrijam-me as novas gerações educadas após o fim de ditadura se eu estiver errado. Ao reinado de Pedro II associamos a guerra do Paraguai, a escravidão, o baile da Ilha Fiscal - o atraso da monarquia num país de analfabetos. Porque a contradição entre essas visões?

Por transparência, devo declarar que sempre fui fã do "Pedrão." Quando minhas filhas perdem seus dentes de leite, de preferência a moedas mais práticas e econômicas, a fada dos dentes deixa embaixo do travesseiro patacas compradas do Sr Edgar Andersen na Praça Benedito Calixto. A Susanna não se esquece quando, visitando o Parque de Caraça nas Minas Gerais, e violando meu pão-durismo natural, insisti em pagar mais por um quarto onde teria dormido nosso imperador. (Recomendo ambos como destinos turísticos.)

Pedro II foi um rei republicano, deposto na velhice por um militar monarquista. Democrata, abolicionista, contrário ao racismo, favorável a educação de todos os homens e mulheres, foi um iluminista à moda antiga e um soberano à frente de seu tempo. Trabalhava pela constituição. Defendia o voto livre e distrital - por círculos como chamava em seu tempo - a liberdade de consciência e de expressão. Não por coincidência, e tal qual outros democratas que governaram no Brasil - Nassau, Juscelino, Fernando Henrique - era amigo dos judeus. Simpatizava também com o Islã, e estudava as línguas dos livros sagrados.

Se lá das terras de Brahms, Maxwell, e Poincaré algum de seus parentes europeus tivesse mostrado tanta humanidade, do que duvido, não teria feito mais do que a obrigação. Mas eles deixaram impérios que se esfacelaram em guerras; o "Habsburgo perdido nos trópicos" deixou uma república intacta e sem inimigos.

Era culto, generoso, cuidadoso com o dinheiro público, e avesso à ostentação. Virtudes que ficaram fora de moda no século 20 das ideologias extremistas, e que lhe renderam o amor do povo, mas pouco dividendo político entre as elites. Trabalhou pela abolição com o poder limitado de monarca constitucional em um país de poucas leituras. Sem muito apoio, a abolição demorou, mas a demora evitou conflitos de resultados incertos e sofrimento incalculável. Foi à guerra com relutância, mas com determinação, pela honra do Brasil. A guerra do Paraguai, última em solo brasileiro, não foi uma "guerra para acabar com as guerras"? Não podemos ler nas entrelinhas das críticas, por parte dos liberticidas que ainda têm espaço entre nossas elites intelectuais, uma admiração pelos métodos do tirano Solano López?

Quem ri de Pedro II o faz pelas caricaturas da imprensa contemporânea, e não havia mais livre no mundo da época. Não é intuitivo entender que o soberano seja mais próximo à vontade popular do que os representantes do povo, por mais viciada que seja a eleição. Em uma leitura maniqueísta da história, onde forças sobre-humanas ordenam o progresso constante na direção do tempo em que cresce a entropia, é difícil aceitar que um rei liberal tenha sido sucedido por republicanos escravagistas. E o estudo de uma época em que o imperador era cultíssimo e os súditos semi-analfabetos corre o risco de cair naquela historiografia chata de "reis e datas" que provoca sonolência todo colegial. Porém......

Ouvimos críticas a Pedro II não por seus erros, mas por seus méritos, e pelos vícios de outros.

O mais poderoso presidente

Os jornais estão começando a perceber que Barack Obama vai ser o mais poderoso presidente do Estados Unidos desde Franklin Delano Roosevelt. Com algum atraso: a reação do eleitor era inevitável desde que os republicanos cometeram o erro de reeleger o mais incompetente presidente desde Herbert Hoover. Os democratas vão ter maiorias confortáveis no Congresso, e não há nenhum líder em qualquer partido que vai se opor ao futuro presidente depois da confusão em que o atual meteu o país. Com o apoio da parte não podre do mundo dos negócios, e boa vontade pelo mundo afora, o que Obama vai fazer?

A primeira prioridade é destravar a economia. A forma mais eficiente de colocar dinheiro no bolso do povo é com um programa nacional de saúde. Para desarmar a oposição e apressar as coisas, o mais fácil é encarregar Hillary Clinton de escrever o texto - ela já tem um pronto, com o aval daqueles governadores e ex-governadores republicanos que não saíram totalmente desacreditados. Outra forma: créditos para educação. Com o desemprego em alta, é bom segurar o povo na escola por mais alguns anos. Facilitar os empréstimos para o estudo é um uso melhor do dinheiro do governo do que subsidiar casas e carros cada vez maiores, alternativas infelizmente preferidas por industriais e sindicatos.

Como pagar por isso, hoje, não é uma questão urgente. Os economistas responsáveis concordam que o déficit das contas públicas não é a maior preocupação no momento. Em 2 anos, as doações do Bush para os milionários expiram, e os impostos voltam a um valor mais normal. Será um bom momento para o futuro presidente ficar com a fama de bonzinho, se cortes dirigidos ainda forem necessários.

Internacional: como o McCain observou, a situação no Iraque melhorou depois que o Rumsfeld foi demitido e colocaram gente do ramo conduzindo as operações. Está se aproximando o momento de declarar vitória e sair. Se alguém perguntar, os militares não vão ficar sem serviço. Será que os tiranos do cenário internacional vão ser mais simpáticos ao Obama do que ao Bush? Muito pelo contrário. Os salafistas (liberticidas do Oriente Médio) já declararam preferir a continuidade do governo atual, e não duvido que os solanolopistas (liberticidas da América do Sul) bem como os tchekistas (os da Europa) torçam contra Obama em silêncio. O importante para o mundo são as relações entre as democracias - América do Norte, Europa, Brasil, Indonésia, Turquia, Índia, África do Sul por exemplo - que vão melhorar com o governo democrata.

Para diminuir a força dos regimes extremistas do mundo, o melhor seria uma pesada taxa de importação de combustíveis fósseis de fora da América do Norte. Pode ser vendida como um imposto verde, como um apoio para a tecnologia e indústria domésticas, um agrado aos países do Nafta, uma fonte de recursos para programas sociais, uma maneira de defender Israel, um investimento em segurança futura. A conseqüência mais imediata seria baixar as verbas à disposição dos países exportadores de petróleo, de terroristas, e de instabilidade. Será que o Presidente Obama vai ter a coragem de empurrar uma lei assim por cima de um congresso de gente fraca? Por improvável que pareça, acho mais possível isso do que as tarifas que os democratas, a cada 4 anos, prometem aos sindicatos de indústrias americanas incompetentes. O conselheiros de Obama vão sair de Silicon Valley, não de Detroit.

Na política interna, após 2 secretários de estado e um presidente negros em seguida, vamos ver o fim das guerras culturais. Racistas continuam a existir, mas o preconceito deixa de ser arma para decidir eleições. Isso vai ser bom para a América.

Quanto pior a situação, mas fácil é para um presidente impor seus projetos. O desgoverno republicano é um presente pessoal para Obama, de alto custo para todos os outros. Acredito que ele vai saber aproveitar. Os republicanos podem começar a pensar nas eleições de 2024.

22 outubro 2008

Flora patrimoniada

A USP instalou chapinhas de patrimônio nas árvores da Física e da Matemática. G02-1095 por exemplo é um eucalipto. Aguardamos ansiosamente para que esse programa de inacreditável alcance sócio-ambiental seja estendido às árvores da Politécnica.

21 outubro 2008

A USP em números

Valor médio da hora de trabalho de um professor da USP: R$400 (trabalho em atividades-fim, incluindo overhead).

Custo médio para o contribuinte de uma reunião de departamento: R$20 mil.

Subsídio para estacionamento de automóveis no campus do Butantã: R$20 milhões por ano.

Compras anuais de livros pelas bibliotecas da USP: R$1 milhão.

Número médio de vezes que um professor ouve um aluno dizer "não comprei o livro texto porque é muito caro": 20 por ano.

Entraram na USP em 2005: 9.567 estudantes.

Não conseguiram entrar: 139.734 (94% dos vestibulandos).

Formaram-se em 2005: 5.946 estudantes.

Desistiram do curso: 38%.

Área dos campus: 77km quadrados.

Fiscais da receita lotados na USP que seriam necessários para atingir padrões de primeiro mundo, segundo pesquisa do Ipea / Sealopra: 24.

Ganhadores de prêmio Nobel nascidos no Brasil: 1.

07 outubro 2008

Variedade não diferenciável na USP

A Faculdade de Economia acaba de construir um belo exemplo de variedade não-diferenciável, que pode ser apreciada em pessoa na Av. Prof. Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitária. A variedade, disfarçada de escultura modernista, não é diferenciável pelos seguintes motivos:
  1. As soldas entre as cartas locais, construídas com placas de aço, não são suaves.
  2. As placas apresentam arestas em pontos onde a calandragem foi mal feita, resultando em dobras.
  3. O mapa de inclusão da superfície bidimensional no espaço ambiente não é uma imersão, pois necessita de escoras para se manter em pé.
Exemplos de esculturas diferenciáveis em metal vermelho podem ser vistos espalhados em obras de Henrique Pait espalhadas pela cidade, por exemplo no Credicard Hall e no Blue Tree Hotel na Av Faria Lima com Juscelino Kubitschek. Quem estuda geometria diferencial deve ficar grato aos colegas da FEA pelo contra-exemplo!

