Diálogo que gostaria de ter ouvido no debate dos candidatos a prefeito de S Paulo:
Maluf: "Nunca mudei de partido."
Soninha: "Mudou sim. Você começou na Arena, que era o partido da ditadura, depois foi para o PDS, partidos dos salafrários, mudou para o PPR, depois para o PPB, mudou tantas vezes que hoje nem sei mais qual o nome do seu partido."
Maluf: "Sempre fui do mesmo partido. O número do meu partido sempre foi 11. Só mudou o nome do partido. O número sempre foi o mesmo."
Qualquer um: "Maluf, quem muda de nome mas fica sempre com o mesmo número é presidiário."
Infelizmente não ouvi. Nossos políticos não são suficientemente bem preparados.
30 setembro 2008
23 setembro 2008
Comissão de falta de ética da USP
A assim chamada comissão de ética da USP acaba de passar um atestado de falta de idoneidade contra si própria. Um comunicado distribuído ontem afirma que a comissão investigou uma acusação de plágio, e tendo concluído os trabalhos, vai manter o resultado em segredo. O pretexto para o segredo não vale os elétrons do email: invoca o fato de que a constituição garante a inviolabilidade da vida privada das pessoas como se isso desse imunidade a funcionários públicos para cometerem maracutaias no exercício de suas funções públicas. Um argumento imbecil que nem merece análise. E a reitoria ainda pede que a gente aceite o próprio segredo do relatório como prova de sua ética e competência!
Ainda sem saber se houve ou não plágio, a comunicação da reitoria é uma vergonha. Tão descarada que é pior do que seria o plágio, por não deixar dúvida quanto à premeditação. Enquanto o relatório da reitoria, se é que essa investigação realmente occoreu, fica em segredo, e ficamos sem saber se os plagiadores, se é que plagiaram, foram punidos, vale lembrar que os autores da denúncia de plágio já foram punidos sem maiores cerimônias.
Ainda sem saber se houve ou não plágio, a comunicação da reitoria é uma vergonha. Tão descarada que é pior do que seria o plágio, por não deixar dúvida quanto à premeditação. Enquanto o relatório da reitoria, se é que essa investigação realmente occoreu, fica em segredo, e ficamos sem saber se os plagiadores, se é que plagiaram, foram punidos, vale lembrar que os autores da denúncia de plágio já foram punidos sem maiores cerimônias.
27 agosto 2008
Maestro deixa orquestra da Usp e ataca burocracia
No jornal de hoje: o maestro Carlos Moreno responsabilizou a burocracia interna da Universidade de São Paulo pela decisão de se demitir da direção musical de sua orquestra sinfônica. Seu contrato não foi transformado num cargo permanente, e a metade dos músicos não é contratada, precisando se apresentar em troca de cachês. Queixou-se também da interrupção da série "Aquarela" de concertos e do projeto "Academia", pelo qual a Osusp mantinha 25 jovens bolsistas.
"Aconteceram algumas coisas que eu prefiro não comentar". Entre as que comentou há o exemplo de suas duas últimas viagens ao exterior. Ele foi ao Japão e à República Tcheca, onde há três anos leciona regência num festival. No dia de seu primeiro embarque, a direção administrativa da orquestra argumentou não ter encontrado uma forma para que a viagem fosse oficialmente autorizada. Sem a autorização, ele se exporia a ser demitido por abandono do cargo.
O pró-reitor de cultura e extensão universitária da USP, Ruy Alberto Altafim, afirma que a passagem do regente pela orquestra "atendeu às necessidades e à legislação vigente. A ação desta pró-reitoria, na qual se inserem as atividades de cultura e extensão da orquestra da USP, obedece aos princípios acadêmicos e normativos da universidade pública. As decisões são colegiadas e embasadas em análises de mérito por suas comissões e conselhos na defesa do interesse público e acadêmico, sempre com o sentido de elevar as condições de ensino, a produção do conhecimento e o nosso patrimônio cultural".
Em resumo: o que vale são os princípios normativos que embasam as reuniões perenes das comissões. Sorte dos burocratas, e azar dos músicos.
"Aconteceram algumas coisas que eu prefiro não comentar". Entre as que comentou há o exemplo de suas duas últimas viagens ao exterior. Ele foi ao Japão e à República Tcheca, onde há três anos leciona regência num festival. No dia de seu primeiro embarque, a direção administrativa da orquestra argumentou não ter encontrado uma forma para que a viagem fosse oficialmente autorizada. Sem a autorização, ele se exporia a ser demitido por abandono do cargo.
O pró-reitor de cultura e extensão universitária da USP, Ruy Alberto Altafim, afirma que a passagem do regente pela orquestra "atendeu às necessidades e à legislação vigente. A ação desta pró-reitoria, na qual se inserem as atividades de cultura e extensão da orquestra da USP, obedece aos princípios acadêmicos e normativos da universidade pública. As decisões são colegiadas e embasadas em análises de mérito por suas comissões e conselhos na defesa do interesse público e acadêmico, sempre com o sentido de elevar as condições de ensino, a produção do conhecimento e o nosso patrimônio cultural".
Em resumo: o que vale são os princípios normativos que embasam as reuniões perenes das comissões. Sorte dos burocratas, e azar dos músicos.
23 agosto 2008
Movimento brasileiro pró-tirania continua atuante
Deu na Folha hoje: "Em reação ao seu indiciamento por crimes contra a humanidade pelo procurador do Tribunal Penal Internacional, o presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, despachou emissários para ações de relações públicas na América Latina, na Ásia e no Oriente Médio -onde deseja obter apoio político. (...) O presidente sudanês foi indiciado pelo procurador do TPI, Luis Moreno Ocampo, por genocídio e outros crimes contra a humanidade, após o massacre de mais de 300 mil pessoas na região de Darfur. (...) Durante sua visita a Brasília, Karti foi recebido pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e pelo secretário-geral das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães."
Continuem escrevendo aos políticos brasileiros contra os massacres no Sudão! Apesar de que enquanto esse Marco Aurélio Garcia continuar no Planalto, não vai ajudar quase nada.
Continuem escrevendo aos políticos brasileiros contra os massacres no Sudão! Apesar de que enquanto esse Marco Aurélio Garcia continuar no Planalto, não vai ajudar quase nada.
19 agosto 2008
Saladino Aranda
O atleta panamenho Irving Jahir Saladino Aranda ganhou a medalha de ouro em salto em distância nas olímpiadas, a primeira de seu país. O campeão considera a medalha metade brasileira porque ele treina em São Paulo, onde pretende continuar morando até os jogos de 2012. Desde que começou a treinar em São Paulo, seus saltos melhoraram em mais de 1 metro!
Na minha incompetente opinião de quatro olhos sem grande conhecimento sobre esportes, é uma notícia interessante para os brasileiros - pelo menos para os paulistanos! No entanto, a imprensa esportiva brasileira ignora por completo o campeão. Uma busca em sites de notícias do Brasil não encontra uma menção ao seu nome. A Folha e UOL não têm nada, o Estadão traz uma foto das agências internacionais sem texto, e o Globo pergunta "Você está procurando por salgadinho varanda?"
Chauvinismo dos comentaristas esportivos, incompetência, ou pura preguiça?
Na minha incompetente opinião de quatro olhos sem grande conhecimento sobre esportes, é uma notícia interessante para os brasileiros - pelo menos para os paulistanos! No entanto, a imprensa esportiva brasileira ignora por completo o campeão. Uma busca em sites de notícias do Brasil não encontra uma menção ao seu nome. A Folha e UOL não têm nada, o Estadão traz uma foto das agências internacionais sem texto, e o Globo pergunta "Você está procurando por salgadinho varanda?"
Chauvinismo dos comentaristas esportivos, incompetência, ou pura preguiça?
15 agosto 2008
Inteligência artificial vence profissional de Go
O programa MoGo venceu uma partida de Go (baduk, weiqi) contra o profissional Kim Myungwan 8p.
Me parece que Kim Myungwan 8p jogou a partida como uma demonstração. Isso é, ele jogou os melhores lances mas não pôs o empenho emocional que, para comparação, o Kasparov pôs no match que perdeu do Deep Blue. Digo isso mais pelos comentários e pelo tempo gasto do que pela leitura da partida, que de qualquer forma foi jogada em um nível muito superior ao meu entendimento.
Provavelmente ele pode fazer isso porque foi um jogo com handicap e ele é "apenas" 8 dan. O Kasparov era o melhor do mundo por uma larga margem, com um tremendo ego acompanhando cada partida, e o computador era o único enxadrista atuante - quase escrevo vivo, mas não seria correto por 2 motivos que o leitor pode se divertir em adivinhar - capaz de jogar de igual para igual com ele. Depois do match, ele foi perdendo o interesse pelo xadrez, até que se aposentou ainda no topo do ranking para se dedicar à política.
(Infelizmente, na nova carreira Kasparov não tem tido o mesmo sucesso que teve no xadrez. Quem sabe se fosse um grande mestre de Go, as lições do jogo seriam mais úteis para a estratégia política, e por conseqüência não estariamos sendo obrigados a assistir mais uma guerra no Cáucaso? Mas isso é outro assunto......)
Voltando ao Go, não deixa de ser impressionante o progresso da inteligência artificial. Continuando a subir a força uma pedra por ano, ou dois que sejam, os computadores logo vão jogar de igual para igual com os profissionais coreanos. Outra coisa a considerar é que os jogos com handicap são extremamente táticos, uma situação que favorece o cálculo por força bruta dos computadores. (Não tenho muita certeza desse último ponto. Vocês concordam?)
O maior teste da inteligência artificial talvez não seja quantas pedras de força o computador sobe por ano. Uma vez que o computador alcançar um profissional sem handicap, quantos anos levará até o computador ficar competitivo com um 9 dan profissional no goban 21x21? E 23x23? Tabuleiros gigantes?
Tenho 3 palpites. Um, que nós vamos ver o MoGo jogando como um 7p num futuro próximo, 9p vai demorar um pouco mais. Dois, que o teste do tabuleiro maior será mais difícil do que o 19x19 sem handicap. E três, que nos tabuleiros maiores a escola tradicional japonesa, da análise estética do jogo de Go, vai se mostrar mais resistente aos ataques da inteligência artificial do que a escola continental contemporânea da análise lógica.
Me parece que Kim Myungwan 8p jogou a partida como uma demonstração. Isso é, ele jogou os melhores lances mas não pôs o empenho emocional que, para comparação, o Kasparov pôs no match que perdeu do Deep Blue. Digo isso mais pelos comentários e pelo tempo gasto do que pela leitura da partida, que de qualquer forma foi jogada em um nível muito superior ao meu entendimento.
Provavelmente ele pode fazer isso porque foi um jogo com handicap e ele é "apenas" 8 dan. O Kasparov era o melhor do mundo por uma larga margem, com um tremendo ego acompanhando cada partida, e o computador era o único enxadrista atuante - quase escrevo vivo, mas não seria correto por 2 motivos que o leitor pode se divertir em adivinhar - capaz de jogar de igual para igual com ele. Depois do match, ele foi perdendo o interesse pelo xadrez, até que se aposentou ainda no topo do ranking para se dedicar à política.
(Infelizmente, na nova carreira Kasparov não tem tido o mesmo sucesso que teve no xadrez. Quem sabe se fosse um grande mestre de Go, as lições do jogo seriam mais úteis para a estratégia política, e por conseqüência não estariamos sendo obrigados a assistir mais uma guerra no Cáucaso? Mas isso é outro assunto......)
Voltando ao Go, não deixa de ser impressionante o progresso da inteligência artificial. Continuando a subir a força uma pedra por ano, ou dois que sejam, os computadores logo vão jogar de igual para igual com os profissionais coreanos. Outra coisa a considerar é que os jogos com handicap são extremamente táticos, uma situação que favorece o cálculo por força bruta dos computadores. (Não tenho muita certeza desse último ponto. Vocês concordam?)
O maior teste da inteligência artificial talvez não seja quantas pedras de força o computador sobe por ano. Uma vez que o computador alcançar um profissional sem handicap, quantos anos levará até o computador ficar competitivo com um 9 dan profissional no goban 21x21? E 23x23? Tabuleiros gigantes?
Tenho 3 palpites. Um, que nós vamos ver o MoGo jogando como um 7p num futuro próximo, 9p vai demorar um pouco mais. Dois, que o teste do tabuleiro maior será mais difícil do que o 19x19 sem handicap. E três, que nos tabuleiros maiores a escola tradicional japonesa, da análise estética do jogo de Go, vai se mostrar mais resistente aos ataques da inteligência artificial do que a escola continental contemporânea da análise lógica.
30 junho 2008
Randall Stross eating his hat
NeXT fans will enjoy reading Eandall Stross, author of the 93cent book Steve Jobs & the Next Big Thing, eating his hat in his column in the NYTimes this Sunday.
17 junho 2008
Expoentes liberticidas
Em entrevista à Folha de S Paulo, o lídimo expoente da hiperinflação Luiz Gonzaga Belluzzo avalia os presidentes do Brasil, num trecho que só apareceu na versão papel. Resumindo: "Getúlio, nota 9 porque foi ditador. Juscelino, nota 8 porque incentivou o transporte rodoviário." É uma oportunidade para conferir quão pouco valor os economistas liberticidas dão à democracia.
13 junho 2008
Congresso da Indústria FIESP - relatório de viagem
Hoje viajei para assitir uma mesa redonda sobre política industrial no Congresso da Indústria organizado pela FIESP. O encontro ocorreu lá a meio caminho do fim do mundo, perto daquelas ruas com nomes conhecidos por todo engenheiro elétrico que se dê ao respeito, naquele trecho da marginal Pinheiros conhecido pelos engarrafamentos 24h com largura quase igual à extensão. Munido de um passe único fui e voltei de trem espanhol, que proporciona ao passageiro o prazer de ouvir Chopin enquanto assiste os bacanas de carros importados ficando para trás, parados no trânsito.
Os debates foram de nível bem mais elevado do que o que nos acostumamos a ouvir de ministros, políticos, ou industriais. Duas décadas de democracia já estão fazendo um efeito salutar sobre as figuras públicas de maneira geral. O ministro da Defesa, por exemplo, é claramente um competentíssimo advogado que está fazendo um esforço honesto para se inteirar da ciência militar. Desenvolvimentistas diversos fazem questão de demonstrar que não são escravos de economistas desenterrados, nem se despediram do bom senso ao assumirem cargos executivos, ao contrário do hábito até há poucos anos. Os empresários de maneira geral continuam clamando por benesses específicas para seus setores - um pede a proibição de importação pela concorrência, o outro a proibição da exportação por seus fornecedores; um terceiro quer crédito oficial subsidiado, o quarto uma diminuição dos impostos dirigida a um setor dito estratégico; um setor quer que as forças armadas tenham isenção das leis de licitação para adquirirem fardas 100% nacionais e proporcionalmente mais caras, enquanto outro quer um acordo que induza países do Mercosul a comprarem armamento de fabricação brasileira; e assim por diante. Mas o tom geral é de respeito à lei, à ordem, e à lógica da economia. Inspira uma patriótica confiança.