30 setembro 2008

Diálogos que gostaria de ter ouvido

Diálogo que gostaria de ter ouvido no debate dos candidatos a prefeito de S Paulo:

Maluf: "Nunca mudei de partido."
Soninha: "Mudou sim. Você começou na Arena, que era o partido da ditadura, depois foi para o PDS, partidos dos salafrários, mudou para o PPR, depois para o PPB, mudou tantas vezes que hoje nem sei mais qual o nome do seu partido."
Maluf: "Sempre fui do mesmo partido. O número do meu partido sempre foi 11. Só mudou o nome do partido. O número sempre foi o mesmo."
Qualquer um: "Maluf, quem muda de nome mas fica sempre com o mesmo número é presidiário."

Infelizmente não ouvi. Nossos políticos não são suficientemente bem preparados.

23 setembro 2008

Comissão de falta de ética da USP

A assim chamada comissão de ética da USP acaba de passar um atestado de falta de idoneidade contra si própria. Um comunicado distribuído ontem afirma que a comissão investigou uma acusação de plágio, e tendo concluído os trabalhos, vai manter o resultado em segredo. O pretexto para o segredo não vale os elétrons do email: invoca o fato de que a constituição garante a inviolabilidade da vida privada das pessoas como se isso desse imunidade a funcionários públicos para cometerem maracutaias no exercício de suas funções públicas. Um argumento imbecil que nem merece análise. E a reitoria ainda pede que a gente aceite o próprio segredo do relatório como prova de sua ética e competência!

Ainda sem saber se houve ou não plágio, a comunicação da reitoria é uma vergonha. Tão descarada que é pior do que seria o plágio, por não deixar dúvida quanto à premeditação. Enquanto o relatório da reitoria, se é que essa investigação realmente occoreu, fica em segredo, e ficamos sem saber se os plagiadores, se é que plagiaram, foram punidos, vale lembrar que os autores da denúncia de plágio já foram punidos sem maiores cerimônias.

27 agosto 2008

IEEE Job site





Maestro deixa orquestra da Usp e ataca burocracia

No jornal de hoje: o maestro Carlos Moreno responsabilizou a burocracia interna da Universidade de São Paulo pela decisão de se demitir da direção musical de sua orquestra sinfônica. Seu contrato não foi transformado num cargo permanente, e a metade dos músicos não é contratada, precisando se apresentar em troca de cachês. Queixou-se também da interrupção da série "Aquarela" de concertos e do projeto "Academia", pelo qual a Osusp mantinha 25 jovens bolsistas.

"Aconteceram algumas coisas que eu prefiro não comentar". Entre as que comentou há o exemplo de suas duas últimas viagens ao exterior. Ele foi ao Japão e à República Tcheca, onde há três anos leciona regência num festival. No dia de seu primeiro embarque, a direção administrativa da orquestra argumentou não ter encontrado uma forma para que a viagem fosse oficialmente autorizada. Sem a autorização, ele se exporia a ser demitido por abandono do cargo.

O pró-reitor de cultura e extensão universitária da USP, Ruy Alberto Altafim, afirma que a passagem do regente pela orquestra "atendeu às necessidades e à legislação vigente. A ação desta pró-reitoria, na qual se inserem as atividades de cultura e extensão da orquestra da USP, obedece aos princípios acadêmicos e normativos da universidade pública. As decisões são colegiadas e embasadas em análises de mérito por suas comissões e conselhos na defesa do interesse público e acadêmico, sempre com o sentido de elevar as condições de ensino, a produção do conhecimento e o nosso patrimônio cultural".

Em resumo: o que vale são os princípios normativos que embasam as reuniões perenes das comissões. Sorte dos burocratas, e azar dos músicos.

23 agosto 2008

Movimento brasileiro pró-tirania continua atuante

Deu na Folha hoje: "Em reação ao seu indiciamento por crimes contra a humanidade pelo procurador do Tribunal Penal Internacional, o presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, despachou emissários para ações de relações públicas na América Latina, na Ásia e no Oriente Médio -onde deseja obter apoio político. (...) O presidente sudanês foi indiciado pelo procurador do TPI, Luis Moreno Ocampo, por genocídio e outros crimes contra a humanidade, após o massacre de mais de 300 mil pessoas na região de Darfur. (...) Durante sua visita a Brasília, Karti foi recebido pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e pelo secretário-geral das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães."

Continuem escrevendo aos políticos brasileiros contra os massacres no Sudão! Apesar de que enquanto esse Marco Aurélio Garcia continuar no Planalto, não vai ajudar quase nada.

19 agosto 2008

Saladino Aranda

O atleta panamenho Irving Jahir Saladino Aranda ganhou a medalha de ouro em salto em distância nas olímpiadas, a primeira de seu país. O campeão considera a medalha metade brasileira porque ele treina em São Paulo, onde pretende continuar morando até os jogos de 2012. Desde que começou a treinar em São Paulo, seus saltos melhoraram em mais de 1 metro!

Na minha incompetente opinião de quatro olhos sem grande conhecimento sobre esportes, é uma notícia interessante para os brasileiros - pelo menos para os paulistanos! No entanto, a imprensa esportiva brasileira ignora por completo o campeão. Uma busca em sites de notícias do Brasil não encontra uma menção ao seu nome. A Folha e UOL não têm nada, o Estadão traz uma foto das agências internacionais sem texto, e o Globo pergunta "Você está procurando por salgadinho varanda?"

Chauvinismo dos comentaristas esportivos, incompetência, ou pura preguiça?

15 agosto 2008

Inteligência artificial vence profissional de Go

O programa MoGo venceu uma partida de Go (baduk, weiqi) contra o profissional Kim Myungwan 8p.

Me parece que Kim Myungwan 8p jogou a partida como uma demonstração. Isso é, ele jogou os melhores lances mas não pôs o empenho emocional que, para comparação, o Kasparov pôs no match que perdeu do Deep Blue. Digo isso mais pelos comentários e pelo tempo gasto do que pela leitura da partida, que de qualquer forma foi jogada em um nível muito superior ao meu entendimento.

Provavelmente ele pode fazer isso porque foi um jogo com handicap e ele é "apenas" 8 dan. O Kasparov era o melhor do mundo por uma larga margem, com um tremendo ego acompanhando cada partida, e o computador era o único enxadrista atuante - quase escrevo vivo, mas não seria correto por 2 motivos que o leitor pode se divertir em adivinhar - capaz de jogar de igual para igual com ele. Depois do match, ele foi perdendo o interesse pelo xadrez, até que se aposentou ainda no topo do ranking para se dedicar à política.

(Infelizmente, na nova carreira Kasparov não tem tido o mesmo sucesso que teve no xadrez. Quem sabe se fosse um grande mestre de Go, as lições do jogo seriam mais úteis para a estratégia política, e por conseqüência não estariamos sendo obrigados a assistir mais uma guerra no Cáucaso? Mas isso é outro assunto......)

Voltando ao Go, não deixa de ser impressionante o progresso da inteligência artificial. Continuando a subir a força uma pedra por ano, ou dois que sejam, os computadores logo vão jogar de igual para igual com os profissionais coreanos. Outra coisa a considerar é que os jogos com handicap são extremamente táticos, uma situação que favorece o cálculo por força bruta dos computadores. (Não tenho muita certeza desse último ponto. Vocês concordam?)

O maior teste da inteligência artificial talvez não seja quantas pedras de força o computador sobe por ano. Uma vez que o computador alcançar um profissional sem handicap, quantos anos levará até o computador ficar competitivo com um 9 dan profissional no goban 21x21? E 23x23? Tabuleiros gigantes?

Tenho 3 palpites. Um, que nós vamos ver o MoGo jogando como um 7p num futuro próximo, 9p vai demorar um pouco mais. Dois, que o teste do tabuleiro maior será mais difícil do que o 19x19 sem handicap. E três, que nos tabuleiros maiores a escola tradicional japonesa, da análise estética do jogo de Go, vai se mostrar mais resistente aos ataques da inteligência artificial do que a escola continental contemporânea da análise lógica.

17 junho 2008

Expoentes liberticidas

Em entrevista à Folha de S Paulo, o lídimo expoente da hiperinflação Luiz Gonzaga Belluzzo avalia os presidentes do Brasil, num trecho que só apareceu na versão papel. Resumindo: "Getúlio, nota 9 porque foi ditador. Juscelino, nota 8 porque incentivou o transporte rodoviário." É uma oportunidade para conferir quão pouco valor os economistas liberticidas dão à democracia.

13 junho 2008

Congresso da Indústria FIESP - relatório de viagem

Hoje viajei para assitir uma mesa redonda sobre política industrial no Congresso da Indústria organizado pela FIESP. O encontro ocorreu lá a meio caminho do fim do mundo, perto daquelas ruas com nomes conhecidos por todo engenheiro elétrico que se dê ao respeito, naquele trecho da marginal Pinheiros conhecido pelos engarrafamentos 24h com largura quase igual à extensão. Munido de um passe único fui e voltei de trem espanhol, que proporciona ao passageiro o prazer de ouvir Chopin enquanto assiste os bacanas de carros importados ficando para trás, parados no trânsito.

Os debates foram de nível bem mais elevado do que o que nos acostumamos a ouvir de ministros, políticos, ou industriais. Duas décadas de democracia já estão fazendo um efeito salutar sobre as figuras públicas de maneira geral. O ministro da Defesa, por exemplo, é claramente um competentíssimo advogado que está fazendo um esforço honesto para se inteirar da ciência militar. Desenvolvimentistas diversos fazem questão de demonstrar que não são escravos de economistas desenterrados, nem se despediram do bom senso ao assumirem cargos executivos, ao contrário do hábito até há poucos anos. Os empresários de maneira geral continuam clamando por benesses específicas para seus setores - um pede a proibição de importação pela concorrência, o outro a proibição da exportação por seus fornecedores; um terceiro quer crédito oficial subsidiado, o quarto uma diminuição dos impostos dirigida a um setor dito estratégico; um setor quer que as forças armadas tenham isenção das leis de licitação para adquirirem fardas 100% nacionais e proporcionalmente mais caras, enquanto outro quer um acordo que induza países do Mercosul a comprarem armamento de fabricação brasileira; e assim por diante. Mas o tom geral é de respeito à lei, à ordem, e à lógica da economia. Inspira uma patriótica confiança.

Encerrando o evento o presidente da FIESP mencionou um assunto que até então só tinha merecido um par de citações passageiras: a educação. Ele destacou as importantes e úteis ações das organizações da indústria e comércio, especialmente quanto ao ensino técnico. De fato, me parece que a qualidade da formação dos praças e oficiais tem muito mais relevância para a segurança nacional do que a procedência das fardas. Afirmações similares valem para outros setores da sociedade. Aí já era tarde demais para eu fazer a pergunta que tinha preparado, mas desistido de formular porque não parecia ser o fórum adequado. Reproduzo aqui, para quem quiser ler:

"Um assunto que mal foi mencionado essa tarde é a formação de recursos humanos. Grandes e médias empresas em particular têm um papel muito pouco positivo. Falando como professor universitário: as políticas de contratação e de recursos humanos são um desestímulo para o desenvolvimento dos jovens profissionais. As empresas não levam em consideração o aproveitamento nos estudos, nem os conhecimentos inovadores produzidos e absorvidos pelos estudantes nas universidades. Elas avaliam os candidatos por meio de testes psicotécnicos boçais ou pela contabilidade de horas de estágios de duvidosa relevância para o aperfeiçoamento profissional. Com isso passam aos estudantes a mensagem de que o investimento em educação e inovação não será reconhecido. O que está sendo feito para eliminar esse gargalo para o desenvolvimento tecnológico, tão peculiar à indústria brasileira?"

Minha participação ocorreu por autoconvite feito pelo site do evento. Foram oferecidos a todos os participantes almoço e jantar, os quais não pude aproveitar, mas tive a oportunidade de consumir uma bebida alcoólica, ficando agradecido pela generosa oferta da FIESP.

10 junho 2008

Corintiano Lap Chan diz que o governo só atrapalhou

FOLHA - Você me disse antes da entrevista que fica chateado porque afirmam na imprensa que você é "chinês".
CHAN - Fico chateado porque todo mundo fala "é o chinês", mas o chinês aqui é mais brasileiro do que muitas pessoas que eu conheço. Eu tenho o coração brasileiro. Tenho sotaque chinês? Não tenho. Sou um corintiano sofrido!

28 maio 2008

As catacumbas cantabrigenses

Aproveitando o feriado pagão e anticonstitucionalíssimo no final de maio, fui visitar a bibioteca da Universidade Harvard, em Cambridge, Massachusetts, em busca de um tomo obscuro. Ao contrário de grande parte das bibliotecas no Estados Unidos, Harvard exige um crachá para entrar na biblioteca. Expliquei que era professor em S Paulo, no Brasil, e que gostaria de consultar alguns livros. Com isso recebi um crachá feito na hora, com fotografia e tudo, válido por uma semana, que me deu acesso livre às bibliotecas. A título de comparação, o cartão de identificação da USP demorou mais de 6 meses para ficar pronto, e não serve para todas as bibliotecas da USP, embora eu seja professor!

O alfarrábio que buscava encontrava-se no quarto subterrâneo (andar -4 para os colegas engenheiros) da biblioteca Widener, numa seção cuja organização é anterior às catalogações Dewey e da Biblioteca do Congresso. Bom, não sei se é anterior, mas é diferente - não vá o caro leitor, se houver, acreditar em tudo que lê em blog. Depois de algum esforço e da travessia de um labirinto de túneis encontrei o que buscava - uma exposição do método da equivalência de Élie Cartan - entre os vetustos calhamaços publicados por doutas sociedades das europas. Estando na Nova Inglaterra, recomendo a todas essa erudita aventura turística.

24 abril 2008

BNDES financiava bordel de advogado do Maluf

Deu no jornal hoje. Conselheiro do BNDES investia dinheiro do banco em rede de prostituição. Será que é por isso que ainda há gente defendendo a "política de desenvolvimento" dos bancos oficiais? Vamos privatizar essa meretrória instituição para ver qual trabalhador ia deixar o seu fundo de garantia lá.

08 abril 2008

Fotos censuradas!



Ano passado a USP solicitou uma fotografia para fazer um crachá novo. Enviei pela internet a foto à direita. Pouco mais de meio ano depois, chega o crachá, mas com uma chatérrima foto 3x4. Vejam aqui fotografias proibidas de professor em posição extrema e ilegal, em cima da USP, trepado na torre do relógio!

02 janeiro 2008

MacBook Touch na MacWorld

Having read the rumors about the announcement of an ultra-portable Mac at the MacWorld 2008 in two weeks, I will add my own speculation:

- It will be called the MacBook Touch.
- Flash memory, or 1.8in iPod disk, maybe both.
- No built-in optical drive (obvious).
- No built-in keyboard (less obvious).
- iPhone-style interface when using without a keyboard. How it will be made to stand upright on a wireless keyboard, I don't have a clue, but the designers at Apple must be able to figure it out.
- Firewire 3200 to make up for lack of internal disks (I am probably wrong on that).
- 3G cell phone contract available (battery life is less of a problem than on a phone, but I am probably wrong on this as well).
- Everybody and their dogs will want one, but there will be a lot of whining about drive and screen size, lack of CD and GPS, choice of wireless carriers, battery life, and so on (easy).

26 novembro 2007

Opções no vestibular na Escola Politécnica

Contexto: os alunos que ingressarão na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo no próximo ano foram obrigados a optarem pelas diversas especialidades da engenharia já na inscrição para o exame vestibular, apesar de que é sabido e notório que os estudantes de colégio não tem informações nem maturidade para essa especialização precoce. Essa mudança em relação ao sistema anterior foi decidida numa reunião noturna da congregação da Poli e teve como base um conchavo político com o objetivo de salvar as aparências dos cursos de menor procura, especialmente engenharia civil e eletrotécnica. A engenharia elétrica, que habitualmente estava entre as mais procuradas, teve a menor procura entre os alunos que estavam optando sem conhecimento de causa. Como parte de uma longa e acalorada discussão por email entre professores de engenharia elétrica, enviei aos colegas uma carta que reproduzo abaixo.

Prezados colegas,

Na minha opinião estamos levantando pontos importantes em resposta aos números da FUVEST, porém uma parte das discussões não está acertando o alvo. O fato é que tentarmos informar os vestibulandos a respeito dos detalhes dos nossos cursos e opções não vai ser um trabalho eficaz. Primeiro porque o universo dos possíveis candidatos, os estudantes dos colégios, é grande demais para alcançarmos com o número de professores que temos, a grande maioria já muito atarefados com ensino, pesquisa, e projetos de engenharia. Em segundo lugar porque os vestibulandos estão demasiado preocupados com o próprio vestibular, e não têm tempo nem experiência suficientes para entenderem os detalhes do que acontece aqui dentro. Em que pese a brilhante consideração do Prof. Massola, não vai ser uma linha no formulário da FUVEST, seja em ordem alfabética ou cronológica, que vai informar os alunos de colégio adequadamente a respeito das atividades científicas e tecnológicas que ocorrem aqui dentro da Poli. E embora seja útil termos um bom conteúdo em nossas páginas na rede, em contraposição a informações burocráticas de interesse reduzido, isso também não vai ser a solução do problema.

Por outro lado, uma vez que os alunos ingressam na Poli e estão em contato direto com professores da USP, eles têm plenas condições de se informarem a respeito dos cursos, das pesquisas, e dos projetos que fazemos. E nós, com uma ou outra exceção de algum professor que talvez não freqüente sala de aula há décadas, temos todas as condições para transmitir nosso entusiasmo pelas diversas áreas da engenharia.

Por isso a ÚNICA SAÍDA para a situação na qual essa decisão irrefletida da congregação nos meteu é permitir que os alunos FAÇAM TRANSFERÊNCIA de um curso para outro após em qualquer momento após entrarem na Poli. A primeira justificativa é a dada acima: uma vez aqui dentro, os alunos têm a oportunidade de fazer uma escolha mais consciente, com o apoio dos professores quando sentirem a necessidade. A segunda justificativa é uma questão de eficiência: para o bom uso do dinheiro público é indispensável termos alunos nos cursos dentro dos quais eles terão as melhores expectativas de desenvolverem suas atividades profissionais. De outra forma, continuaremos com os problemas atuais, incluindo vagas ociosas, repetência, abandono de cursos e carreiras, alunos prestando vestibulares repetidos e demorando a se formar por terem "se enganado" as respeito de opções, e assim por diante.

A razão final para mim é a decisiva: temos a obrigação de respeitar a liberdade individual de cada aluno, futuro engenheiro e colega, de traçar seus caminhos profissionais. Na minha opinião esse argumento é eticamente irrefutável.

Explicitando, os alunos não estão aqui para servirem aos interesses profissionais ou corporativos do corpo docente, nem para justificarem nossas escolhas didáticas ou de pesquisa. Pelo contrário, somos nós que estamos aqui pagos pelo contribuinte de impostos para servir aos futuros engenheiros e contribuir para o desenvolvimento tecnológico do Estado de S Paulo. O Prof Jardini nos explica que, uma vez tendo colocado os vestibulandos nos cursos que queremos oferecer, seremos capazes de induzi-los a seguir carreiras profissionais nas áreas que são do nosso agrado. Talvez na finada União Soviética ou na Coréia do Norte esse argumento tivesse força, mas num país livre como o Brasil a falácia é evidente. A congregação da Escola Politécnica teve o poder de forçar os ingressantes a tomarem decisões prematuras quanto à escolha dos cursos, mas não tem meio de obrigar os alunos da Politécnica a estudarem em cursos para os quais estejam pouco motivados. Muito menos há como obrigar os engenheiros formados na Politécnica a rejeitarem ofertas de emprego em uma área ou outra que nós em nossa imensa experiência e sabedoria julgamos menos nobres.