Encerrando o evento o presidente da FIESP mencionou um assunto que até então só tinha merecido um par de citações passageiras: a educação. Ele destacou as importantes e úteis ações das organizações da indústria e comércio, especialmente quanto ao ensino técnico. De fato, me parece que a qualidade da formação dos praças e oficiais tem muito mais relevância para a segurança nacional do que a procedência das fardas. Afirmações similares valem para outros setores da sociedade. Aí já era tarde demais para eu fazer a pergunta que tinha preparado, mas desistido de formular porque não parecia ser o fórum adequado. Reproduzo aqui, para quem quiser ler:
"Um assunto que mal foi mencionado essa tarde é a formação de recursos humanos. Grandes e médias empresas em particular têm um papel muito pouco positivo. Falando como professor universitário: as políticas de contratação e de recursos humanos são um desestímulo para o desenvolvimento dos jovens profissionais. As empresas não levam em consideração o aproveitamento nos estudos, nem os conhecimentos inovadores produzidos e absorvidos pelos estudantes nas universidades. Elas avaliam os candidatos por meio de testes psicotécnicos boçais ou pela contabilidade de horas de estágios de duvidosa relevância para o aperfeiçoamento profissional. Com isso passam aos estudantes a mensagem de que o investimento em educação e inovação não será reconhecido. O que está sendo feito para eliminar esse gargalo para o desenvolvimento tecnológico, tão peculiar à indústria brasileira?"
Minha participação ocorreu por autoconvite feito pelo site do evento. Foram oferecidos a todos os participantes almoço e jantar, os quais não pude aproveitar, mas tive a oportunidade de consumir uma bebida alcoólica, ficando agradecido pela generosa oferta da FIESP.
Os debates foram de nível bem mais elevado do que o que nos acostumamos a ouvir de ministros, políticos, ou industriais. Duas décadas de democracia já estão fazendo um efeito salutar sobre as figuras públicas de maneira geral. O ministro da Defesa, por exemplo, é claramente um competentíssimo advogado que está fazendo um esforço honesto para se inteirar da ciência militar. Desenvolvimentistas diversos fazem questão de demonstrar que não são escravos de economistas desenterrados, nem se despediram do bom senso ao assumirem cargos executivos, ao contrário do hábito até há poucos anos. Os empresários de maneira geral continuam clamando por benesses específicas para seus setores - um pede a proibição de importação pela concorrência, o outro a proibição da exportação por seus fornecedores; um terceiro quer crédito oficial subsidiado, o quarto uma diminuição dos impostos dirigida a um setor dito estratégico; um setor quer que as forças armadas tenham isenção das leis de licitação para adquirirem fardas 100% nacionais e proporcionalmente mais caras, enquanto outro quer um acordo que induza países do Mercosul a comprarem armamento de fabricação brasileira; e assim por diante. Mas o tom geral é de respeito à lei, à ordem, e à lógica da economia. Inspira uma patriótica confiança.
Encerrando o evento o presidente da FIESP mencionou um assunto que até então só tinha merecido um par de citações passageiras: a educação. Ele destacou as importantes e úteis ações das organizações da indústria e comércio, especialmente quanto ao ensino técnico. De fato, me parece que a qualidade da formação dos praças e oficiais tem muito mais relevância para a segurança nacional do que a procedência das fardas. Afirmações similares valem para outros setores da sociedade. Aí já era tarde demais para eu fazer a pergunta que tinha preparado, mas desistido de formular porque não parecia ser o fórum adequado. Reproduzo aqui, para quem quiser ler:
"Um assunto que mal foi mencionado essa tarde é a formação de recursos humanos. Grandes e médias empresas em particular têm um papel muito pouco positivo. Falando como professor universitário: as políticas de contratação e de recursos humanos são um desestímulo para o desenvolvimento dos jovens profissionais. As empresas não levam em consideração o aproveitamento nos estudos, nem os conhecimentos inovadores produzidos e absorvidos pelos estudantes nas universidades. Elas avaliam os candidatos por meio de testes psicotécnicos boçais ou pela contabilidade de horas de estágios de duvidosa relevância para o aperfeiçoamento profissional. Com isso passam aos estudantes a mensagem de que o investimento em educação e inovação não será reconhecido. O que está sendo feito para eliminar esse gargalo para o desenvolvimento tecnológico, tão peculiar à indústria brasileira?"
Minha participação ocorreu por autoconvite feito pelo site do evento. Foram oferecidos a todos os participantes almoço e jantar, os quais não pude aproveitar, mas tive a oportunidade de consumir uma bebida alcoólica, ficando agradecido pela generosa oferta da FIESP.
10 junho 2008
Corintiano Lap Chan diz que o governo só atrapalhou
FOLHA - Você me disse antes da entrevista que fica chateado porque afirmam na imprensa que você é "chinês".
CHAN - Fico chateado porque todo mundo fala "é o chinês", mas o chinês aqui é mais brasileiro do que muitas pessoas que eu conheço. Eu tenho o coração brasileiro. Tenho sotaque chinês? Não tenho. Sou um corintiano sofrido!
CHAN - Fico chateado porque todo mundo fala "é o chinês", mas o chinês aqui é mais brasileiro do que muitas pessoas que eu conheço. Eu tenho o coração brasileiro. Tenho sotaque chinês? Não tenho. Sou um corintiano sofrido!
28 maio 2008
As catacumbas cantabrigenses
Aproveitando o feriado pagão e anticonstitucionalíssimo no final de maio, fui visitar a bibioteca da Universidade Harvard, em Cambridge, Massachusetts, em busca de um tomo obscuro. Ao contrário de grande parte das bibliotecas no Estados Unidos, Harvard exige um crachá para entrar na biblioteca. Expliquei que era professor em S Paulo, no Brasil, e que gostaria de consultar alguns livros. Com isso recebi um crachá feito na hora, com fotografia e tudo, válido por uma semana, que me deu acesso livre às bibliotecas. A título de comparação, o cartão de identificação da USP demorou mais de 6 meses para ficar pronto, e não serve para todas as bibliotecas da USP, embora eu seja professor!
O alfarrábio que buscava encontrava-se no quarto subterrâneo (andar -4 para os colegas engenheiros) da biblioteca Widener, numa seção cuja organização é anterior às catalogações Dewey e da Biblioteca do Congresso. Bom, não sei se é anterior, mas é diferente - não vá o caro leitor, se houver, acreditar em tudo que lê em blog. Depois de algum esforço e da travessia de um labirinto de túneis encontrei o que buscava - uma exposição do método da equivalência de Élie Cartan - entre os vetustos calhamaços publicados por doutas sociedades das europas. Estando na Nova Inglaterra, recomendo a todas essa erudita aventura turística.
O alfarrábio que buscava encontrava-se no quarto subterrâneo (andar -4 para os colegas engenheiros) da biblioteca Widener, numa seção cuja organização é anterior às catalogações Dewey e da Biblioteca do Congresso. Bom, não sei se é anterior, mas é diferente - não vá o caro leitor, se houver, acreditar em tudo que lê em blog. Depois de algum esforço e da travessia de um labirinto de túneis encontrei o que buscava - uma exposição do método da equivalência de Élie Cartan - entre os vetustos calhamaços publicados por doutas sociedades das europas. Estando na Nova Inglaterra, recomendo a todas essa erudita aventura turística.
24 abril 2008
BNDES financiava bordel de advogado do Maluf
Deu no jornal hoje. Conselheiro do BNDES investia dinheiro do banco em rede de prostituição. Será que é por isso que ainda há gente defendendo a "política de desenvolvimento" dos bancos oficiais? Vamos privatizar essa meretrória instituição para ver qual trabalhador ia deixar o seu fundo de garantia lá.
08 abril 2008
Fotos censuradas!


Ano passado a USP solicitou uma fotografia para fazer um crachá novo. Enviei pela internet a foto à direita. Pouco mais de meio ano depois, chega o crachá, mas com uma chatérrima foto 3x4. Vejam aqui fotografias proibidas de professor em posição extrema e ilegal, em cima da USP, trepado na torre do relógio!
13 fevereiro 2008
02 janeiro 2008
MacBook Touch na MacWorld
Having read the rumors about the announcement of an ultra-portable Mac at the MacWorld 2008 in two weeks, I will add my own speculation:
- It will be called the MacBook Touch.
- Flash memory, or 1.8in iPod disk, maybe both.
- No built-in optical drive (obvious).
- No built-in keyboard (less obvious).
- iPhone-style interface when using without a keyboard. How it will be made to stand upright on a wireless keyboard, I don't have a clue, but the designers at Apple must be able to figure it out.
- Firewire 3200 to make up for lack of internal disks (I am probably wrong on that).
- 3G cell phone contract available (battery life is less of a problem than on a phone, but I am probably wrong on this as well).
- Everybody and their dogs will want one, but there will be a lot of whining about drive and screen size, lack of CD and GPS, choice of wireless carriers, battery life, and so on (easy).
- It will be called the MacBook Touch.
- Flash memory, or 1.8in iPod disk, maybe both.
- No built-in optical drive (obvious).
- No built-in keyboard (less obvious).
- iPhone-style interface when using without a keyboard. How it will be made to stand upright on a wireless keyboard, I don't have a clue, but the designers at Apple must be able to figure it out.
- Firewire 3200 to make up for lack of internal disks (I am probably wrong on that).
- 3G cell phone contract available (battery life is less of a problem than on a phone, but I am probably wrong on this as well).
- Everybody and their dogs will want one, but there will be a lot of whining about drive and screen size, lack of CD and GPS, choice of wireless carriers, battery life, and so on (easy).
26 novembro 2007
Opções no vestibular na Escola Politécnica
Contexto: os alunos que ingressarão na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo no próximo ano foram obrigados a optarem pelas diversas especialidades da engenharia já na inscrição para o exame vestibular, apesar de que é sabido e notório que os estudantes de colégio não tem informações nem maturidade para essa especialização precoce. Essa mudança em relação ao sistema anterior foi decidida numa reunião noturna da congregação da Poli e teve como base um conchavo político com o objetivo de salvar as aparências dos cursos de menor procura, especialmente engenharia civil e eletrotécnica. A engenharia elétrica, que habitualmente estava entre as mais procuradas, teve a menor procura entre os alunos que estavam optando sem conhecimento de causa. Como parte de uma longa e acalorada discussão por email entre professores de engenharia elétrica, enviei aos colegas uma carta que reproduzo abaixo.
Prezados colegas,
Na minha opinião estamos levantando pontos importantes em resposta aos números da FUVEST, porém uma parte das discussões não está acertando o alvo. O fato é que tentarmos informar os vestibulandos a respeito dos detalhes dos nossos cursos e opções não vai ser um trabalho eficaz. Primeiro porque o universo dos possíveis candidatos, os estudantes dos colégios, é grande demais para alcançarmos com o número de professores que temos, a grande maioria já muito atarefados com ensino, pesquisa, e projetos de engenharia. Em segundo lugar porque os vestibulandos estão demasiado preocupados com o próprio vestibular, e não têm tempo nem experiência suficientes para entenderem os detalhes do que acontece aqui dentro. Em que pese a brilhante consideração do Prof. Massola, não vai ser uma linha no formulário da FUVEST, seja em ordem alfabética ou cronológica, que vai informar os alunos de colégio adequadamente a respeito das atividades científicas e tecnológicas que ocorrem aqui dentro da Poli. E embora seja útil termos um bom conteúdo em nossas páginas na rede, em contraposição a informações burocráticas de interesse reduzido, isso também não vai ser a solução do problema.
Por outro lado, uma vez que os alunos ingressam na Poli e estão em contato direto com professores da USP, eles têm plenas condições de se informarem a respeito dos cursos, das pesquisas, e dos projetos que fazemos. E nós, com uma ou outra exceção de algum professor que talvez não freqüente sala de aula há décadas, temos todas as condições para transmitir nosso entusiasmo pelas diversas áreas da engenharia.
Por isso a ÚNICA SAÍDA para a situação na qual essa decisão irrefletida da congregação nos meteu é permitir que os alunos FAÇAM TRANSFERÊNCIA de um curso para outro após em qualquer momento após entrarem na Poli. A primeira justificativa é a dada acima: uma vez aqui dentro, os alunos têm a oportunidade de fazer uma escolha mais consciente, com o apoio dos professores quando sentirem a necessidade. A segunda justificativa é uma questão de eficiência: para o bom uso do dinheiro público é indispensável termos alunos nos cursos dentro dos quais eles terão as melhores expectativas de desenvolverem suas atividades profissionais. De outra forma, continuaremos com os problemas atuais, incluindo vagas ociosas, repetência, abandono de cursos e carreiras, alunos prestando vestibulares repetidos e demorando a se formar por terem "se enganado" as respeito de opções, e assim por diante.
A razão final para mim é a decisiva: temos a obrigação de respeitar a liberdade individual de cada aluno, futuro engenheiro e colega, de traçar seus caminhos profissionais. Na minha opinião esse argumento é eticamente irrefutável.
Explicitando, os alunos não estão aqui para servirem aos interesses profissionais ou corporativos do corpo docente, nem para justificarem nossas escolhas didáticas ou de pesquisa. Pelo contrário, somos nós que estamos aqui pagos pelo contribuinte de impostos para servir aos futuros engenheiros e contribuir para o desenvolvimento tecnológico do Estado de S Paulo. O Prof Jardini nos explica que, uma vez tendo colocado os vestibulandos nos cursos que queremos oferecer, seremos capazes de induzi-los a seguir carreiras profissionais nas áreas que são do nosso agrado. Talvez na finada União Soviética ou na Coréia do Norte esse argumento tivesse força, mas num país livre como o Brasil a falácia é evidente. A congregação da Escola Politécnica teve o poder de forçar os ingressantes a tomarem decisões prematuras quanto à escolha dos cursos, mas não tem meio de obrigar os alunos da Politécnica a estudarem em cursos para os quais estejam pouco motivados. Muito menos há como obrigar os engenheiros formados na Politécnica a rejeitarem ofertas de emprego em uma área ou outra que nós em nossa imensa experiência e sabedoria julgamos menos nobres.
Os alunos que julgarem sua escolha prematura como inadequada vão fazer o que puderem para remediar a situação. Uns vão prestar vestibular novamente, deixar vagas ociosas. A maioria provavelmente vai estudar o mínimo para passar nos cursos que não acharem motivantes, e fazer qualquer estágio que ofereça alguma perspectiva profissional ou uns trocados a mais. Todos nós professores que nos dedicamos ao ensino temos experiência com esse fenômeno profundamente desencorajador e humilhante do "abandono virtual" das salas de aula.