Os alunos que julgarem sua escolha prematura como inadequada vão fazer o que puderem para remediar a situação. Uns vão prestar vestibular novamente, deixar vagas ociosas. A maioria provavelmente vai estudar o mínimo para passar nos cursos que não acharem motivantes, e fazer qualquer estágio que ofereça alguma perspectiva profissional ou uns trocados a mais. Todos nós professores que nos dedicamos ao ensino temos experiência com esse fenômeno profundamente desencorajador e humilhante do "abandono virtual" das salas de aula.

Para terminar, temos uma responsabilidade coletiva pela decisão disparatada tomada pela congregação e por suas conseqüências futuras. Uns por omissão, outros por distração, muitos por excesso de outras preocupações e responsabilidades, e com certeza alguns por colocarem seus interesses corporativistas à frente das suas responsabilidades como engenheiros, professores, e funcionários do estado. Os riscos trazidos pela situação que assim criamos eu vejo como uma oportunidade de melhoria do ensino na Poli em relação ao esquema vigente até agora. Basta que deixemos de lado propostas ineficazes e de pequeno alcance, bem como discussões menores sobre picuinhas, e aproveitemos a oportunidade para dar aos estudantes a possibilidade de LIVRE TRANSFERÊNCIA entre cursos e opções.

Estou torcendo para que a Poli fique à altura desse desafio!

Sinceramente,

Pait

06 novembro 2007

Aula de introdução à engenharia elétrica

No link

http://felipe.pait.googlepages.com/auladenisehistoria2.pdf

estão as notas para a aula dos dias 7 e 8 de novembro de 2007 do curso da Profa. Denise, Práticas de Eletricidade. São 8 transparências sobre a evolução da teoria, tecnologia, e aplicações do controle automático. Material copylefted.

20 outubro 2007

Leopard no Brasil?

Vamos falar de coisas importantes. O Mac OS X Leopard vai estar a venda no Brasil dia 26 de outubro? Vai ter festa nas lojas?

11 outubro 2007

Rodada do subdesenvolvimento?

Hoje na Folha o representante do Panamá e mais 8 países no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr, escreveu um besteirol defendendo barreiras de proteção contra indústrias produtivas e subsídios para contrabandistas.

Minha opinião sobre barreiras alfandegárias é a mesma que tenho em relação a superstições a do tipo criacionismo e homeopatia, então escrevi para ele uma carta reproduzida abaixo:

Prezado Paulo Nogueira Batista Jr,

Acho quase inacreditável que haja gente insistindo nesse absurdo de que proteção industrial e subsídios para setores e empresas com poder político seja um instrumento de desenvolvimento e construção do futuro de países menos ricos. Não vou insistir nos argumentos da teoria econômica, porque com certeza você os conhece melhor que eu e sabe que eles são tão sólidos como a teoria de evolução de Darwin ou a teoria atômica da matéria, para dar exemplos da biologia e da química que supreendentemente ainda são assunto de debates por gente que deveria saber melhor.

Engenheiro que sou, vou focar no dano que as barreiras de importação trazem à tecnologia, indústria e comércio no Brasil, impedindo que indivíduos e empresas utilizem as tecnologias mais avançadas, apropriadas, e econômicas em seus negócios. Para dar um exemplo, um setor potencialmente muito produtivo como o desenvolvimento de software é obrigado a carregar uma carga de impostos e subsídios a montadores de hardware protegidos pelas chamadas leis de informática, empresas que do ponto de vista da indústria nacional nada contribuem. Os impostos de importação são pagos por cada empresa industrial e comercial que queira utilizar computadores, e beneficiam apenas fiscais da receita, contrabandistas, e economistas defensores de superstições como a do seu presente artigo.

Sinceramente indignado,

Felipe Pait

05 outubro 2007

Altas matemáticas....

Leiam o novíssimo argumento que os barnabés acadêmicos bolaram para tentar arrancar mais umas patacas do pobre do contribuinte brasileiro! Na Folha de hoje, artigo com o título Vitamina contra o nanismo estatal, de um João Sicsú, funcionário da Sealopra lotado em um desses institutos de pesquisa e autocongratulação filosófica:

"... o Brasil possuía 0,9 fiscal para cada 1.000 km2 de território. Já a Bélgica possuía mais de 310 fiscais, a Holanda, 227, e o Japão, mais de cem. (...) Uma "vitamina" que o Estado precisa tomar para superar [essa última colocação na classificação de número de fiscais da receita pública por 1.000 km2 de um país] é a contratação de fiscais, professores, engenheiros, médicos, pesquisadores e policiais."

Vamos construir no Alto Xingu um novo país baixo - com trocentos fiscais da receita federal por quilômetro quadrado! (Bélgica não, Valônia e República Flamenga. Visite a Bélgica antes que acabe.) Só no Mato Grosso ia precisar pôr quase 300 mil! Somando fiscais e pesquisadores da Sealopra, ia dar 3 funcionários públicos por habitante. Pode deixar que a gente se alopra sozinho!

PS: Lição de casa, para ver se eles na Sealopra estão bons de planilha (e aparentemente não tem mais nada para fazer): quantos fiscais temos por milha cúbica, contando o espaço aéreo? E se incluirmos as 200 milhas de mar territorial?

20 setembro 2007

Vocês leram aqui primeiro

No dia que o Lula foi reeleito vocês podiam ter lido aqui neste blog uma previsão: "Continuadas tentativas pouco coerentes de solapar a democracia: voto indireto para deputado, quem sabe senador biônico, talvez até a treeleição..." Hoje um petista publicou na Folha a proposta que eu tinha previsto:
_________________________________________
Pela democracia, o Senado deve acabar
RUI FALCÃO

A existência do Senado é um desserviço à democracia brasileira. É chegada a hora de discutir o fim do sistema bicameral do país...

(Restante do artigo propondo os senadores biônicos suprimido, não há necessidade de ler.)

RUI FALCÃO, 63, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo PT. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário municipal de Governo de São Paulo (gestão Marta Suplicy).
_________________________________________
Notem que eu escrevi: tentativas POUCO COERENTES de solapar a democracia. Vocês leram aqui primeiro.

17 setembro 2007

Universidade centenária

O texto sobre a "Esculimia do Candido Mendes" reproduzido abaixo pode ser lido diretamente nas páginas da instituição. Dispensa comentários.



Apresentação

Ao completar 100 anos, a SBI pode dar o balanço do que é a sua vida como instituição, no que marca a sua diferença, a sua "idéia de obra" ou a sua imagem, de um país de memória fraca e de imaginário estereotipado. Até os anos 20, a SBI - mantenedora da Universidade Candido Mendes - se identificava, na prática com o desenvolvimento da Academia de Comércio do Rio de Janeiro, ou, na corruptela em que chegava ao povo a "Esculimia do Candido Mendes ". Nasciam as duas entidades em 1902, ambas pioneiras. Uma, a desdobrar pela primeira vez no país e para as classes médias em começo de expansão, a idéia de um curso profissional. Fugia-se ao padrão das clássicas carreiras liberais do amadorismo das atividades clássicas de balcão de mercancias no Rio de Janeiro ainda mofino, às vésperas da grande explosão urbana do Prefeito Passos.

A escola, o progresso, os balconistas e os guarda-livros

Os Estatutos da sua mantenedora - a Sociedade Brasileira de Instrução - ficam, até hoje, como modelo de rigidez e criatividade, na enxuteza de sua fórmula e, ao mesmo tempo, na funcionalidade da ambição: servir ao ensino como empenho universal em todas as modalidades da sua excelência e no que fosse sinais dos tempos de novas demandas e especializações. Foi esse o embrião institucional que mereceu, de Rodrigues Alves, uma das primeiras outorgas do privilégio de utilidade pública, bem como o direito a utilizar próprio nacional, ensejando a instalação da Academia na antiga Ucharia do Paço do Carmo. Restauramos o prédio, tirando-lhe a máscara de estuque da Belle Epoque, devolvendo à cidade, no Largo do Paço, o prístino da fachada de 1593. Instituição, a nossa Casa, por força, se reconhece o direito às vaidades. No que é, no espelho, os caminhos que apartou desde o começo e que lhe permitem, por ricochete ou contraste, situar a singularidade de seu propósito.

Desde sempre contra os vendedores de água.

Desde 1902 recusamo-nos a ser um empreendimento lucrativo. Organizamo-nos ao fio da prestação mais barata - senão simbólica - para atender à fome de ensino da baixa classe média, dos caixeiros e balconistas, que acorriam à carreira nova e à profissionalização capaz de levar-lhes a segurança do emprego e o melhor de seu conhecer. De logo, Candido Mendes Sênior, o Conde, advertia os seus de que educador não é vendedor de água. Ou seja, aproveitador da dramática escassez desses serviços nos países subdesenvolvidos, a transformá-lo sobrepreço possível, não sobrelucro acintoso à pobreza nacional.