Para terminar, temos uma responsabilidade coletiva pela decisão disparatada tomada pela congregação e por suas conseqüências futuras. Uns por omissão, outros por distração, muitos por excesso de outras preocupações e responsabilidades, e com certeza alguns por colocarem seus interesses corporativistas à frente das suas responsabilidades como engenheiros, professores, e funcionários do estado. Os riscos trazidos pela situação que assim criamos eu vejo como uma oportunidade de melhoria do ensino na Poli em relação ao esquema vigente até agora. Basta que deixemos de lado propostas ineficazes e de pequeno alcance, bem como discussões menores sobre picuinhas, e aproveitemos a oportunidade para dar aos estudantes a possibilidade de LIVRE TRANSFERÊNCIA entre cursos e opções.
Estou torcendo para que a Poli fique à altura desse desafio!
Sinceramente,
Pait
Prezados colegas,
Na minha opinião estamos levantando pontos importantes em resposta aos números da FUVEST, porém uma parte das discussões não está acertando o alvo. O fato é que tentarmos informar os vestibulandos a respeito dos detalhes dos nossos cursos e opções não vai ser um trabalho eficaz. Primeiro porque o universo dos possíveis candidatos, os estudantes dos colégios, é grande demais para alcançarmos com o número de professores que temos, a grande maioria já muito atarefados com ensino, pesquisa, e projetos de engenharia. Em segundo lugar porque os vestibulandos estão demasiado preocupados com o próprio vestibular, e não têm tempo nem experiência suficientes para entenderem os detalhes do que acontece aqui dentro. Em que pese a brilhante consideração do Prof. Massola, não vai ser uma linha no formulário da FUVEST, seja em ordem alfabética ou cronológica, que vai informar os alunos de colégio adequadamente a respeito das atividades científicas e tecnológicas que ocorrem aqui dentro da Poli. E embora seja útil termos um bom conteúdo em nossas páginas na rede, em contraposição a informações burocráticas de interesse reduzido, isso também não vai ser a solução do problema.
Por outro lado, uma vez que os alunos ingressam na Poli e estão em contato direto com professores da USP, eles têm plenas condições de se informarem a respeito dos cursos, das pesquisas, e dos projetos que fazemos. E nós, com uma ou outra exceção de algum professor que talvez não freqüente sala de aula há décadas, temos todas as condições para transmitir nosso entusiasmo pelas diversas áreas da engenharia.
Por isso a ÚNICA SAÍDA para a situação na qual essa decisão irrefletida da congregação nos meteu é permitir que os alunos FAÇAM TRANSFERÊNCIA de um curso para outro após em qualquer momento após entrarem na Poli. A primeira justificativa é a dada acima: uma vez aqui dentro, os alunos têm a oportunidade de fazer uma escolha mais consciente, com o apoio dos professores quando sentirem a necessidade. A segunda justificativa é uma questão de eficiência: para o bom uso do dinheiro público é indispensável termos alunos nos cursos dentro dos quais eles terão as melhores expectativas de desenvolverem suas atividades profissionais. De outra forma, continuaremos com os problemas atuais, incluindo vagas ociosas, repetência, abandono de cursos e carreiras, alunos prestando vestibulares repetidos e demorando a se formar por terem "se enganado" as respeito de opções, e assim por diante.
A razão final para mim é a decisiva: temos a obrigação de respeitar a liberdade individual de cada aluno, futuro engenheiro e colega, de traçar seus caminhos profissionais. Na minha opinião esse argumento é eticamente irrefutável.
Explicitando, os alunos não estão aqui para servirem aos interesses profissionais ou corporativos do corpo docente, nem para justificarem nossas escolhas didáticas ou de pesquisa. Pelo contrário, somos nós que estamos aqui pagos pelo contribuinte de impostos para servir aos futuros engenheiros e contribuir para o desenvolvimento tecnológico do Estado de S Paulo. O Prof Jardini nos explica que, uma vez tendo colocado os vestibulandos nos cursos que queremos oferecer, seremos capazes de induzi-los a seguir carreiras profissionais nas áreas que são do nosso agrado. Talvez na finada União Soviética ou na Coréia do Norte esse argumento tivesse força, mas num país livre como o Brasil a falácia é evidente. A congregação da Escola Politécnica teve o poder de forçar os ingressantes a tomarem decisões prematuras quanto à escolha dos cursos, mas não tem meio de obrigar os alunos da Politécnica a estudarem em cursos para os quais estejam pouco motivados. Muito menos há como obrigar os engenheiros formados na Politécnica a rejeitarem ofertas de emprego em uma área ou outra que nós em nossa imensa experiência e sabedoria julgamos menos nobres.
Os alunos que julgarem sua escolha prematura como inadequada vão fazer o que puderem para remediar a situação. Uns vão prestar vestibular novamente, deixar vagas ociosas. A maioria provavelmente vai estudar o mínimo para passar nos cursos que não acharem motivantes, e fazer qualquer estágio que ofereça alguma perspectiva profissional ou uns trocados a mais. Todos nós professores que nos dedicamos ao ensino temos experiência com esse fenômeno profundamente desencorajador e humilhante do "abandono virtual" das salas de aula.
Para terminar, temos uma responsabilidade coletiva pela decisão disparatada tomada pela congregação e por suas conseqüências futuras. Uns por omissão, outros por distração, muitos por excesso de outras preocupações e responsabilidades, e com certeza alguns por colocarem seus interesses corporativistas à frente das suas responsabilidades como engenheiros, professores, e funcionários do estado. Os riscos trazidos pela situação que assim criamos eu vejo como uma oportunidade de melhoria do ensino na Poli em relação ao esquema vigente até agora. Basta que deixemos de lado propostas ineficazes e de pequeno alcance, bem como discussões menores sobre picuinhas, e aproveitemos a oportunidade para dar aos estudantes a possibilidade de LIVRE TRANSFERÊNCIA entre cursos e opções.
Estou torcendo para que a Poli fique à altura desse desafio!
Sinceramente,
Pait
06 novembro 2007
Aula de introdução à engenharia elétrica
No link
http://felipe.pait.googlepages.com/auladenisehistoria2.pdf
estão as notas para a aula dos dias 7 e 8 de novembro de 2007 do curso da Profa. Denise, Práticas de Eletricidade. São 8 transparências sobre a evolução da teoria, tecnologia, e aplicações do controle automático. Material copylefted.
http://felipe.pait.googlepages.com/auladenisehistoria2.pdf
estão as notas para a aula dos dias 7 e 8 de novembro de 2007 do curso da Profa. Denise, Práticas de Eletricidade. São 8 transparências sobre a evolução da teoria, tecnologia, e aplicações do controle automático. Material copylefted.
20 outubro 2007
Leopard no Brasil?
Vamos falar de coisas importantes. O Mac OS X Leopard vai estar a venda no Brasil dia 26 de outubro? Vai ter festa nas lojas?
11 outubro 2007
Rodada do subdesenvolvimento?
Hoje na Folha o representante do Panamá e mais 8 países no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr, escreveu um besteirol defendendo barreiras de proteção contra indústrias produtivas e subsídios para contrabandistas.
Minha opinião sobre barreiras alfandegárias é a mesma que tenho em relação a superstições a do tipo criacionismo e homeopatia, então escrevi para ele uma carta reproduzida abaixo:
Prezado Paulo Nogueira Batista Jr,
Acho quase inacreditável que haja gente insistindo nesse absurdo de que proteção industrial e subsídios para setores e empresas com poder político seja um instrumento de desenvolvimento e construção do futuro de países menos ricos. Não vou insistir nos argumentos da teoria econômica, porque com certeza você os conhece melhor que eu e sabe que eles são tão sólidos como a teoria de evolução de Darwin ou a teoria atômica da matéria, para dar exemplos da biologia e da química que supreendentemente ainda são assunto de debates por gente que deveria saber melhor.
Engenheiro que sou, vou focar no dano que as barreiras de importação trazem à tecnologia, indústria e comércio no Brasil, impedindo que indivíduos e empresas utilizem as tecnologias mais avançadas, apropriadas, e econômicas em seus negócios. Para dar um exemplo, um setor potencialmente muito produtivo como o desenvolvimento de software é obrigado a carregar uma carga de impostos e subsídios a montadores de hardware protegidos pelas chamadas leis de informática, empresas que do ponto de vista da indústria nacional nada contribuem. Os impostos de importação são pagos por cada empresa industrial e comercial que queira utilizar computadores, e beneficiam apenas fiscais da receita, contrabandistas, e economistas defensores de superstições como a do seu presente artigo.
Sinceramente indignado,
Felipe Pait
Minha opinião sobre barreiras alfandegárias é a mesma que tenho em relação a superstições a do tipo criacionismo e homeopatia, então escrevi para ele uma carta reproduzida abaixo:
Prezado Paulo Nogueira Batista Jr,
Acho quase inacreditável que haja gente insistindo nesse absurdo de que proteção industrial e subsídios para setores e empresas com poder político seja um instrumento de desenvolvimento e construção do futuro de países menos ricos. Não vou insistir nos argumentos da teoria econômica, porque com certeza você os conhece melhor que eu e sabe que eles são tão sólidos como a teoria de evolução de Darwin ou a teoria atômica da matéria, para dar exemplos da biologia e da química que supreendentemente ainda são assunto de debates por gente que deveria saber melhor.
Engenheiro que sou, vou focar no dano que as barreiras de importação trazem à tecnologia, indústria e comércio no Brasil, impedindo que indivíduos e empresas utilizem as tecnologias mais avançadas, apropriadas, e econômicas em seus negócios. Para dar um exemplo, um setor potencialmente muito produtivo como o desenvolvimento de software é obrigado a carregar uma carga de impostos e subsídios a montadores de hardware protegidos pelas chamadas leis de informática, empresas que do ponto de vista da indústria nacional nada contribuem. Os impostos de importação são pagos por cada empresa industrial e comercial que queira utilizar computadores, e beneficiam apenas fiscais da receita, contrabandistas, e economistas defensores de superstições como a do seu presente artigo.
Sinceramente indignado,
Felipe Pait
05 outubro 2007
Altas matemáticas....
Leiam o novíssimo argumento que os barnabés acadêmicos bolaram para tentar arrancar mais umas patacas do pobre do contribuinte brasileiro! Na Folha de hoje, artigo com o título Vitamina contra o nanismo estatal, de um João Sicsú, funcionário da Sealopra lotado em um desses institutos de pesquisa e autocongratulação filosófica:
"... o Brasil possuía 0,9 fiscal para cada 1.000 km2 de território. Já a Bélgica possuía mais de 310 fiscais, a Holanda, 227, e o Japão, mais de cem. (...) Uma "vitamina" que o Estado precisa tomar para superar [essa última colocação na classificação de número de fiscais da receita pública por 1.000 km2 de um país] é a contratação de fiscais, professores, engenheiros, médicos, pesquisadores e policiais."
Vamos construir no Alto Xingu um novo país baixo - com trocentos fiscais da receita federal por quilômetro quadrado! (Bélgica não, Valônia e República Flamenga. Visite a Bélgica antes que acabe.) Só no Mato Grosso ia precisar pôr quase 300 mil! Somando fiscais e pesquisadores da Sealopra, ia dar 3 funcionários públicos por habitante. Pode deixar que a gente se alopra sozinho!
PS: Lição de casa, para ver se eles na Sealopra estão bons de planilha (e aparentemente não tem mais nada para fazer): quantos fiscais temos por milha cúbica, contando o espaço aéreo? E se incluirmos as 200 milhas de mar territorial?
"... o Brasil possuía 0,9 fiscal para cada 1.000 km2 de território. Já a Bélgica possuía mais de 310 fiscais, a Holanda, 227, e o Japão, mais de cem. (...) Uma "vitamina" que o Estado precisa tomar para superar [essa última colocação na classificação de número de fiscais da receita pública por 1.000 km2 de um país] é a contratação de fiscais, professores, engenheiros, médicos, pesquisadores e policiais."
Vamos construir no Alto Xingu um novo país baixo - com trocentos fiscais da receita federal por quilômetro quadrado! (Bélgica não, Valônia e República Flamenga. Visite a Bélgica antes que acabe.) Só no Mato Grosso ia precisar pôr quase 300 mil! Somando fiscais e pesquisadores da Sealopra, ia dar 3 funcionários públicos por habitante. Pode deixar que a gente se alopra sozinho!
PS: Lição de casa, para ver se eles na Sealopra estão bons de planilha (e aparentemente não tem mais nada para fazer): quantos fiscais temos por milha cúbica, contando o espaço aéreo? E se incluirmos as 200 milhas de mar territorial?
20 setembro 2007
Vocês leram aqui primeiro
No dia que o Lula foi reeleito vocês podiam ter lido aqui neste blog uma previsão: "Continuadas tentativas pouco coerentes de solapar a democracia: voto indireto para deputado, quem sabe senador biônico, talvez até a treeleição..." Hoje um petista publicou na Folha a proposta que eu tinha previsto:
_________________________________________
Pela democracia, o Senado deve acabar
RUI FALCÃO
A existência do Senado é um desserviço à democracia brasileira. É chegada a hora de discutir o fim do sistema bicameral do país...
(Restante do artigo propondo os senadores biônicos suprimido, não há necessidade de ler.)
RUI FALCÃO, 63, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo PT. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário municipal de Governo de São Paulo (gestão Marta Suplicy).
_________________________________________
Notem que eu escrevi: tentativas POUCO COERENTES de solapar a democracia. Vocês leram aqui primeiro.
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Pela democracia, o Senado deve acabar
RUI FALCÃO
A existência do Senado é um desserviço à democracia brasileira. É chegada a hora de discutir o fim do sistema bicameral do país...
(Restante do artigo propondo os senadores biônicos suprimido, não há necessidade de ler.)
RUI FALCÃO, 63, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo PT. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário municipal de Governo de São Paulo (gestão Marta Suplicy).
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Notem que eu escrevi: tentativas POUCO COERENTES de solapar a democracia. Vocês leram aqui primeiro.
17 setembro 2007
Universidade centenária
O texto sobre a "Esculimia do Candido Mendes" reproduzido abaixo pode ser lido diretamente nas páginas da instituição. Dispensa comentários.
Apresentação
Ao completar 100 anos, a SBI pode dar o balanço do que é a sua vida como instituição, no que marca a sua diferença, a sua "idéia de obra" ou a sua imagem, de um país de memória fraca e de imaginário estereotipado. Até os anos 20, a SBI - mantenedora da Universidade Candido Mendes - se identificava, na prática com o desenvolvimento da Academia de Comércio do Rio de Janeiro, ou, na corruptela em que chegava ao povo a "Esculimia do Candido Mendes ". Nasciam as duas entidades em 1902, ambas pioneiras. Uma, a desdobrar pela primeira vez no país e para as classes médias em começo de expansão, a idéia de um curso profissional. Fugia-se ao padrão das clássicas carreiras liberais do amadorismo das atividades clássicas de balcão de mercancias no Rio de Janeiro ainda mofino, às vésperas da grande explosão urbana do Prefeito Passos.
A escola, o progresso, os balconistas e os guarda-livros
Os Estatutos da sua mantenedora - a Sociedade Brasileira de Instrução - ficam, até hoje, como modelo de rigidez e criatividade, na enxuteza de sua fórmula e, ao mesmo tempo, na funcionalidade da ambição: servir ao ensino como empenho universal em todas as modalidades da sua excelência e no que fosse sinais dos tempos de novas demandas e especializações. Foi esse o embrião institucional que mereceu, de Rodrigues Alves, uma das primeiras outorgas do privilégio de utilidade pública, bem como o direito a utilizar próprio nacional, ensejando a instalação da Academia na antiga Ucharia do Paço do Carmo. Restauramos o prédio, tirando-lhe a máscara de estuque da Belle Epoque, devolvendo à cidade, no Largo do Paço, o prístino da fachada de 1593. Instituição, a nossa Casa, por força, se reconhece o direito às vaidades. No que é, no espelho, os caminhos que apartou desde o começo e que lhe permitem, por ricochete ou contraste, situar a singularidade de seu propósito.
Desde sempre contra os vendedores de água.
Desde 1902 recusamo-nos a ser um empreendimento lucrativo. Organizamo-nos ao fio da prestação mais barata - senão simbólica - para atender à fome de ensino da baixa classe média, dos caixeiros e balconistas, que acorriam à carreira nova e à profissionalização capaz de levar-lhes a segurança do emprego e o melhor de seu conhecer. De logo, Candido Mendes Sênior, o Conde, advertia os seus de que educador não é vendedor de água. Ou seja, aproveitador da dramática escassez desses serviços nos países subdesenvolvidos, a transformá-lo sobrepreço possível, não sobrelucro acintoso à pobreza nacional.
Os condes apaixonados
Pertinaz, desde saída, aprumou-se o orgulho bem delimitado do nosso fazer. Nascia a Casa de uma clara atmosfera intelectual. A de professores católicos e monarquistas, decididos a desenvolver uma visão liberal e privada do ensino a disputar a hegemonia pública, em que se esgotaria a diretriz positivista - republicana do regime inaugurado em 1889. Bana-se o estereótipo fácil, e não se veja a Academia como respondendo a um ideal agnóstico e de classes médias emergentes, encontrando a atividade da educação como veículo de sua mobilidade social. Nasce a SBI dessa perspectiva. Surge do idealismo dos condes pedagogos, ciosos da sua aristocracia do espírito. Os Condes Mendes de Almeida, Fernando e Candido, o Conde de Afonso Celso, o de Ouro Preto, o Conde Carlos de Laet, todos enobrecidos pelo papado, no reconhecimento do trabalho pela defesa da Igreja que realizavam, multiplamente, os idealizadores da Sociedade Brasileira de lnstrução.
O pioneirismo permanente
Fidelidade, de saída e nunca desmentido pela exploração das Ciências Sociais. Algumas vezes, inclusive, sem que, sequer, se conhecesse no país a sua designação. Data de 1919 o propósito de se criar uma Faculdade de Ciências Políticas no país quando, só nos 60, essa nomenclatura típica de uma visão anglo-saxônica e do campus americano prosperava e definia um novo padrão de desempenho e especialização científica entre nós. Criada a primeira Faculdade de Economia e Contabilidade Superior no país, junto com a Álvares Penteado em São Paulo, mantivemos, até o fim do Varguismo, o papel de provedores do currículo final dessas disciplinas. Pressentimos o estudo científico do poder a, finalmente, se transformar na primeira pós-graduação de Ciência Política no país em 67, a que se somava a de Sociologia no mesmo grau de exigência acadêmica. Ideamos, como Clark Kerr, a multiversidade, não o perfil clássico e pobre dos estudos apinhados num campus único. Pensamos num padrão nítido e contido da nossa oferta básica de Ciências Sociais - Direito, Economia, Administração, Contabilidade Superior, Pedagogia - na sua matriz da Praça XV.
A multiversidade e o gigantismo estudantil
Moveu-nos a idéia de reproduzir esse mesmo módulo de excelência e tradição, bateado há mais de meio século, a outras áreas do espaço do Rio de Janeiro. Reproduzimo-lo em Ipanema, oferecendo outra opção de ensino em área tradicionalmente delimitada entre a tarefa da PUC e da Santa Úrsula. Continuamos com o implante em Campos e em Friburgo. Presidiria toda a expansão a idéia de se criar um primeiro espaço didático privado, a cobrir progressivamente toda a dimensão do Estado. Tratava-se, ao mesmo tempo, de evitar as tristes migrações, estudando dentro do Rio de Janeiro com o risco, muitas vezes, de cortar na flor - com a falta de volta à terra matriz - vocações, no Norte ou no Centro Fluminense, capazes de dar o melhor de si, se retomassem, de fato, ao meio em que despontaram.
O pré-IUPERJ e o Museu Comercial
Nos Estatutos abrangentes não quisemos apenas, de logo, ser a Casa tradicional, de estrito ensino e preleção. Muito antes do atual preceito constitucional, dávamos a prova prática de que a plena atividade de educação envolveria, ao mesmo tempo, ensino, pesquisa e extensão. Esta, a praticamos desde entre as duas guerras mundiais, criando o Museu Comercial, disseminando as amostras de novos artefatos da industrialização - menina e criando, com as montras, o serviço de disseminação das nossas excelências no Prata. Ganhou o Museu Comercial o grande prêmio latino - americano de comércio exterior pela qualidade das vitrines que enviou a Montevidéu, às vésperas do primeiro centenário da independência.
Ao se criar a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas em 02 de junho de 1919 - primeiro ramo já da nossa trajetória universitária - , assentava-se o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Plantava-se a semente, de forma profética. Entendiam os fundadores que de nada adiantaria a formalidade da transmissão do conhecimento, sem o choque da experimentação num país acostumado à exaustiva reprodução dos modelos de além-mar e ao disfarce apelintrado da realidade, em que se apoiava. Insistimos na promessa e na teima do que veio a ser, em 1963, a concretização, sob a mesma sigla, da primeira organização privada de pesquisa em Ciências Sociais, que é a da nossa Casa das excelências, hoje, na Rua da Matriz.
A côngrua e o serviço pelo custo
Uma "idéia de obra", pois - medula mesma do que seja a persona institucional -, decanta-se neste quarto de século; no que, em querendo, criamos, em marcas já que transcendem as paredes da Casa. Sem saber inventamos, por exemplo, a economia dos chamados "serviços pelo custo", que vem finalmente, a partir de 1972, a se transformar no padrão das mensalidades escolares e do lucro controlado de um empresário essencialmente social como o do ensino.
Meio século após, o bom senso governamental levava à norma a prática dos fundadores da SBI, a fazer jus ao fim do mês quase côngrua a divisão do cobrado quase simbolicamente do aluno pelo número efetivo de assistentes às aulas despojadas.
Lutando contra o inverno da polêmica
No fio do dizer, não calamos no autoritarismo, buscamos o engenho contra o inverno da polêmica que emudeceu o Brasil, seu debate e suas franquias de espírito, a partir de 64. Durante o negror dos Atos institucionais, pôde a Candido Mendes convidar diversos pensadores internacionais, manter em dia a inquietação do conhecer brasileiro e rasgar-lhe as exigências do humanismo. Arnold Toynbee, Gunnar Myrdal, o juiz Douglas, Edgar Morin, Bob Kennedy, Paul Rosenstein-Rodan, Georges Lavau, Everet Hagen, Samuel Huntington, Alex lnkeles, Talcott Parsons, todos, proto-personas deram-nos a sua palavra e o rumo dos seus conheceres, num país emudecido. Na década que se inicia 64 recrutávamos,anualmente, maior número de vozes do mundo que todo conjunto dos demais campi brasileiros.
Enfrentava-se a nacionalidade tecnocrática e suas sanções a bem das ideologias pasteurizadas. Não tínhamos verbas nem subsídios a receber dos orçamentos governamentais, tal como, neste mesmo limite, podíamos - Heleno Fragoso à frente - acolher nas nossas cátedras grandes vozes da universidade pública, cassados ou reduzidos ao silêncio nas suas matrizes de origem.
A casa feroz das suas liberdades
São dez décadas de uma velha paixão pela excelência que se guarnecem de uma fatura quase de educadores excêntricos, ou de devotos da sua exclusiva convicção do que seja o melhor serviço. Na sua premonição, ou na teima dos valores do passado, nos cursos e teores do aprendizado oferecido, mantivemos o Direito Romano e abrimos os primeiros cursos de Direito Público Econômico. Insistimos na Deontologia Jurídica e implantamos o primeiro curso de Prática Forense - o FUCAM -, antes das práticas dos exames de ordem e das castrações uniformizadoras da OAB.
Casa feroz na sua sede de liberdade; dos velhos, sem medo das aposentadorias compulsórias da carreira didática, tratada com preferência e ineditismo, no Rio de Janeiro, à margem dos favores ou das benesses do dono. Casa da comunidade e não da ação-entre-amigos. Feroz nas suas crenças e na verdade intransitiva de uma paixão e de um donaire tão altivo como pobre, no que herdamos, nesta faina e nesta obsessão, de Candido Mendes Sênior (l902-1939) e de Candido Mendes Júnior (1939-1962).
Candido Mendes
Apresentação
Ao completar 100 anos, a SBI pode dar o balanço do que é a sua vida como instituição, no que marca a sua diferença, a sua "idéia de obra" ou a sua imagem, de um país de memória fraca e de imaginário estereotipado. Até os anos 20, a SBI - mantenedora da Universidade Candido Mendes - se identificava, na prática com o desenvolvimento da Academia de Comércio do Rio de Janeiro, ou, na corruptela em que chegava ao povo a "Esculimia do Candido Mendes ". Nasciam as duas entidades em 1902, ambas pioneiras. Uma, a desdobrar pela primeira vez no país e para as classes médias em começo de expansão, a idéia de um curso profissional. Fugia-se ao padrão das clássicas carreiras liberais do amadorismo das atividades clássicas de balcão de mercancias no Rio de Janeiro ainda mofino, às vésperas da grande explosão urbana do Prefeito Passos.
A escola, o progresso, os balconistas e os guarda-livros
Os Estatutos da sua mantenedora - a Sociedade Brasileira de Instrução - ficam, até hoje, como modelo de rigidez e criatividade, na enxuteza de sua fórmula e, ao mesmo tempo, na funcionalidade da ambição: servir ao ensino como empenho universal em todas as modalidades da sua excelência e no que fosse sinais dos tempos de novas demandas e especializações. Foi esse o embrião institucional que mereceu, de Rodrigues Alves, uma das primeiras outorgas do privilégio de utilidade pública, bem como o direito a utilizar próprio nacional, ensejando a instalação da Academia na antiga Ucharia do Paço do Carmo. Restauramos o prédio, tirando-lhe a máscara de estuque da Belle Epoque, devolvendo à cidade, no Largo do Paço, o prístino da fachada de 1593. Instituição, a nossa Casa, por força, se reconhece o direito às vaidades. No que é, no espelho, os caminhos que apartou desde o começo e que lhe permitem, por ricochete ou contraste, situar a singularidade de seu propósito.
Desde sempre contra os vendedores de água.
Desde 1902 recusamo-nos a ser um empreendimento lucrativo. Organizamo-nos ao fio da prestação mais barata - senão simbólica - para atender à fome de ensino da baixa classe média, dos caixeiros e balconistas, que acorriam à carreira nova e à profissionalização capaz de levar-lhes a segurança do emprego e o melhor de seu conhecer. De logo, Candido Mendes Sênior, o Conde, advertia os seus de que educador não é vendedor de água. Ou seja, aproveitador da dramática escassez desses serviços nos países subdesenvolvidos, a transformá-lo sobrepreço possível, não sobrelucro acintoso à pobreza nacional.
Os condes apaixonados
Pertinaz, desde saída, aprumou-se o orgulho bem delimitado do nosso fazer. Nascia a Casa de uma clara atmosfera intelectual. A de professores católicos e monarquistas, decididos a desenvolver uma visão liberal e privada do ensino a disputar a hegemonia pública, em que se esgotaria a diretriz positivista - republicana do regime inaugurado em 1889. Bana-se o estereótipo fácil, e não se veja a Academia como respondendo a um ideal agnóstico e de classes médias emergentes, encontrando a atividade da educação como veículo de sua mobilidade social. Nasce a SBI dessa perspectiva. Surge do idealismo dos condes pedagogos, ciosos da sua aristocracia do espírito. Os Condes Mendes de Almeida, Fernando e Candido, o Conde de Afonso Celso, o de Ouro Preto, o Conde Carlos de Laet, todos enobrecidos pelo papado, no reconhecimento do trabalho pela defesa da Igreja que realizavam, multiplamente, os idealizadores da Sociedade Brasileira de lnstrução.
O pioneirismo permanente
Fidelidade, de saída e nunca desmentido pela exploração das Ciências Sociais. Algumas vezes, inclusive, sem que, sequer, se conhecesse no país a sua designação. Data de 1919 o propósito de se criar uma Faculdade de Ciências Políticas no país quando, só nos 60, essa nomenclatura típica de uma visão anglo-saxônica e do campus americano prosperava e definia um novo padrão de desempenho e especialização científica entre nós. Criada a primeira Faculdade de Economia e Contabilidade Superior no país, junto com a Álvares Penteado em São Paulo, mantivemos, até o fim do Varguismo, o papel de provedores do currículo final dessas disciplinas. Pressentimos o estudo científico do poder a, finalmente, se transformar na primeira pós-graduação de Ciência Política no país em 67, a que se somava a de Sociologia no mesmo grau de exigência acadêmica. Ideamos, como Clark Kerr, a multiversidade, não o perfil clássico e pobre dos estudos apinhados num campus único. Pensamos num padrão nítido e contido da nossa oferta básica de Ciências Sociais - Direito, Economia, Administração, Contabilidade Superior, Pedagogia - na sua matriz da Praça XV.
A multiversidade e o gigantismo estudantil
Moveu-nos a idéia de reproduzir esse mesmo módulo de excelência e tradição, bateado há mais de meio século, a outras áreas do espaço do Rio de Janeiro. Reproduzimo-lo em Ipanema, oferecendo outra opção de ensino em área tradicionalmente delimitada entre a tarefa da PUC e da Santa Úrsula. Continuamos com o implante em Campos e em Friburgo. Presidiria toda a expansão a idéia de se criar um primeiro espaço didático privado, a cobrir progressivamente toda a dimensão do Estado. Tratava-se, ao mesmo tempo, de evitar as tristes migrações, estudando dentro do Rio de Janeiro com o risco, muitas vezes, de cortar na flor - com a falta de volta à terra matriz - vocações, no Norte ou no Centro Fluminense, capazes de dar o melhor de si, se retomassem, de fato, ao meio em que despontaram.