Os condes apaixonados

Pertinaz, desde saída, aprumou-se o orgulho bem delimitado do nosso fazer. Nascia a Casa de uma clara atmosfera intelectual. A de professores católicos e monarquistas, decididos a desenvolver uma visão liberal e privada do ensino a disputar a hegemonia pública, em que se esgotaria a diretriz positivista - republicana do regime inaugurado em 1889. Bana-se o estereótipo fácil, e não se veja a Academia como respondendo a um ideal agnóstico e de classes médias emergentes, encontrando a atividade da educação como veículo de sua mobilidade social. Nasce a SBI dessa perspectiva. Surge do idealismo dos condes pedagogos, ciosos da sua aristocracia do espírito. Os Condes Mendes de Almeida, Fernando e Candido, o Conde de Afonso Celso, o de Ouro Preto, o Conde Carlos de Laet, todos enobrecidos pelo papado, no reconhecimento do trabalho pela defesa da Igreja que realizavam, multiplamente, os idealizadores da Sociedade Brasileira de lnstrução.

O pioneirismo permanente

Fidelidade, de saída e nunca desmentido pela exploração das Ciências Sociais. Algumas vezes, inclusive, sem que, sequer, se conhecesse no país a sua designação. Data de 1919 o propósito de se criar uma Faculdade de Ciências Políticas no país quando, só nos 60, essa nomenclatura típica de uma visão anglo-saxônica e do campus americano prosperava e definia um novo padrão de desempenho e especialização científica entre nós. Criada a primeira Faculdade de Economia e Contabilidade Superior no país, junto com a Álvares Penteado em São Paulo, mantivemos, até o fim do Varguismo, o papel de provedores do currículo final dessas disciplinas. Pressentimos o estudo científico do poder a, finalmente, se transformar na primeira pós-graduação de Ciência Política no país em 67, a que se somava a de Sociologia no mesmo grau de exigência acadêmica. Ideamos, como Clark Kerr, a multiversidade, não o perfil clássico e pobre dos estudos apinhados num campus único. Pensamos num padrão nítido e contido da nossa oferta básica de Ciências Sociais - Direito, Economia, Administração, Contabilidade Superior, Pedagogia - na sua matriz da Praça XV.

A multiversidade e o gigantismo estudantil

Moveu-nos a idéia de reproduzir esse mesmo módulo de excelência e tradição, bateado há mais de meio século, a outras áreas do espaço do Rio de Janeiro. Reproduzimo-lo em Ipanema, oferecendo outra opção de ensino em área tradicionalmente delimitada entre a tarefa da PUC e da Santa Úrsula. Continuamos com o implante em Campos e em Friburgo. Presidiria toda a expansão a idéia de se criar um primeiro espaço didático privado, a cobrir progressivamente toda a dimensão do Estado. Tratava-se, ao mesmo tempo, de evitar as tristes migrações, estudando dentro do Rio de Janeiro com o risco, muitas vezes, de cortar na flor - com a falta de volta à terra matriz - vocações, no Norte ou no Centro Fluminense, capazes de dar o melhor de si, se retomassem, de fato, ao meio em que despontaram.

O pré-IUPERJ e o Museu Comercial

Nos Estatutos abrangentes não quisemos apenas, de logo, ser a Casa tradicional, de estrito ensino e preleção. Muito antes do atual preceito constitucional, dávamos a prova prática de que a plena atividade de educação envolveria, ao mesmo tempo, ensino, pesquisa e extensão. Esta, a praticamos desde entre as duas guerras mundiais, criando o Museu Comercial, disseminando as amostras de novos artefatos da industrialização - menina e criando, com as montras, o serviço de disseminação das nossas excelências no Prata. Ganhou o Museu Comercial o grande prêmio latino - americano de comércio exterior pela qualidade das vitrines que enviou a Montevidéu, às vésperas do primeiro centenário da independência.

Ao se criar a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas em 02 de junho de 1919 - primeiro ramo já da nossa trajetória universitária - , assentava-se o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Plantava-se a semente, de forma profética. Entendiam os fundadores que de nada adiantaria a formalidade da transmissão do conhecimento, sem o choque da experimentação num país acostumado à exaustiva reprodução dos modelos de além-mar e ao disfarce apelintrado da realidade, em que se apoiava. Insistimos na promessa e na teima do que veio a ser, em 1963, a concretização, sob a mesma sigla, da primeira organização privada de pesquisa em Ciências Sociais, que é a da nossa Casa das excelências, hoje, na Rua da Matriz.

A côngrua e o serviço pelo custo

Uma "idéia de obra", pois - medula mesma do que seja a persona institucional -, decanta-se neste quarto de século; no que, em querendo, criamos, em marcas já que transcendem as paredes da Casa. Sem saber inventamos, por exemplo, a economia dos chamados "serviços pelo custo", que vem finalmente, a partir de 1972, a se transformar no padrão das mensalidades escolares e do lucro controlado de um empresário essencialmente social como o do ensino.

Meio século após, o bom senso governamental levava à norma a prática dos fundadores da SBI, a fazer jus ao fim do mês quase côngrua a divisão do cobrado quase simbolicamente do aluno pelo número efetivo de assistentes às aulas despojadas.

Lutando contra o inverno da polêmica

No fio do dizer, não calamos no autoritarismo, buscamos o engenho contra o inverno da polêmica que emudeceu o Brasil, seu debate e suas franquias de espírito, a partir de 64. Durante o negror dos Atos institucionais, pôde a Candido Mendes convidar diversos pensadores internacionais, manter em dia a inquietação do conhecer brasileiro e rasgar-lhe as exigências do humanismo. Arnold Toynbee, Gunnar Myrdal, o juiz Douglas, Edgar Morin, Bob Kennedy, Paul Rosenstein-Rodan, Georges Lavau, Everet Hagen, Samuel Huntington, Alex lnkeles, Talcott Parsons, todos, proto-personas deram-nos a sua palavra e o rumo dos seus conheceres, num país emudecido. Na década que se inicia 64 recrutávamos,anualmente, maior número de vozes do mundo que todo conjunto dos demais campi brasileiros.

Enfrentava-se a nacionalidade tecnocrática e suas sanções a bem das ideologias pasteurizadas. Não tínhamos verbas nem subsídios a receber dos orçamentos governamentais, tal como, neste mesmo limite, podíamos - Heleno Fragoso à frente - acolher nas nossas cátedras grandes vozes da universidade pública, cassados ou reduzidos ao silêncio nas suas matrizes de origem.

A casa feroz das suas liberdades

São dez décadas de uma velha paixão pela excelência que se guarnecem de uma fatura quase de educadores excêntricos, ou de devotos da sua exclusiva convicção do que seja o melhor serviço. Na sua premonição, ou na teima dos valores do passado, nos cursos e teores do aprendizado oferecido, mantivemos o Direito Romano e abrimos os primeiros cursos de Direito Público Econômico. Insistimos na Deontologia Jurídica e implantamos o primeiro curso de Prática Forense - o FUCAM -, antes das práticas dos exames de ordem e das castrações uniformizadoras da OAB.

Casa feroz na sua sede de liberdade; dos velhos, sem medo das aposentadorias compulsórias da carreira didática, tratada com preferência e ineditismo, no Rio de Janeiro, à margem dos favores ou das benesses do dono. Casa da comunidade e não da ação-entre-amigos. Feroz nas suas crenças e na verdade intransitiva de uma paixão e de um donaire tão altivo como pobre, no que herdamos, nesta faina e nesta obsessão, de Candido Mendes Sênior (l902-1939) e de Candido Mendes Júnior (1939-1962).

Candido Mendes

07 setembro 2007

"How we know that Paul Bremer would have been a great trial lawyer

This Thursday the NYTimes published a piece by Paul Bremer, linked above, that could have appeared in a satyrical magazine under the heading "How we know that Paul Bremer would have been a great trial lawyer." You don't really need to read his self serving and tedious argument about the disastrous handling of Iraqi security, but it is worth summarizing them:

First, the Iraqi army was not dismantled. Second, someone else did it, not me. Third, I was following orders. And fourth, it was the right thing to do.

13 julho 2007

Perseguição stalinista anti-corintiana

Procuradores da república tomam partido da KGB em sua perseguição contra o dono do Corinthians. Decretam prisão do asilado político Berezovski e de seu laranja Kia, seguindo acusações dos policiais da KGB que hoje dominam o Kremlin. Enquanto isso, centenas de peemedebistas e outros ladrões continuam soltos no congresso. Leiam a notícia na Folha de S. Paulo (exige assinatura) ou no Estadão:

http://www.estadao.com.br/esportes/futebol/noticias/2007/jul/12/180.htm

Veja também a defesa dos acusados para os jornais ingleses:

Russia moved closer to getting its hands on President Vladimir Putin's arch foe, Boris Berezovsky, yesterday after a Brazilian judge issued a warrant for the London-based billionaire's arrest on money laundering charges. (...) Mr Berezovsky swiftly denied the allegations.

"I have no doubt that the Brazilian story is an extension of the Kremlin's politicised campaign against me," he said.

Carta à Folha de S. Paulo

Prezados,

O argumento apresentado no artigo "A disfuncionalidade da universidade pública" pelo Prof Dagnino é contraditório e usa dados falsos.

Segundo o autor, "a universidade acompanha uma tendência mundial em que 70% do gasto em pesquisa é privado (deste, 70% é realizado por multinacionais)". Essa afirmação é errônea. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 60% dos fundos para pesquisa realizada em universidades vêm do governo federal (dados obtidos no documento National Patterns of R&D Resources: 2004 Data Update, NSF 06-327 | September 2006, disponível em http://www.nsf.gov/statistics/nsf06327/). No Brasil a fração dos fundos de pesquisa provenientes de fontes governamentais é muito maior.

Porém, caso fosse verdadeira, a afirmação feita pelo autor serviria para contradizer o argumento principal do artigo, que pode ser resumido usando suas próprias palavras:

"a universidade periférica não serve nem à elite econômica e política, que a ocupa e controla, nem ao que se vem chamando de movimentos sociais (...) "disfuncionalidade", que se traduz no fato de as empresas hoje pouco demandarem conhecimento localmente produzido..."