O pré-IUPERJ e o Museu Comercial
Nos Estatutos abrangentes não quisemos apenas, de logo, ser a Casa tradicional, de estrito ensino e preleção. Muito antes do atual preceito constitucional, dávamos a prova prática de que a plena atividade de educação envolveria, ao mesmo tempo, ensino, pesquisa e extensão. Esta, a praticamos desde entre as duas guerras mundiais, criando o Museu Comercial, disseminando as amostras de novos artefatos da industrialização - menina e criando, com as montras, o serviço de disseminação das nossas excelências no Prata. Ganhou o Museu Comercial o grande prêmio latino - americano de comércio exterior pela qualidade das vitrines que enviou a Montevidéu, às vésperas do primeiro centenário da independência.
Ao se criar a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas em 02 de junho de 1919 - primeiro ramo já da nossa trajetória universitária - , assentava-se o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Plantava-se a semente, de forma profética. Entendiam os fundadores que de nada adiantaria a formalidade da transmissão do conhecimento, sem o choque da experimentação num país acostumado à exaustiva reprodução dos modelos de além-mar e ao disfarce apelintrado da realidade, em que se apoiava. Insistimos na promessa e na teima do que veio a ser, em 1963, a concretização, sob a mesma sigla, da primeira organização privada de pesquisa em Ciências Sociais, que é a da nossa Casa das excelências, hoje, na Rua da Matriz.
A côngrua e o serviço pelo custo
Uma "idéia de obra", pois - medula mesma do que seja a persona institucional -, decanta-se neste quarto de século; no que, em querendo, criamos, em marcas já que transcendem as paredes da Casa. Sem saber inventamos, por exemplo, a economia dos chamados "serviços pelo custo", que vem finalmente, a partir de 1972, a se transformar no padrão das mensalidades escolares e do lucro controlado de um empresário essencialmente social como o do ensino.
Meio século após, o bom senso governamental levava à norma a prática dos fundadores da SBI, a fazer jus ao fim do mês quase côngrua a divisão do cobrado quase simbolicamente do aluno pelo número efetivo de assistentes às aulas despojadas.
Lutando contra o inverno da polêmica
No fio do dizer, não calamos no autoritarismo, buscamos o engenho contra o inverno da polêmica que emudeceu o Brasil, seu debate e suas franquias de espírito, a partir de 64. Durante o negror dos Atos institucionais, pôde a Candido Mendes convidar diversos pensadores internacionais, manter em dia a inquietação do conhecer brasileiro e rasgar-lhe as exigências do humanismo. Arnold Toynbee, Gunnar Myrdal, o juiz Douglas, Edgar Morin, Bob Kennedy, Paul Rosenstein-Rodan, Georges Lavau, Everet Hagen, Samuel Huntington, Alex lnkeles, Talcott Parsons, todos, proto-personas deram-nos a sua palavra e o rumo dos seus conheceres, num país emudecido. Na década que se inicia 64 recrutávamos,anualmente, maior número de vozes do mundo que todo conjunto dos demais campi brasileiros.
Enfrentava-se a nacionalidade tecnocrática e suas sanções a bem das ideologias pasteurizadas. Não tínhamos verbas nem subsídios a receber dos orçamentos governamentais, tal como, neste mesmo limite, podíamos - Heleno Fragoso à frente - acolher nas nossas cátedras grandes vozes da universidade pública, cassados ou reduzidos ao silêncio nas suas matrizes de origem.
A casa feroz das suas liberdades
São dez décadas de uma velha paixão pela excelência que se guarnecem de uma fatura quase de educadores excêntricos, ou de devotos da sua exclusiva convicção do que seja o melhor serviço. Na sua premonição, ou na teima dos valores do passado, nos cursos e teores do aprendizado oferecido, mantivemos o Direito Romano e abrimos os primeiros cursos de Direito Público Econômico. Insistimos na Deontologia Jurídica e implantamos o primeiro curso de Prática Forense - o FUCAM -, antes das práticas dos exames de ordem e das castrações uniformizadoras da OAB.
Casa feroz na sua sede de liberdade; dos velhos, sem medo das aposentadorias compulsórias da carreira didática, tratada com preferência e ineditismo, no Rio de Janeiro, à margem dos favores ou das benesses do dono. Casa da comunidade e não da ação-entre-amigos. Feroz nas suas crenças e na verdade intransitiva de uma paixão e de um donaire tão altivo como pobre, no que herdamos, nesta faina e nesta obsessão, de Candido Mendes Sênior (l902-1939) e de Candido Mendes Júnior (1939-1962).
Candido Mendes
07 setembro 2007
"How we know that Paul Bremer would have been a great trial lawyer
This Thursday the NYTimes published a piece by Paul Bremer, linked above, that could have appeared in a satyrical magazine under the heading "How we know that Paul Bremer would have been a great trial lawyer." You don't really need to read his self serving and tedious argument about the disastrous handling of Iraqi security, but it is worth summarizing them:
First, the Iraqi army was not dismantled. Second, someone else did it, not me. Third, I was following orders. And fourth, it was the right thing to do.
First, the Iraqi army was not dismantled. Second, someone else did it, not me. Third, I was following orders. And fourth, it was the right thing to do.
13 julho 2007
Perseguição stalinista anti-corintiana
Procuradores da república tomam partido da KGB em sua perseguição contra o dono do Corinthians. Decretam prisão do asilado político Berezovski e de seu laranja Kia, seguindo acusações dos policiais da KGB que hoje dominam o Kremlin. Enquanto isso, centenas de peemedebistas e outros ladrões continuam soltos no congresso. Leiam a notícia na Folha de S. Paulo (exige assinatura) ou no Estadão:
http://www.estadao.com.br/esportes/futebol/noticias/2007/jul/12/180.htm
Veja também a defesa dos acusados para os jornais ingleses:
Russia moved closer to getting its hands on President Vladimir Putin's arch foe, Boris Berezovsky, yesterday after a Brazilian judge issued a warrant for the London-based billionaire's arrest on money laundering charges. (...) Mr Berezovsky swiftly denied the allegations.
"I have no doubt that the Brazilian story is an extension of the Kremlin's politicised campaign against me," he said.
http://www.estadao.com.br/esportes/futebol/noticias/2007/jul/12/180.htm
Veja também a defesa dos acusados para os jornais ingleses:
Russia moved closer to getting its hands on President Vladimir Putin's arch foe, Boris Berezovsky, yesterday after a Brazilian judge issued a warrant for the London-based billionaire's arrest on money laundering charges. (...) Mr Berezovsky swiftly denied the allegations.
"I have no doubt that the Brazilian story is an extension of the Kremlin's politicised campaign against me," he said.
Carta à Folha de S. Paulo
Prezados,
O argumento apresentado no artigo "A disfuncionalidade da universidade pública" pelo Prof Dagnino é contraditório e usa dados falsos.
Segundo o autor, "a universidade acompanha uma tendência mundial em que 70% do gasto em pesquisa é privado (deste, 70% é realizado por multinacionais)". Essa afirmação é errônea. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 60% dos fundos para pesquisa realizada em universidades vêm do governo federal (dados obtidos no documento National Patterns of R&D Resources: 2004 Data Update, NSF 06-327 | September 2006, disponível em http://www.nsf.gov/statistics/nsf06327/). No Brasil a fração dos fundos de pesquisa provenientes de fontes governamentais é muito maior.
Porém, caso fosse verdadeira, a afirmação feita pelo autor serviria para contradizer o argumento principal do artigo, que pode ser resumido usando suas próprias palavras:
"a universidade periférica não serve nem à elite econômica e política, que a ocupa e controla, nem ao que se vem chamando de movimentos sociais (...) "disfuncionalidade", que se traduz no fato de as empresas hoje pouco demandarem conhecimento localmente produzido..."
As duas afirmações centrais do artigo, que 1) a universidade não serve aos interesses do setor privado; e 2) é o setor privado que financia a pesquisa na universidade, estão em flagrante contradição. Adicionalmente, a afirmação de que estamos numa "economia que cresce sem empregar" é falsa, como sabem os leitores do noticiário econômico dessa Folha.
Numa coisa o autor tem porém razão: as "elites" que se interessam pela manutenção do modelo de universidade pública vigente são mesmo os burocratas encastelados em seus feudos departamentais. A exemplo do Dr Dagnino, esses intelectuais se acomodam em repetir disparates evidentes em jargão pseudomarxista, em lugar de se dedicar ao trabalho sério de realizar estudos que tenham relevância para o progresso da ciência ou para o povo brasileiro.
Sinceramente,
Felipe Pait
R Paulistânia 520-131
05440-001 S Paulo SP
3813-4946
O argumento apresentado no artigo "A disfuncionalidade da universidade pública" pelo Prof Dagnino é contraditório e usa dados falsos.
Segundo o autor, "a universidade acompanha uma tendência mundial em que 70% do gasto em pesquisa é privado (deste, 70% é realizado por multinacionais)". Essa afirmação é errônea. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 60% dos fundos para pesquisa realizada em universidades vêm do governo federal (dados obtidos no documento National Patterns of R&D Resources: 2004 Data Update, NSF 06-327 | September 2006, disponível em http://www.nsf.gov/statistics/nsf06327/). No Brasil a fração dos fundos de pesquisa provenientes de fontes governamentais é muito maior.
Porém, caso fosse verdadeira, a afirmação feita pelo autor serviria para contradizer o argumento principal do artigo, que pode ser resumido usando suas próprias palavras:
"a universidade periférica não serve nem à elite econômica e política, que a ocupa e controla, nem ao que se vem chamando de movimentos sociais (...) "disfuncionalidade", que se traduz no fato de as empresas hoje pouco demandarem conhecimento localmente produzido..."
As duas afirmações centrais do artigo, que 1) a universidade não serve aos interesses do setor privado; e 2) é o setor privado que financia a pesquisa na universidade, estão em flagrante contradição. Adicionalmente, a afirmação de que estamos numa "economia que cresce sem empregar" é falsa, como sabem os leitores do noticiário econômico dessa Folha.
Numa coisa o autor tem porém razão: as "elites" que se interessam pela manutenção do modelo de universidade pública vigente são mesmo os burocratas encastelados em seus feudos departamentais. A exemplo do Dr Dagnino, esses intelectuais se acomodam em repetir disparates evidentes em jargão pseudomarxista, em lugar de se dedicar ao trabalho sério de realizar estudos que tenham relevância para o progresso da ciência ou para o povo brasileiro.
Sinceramente,
Felipe Pait
R Paulistânia 520-131
05440-001 S Paulo SP
3813-4946
03 julho 2007
Proposta de regimento de pós-graduação da USP
Recebi de um colega a proposta da pró-reitoria de pós-graduação para o novo regimento da USP para a pós-graduação, documento que já foi discutido em uma primeira reunião na CPG/EPUSP. Abaixo segue uma mensagem que enviei aos colegas sobre o assunto. A proposta me parece absolutamente desastrosa. Embora esse tipo de literatura não seja exatamente do meu agrado, estou achando bom levantar o assunto porque imagino que muitos colegas tenham uma opinião parecida com a minha. Então ponho no blog. A proposta mesmo não diz nada que mereça uma leitura mais demorada, o que ela não diz é o mais esclarecedor.
Prezados,
A proposta omite vários aspectos fundamentais, dos quais vou dar quatro exemplos.
1 - Idioma. A proposta aparentemente reconhece a importância do intercâmbio internacional, assunto do Capítulo 3 Título 5. Um obstáculo à cooperação internacional é o idioma da redação de teses e dissertações. A maioria das universidades bem sucedidas internacionalmente têm tendido à flexibilização nesse ponto. Os argumentos contra a aceitação de outras línguas são quase todos irrelevantes, e o maior cuidado deve ser aceitar apenas línguas que não diminuam significativamente o universo de pesquisadores habilitados a avaliar as contribuições. Proponho a seguinte redação:
"Serão aceitas teses e dissertações nas quatro línguas mais difundidas nos meios acadêmicos do continente americano, a saber, português, inglês, espanhol, e francês. Quando apropriado serão aceitas também nas línguas indígenas nativas do Brasil."
A segunda frase me parece o mínimo absoluto que a pós-graduação da USP pode fazer pela inclusão de membros de etnias que têm difícil acesso à universidade. As exigências de que o candidato "estrangeiro" demonstre proficiência em português e de que as teses em dupla titulação sejam redigidas em português são especialmente disparatadas.
2 - Procedimento para queixas e solução de disputas. A proposta não contempla um procedimento oficial para queixas e solução de problemas. Devemos lembrar que na pós graduação o poder dos orientadores sobre os estudantes é quase absoluto. Em raros casos ocorre a percepção de que há abuso desse poder. Não imagino que as queixas seriam freqüentes, mas a simples possibilidade de recurso a uma "ouvidoria" iria contribuir muito para que o sistema seja visto como imparcial e justo por todos os integrantes, o que atualmente não é o caso.
3 - Liberdade de expressão. Não há no documento nenhuma menção à liberdade de expressão, que é o valor principal da academia. Talvez para alguns colegas nas áreas científicas e de engenharia esse conceito possa parecer remoto, porém existem muitos relatos de trabalhos de pós-graduação que foram prejudicados por contrariarem os dogmas vigentes em um ou outro departamento ou subárea do conhecimento. Formalmente acho que esses casos seriam discutidos em uma ouvidoria como a mencionada acima, mas é absolutamente indispensável que a regimento da pós-graduação afirme o comprometimento do programa com a autonomia da investigação acadêmica.
4 - Integridade e ética. O regimento tem que conter um compromisso com a integridade e ética na investigação científica, repudiando o plágio, a coação das investigações, experimentos anti-éticos com seres humanos, entre outros pontos. O silêncio da proposta de regimento em relação à ética é ensurdecedor.
Talvez o maior problema com o regimento proposto é que ele mantém e aprofunda o sistema de órgãos, conselhos, colegiados, comissões, e outras estruturas burocráticas embricadas com funções semelhantes. Isso leva a procedimentos pouco ágeis que emperram o trabalho intelectual, e cria para o corpo docente tarefas e reuniões pouco profícuas. Tanto no conteúdo como na forma da redação, o documento se aprofunda em engendrar instâncias burocráticas, em lugar de estabelecer uma base administrativa para o desenvolvimento intelectual. Para aqueles, que como quase todos os colegas que conheço, acreditam que a excessiva burocratização dos diplomas regimentais é o maior óbice estatutário à consecução das atividades-fim da universidade, a proposta vai se mostrar como um enorme passo para trás.
Para terminar, na linguagem acadêmica corrente as palavras "tese" e "dissertação" são usadas intercambiavelmente. A distinção entre "dissertação de mestrado" e "tese de doutorado" (ou seria o oposto?) é pedante. Adicionalmente, o índice nas páginas I a V está completamente errado.
Sinceramente,
F Pait
Who might have guessed that on 2 Jul 2007, around 10:03 AM, Roberto Moura Sales would write:
Prezados Professores do PTC,
O arquivo anexo contém a proposta da pró-reitoria de pós-graduação para o novo regimento da USP para a pós-graduação.
Este documento já foi discutido em uma primeira reunião na CPG/EPUSP. Vários pontos foram levantados e
serão levados pelo Prof. Paulo Miyagi nas próximas reuniões do Conselho de Pós-Graduação.