As duas afirmações centrais do artigo, que 1) a universidade não serve aos interesses do setor privado; e 2) é o setor privado que financia a pesquisa na universidade, estão em flagrante contradição. Adicionalmente, a afirmação de que estamos numa "economia que cresce sem empregar" é falsa, como sabem os leitores do noticiário econômico dessa Folha.

Numa coisa o autor tem porém razão: as "elites" que se interessam pela manutenção do modelo de universidade pública vigente são mesmo os burocratas encastelados em seus feudos departamentais. A exemplo do Dr Dagnino, esses intelectuais se acomodam em repetir disparates evidentes em jargão pseudomarxista, em lugar de se dedicar ao trabalho sério de realizar estudos que tenham relevância para o progresso da ciência ou para o povo brasileiro.

Sinceramente,

Felipe Pait
R Paulistânia 520-131
05440-001 S Paulo SP
3813-4946

03 julho 2007

Proposta de regimento de pós-graduação da USP

Recebi de um colega a proposta da pró-reitoria de pós-graduação para o novo regimento da USP para a pós-graduação, documento que já foi discutido em uma primeira reunião na CPG/EPUSP. Abaixo segue uma mensagem que enviei aos colegas sobre o assunto. A proposta me parece absolutamente desastrosa. Embora esse tipo de literatura não seja exatamente do meu agrado, estou achando bom levantar o assunto porque imagino que muitos colegas tenham uma opinião parecida com a minha. Então ponho no blog. A proposta mesmo não diz nada que mereça uma leitura mais demorada, o que ela não diz é o mais esclarecedor.


Prezados,

A proposta omite vários aspectos fundamentais, dos quais vou dar quatro exemplos.

1 - Idioma. A proposta aparentemente reconhece a importância do intercâmbio internacional, assunto do Capítulo 3 Título 5. Um obstáculo à cooperação internacional é o idioma da redação de teses e dissertações. A maioria das universidades bem sucedidas internacionalmente têm tendido à flexibilização nesse ponto. Os argumentos contra a aceitação de outras línguas são quase todos irrelevantes, e o maior cuidado deve ser aceitar apenas línguas que não diminuam significativamente o universo de pesquisadores habilitados a avaliar as contribuições. Proponho a seguinte redação:

"Serão aceitas teses e dissertações nas quatro línguas mais difundidas nos meios acadêmicos do continente americano, a saber, português, inglês, espanhol, e francês. Quando apropriado serão aceitas também nas línguas indígenas nativas do Brasil."

A segunda frase me parece o mínimo absoluto que a pós-graduação da USP pode fazer pela inclusão de membros de etnias que têm difícil acesso à universidade. As exigências de que o candidato "estrangeiro" demonstre proficiência em português e de que as teses em dupla titulação sejam redigidas em português são especialmente disparatadas.


2 - Procedimento para queixas e solução de disputas. A proposta não contempla um procedimento oficial para queixas e solução de problemas. Devemos lembrar que na pós graduação o poder dos orientadores sobre os estudantes é quase absoluto. Em raros casos ocorre a percepção de que há abuso desse poder. Não imagino que as queixas seriam freqüentes, mas a simples possibilidade de recurso a uma "ouvidoria" iria contribuir muito para que o sistema seja visto como imparcial e justo por todos os integrantes, o que atualmente não é o caso.


3 - Liberdade de expressão. Não há no documento nenhuma menção à liberdade de expressão, que é o valor principal da academia. Talvez para alguns colegas nas áreas científicas e de engenharia esse conceito possa parecer remoto, porém existem muitos relatos de trabalhos de pós-graduação que foram prejudicados por contrariarem os dogmas vigentes em um ou outro departamento ou subárea do conhecimento. Formalmente acho que esses casos seriam discutidos em uma ouvidoria como a mencionada acima, mas é absolutamente indispensável que a regimento da pós-graduação afirme o comprometimento do programa com a autonomia da investigação acadêmica.


4 - Integridade e ética. O regimento tem que conter um compromisso com a integridade e ética na investigação científica, repudiando o plágio, a coação das investigações, experimentos anti-éticos com seres humanos, entre outros pontos. O silêncio da proposta de regimento em relação à ética é ensurdecedor.


Talvez o maior problema com o regimento proposto é que ele mantém e aprofunda o sistema de órgãos, conselhos, colegiados, comissões, e outras estruturas burocráticas embricadas com funções semelhantes. Isso leva a procedimentos pouco ágeis que emperram o trabalho intelectual, e cria para o corpo docente tarefas e reuniões pouco profícuas. Tanto no conteúdo como na forma da redação, o documento se aprofunda em engendrar instâncias burocráticas, em lugar de estabelecer uma base administrativa para o desenvolvimento intelectual. Para aqueles, que como quase todos os colegas que conheço, acreditam que a excessiva burocratização dos diplomas regimentais é o maior óbice estatutário à consecução das atividades-fim da universidade, a proposta vai se mostrar como um enorme passo para trás.


Para terminar, na linguagem acadêmica corrente as palavras "tese" e "dissertação" são usadas intercambiavelmente. A distinção entre "dissertação de mestrado" e "tese de doutorado" (ou seria o oposto?) é pedante. Adicionalmente, o índice nas páginas I a V está completamente errado.

Sinceramente,

F Pait


Who might have guessed that on 2 Jul 2007, around 10:03 AM, Roberto Moura Sales would write:

Prezados Professores do PTC,

O arquivo anexo contém a proposta da pró-reitoria de pós-graduação para o novo regimento da USP para a pós-graduação.
Este documento já foi discutido em uma primeira reunião na CPG/EPUSP. Vários pontos foram levantados e
serão levados pelo Prof. Paulo Miyagi nas próximas reuniões do Conselho de Pós-Graduação.

Solicito que me enviem seus comentários. A próxima reunião da CPG/EPUSP será no dia 20/08.

Roberto Moura Sales.


17 maio 2007

Supremo quer soltar seqüestrador que tem diploma de advogado

Deu no Estadão hoje. Sem comentários.

17 de maio de 2007 - 10:59
Em SP, acusado de seqüestro pode ir morar do lado da vítima

Supremo admite hipótese de prisão domiciliar para advogado, vizinho de garoto que ficou 63 dias em cativeiro; destino do advogado será dado por juiz de Arujá
Marcelo Godoy

SÃO PAULO - O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu a possibilidade de o advogado Ademilson Alves de Brito responder em prisão domiciliar ao processo em que é acusado de seqüestro. A decisão foi tomada na terça-feira, 15, mas talvez o que os ministros do Supremo talvez não soubessem é que Brito é vizinho da família de Lucas, de 6 anos, cujo seqüestro em 2006 foi tramado, segundo a polícia, pelo advogado.

“Sempre acreditei na Justiça. Vou até o fim. Certamente o ministro não tinha conhecimento de que ele era nosso vizinho”, afirmou o comerciante Robson José da Silva, pai do menino Lucas. Quando soube da decisão da Justiça, Silva afirmou que “não sentiu mais o chão” sob os seus pés. Ele e a família do advogado moram no mesmo condomínio de luxo na cidade de Arujá, na Grande São Paulo. “A volta dele para cá só significa uma coisa: o crime compensa.”

O filho do comerciante passou 63 dias em cativeiro nas mãos de seqüestradores. Os bandidos queriam R$ 3 milhões do comerciante Robson José da Silva. Dois dias depois de o menino ser levado, o advogado apareceu na casa dos Silva. Gabando-se da qualidade de “advogado do PCC”, o Primeiro Comando da Capital, Brito tentou convencer o pai de Lucas que o crime era “coisa de profissionais”. Foi mais longe: afirmou que um resgate como o do menino não saía por menos de R$ 150 mil.

Preso pela polícia, o advogado foi enviado à Cadeia Pública de Barueri. Por meio de seus advogados, Brito entrou com um pedido de habeas-corpus dizendo que as instalações da cadeia eram indignas de uma pessoa registrada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como ele. De fato, o Estatuto do Advogado garante a eles o direito a prisão especial enquanto esperam o julgamento dos crimes de que são acusados.

Em São Paulo, o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça. Insatisfeito, Brito recorreu e viu mais uma vez seu pedido ser negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Novo recurso e, desta vez, o pedido foi parar nas mãos do ministro Sepúlveda Pertence, do STF, que relatou o caso. Este decidiu conceder ao advogado o direito da prisão domiciliar, mas fez uma ressalva: desde que não exista cela de estado-maior para abrigar o advogado. A decisão foi seguida pelos demais integrantes da 2ª Turma do STF.

Cabe agora ao juiz de Arujá decidir para onde o advogado será mandado. Caso não encontre a tal cela de estado-maior, o advogado voltará a ser vizinho da família de Lucas. Além do advogado, outras 13 pessoas acusadas de participar do seqüestro foram presas pela polícia.

Durante o tempo em que esteve em poder dos seqüestradores, Lucas foi mantido em dois cativeiros. No primeiro deles, ficou com outra vítima do bando. Transferido para uma casa em Guaianases, na zona leste de São Paulo, Lucas era vigiado o tempo todo pelos bandidos. O menino não sabia que havia sido seqüestrado, pois os bandidos diziam que seus pais haviam ido viajar e logo voltariam. Lucas havia sido levado pelos bandidos em 7 de maio quando ia para a escola. Os bandidos fecharam o carro dirigido por um irmão da vítima. Ele completou 6 anos no cativeiro.

15 maio 2007

Frases do Lula

Vamos falar bem do Lula. Melhor ainda, vamos deixar ele falar.