Solicito que me enviem seus comentários. A próxima reunião da CPG/EPUSP será no dia 20/08.
Roberto Moura Sales.
Prezados,
A proposta omite vários aspectos fundamentais, dos quais vou dar quatro exemplos.
1 - Idioma. A proposta aparentemente reconhece a importância do intercâmbio internacional, assunto do Capítulo 3 Título 5. Um obstáculo à cooperação internacional é o idioma da redação de teses e dissertações. A maioria das universidades bem sucedidas internacionalmente têm tendido à flexibilização nesse ponto. Os argumentos contra a aceitação de outras línguas são quase todos irrelevantes, e o maior cuidado deve ser aceitar apenas línguas que não diminuam significativamente o universo de pesquisadores habilitados a avaliar as contribuições. Proponho a seguinte redação:
"Serão aceitas teses e dissertações nas quatro línguas mais difundidas nos meios acadêmicos do continente americano, a saber, português, inglês, espanhol, e francês. Quando apropriado serão aceitas também nas línguas indígenas nativas do Brasil."
A segunda frase me parece o mínimo absoluto que a pós-graduação da USP pode fazer pela inclusão de membros de etnias que têm difícil acesso à universidade. As exigências de que o candidato "estrangeiro" demonstre proficiência em português e de que as teses em dupla titulação sejam redigidas em português são especialmente disparatadas.
2 - Procedimento para queixas e solução de disputas. A proposta não contempla um procedimento oficial para queixas e solução de problemas. Devemos lembrar que na pós graduação o poder dos orientadores sobre os estudantes é quase absoluto. Em raros casos ocorre a percepção de que há abuso desse poder. Não imagino que as queixas seriam freqüentes, mas a simples possibilidade de recurso a uma "ouvidoria" iria contribuir muito para que o sistema seja visto como imparcial e justo por todos os integrantes, o que atualmente não é o caso.
3 - Liberdade de expressão. Não há no documento nenhuma menção à liberdade de expressão, que é o valor principal da academia. Talvez para alguns colegas nas áreas científicas e de engenharia esse conceito possa parecer remoto, porém existem muitos relatos de trabalhos de pós-graduação que foram prejudicados por contrariarem os dogmas vigentes em um ou outro departamento ou subárea do conhecimento. Formalmente acho que esses casos seriam discutidos em uma ouvidoria como a mencionada acima, mas é absolutamente indispensável que a regimento da pós-graduação afirme o comprometimento do programa com a autonomia da investigação acadêmica.
4 - Integridade e ética. O regimento tem que conter um compromisso com a integridade e ética na investigação científica, repudiando o plágio, a coação das investigações, experimentos anti-éticos com seres humanos, entre outros pontos. O silêncio da proposta de regimento em relação à ética é ensurdecedor.
Talvez o maior problema com o regimento proposto é que ele mantém e aprofunda o sistema de órgãos, conselhos, colegiados, comissões, e outras estruturas burocráticas embricadas com funções semelhantes. Isso leva a procedimentos pouco ágeis que emperram o trabalho intelectual, e cria para o corpo docente tarefas e reuniões pouco profícuas. Tanto no conteúdo como na forma da redação, o documento se aprofunda em engendrar instâncias burocráticas, em lugar de estabelecer uma base administrativa para o desenvolvimento intelectual. Para aqueles, que como quase todos os colegas que conheço, acreditam que a excessiva burocratização dos diplomas regimentais é o maior óbice estatutário à consecução das atividades-fim da universidade, a proposta vai se mostrar como um enorme passo para trás.
Para terminar, na linguagem acadêmica corrente as palavras "tese" e "dissertação" são usadas intercambiavelmente. A distinção entre "dissertação de mestrado" e "tese de doutorado" (ou seria o oposto?) é pedante. Adicionalmente, o índice nas páginas I a V está completamente errado.
Sinceramente,
F Pait
Who might have guessed that on 2 Jul 2007, around 10:03 AM, Roberto Moura Sales would write:
Prezados Professores do PTC,
O arquivo anexo contém a proposta da pró-reitoria de pós-graduação para o novo regimento da USP para a pós-graduação.
Este documento já foi discutido em uma primeira reunião na CPG/EPUSP. Vários pontos foram levantados e
serão levados pelo Prof. Paulo Miyagi nas próximas reuniões do Conselho de Pós-Graduação.
Solicito que me enviem seus comentários. A próxima reunião da CPG/EPUSP será no dia 20/08.
Roberto Moura Sales.
17 maio 2007
Supremo quer soltar seqüestrador que tem diploma de advogado
Deu no Estadão hoje. Sem comentários.
17 de maio de 2007 - 10:59
Em SP, acusado de seqüestro pode ir morar do lado da vítima
Supremo admite hipótese de prisão domiciliar para advogado, vizinho de garoto que ficou 63 dias em cativeiro; destino do advogado será dado por juiz de Arujá
Marcelo Godoy
SÃO PAULO - O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu a possibilidade de o advogado Ademilson Alves de Brito responder em prisão domiciliar ao processo em que é acusado de seqüestro. A decisão foi tomada na terça-feira, 15, mas talvez o que os ministros do Supremo talvez não soubessem é que Brito é vizinho da família de Lucas, de 6 anos, cujo seqüestro em 2006 foi tramado, segundo a polícia, pelo advogado.
“Sempre acreditei na Justiça. Vou até o fim. Certamente o ministro não tinha conhecimento de que ele era nosso vizinho”, afirmou o comerciante Robson José da Silva, pai do menino Lucas. Quando soube da decisão da Justiça, Silva afirmou que “não sentiu mais o chão” sob os seus pés. Ele e a família do advogado moram no mesmo condomínio de luxo na cidade de Arujá, na Grande São Paulo. “A volta dele para cá só significa uma coisa: o crime compensa.”
O filho do comerciante passou 63 dias em cativeiro nas mãos de seqüestradores. Os bandidos queriam R$ 3 milhões do comerciante Robson José da Silva. Dois dias depois de o menino ser levado, o advogado apareceu na casa dos Silva. Gabando-se da qualidade de “advogado do PCC”, o Primeiro Comando da Capital, Brito tentou convencer o pai de Lucas que o crime era “coisa de profissionais”. Foi mais longe: afirmou que um resgate como o do menino não saía por menos de R$ 150 mil.
Preso pela polícia, o advogado foi enviado à Cadeia Pública de Barueri. Por meio de seus advogados, Brito entrou com um pedido de habeas-corpus dizendo que as instalações da cadeia eram indignas de uma pessoa registrada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como ele. De fato, o Estatuto do Advogado garante a eles o direito a prisão especial enquanto esperam o julgamento dos crimes de que são acusados.
Em São Paulo, o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça. Insatisfeito, Brito recorreu e viu mais uma vez seu pedido ser negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Novo recurso e, desta vez, o pedido foi parar nas mãos do ministro Sepúlveda Pertence, do STF, que relatou o caso. Este decidiu conceder ao advogado o direito da prisão domiciliar, mas fez uma ressalva: desde que não exista cela de estado-maior para abrigar o advogado. A decisão foi seguida pelos demais integrantes da 2ª Turma do STF.
Cabe agora ao juiz de Arujá decidir para onde o advogado será mandado. Caso não encontre a tal cela de estado-maior, o advogado voltará a ser vizinho da família de Lucas. Além do advogado, outras 13 pessoas acusadas de participar do seqüestro foram presas pela polícia.
Durante o tempo em que esteve em poder dos seqüestradores, Lucas foi mantido em dois cativeiros. No primeiro deles, ficou com outra vítima do bando. Transferido para uma casa em Guaianases, na zona leste de São Paulo, Lucas era vigiado o tempo todo pelos bandidos. O menino não sabia que havia sido seqüestrado, pois os bandidos diziam que seus pais haviam ido viajar e logo voltariam. Lucas havia sido levado pelos bandidos em 7 de maio quando ia para a escola. Os bandidos fecharam o carro dirigido por um irmão da vítima. Ele completou 6 anos no cativeiro.
17 de maio de 2007 - 10:59
Em SP, acusado de seqüestro pode ir morar do lado da vítima
Supremo admite hipótese de prisão domiciliar para advogado, vizinho de garoto que ficou 63 dias em cativeiro; destino do advogado será dado por juiz de Arujá
Marcelo Godoy
SÃO PAULO - O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu a possibilidade de o advogado Ademilson Alves de Brito responder em prisão domiciliar ao processo em que é acusado de seqüestro. A decisão foi tomada na terça-feira, 15, mas talvez o que os ministros do Supremo talvez não soubessem é que Brito é vizinho da família de Lucas, de 6 anos, cujo seqüestro em 2006 foi tramado, segundo a polícia, pelo advogado.
“Sempre acreditei na Justiça. Vou até o fim. Certamente o ministro não tinha conhecimento de que ele era nosso vizinho”, afirmou o comerciante Robson José da Silva, pai do menino Lucas. Quando soube da decisão da Justiça, Silva afirmou que “não sentiu mais o chão” sob os seus pés. Ele e a família do advogado moram no mesmo condomínio de luxo na cidade de Arujá, na Grande São Paulo. “A volta dele para cá só significa uma coisa: o crime compensa.”
O filho do comerciante passou 63 dias em cativeiro nas mãos de seqüestradores. Os bandidos queriam R$ 3 milhões do comerciante Robson José da Silva. Dois dias depois de o menino ser levado, o advogado apareceu na casa dos Silva. Gabando-se da qualidade de “advogado do PCC”, o Primeiro Comando da Capital, Brito tentou convencer o pai de Lucas que o crime era “coisa de profissionais”. Foi mais longe: afirmou que um resgate como o do menino não saía por menos de R$ 150 mil.
Preso pela polícia, o advogado foi enviado à Cadeia Pública de Barueri. Por meio de seus advogados, Brito entrou com um pedido de habeas-corpus dizendo que as instalações da cadeia eram indignas de uma pessoa registrada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como ele. De fato, o Estatuto do Advogado garante a eles o direito a prisão especial enquanto esperam o julgamento dos crimes de que são acusados.
Em São Paulo, o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça. Insatisfeito, Brito recorreu e viu mais uma vez seu pedido ser negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Novo recurso e, desta vez, o pedido foi parar nas mãos do ministro Sepúlveda Pertence, do STF, que relatou o caso. Este decidiu conceder ao advogado o direito da prisão domiciliar, mas fez uma ressalva: desde que não exista cela de estado-maior para abrigar o advogado. A decisão foi seguida pelos demais integrantes da 2ª Turma do STF.
Cabe agora ao juiz de Arujá decidir para onde o advogado será mandado. Caso não encontre a tal cela de estado-maior, o advogado voltará a ser vizinho da família de Lucas. Além do advogado, outras 13 pessoas acusadas de participar do seqüestro foram presas pela polícia.
Durante o tempo em que esteve em poder dos seqüestradores, Lucas foi mantido em dois cativeiros. No primeiro deles, ficou com outra vítima do bando. Transferido para uma casa em Guaianases, na zona leste de São Paulo, Lucas era vigiado o tempo todo pelos bandidos. O menino não sabia que havia sido seqüestrado, pois os bandidos diziam que seus pais haviam ido viajar e logo voltariam. Lucas havia sido levado pelos bandidos em 7 de maio quando ia para a escola. Os bandidos fecharam o carro dirigido por um irmão da vítima. Ele completou 6 anos no cativeiro.
15 maio 2007
Frases do Lula
Vamos falar bem do Lula. Melhor ainda, vamos deixar ele falar.
1 - "Algumas categorias ficam 40, 60, 80, 100 dias de greve e recebem pagamentos. Isso pode ser greve? Não. Isso é férias, na minha visão sindical. O servidor público não tem patrão e o prejudicado é o povo brasileiro".
2 - "A pergunta não é se é contra ou a favor [do aborto]. A pergunta é: a mulher deve ser presa? Deve morrer?"
3 - "As obras precisam sair e o Brasil precisa delas. Porém, as obras vão sair com responsabilidade ao meio ambiente, isso porque o País quer crescer economicamente, mas também quer cuidar do seu meio ambiente".
4 - "Esse prejuízo é só uma gota d'água nas contas da Petrobrás. Não compensa brigar pelo valor mais justo com a Bolívia. Não vamos criar mais confusão porque o Brasil quer US$ 10 milhões a mais e a Bolívia quer US$ 10 milhões a menos." Diante do previsível fracasso do modelo nacionalista estatizante boliviano, o presidente cuidou para que a venda das refinarias fosse feita de um jeito que 'não transformasse o governo Lula em bode expiatório'.
As frases acima saíram na imprensa na última semana. Em cada um dos casos, o Lula é o lado sensato do debate. A gente pode continuar reclamando, mas a verdade é que podia ser bem pior.
1 - "Algumas categorias ficam 40, 60, 80, 100 dias de greve e recebem pagamentos. Isso pode ser greve? Não. Isso é férias, na minha visão sindical. O servidor público não tem patrão e o prejudicado é o povo brasileiro".
2 - "A pergunta não é se é contra ou a favor [do aborto]. A pergunta é: a mulher deve ser presa? Deve morrer?"
3 - "As obras precisam sair e o Brasil precisa delas. Porém, as obras vão sair com responsabilidade ao meio ambiente, isso porque o País quer crescer economicamente, mas também quer cuidar do seu meio ambiente".
4 - "Esse prejuízo é só uma gota d'água nas contas da Petrobrás. Não compensa brigar pelo valor mais justo com a Bolívia. Não vamos criar mais confusão porque o Brasil quer US$ 10 milhões a mais e a Bolívia quer US$ 10 milhões a menos." Diante do previsível fracasso do modelo nacionalista estatizante boliviano, o presidente cuidou para que a venda das refinarias fosse feita de um jeito que 'não transformasse o governo Lula em bode expiatório'.
As frases acima saíram na imprensa na última semana. Em cada um dos casos, o Lula é o lado sensato do debate. A gente pode continuar reclamando, mas a verdade é que podia ser bem pior.
24 março 2007
Universidade se projeta em verdadeira grandeza
Deu no informativo ADUSP número 231, sob o título
"Universidade(?) Nova"
A máfia sindical universitária projetou-se em verdadeira grandeza. Perverso, para a a ADUSP, é que os alunos se formem. O bom é a picaretagem atual, onde a sociedade paga os salários de uma corja enorme de professores, a universidade finge que oferece muitas vagas, mas apenas uma pequena porcentagem dos alunos se formam.
Por exemplo, na engenharia civil da Poli o percentual de alunos formados, em relação às vagas oferecidas, é de menos de 30%. Os cursos de licenciatura nas ciências tem porcentagens minúsculas. Em certas áreas das humanidades, prefiro nem saber. Taxas de graduação altas não são raras - pelo menos não nas universidades de bom nível. 98% dos alunos de Harvard se formam em 6 anos. 10% de alunos se formando é para curso de manicure.
Os professores de primário, ginásio, e colégio (se já voltaram os milréis, porque não voltam os nomes tradicionais?) até que têm explicações para a má qualidade de ensino: falta de recursos, alunos mal preparados, salários baixos, por aí afora. A Universidade de São Paulo não - ela pode escolher os melhores estudantes de São Paulo. Se eles não se formam, é porque os cursos são irrelevantes.
"Universidade(?) Nova"
Sob a alegação de contrapor-se à evasão de estudantes e evitar a especialização precoce, o Plano “Universidade Nova” do MEC propõe um “Bacharelado Interdisciplinar” de três anos. Os efeitos perversos dessa proposta, um ataque à autonomia universitária, que só pode ser desfechado com anuência dos reitores, estão claros a partir das metas propostas até 2012: dobrar a relação estudante/professor e atingir 90% de taxa de conclusão média dos cursos de graduação. O cumprimento de metas deste tipo é condição para o financiamento da instituição, a ser avaliado anualmente pelo MEC.
Confirmam-se assim nossas piores previsões. Não é possível manter o tripé ensino-pesquisa-extensão com razões altas estudante/professor e taxas de conclusão de 90% não são usuais em universidades. Escolões com progressão continuada?
A máfia sindical universitária projetou-se em verdadeira grandeza. Perverso, para a a ADUSP, é que os alunos se formem. O bom é a picaretagem atual, onde a sociedade paga os salários de uma corja enorme de professores, a universidade finge que oferece muitas vagas, mas apenas uma pequena porcentagem dos alunos se formam.
Por exemplo, na engenharia civil da Poli o percentual de alunos formados, em relação às vagas oferecidas, é de menos de 30%. Os cursos de licenciatura nas ciências tem porcentagens minúsculas. Em certas áreas das humanidades, prefiro nem saber. Taxas de graduação altas não são raras - pelo menos não nas universidades de bom nível. 98% dos alunos de Harvard se formam em 6 anos. 10% de alunos se formando é para curso de manicure.
Os professores de primário, ginásio, e colégio (se já voltaram os milréis, porque não voltam os nomes tradicionais?) até que têm explicações para a má qualidade de ensino: falta de recursos, alunos mal preparados, salários baixos, por aí afora. A Universidade de São Paulo não - ela pode escolher os melhores estudantes de São Paulo. Se eles não se formam, é porque os cursos são irrelevantes.
16 março 2007
Não sou eu que estou dizendo
Deu nos jornais nos idos de março: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que utilizou os critérios da competência e da capacidade para definir os ministros da Educação e da Saúde:
"Eu acho que tem duas coisas que são fundamentais no Brasil: educação e saúde. A gente não brinca, a gente não partidariza e a gente monta o governo com as pessoas que têm competência, com as pessoas que têm capacidade de montar um bom governo, porque, na saúde, se você brincar, é morte; na educação, se você brincar, é analfabeto".
Segundo a Folha de S Paulo, Lula deu a declaração ao ser questionado sobre não entregar a Educação ao PT paulista e tampouco dar a Saúde à bancada do PMDB na Câmara. Lula manterá o técnico petista Fernando Haddad na Educação e nomeará para a Saúde o sanitarista José Gomes Temporão. Os ministérios não fundamentais, como a Integração Nacional, a Agricultura, e o Turismo, onde a brincadeira não tem conseqüências, foram partidarizados.
Em resumo, gente do ramo na saúde e educação. O resto tudo um bando de picaretas que querem cargo público para se locupletar e fazer caixa de campanha. Não sou eu que estou dizendo.
"Eu acho que tem duas coisas que são fundamentais no Brasil: educação e saúde. A gente não brinca, a gente não partidariza e a gente monta o governo com as pessoas que têm competência, com as pessoas que têm capacidade de montar um bom governo, porque, na saúde, se você brincar, é morte; na educação, se você brincar, é analfabeto".
Segundo a Folha de S Paulo, Lula deu a declaração ao ser questionado sobre não entregar a Educação ao PT paulista e tampouco dar a Saúde à bancada do PMDB na Câmara. Lula manterá o técnico petista Fernando Haddad na Educação e nomeará para a Saúde o sanitarista José Gomes Temporão. Os ministérios não fundamentais, como a Integração Nacional, a Agricultura, e o Turismo, onde a brincadeira não tem conseqüências, foram partidarizados.
Em resumo, gente do ramo na saúde e educação. O resto tudo um bando de picaretas que querem cargo público para se locupletar e fazer caixa de campanha. Não sou eu que estou dizendo.
06 fevereiro 2007
Gafes da semana
Comentário rápido sobre as gafes de uns políticos no Brasil e no mundo: o deputado Fernando Gabeira dando um escorregão sobre a vida noturna em Brasília, o prefeito Gilberto Kassab com um piadinha de mau gosto sobre a obra do Metrô, o Chirac falando bobagem sobre armas nucleares persas, e o senador e futuro ex-candidato a presidente Joe Biden enrolando a língua ao falar sobre o colega e candidato a vice-presidente Barack Obama.
Só um desses quatro tem o que é preciso para ser presidente de seu país. Dica: ele não é presidente, nem candidato.
E falando em candidato a vice-presidente, o de 2004 quer voltar. Dizem que o J Edwards estava concorrendo a presidente desde que John Kerry perdeu a eleição. Bobagem. Ele estava fazendo sua campanha de 2008 muito antes, desde que Kerry começou a de 2004. Por isso estava muito mais preocupado em se apresentar como bom moço do que em ajudar o colega de partido ser eleito. Perdeu de propósito, mas agora quer voltar.
Só um desses quatro tem o que é preciso para ser presidente de seu país. Dica: ele não é presidente, nem candidato.
E falando em candidato a vice-presidente, o de 2004 quer voltar. Dizem que o J Edwards estava concorrendo a presidente desde que John Kerry perdeu a eleição. Bobagem. Ele estava fazendo sua campanha de 2008 muito antes, desde que Kerry começou a de 2004. Por isso estava muito mais preocupado em se apresentar como bom moço do que em ajudar o colega de partido ser eleito. Perdeu de propósito, mas agora quer voltar.
29 janeiro 2007
The United States should impose a $70 per barrel tax on imports of oil from outside North America.
Last week President Bush, for the nth time, did not propose a serious energy policy in his State of the Union address. Big surprise. So I will do it. You read it here first.
The United States should impose a $70 per barrel tax on imports of oil from outside North America.
Consider the alternatives. One is to do nothing: continue consuming fossil fuels with abandon, and wait for the consequences of global warming. Meanwhile, outsize oil revenues will continue to bankroll *****, both sides of the civil war in Iraq, the genocidal Sudanese regime, and closer to home, the ailing Fidel Castro. Among others. (If you read the newspapers, you know where the bad guys turn to for credit.) So waiting for the problem to go away, or blow up in someone else's hand, does not sound like a very good idea.
Closely related to doing nothing are the uncountable gimmicks which are calculated to hurt no one. A good example appeared in the NYTimes blog http://pipeline.blogs.nytimes.com/ on 22 January. Resynchronize traffic lights, says one. Require trucks to use aerodynamic apparatuses, says another. Fluorescent light bulbs, of course. Regulate the refrigerator and air-conditioner industries, good point. Lower the thermostats, and prohibit idling automobiles in front of schools, on pain of hanging, I myself feel good about saying. All worthwhile suggestions in their own merits, but they do not add up to an energy policy. We can safely dismiss the chances of lowering energy usage without anyone feeling any pain as wishful thinking.
So what could America do? It is hard to impose taxes because of opposition among interests groups directly affected. Because of the energy lobby, politicians are unwilling to create a carbon tax targeted at all sources of greenhouse gas, although it would have a healthy effect on the environment and national security. There is opposition to a gasoline tax from drivers and car companies. Same for fuel economy standards, which in any case are unlikely to have a major impact on total oil usage and prices. Subsidies for alternative energy sources are just that - subsidies for the use of energy. They may increase the use of alternative sources, but will not change the fact that the US uses a lot of fossil fuels.
An import tax on oil is different, politically speaking. First, it will not generate opposition among the domestic oil producers, and it does not single out the auto industry to make efforts towards fuel efficiency. Second, the impact on energy prices will be diffused. Several alternatives to imported oil will step in: domestic, Canadian, and Mexican oil, ethanol from Brazil, and alternative energy sources - including the cheapest and most significant, conservation. Because the US is such a major importer of oil, any decrease in its demand for imports will lower significantly the price of oil in international markets. That will mean less money for tyrants who control most of the oil deposits in the world, in the Arabias, Persia, Russia, Venezuela, and so on. If you complain, we know whose side you are on.
An import tax will increase the price of imported oil to the consumer to some extent, but because alternatives are available, in effect the tax will amount to a transfer of income from oil-producing governments to the US treasury. So third, and most important, it can be explained clearly that it is a national security measure (that happens to have an important environmental benefit). Politically, this would make sense. The extra government revenue should be allocated as across the board tax relief. It will help individuals cope with higher energy costs and companies invest intelligently in alternative sources, unlike subsidies which only encourage more use of energy, although of a different type. And Congress can legislate it without waiting for the lame duck.
What about the obvious drawback that an import tariff goes squarely against the idea of free trade? Let the reader of "The Economist" call it a bad idea whose time has come. Oil is not traded freely in international markets. Nominally at least, prices are controlled by OPEC, a cartel of oil exporting countries. Oil is not regulated by the WTO, oil exporters do not practice free trade, most are not members of WTO, and frankly, let them scream.
A US tax on imports of fossil fuels from outside North America will be good for the environment, and good for world peace.
***** Insert the names of your favorite or least favorite international terrorist groups here. If I do it, Google will censor my blog!
The United States should impose a $70 per barrel tax on imports of oil from outside North America.
Consider the alternatives. One is to do nothing: continue consuming fossil fuels with abandon, and wait for the consequences of global warming. Meanwhile, outsize oil revenues will continue to bankroll *****, both sides of the civil war in Iraq, the genocidal Sudanese regime, and closer to home, the ailing Fidel Castro. Among others. (If you read the newspapers, you know where the bad guys turn to for credit.) So waiting for the problem to go away, or blow up in someone else's hand, does not sound like a very good idea.
Closely related to doing nothing are the uncountable gimmicks which are calculated to hurt no one. A good example appeared in the NYTimes blog http://pipeline.blogs.nytimes.com/ on 22 January. Resynchronize traffic lights, says one. Require trucks to use aerodynamic apparatuses, says another. Fluorescent light bulbs, of course. Regulate the refrigerator and air-conditioner industries, good point. Lower the thermostats, and prohibit idling automobiles in front of schools, on pain of hanging, I myself feel good about saying. All worthwhile suggestions in their own merits, but they do not add up to an energy policy. We can safely dismiss the chances of lowering energy usage without anyone feeling any pain as wishful thinking.
So what could America do? It is hard to impose taxes because of opposition among interests groups directly affected. Because of the energy lobby, politicians are unwilling to create a carbon tax targeted at all sources of greenhouse gas, although it would have a healthy effect on the environment and national security. There is opposition to a gasoline tax from drivers and car companies. Same for fuel economy standards, which in any case are unlikely to have a major impact on total oil usage and prices. Subsidies for alternative energy sources are just that - subsidies for the use of energy. They may increase the use of alternative sources, but will not change the fact that the US uses a lot of fossil fuels.
An import tax on oil is different, politically speaking. First, it will not generate opposition among the domestic oil producers, and it does not single out the auto industry to make efforts towards fuel efficiency. Second, the impact on energy prices will be diffused. Several alternatives to imported oil will step in: domestic, Canadian, and Mexican oil, ethanol from Brazil, and alternative energy sources - including the cheapest and most significant, conservation. Because the US is such a major importer of oil, any decrease in its demand for imports will lower significantly the price of oil in international markets. That will mean less money for tyrants who control most of the oil deposits in the world, in the Arabias, Persia, Russia, Venezuela, and so on. If you complain, we know whose side you are on.
An import tax will increase the price of imported oil to the consumer to some extent, but because alternatives are available, in effect the tax will amount to a transfer of income from oil-producing governments to the US treasury. So third, and most important, it can be explained clearly that it is a national security measure (that happens to have an important environmental benefit). Politically, this would make sense. The extra government revenue should be allocated as across the board tax relief. It will help individuals cope with higher energy costs and companies invest intelligently in alternative sources, unlike subsidies which only encourage more use of energy, although of a different type. And Congress can legislate it without waiting for the lame duck.
What about the obvious drawback that an import tariff goes squarely against the idea of free trade? Let the reader of "The Economist" call it a bad idea whose time has come. Oil is not traded freely in international markets. Nominally at least, prices are controlled by OPEC, a cartel of oil exporting countries. Oil is not regulated by the WTO, oil exporters do not practice free trade, most are not members of WTO, and frankly, let them scream.
A US tax on imports of fossil fuels from outside North America will be good for the environment, and good for world peace.
***** Insert the names of your favorite or least favorite international terrorist groups here. If I do it, Google will censor my blog!
05 novembro 2006
Três sugestões
Lendo o jornal do domingão ensolarado, três sugestões que ninguém vai aceitar, só para que eu não possa dizer a mim mesmo que só sei criticar.
1 - Para o Presidente Lula, que quer maior crescimento econômico. A sugestão é: mudar a lei para que o Fundo de Garantia seja depositado diretamente na conta do trabalhador, juntamente com o salário. Vantagem óbvia: o trabalhador fica com mais dinheiro no bolso, para poupar ou gastar eficientemente, em vez de emprestar para os bancos oficiais em troca de remuneração baixíssima. Se poupar, baixa o custo do dinheiro para os tomadores de empréstimo. Se gastar, aumenta a demanda e a perspectiva de lucros futuros. De qualquer jeito, a indústria sai ganhando. Perdedores: caem os dividendos que o governo federal recebe dos bancos estatais. A Caixa e o BNDES perdem o acesso aos fundos subsidiados pelos assalariados. Isso é bom: tendo que buscar recursos a juros de mercado, eles vão ter que trabalhar com muito mais cuidado para selecionar bons investimentos.
2 - Para os pilotos de avião preocupados com as falhas dos sistemas de controle de tráfego aéreo: voar sempre um pouquinho fora do plano de vôo. Ao atingir altura de cruzeiro, escolha aleatoriamente uma distância entre 0 e 100 metros, e uma direção, para cima ou para baixo, para a direita ou para a esquerda, ou qualquer ângulo intermediário. Assim se o controle de vôo colocar dois aviões na mesma pista, o que é um erro raro mas que infelizmente já ocorreu no Brasil e na Suíça, a probabilidade de os dois terem escolhido o mesmo ponto cai pelo menos uns 99%. E não há risco nenhum: a precisão na definição das pistas de tráfego aéreo, em um vôo de centenas de quilômetros, não traz absolutamente nenhuma vantagem.