1 - "Algumas categorias ficam 40, 60, 80, 100 dias de greve e recebem pagamentos. Isso pode ser greve? Não. Isso é férias, na minha visão sindical. O servidor público não tem patrão e o prejudicado é o povo brasileiro".

2 - "A pergunta não é se é contra ou a favor [do aborto]. A pergunta é: a mulher deve ser presa? Deve morrer?"

3 - "As obras precisam sair e o Brasil precisa delas. Porém, as obras vão sair com responsabilidade ao meio ambiente, isso porque o País quer crescer economicamente, mas também quer cuidar do seu meio ambiente".

4 - "Esse prejuízo é só uma gota d'água nas contas da Petrobrás. Não compensa brigar pelo valor mais justo com a Bolívia. Não vamos criar mais confusão porque o Brasil quer US$ 10 milhões a mais e a Bolívia quer US$ 10 milhões a menos." Diante do previsível fracasso do modelo nacionalista estatizante boliviano, o presidente cuidou para que a venda das refinarias fosse feita de um jeito que 'não transformasse o governo Lula em bode expiatório'.

As frases acima saíram na imprensa na última semana. Em cada um dos casos, o Lula é o lado sensato do debate. A gente pode continuar reclamando, mas a verdade é que podia ser bem pior.

24 março 2007

Universidade se projeta em verdadeira grandeza

Deu no informativo ADUSP número 231, sob o título
"Universidade(?) Nova"

Sob a alegação de contrapor-se à evasão de estudantes e evitar a especialização precoce, o Plano “Universidade Nova” do MEC propõe um “Bacharelado Interdisciplinar” de três anos. Os efeitos perversos dessa proposta, um ataque à autonomia universitária, que só pode ser desfechado com anuência dos reitores, estão claros a partir das metas propostas até 2012: dobrar a relação estudante/professor e atingir 90% de taxa de conclusão média dos cursos de graduação. O cumprimento de metas deste tipo é condição para o financiamento da instituição, a ser avaliado anualmente pelo MEC.

Confirmam-se assim nossas piores previsões. Não é possível manter o tripé ensino-pesquisa-extensão com razões altas estudante/professor e taxas de conclusão de 90% não são usuais em universidades. Escolões com progressão continuada?


A máfia sindical universitária projetou-se em verdadeira grandeza. Perverso, para a a ADUSP, é que os alunos se formem. O bom é a picaretagem atual, onde a sociedade paga os salários de uma corja enorme de professores, a universidade finge que oferece muitas vagas, mas apenas uma pequena porcentagem dos alunos se formam.

Por exemplo, na engenharia civil da Poli o percentual de alunos formados, em relação às vagas oferecidas, é de menos de 30%. Os cursos de licenciatura nas ciências tem porcentagens minúsculas. Em certas áreas das humanidades, prefiro nem saber. Taxas de graduação altas não são raras - pelo menos não nas universidades de bom nível. 98% dos alunos de Harvard se formam em 6 anos. 10% de alunos se formando é para curso de manicure.

Os professores de primário, ginásio, e colégio (se já voltaram os milréis, porque não voltam os nomes tradicionais?) até que têm explicações para a má qualidade de ensino: falta de recursos, alunos mal preparados, salários baixos, por aí afora. A Universidade de São Paulo não - ela pode escolher os melhores estudantes de São Paulo. Se eles não se formam, é porque os cursos são irrelevantes.

16 março 2007

Não sou eu que estou dizendo

Deu nos jornais nos idos de março: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que utilizou os critérios da competência e da capacidade para definir os ministros da Educação e da Saúde:

"Eu acho que tem duas coisas que são fundamentais no Brasil: educação e saúde. A gente não brinca, a gente não partidariza e a gente monta o governo com as pessoas que têm competência, com as pessoas que têm capacidade de montar um bom governo, porque, na saúde, se você brincar, é morte; na educação, se você brincar, é analfabeto".

Segundo a Folha de S Paulo, Lula deu a declaração ao ser questionado sobre não entregar a Educação ao PT paulista e tampouco dar a Saúde à bancada do PMDB na Câmara. Lula manterá o técnico petista Fernando Haddad na Educação e nomeará para a Saúde o sanitarista José Gomes Temporão. Os ministérios não fundamentais, como a Integração Nacional, a Agricultura, e o Turismo, onde a brincadeira não tem conseqüências, foram partidarizados.

Em resumo, gente do ramo na saúde e educação. O resto tudo um bando de picaretas que querem cargo público para se locupletar e fazer caixa de campanha. Não sou eu que estou dizendo.

06 fevereiro 2007

Gafes da semana

Comentário rápido sobre as gafes de uns políticos no Brasil e no mundo: o deputado Fernando Gabeira dando um escorregão sobre a vida noturna em Brasília, o prefeito Gilberto Kassab com um piadinha de mau gosto sobre a obra do Metrô, o Chirac falando bobagem sobre armas nucleares persas, e o senador e futuro ex-candidato a presidente Joe Biden enrolando a língua ao falar sobre o colega e candidato a vice-presidente Barack Obama.

Só um desses quatro tem o que é preciso para ser presidente de seu país. Dica: ele não é presidente, nem candidato.

E falando em candidato a vice-presidente, o de 2004 quer voltar. Dizem que o J Edwards estava concorrendo a presidente desde que John Kerry perdeu a eleição. Bobagem. Ele estava fazendo sua campanha de 2008 muito antes, desde que Kerry começou a de 2004. Por isso estava muito mais preocupado em se apresentar como bom moço do que em ajudar o colega de partido ser eleito. Perdeu de propósito, mas agora quer voltar.

29 janeiro 2007

The United States should impose a $70 per barrel tax on imports of oil from outside North America.

Last week President Bush, for the nth time, did not propose a serious energy policy in his State of the Union address. Big surprise. So I will do it. You read it here first.

The United States should impose a $70 per barrel tax on imports of oil from outside North America.

Consider the alternatives. One is to do nothing: continue consuming fossil fuels with abandon, and wait for the consequences of global warming. Meanwhile, outsize oil revenues will continue to bankroll *****, both sides of the civil war in Iraq, the genocidal Sudanese regime, and closer to home, the ailing Fidel Castro. Among others. (If you read the newspapers, you know where the bad guys turn to for credit.) So waiting for the problem to go away, or blow up in someone else's hand, does not sound like a very good idea.

Closely related to doing nothing are the uncountable gimmicks which are calculated to hurt no one. A good example appeared in the NYTimes blog http://pipeline.blogs.nytimes.com/ on 22 January. Resynchronize traffic lights, says one. Require trucks to use aerodynamic apparatuses, says another. Fluorescent light bulbs, of course. Regulate the refrigerator and air-conditioner industries, good point. Lower the thermostats, and prohibit idling automobiles in front of schools, on pain of hanging, I myself feel good about saying. All worthwhile suggestions in their own merits, but they do not add up to an energy policy. We can safely dismiss the chances of lowering energy usage without anyone feeling any pain as wishful thinking.

So what could America do? It is hard to impose taxes because of opposition among interests groups directly affected. Because of the energy lobby, politicians are unwilling to create a carbon tax targeted at all sources of greenhouse gas, although it would have a healthy effect on the environment and national security. There is opposition to a gasoline tax from drivers and car companies. Same for fuel economy standards, which in any case are unlikely to have a major impact on total oil usage and prices. Subsidies for alternative energy sources are just that - subsidies for the use of energy. They may increase the use of alternative sources, but will not change the fact that the US uses a lot of fossil fuels.

An import tax on oil is different, politically speaking. First, it will not generate opposition among the domestic oil producers, and it does not single out the auto industry to make efforts towards fuel efficiency. Second, the impact on energy prices will be diffused. Several alternatives to imported oil will step in: domestic, Canadian, and Mexican oil, ethanol from Brazil, and alternative energy sources - including the cheapest and most significant, conservation. Because the US is such a major importer of oil, any decrease in its demand for imports will lower significantly the price of oil in international markets. That will mean less money for tyrants who control most of the oil deposits in the world, in the Arabias, Persia, Russia, Venezuela, and so on. If you complain, we know whose side you are on.

An import tax will increase the price of imported oil to the consumer to some extent, but because alternatives are available, in effect the tax will amount to a transfer of income from oil-producing governments to the US treasury. So third, and most important, it can be explained clearly that it is a national security measure (that happens to have an important environmental benefit). Politically, this would make sense. The extra government revenue should be allocated as across the board tax relief. It will help individuals cope with higher energy costs and companies invest intelligently in alternative sources, unlike subsidies which only encourage more use of energy, although of a different type. And Congress can legislate it without waiting for the lame duck.

What about the obvious drawback that an import tariff goes squarely against the idea of free trade? Let the reader of "The Economist" call it a bad idea whose time has come. Oil is not traded freely in international markets. Nominally at least, prices are controlled by OPEC, a cartel of oil exporting countries. Oil is not regulated by the WTO, oil exporters do not practice free trade, most are not members of WTO, and frankly, let them scream.

A US tax on imports of fossil fuels from outside North America will be good for the environment, and good for world peace.



***** Insert the names of your favorite or least favorite international terrorist groups here. If I do it, Google will censor my blog!

05 novembro 2006

Três sugestões

Lendo o jornal do domingão ensolarado, três sugestões que ninguém vai aceitar, só para que eu não possa dizer a mim mesmo que só sei criticar.

1 - Para o Presidente Lula, que quer maior crescimento econômico. A sugestão é: mudar a lei para que o Fundo de Garantia seja depositado diretamente na conta do trabalhador, juntamente com o salário. Vantagem óbvia: o trabalhador fica com mais dinheiro no bolso, para poupar ou gastar eficientemente, em vez de emprestar para os bancos oficiais em troca de remuneração baixíssima. Se poupar, baixa o custo do dinheiro para os tomadores de empréstimo. Se gastar, aumenta a demanda e a perspectiva de lucros futuros. De qualquer jeito, a indústria sai ganhando. Perdedores: caem os dividendos que o governo federal recebe dos bancos estatais. A Caixa e o BNDES perdem o acesso aos fundos subsidiados pelos assalariados. Isso é bom: tendo que buscar recursos a juros de mercado, eles vão ter que trabalhar com muito mais cuidado para selecionar bons investimentos.

2 - Para os pilotos de avião preocupados com as falhas dos sistemas de controle de tráfego aéreo: voar sempre um pouquinho fora do plano de vôo. Ao atingir altura de cruzeiro, escolha aleatoriamente uma distância entre 0 e 100 metros, e uma direção, para cima ou para baixo, para a direita ou para a esquerda, ou qualquer ângulo intermediário. Assim se o controle de vôo colocar dois aviões na mesma pista, o que é um erro raro mas que infelizmente já ocorreu no Brasil e na Suíça, a probabilidade de os dois terem escolhido o mesmo ponto cai pelo menos uns 99%. E não há risco nenhum: a precisão na definição das pistas de tráfego aéreo, em um vôo de centenas de quilômetros, não traz absolutamente nenhuma vantagem.

3 - Para os políticos que propõe o voto distrital mas se preocupam em como montar os distritos: a divisão em distritos deve ser especificada na lei através da escolha de algum algoritmo de "clustering." Existem muitos algoritmos bons, e qualquer um deles serve para resolver o problema. Se não for definido um algoritmo formal, a divisão se torna uma questão política onde os partidos buscam definir distritos em benefício próprio. Essa discussão, muito problemática nos Estados Unidos, se dá em torno de algo que não oferece nenhum benefício ao país. Isso pode dificultar a adoção do sistema, o que seria uma pena, pois o voto distrital é o sistema no qual o eleitor melhor pode expressar sua opinião. O uso de um método objetivo e impessoal para a divisão em distritos pode facilitar o uso do voto distrital, o que traria claros benefícios para o país.

02 novembro 2006

Para ninguém achar que ser antiliberal virou privilégio da esquerda

Deu no jornal hoje: sociólogo Emir Sader é condenado por por crime de injúria contra o senador Jorge Bornhausen.

O senador Bornhausen é uma figura pública. Tem que aceitar que vai ser alvo de opiniões acaloradas, contra e a favor, verdadeiras e falsas, algumas delas preconceituosas e até ofensivas, como essa. O sociólogo xinga o senador de racista e fascista sem qualquer justificativa. Coloca palavras na boca do político conservador catarinense de origem alemã, por puro preconceito. Aproveitou para xingar os habitantes dos estados vizinhos ao do senador, chegando até São Paulo, por crime de cor de cabelo. Entendo que o senador se sinta injuriado.

Porém, repetindo mais uma vez, o senador é uma figura pública. Tem que conviver com esses ataques. Para o bem da liberdade de expressão, sob assédio constante dos governos do PT, devia ter se contido em usar a justiça contra o preconceituoso sociólogo. E a justiça, que corrige tão pouca injustiça, perdeu mais uma oportunidade de ficar de boca fechada.

30 outubro 2006

A Acadêmica Bertoleza e o Gigante Burocrator

Postei uma versão com algumas correções no Google Base. Foi mais fácil do que consertar o arquivo no Ourmedia ou no Internet Archive. A licença continua a mesma, distribuição e cópia livres. É só seguir o link no título acima e depois baixar o pedefê.

29 outubro 2006

Os três eixos do primeiro Lulato

Domingão ensolarado de eleição, vamos fazer um balanço. Os primeiros quatro anos de governo Lula podem ser definidos por três eixos: o atentado à economia popular, o atentado à democracia, e o atentado ao pudor.

O primeiro eixo era o mais largamente temido antes da eleição de Lula, por causa do histórico dos discursos do PT, mas acabou não se realizando: o governo Lula teve uma política econômica inepta, timorata, porém conservadora, para não dizer reacionária. No segundo, talvez o mais perigoso, o PT se mostrou mais pragmático do que ideológico: testou as águas com uma tentativa de restabelecer a censura à imprensa e aos meios de comunicação, e uma proposta de criação de sovietes sob o controle do partido nas universidades, mas ao encontrar resistência desistiu. Foi no eixo da imoralidade que o governo Lula surpreendeu a todos que já votaram nele uma vez ou outra.

As atitudes em cada um dos eixos contribuíram para o fim daquela antiga e um tanto pitoresca figura do "petista", aquele de camiseta, estrelinha, e adesivo no carro. Antiliberal, exceto com o dinheiro alheio, mas não em benefício próprio. Foi-se. O PT agora obtém votos nos rincões que elegiam os últimos remanescentes da ditadura, aliado com Maluf, Quércia, Collor, e Delfim, no lugar das tradicionais "forças progressistas."

Como serão os prováveis 4 anos seguintes do governo Lula? Prosseguirá Lula em sua política econômica irracional mas cautelosa, ou trará de volta a inflação, gastando tudo que não gastou no primeiro mandato, em uma vingança contra o bolso do contribuinte que votou contra ele? Será que o PT, sem figuras de expressão elegíveis, continuará aceitando a constituição (embora de mau grado), ou prepara já um auto-golpe chavista e fujimorista? Tentará o PT salvar um pouco de sua antiga reputação de honestidade, ou continuará a arriscar suas chances eleitorais em atentados violentos ao pudor?

Meu palpite? As coisas vão se inverter. Menos descaramento na corrupção: a putaria volta para o armário. Continuadas tentativas pouco coerentes de solapar a democracia: voto indireto para deputado, quem sabe senador biônico, talvez até a treeleição e a emenda "Taça Jules Rimet": quem ganhar 3 vezes leva a faixa para casa. Mas sem muito empenho. E mais, muito mais, desperdício de dinheiro público: contratações em massa de carteiros, petistas, e outros barnabés; irresponsabilidade fiscal, beneficiando políticos venais e aliados. Acho que o PT vai tentar voltar um pouco às origens. Mas já errei antes. Mais de uma vez.

28 outubro 2006

Carta aos colegas professores da Poli

Caros colegas,

Ouvi com estupefação que a congregação da Escola Politécnica voltou a discutir a proposta de baixar o nível de exigência no vestibular para cursos de menor procura, com o objetivo de trazer mais alunos justamente para essas áreas. São as especializações que despertam menos interesse entre os vestibulandos, e que oferecem possibilidades de emprego mais limitadas por não terem acompanhado a evolução tecnológica e econômica do Brasil ao longo das décadas.

Esse problema do descompasso entre as exigências da engenharia e a oferta de especializações na Escola Politécnica já data de pelo menos um quarto de século, que foi quando eu ingressei na Poli como calouro. Ele é causado pelo fato de que as estruturas curriculares são decididas pela congregação e conselhos levando em conta as conveniências do corpo docente em primeiro lugar. Com isso os currículos ficam defasados em relação ao interesse dos estudantes, às demandas das empresas, e à evolução tecnológica da engenharia. O mais incrível é que nesse intervalo já houve uma mudança de quase toda uma geração de professores, no entanto as antigas estruturas curriculares se mantém.

E não adianta tentarmos argumentar que os cursos e conteúdos se modernizaram, que houve reformas curriculares, diversas ECs, que as opções foram para o vestibular e voltaram, que foram criadas grandes áreas, ou outras mumunhas. Nem mandar baixar o espírito do Ramos de Azevedo. Não é a nós mesmo que os argumentos têm que convencer, menos de todos a esse missivista. Temos que convencer aos alunos e à sociedade brasileira que nossos cursos valem a pena. E claramente os cursos que não formam nem metade do número de vagas para ingressantes não convencem.

Mais preocupante é que aparentemente continuamos agindo como se a nossa concorrência fosse a faculdade de engenharia de São Carlos, a ciência da computação da matemática, ou uns aos outros dentro da Politécnica. Nossos concorrentes são a China e a Índia. E estamos perdendo a concorrência, 8% de crescimento do PIB contra 2% pelos últimos dados aproximados que lembro. Os alunos são os melhores que há, mesmo que de vez em quando surjam essas propostas absurdas. Se fosse um campeonatos de futebol, estaria na hora de trocar de técnico. E os técnicos somos nós os engenheiros. Para continuar perdendo de 8 a 2, pode deixar tudo como está. Para crescer 2% ao ano, pode congelar o número de vagas em cada área, e deixar para quem saber consertar alguma coisa daqui a mais uns 25 anos. Não vai fazer diferença mesmo, vão todos trabalhar em banco.

Agora, se quisermos fazer uma contribuição para a engenharia e economia nacional... Está na hora de andar para frente, e não para trás.

Ainda estupefato,
πt

18 outubro 2006

A Acadêmica Bertoleza e o Gigante Burocrator

Para o bem ou o para o mal, está publicada com uma licença do Creative Commons minha primeira obra de ficção. Citando o narrador:

"O bom da internet é que qualquer palhaço pode publicar o que quiser. O bom da democracia é que ninguém é obrigado a ler."

Quem quiser, que o faça por sua conta e risco:

http://www.ourmedia.org/node/263825

É só seguir o link "This media file's URL" para baixar um arquivo pedefê. O arquivo mesmo está em:

http://ia331302.us.archive.org/3/items/A_Acadmica_Bertoleza_e_o_Gigante_Burocrator_2/A_academica_Bertoleza_e_o_Gigante_Burocrator.pdf

Aproveito o ensejo para etc. etc. etc.