3 - Para os políticos que propõe o voto distrital mas se preocupam em como montar os distritos: a divisão em distritos deve ser especificada na lei através da escolha de algum algoritmo de "clustering." Existem muitos algoritmos bons, e qualquer um deles serve para resolver o problema. Se não for definido um algoritmo formal, a divisão se torna uma questão política onde os partidos buscam definir distritos em benefício próprio. Essa discussão, muito problemática nos Estados Unidos, se dá em torno de algo que não oferece nenhum benefício ao país. Isso pode dificultar a adoção do sistema, o que seria uma pena, pois o voto distrital é o sistema no qual o eleitor melhor pode expressar sua opinião. O uso de um método objetivo e impessoal para a divisão em distritos pode facilitar o uso do voto distrital, o que traria claros benefícios para o país.
1 - Para o Presidente Lula, que quer maior crescimento econômico. A sugestão é: mudar a lei para que o Fundo de Garantia seja depositado diretamente na conta do trabalhador, juntamente com o salário. Vantagem óbvia: o trabalhador fica com mais dinheiro no bolso, para poupar ou gastar eficientemente, em vez de emprestar para os bancos oficiais em troca de remuneração baixíssima. Se poupar, baixa o custo do dinheiro para os tomadores de empréstimo. Se gastar, aumenta a demanda e a perspectiva de lucros futuros. De qualquer jeito, a indústria sai ganhando. Perdedores: caem os dividendos que o governo federal recebe dos bancos estatais. A Caixa e o BNDES perdem o acesso aos fundos subsidiados pelos assalariados. Isso é bom: tendo que buscar recursos a juros de mercado, eles vão ter que trabalhar com muito mais cuidado para selecionar bons investimentos.
2 - Para os pilotos de avião preocupados com as falhas dos sistemas de controle de tráfego aéreo: voar sempre um pouquinho fora do plano de vôo. Ao atingir altura de cruzeiro, escolha aleatoriamente uma distância entre 0 e 100 metros, e uma direção, para cima ou para baixo, para a direita ou para a esquerda, ou qualquer ângulo intermediário. Assim se o controle de vôo colocar dois aviões na mesma pista, o que é um erro raro mas que infelizmente já ocorreu no Brasil e na Suíça, a probabilidade de os dois terem escolhido o mesmo ponto cai pelo menos uns 99%. E não há risco nenhum: a precisão na definição das pistas de tráfego aéreo, em um vôo de centenas de quilômetros, não traz absolutamente nenhuma vantagem.
3 - Para os políticos que propõe o voto distrital mas se preocupam em como montar os distritos: a divisão em distritos deve ser especificada na lei através da escolha de algum algoritmo de "clustering." Existem muitos algoritmos bons, e qualquer um deles serve para resolver o problema. Se não for definido um algoritmo formal, a divisão se torna uma questão política onde os partidos buscam definir distritos em benefício próprio. Essa discussão, muito problemática nos Estados Unidos, se dá em torno de algo que não oferece nenhum benefício ao país. Isso pode dificultar a adoção do sistema, o que seria uma pena, pois o voto distrital é o sistema no qual o eleitor melhor pode expressar sua opinião. O uso de um método objetivo e impessoal para a divisão em distritos pode facilitar o uso do voto distrital, o que traria claros benefícios para o país.
02 novembro 2006
Para ninguém achar que ser antiliberal virou privilégio da esquerda
Deu no jornal hoje: sociólogo Emir Sader é condenado por por crime de injúria contra o senador Jorge Bornhausen.
O senador Bornhausen é uma figura pública. Tem que aceitar que vai ser alvo de opiniões acaloradas, contra e a favor, verdadeiras e falsas, algumas delas preconceituosas e até ofensivas, como essa. O sociólogo xinga o senador de racista e fascista sem qualquer justificativa. Coloca palavras na boca do político conservador catarinense de origem alemã, por puro preconceito. Aproveitou para xingar os habitantes dos estados vizinhos ao do senador, chegando até São Paulo, por crime de cor de cabelo. Entendo que o senador se sinta injuriado.
Porém, repetindo mais uma vez, o senador é uma figura pública. Tem que conviver com esses ataques. Para o bem da liberdade de expressão, sob assédio constante dos governos do PT, devia ter se contido em usar a justiça contra o preconceituoso sociólogo. E a justiça, que corrige tão pouca injustiça, perdeu mais uma oportunidade de ficar de boca fechada.
O senador Bornhausen é uma figura pública. Tem que aceitar que vai ser alvo de opiniões acaloradas, contra e a favor, verdadeiras e falsas, algumas delas preconceituosas e até ofensivas, como essa. O sociólogo xinga o senador de racista e fascista sem qualquer justificativa. Coloca palavras na boca do político conservador catarinense de origem alemã, por puro preconceito. Aproveitou para xingar os habitantes dos estados vizinhos ao do senador, chegando até São Paulo, por crime de cor de cabelo. Entendo que o senador se sinta injuriado.
Porém, repetindo mais uma vez, o senador é uma figura pública. Tem que conviver com esses ataques. Para o bem da liberdade de expressão, sob assédio constante dos governos do PT, devia ter se contido em usar a justiça contra o preconceituoso sociólogo. E a justiça, que corrige tão pouca injustiça, perdeu mais uma oportunidade de ficar de boca fechada.
30 outubro 2006
A Acadêmica Bertoleza e o Gigante Burocrator
Postei uma versão com algumas correções no Google Base. Foi mais fácil do que consertar o arquivo no Ourmedia ou no Internet Archive. A licença continua a mesma, distribuição e cópia livres. É só seguir o link no título acima e depois baixar o pedefê.
29 outubro 2006
Os três eixos do primeiro Lulato
Domingão ensolarado de eleição, vamos fazer um balanço. Os primeiros quatro anos de governo Lula podem ser definidos por três eixos: o atentado à economia popular, o atentado à democracia, e o atentado ao pudor.
O primeiro eixo era o mais largamente temido antes da eleição de Lula, por causa do histórico dos discursos do PT, mas acabou não se realizando: o governo Lula teve uma política econômica inepta, timorata, porém conservadora, para não dizer reacionária. No segundo, talvez o mais perigoso, o PT se mostrou mais pragmático do que ideológico: testou as águas com uma tentativa de restabelecer a censura à imprensa e aos meios de comunicação, e uma proposta de criação de sovietes sob o controle do partido nas universidades, mas ao encontrar resistência desistiu. Foi no eixo da imoralidade que o governo Lula surpreendeu a todos que já votaram nele uma vez ou outra.
As atitudes em cada um dos eixos contribuíram para o fim daquela antiga e um tanto pitoresca figura do "petista", aquele de camiseta, estrelinha, e adesivo no carro. Antiliberal, exceto com o dinheiro alheio, mas não em benefício próprio. Foi-se. O PT agora obtém votos nos rincões que elegiam os últimos remanescentes da ditadura, aliado com Maluf, Quércia, Collor, e Delfim, no lugar das tradicionais "forças progressistas."
Como serão os prováveis 4 anos seguintes do governo Lula? Prosseguirá Lula em sua política econômica irracional mas cautelosa, ou trará de volta a inflação, gastando tudo que não gastou no primeiro mandato, em uma vingança contra o bolso do contribuinte que votou contra ele? Será que o PT, sem figuras de expressão elegíveis, continuará aceitando a constituição (embora de mau grado), ou prepara já um auto-golpe chavista e fujimorista? Tentará o PT salvar um pouco de sua antiga reputação de honestidade, ou continuará a arriscar suas chances eleitorais em atentados violentos ao pudor?
Meu palpite? As coisas vão se inverter. Menos descaramento na corrupção: a putaria volta para o armário. Continuadas tentativas pouco coerentes de solapar a democracia: voto indireto para deputado, quem sabe senador biônico, talvez até a treeleição e a emenda "Taça Jules Rimet": quem ganhar 3 vezes leva a faixa para casa. Mas sem muito empenho. E mais, muito mais, desperdício de dinheiro público: contratações em massa de carteiros, petistas, e outros barnabés; irresponsabilidade fiscal, beneficiando políticos venais e aliados. Acho que o PT vai tentar voltar um pouco às origens. Mas já errei antes. Mais de uma vez.
O primeiro eixo era o mais largamente temido antes da eleição de Lula, por causa do histórico dos discursos do PT, mas acabou não se realizando: o governo Lula teve uma política econômica inepta, timorata, porém conservadora, para não dizer reacionária. No segundo, talvez o mais perigoso, o PT se mostrou mais pragmático do que ideológico: testou as águas com uma tentativa de restabelecer a censura à imprensa e aos meios de comunicação, e uma proposta de criação de sovietes sob o controle do partido nas universidades, mas ao encontrar resistência desistiu. Foi no eixo da imoralidade que o governo Lula surpreendeu a todos que já votaram nele uma vez ou outra.
As atitudes em cada um dos eixos contribuíram para o fim daquela antiga e um tanto pitoresca figura do "petista", aquele de camiseta, estrelinha, e adesivo no carro. Antiliberal, exceto com o dinheiro alheio, mas não em benefício próprio. Foi-se. O PT agora obtém votos nos rincões que elegiam os últimos remanescentes da ditadura, aliado com Maluf, Quércia, Collor, e Delfim, no lugar das tradicionais "forças progressistas."
Como serão os prováveis 4 anos seguintes do governo Lula? Prosseguirá Lula em sua política econômica irracional mas cautelosa, ou trará de volta a inflação, gastando tudo que não gastou no primeiro mandato, em uma vingança contra o bolso do contribuinte que votou contra ele? Será que o PT, sem figuras de expressão elegíveis, continuará aceitando a constituição (embora de mau grado), ou prepara já um auto-golpe chavista e fujimorista? Tentará o PT salvar um pouco de sua antiga reputação de honestidade, ou continuará a arriscar suas chances eleitorais em atentados violentos ao pudor?
Meu palpite? As coisas vão se inverter. Menos descaramento na corrupção: a putaria volta para o armário. Continuadas tentativas pouco coerentes de solapar a democracia: voto indireto para deputado, quem sabe senador biônico, talvez até a treeleição e a emenda "Taça Jules Rimet": quem ganhar 3 vezes leva a faixa para casa. Mas sem muito empenho. E mais, muito mais, desperdício de dinheiro público: contratações em massa de carteiros, petistas, e outros barnabés; irresponsabilidade fiscal, beneficiando políticos venais e aliados. Acho que o PT vai tentar voltar um pouco às origens. Mas já errei antes. Mais de uma vez.
28 outubro 2006
Carta aos colegas professores da Poli
Caros colegas,
Ouvi com estupefação que a congregação da Escola Politécnica voltou a discutir a proposta de baixar o nível de exigência no vestibular para cursos de menor procura, com o objetivo de trazer mais alunos justamente para essas áreas. São as especializações que despertam menos interesse entre os vestibulandos, e que oferecem possibilidades de emprego mais limitadas por não terem acompanhado a evolução tecnológica e econômica do Brasil ao longo das décadas.
Esse problema do descompasso entre as exigências da engenharia e a oferta de especializações na Escola Politécnica já data de pelo menos um quarto de século, que foi quando eu ingressei na Poli como calouro. Ele é causado pelo fato de que as estruturas curriculares são decididas pela congregação e conselhos levando em conta as conveniências do corpo docente em primeiro lugar. Com isso os currículos ficam defasados em relação ao interesse dos estudantes, às demandas das empresas, e à evolução tecnológica da engenharia. O mais incrível é que nesse intervalo já houve uma mudança de quase toda uma geração de professores, no entanto as antigas estruturas curriculares se mantém.
E não adianta tentarmos argumentar que os cursos e conteúdos se modernizaram, que houve reformas curriculares, diversas ECs, que as opções foram para o vestibular e voltaram, que foram criadas grandes áreas, ou outras mumunhas. Nem mandar baixar o espírito do Ramos de Azevedo. Não é a nós mesmo que os argumentos têm que convencer, menos de todos a esse missivista. Temos que convencer aos alunos e à sociedade brasileira que nossos cursos valem a pena. E claramente os cursos que não formam nem metade do número de vagas para ingressantes não convencem.
Mais preocupante é que aparentemente continuamos agindo como se a nossa concorrência fosse a faculdade de engenharia de São Carlos, a ciência da computação da matemática, ou uns aos outros dentro da Politécnica. Nossos concorrentes são a China e a Índia. E estamos perdendo a concorrência, 8% de crescimento do PIB contra 2% pelos últimos dados aproximados que lembro. Os alunos são os melhores que há, mesmo que de vez em quando surjam essas propostas absurdas. Se fosse um campeonatos de futebol, estaria na hora de trocar de técnico. E os técnicos somos nós os engenheiros. Para continuar perdendo de 8 a 2, pode deixar tudo como está. Para crescer 2% ao ano, pode congelar o número de vagas em cada área, e deixar para quem saber consertar alguma coisa daqui a mais uns 25 anos. Não vai fazer diferença mesmo, vão todos trabalhar em banco.
Agora, se quisermos fazer uma contribuição para a engenharia e economia nacional... Está na hora de andar para frente, e não para trás.
Ainda estupefato,
πt
Ouvi com estupefação que a congregação da Escola Politécnica voltou a discutir a proposta de baixar o nível de exigência no vestibular para cursos de menor procura, com o objetivo de trazer mais alunos justamente para essas áreas. São as especializações que despertam menos interesse entre os vestibulandos, e que oferecem possibilidades de emprego mais limitadas por não terem acompanhado a evolução tecnológica e econômica do Brasil ao longo das décadas.
Esse problema do descompasso entre as exigências da engenharia e a oferta de especializações na Escola Politécnica já data de pelo menos um quarto de século, que foi quando eu ingressei na Poli como calouro. Ele é causado pelo fato de que as estruturas curriculares são decididas pela congregação e conselhos levando em conta as conveniências do corpo docente em primeiro lugar. Com isso os currículos ficam defasados em relação ao interesse dos estudantes, às demandas das empresas, e à evolução tecnológica da engenharia. O mais incrível é que nesse intervalo já houve uma mudança de quase toda uma geração de professores, no entanto as antigas estruturas curriculares se mantém.
E não adianta tentarmos argumentar que os cursos e conteúdos se modernizaram, que houve reformas curriculares, diversas ECs, que as opções foram para o vestibular e voltaram, que foram criadas grandes áreas, ou outras mumunhas. Nem mandar baixar o espírito do Ramos de Azevedo. Não é a nós mesmo que os argumentos têm que convencer, menos de todos a esse missivista. Temos que convencer aos alunos e à sociedade brasileira que nossos cursos valem a pena. E claramente os cursos que não formam nem metade do número de vagas para ingressantes não convencem.
Mais preocupante é que aparentemente continuamos agindo como se a nossa concorrência fosse a faculdade de engenharia de São Carlos, a ciência da computação da matemática, ou uns aos outros dentro da Politécnica. Nossos concorrentes são a China e a Índia. E estamos perdendo a concorrência, 8% de crescimento do PIB contra 2% pelos últimos dados aproximados que lembro. Os alunos são os melhores que há, mesmo que de vez em quando surjam essas propostas absurdas. Se fosse um campeonatos de futebol, estaria na hora de trocar de técnico. E os técnicos somos nós os engenheiros. Para continuar perdendo de 8 a 2, pode deixar tudo como está. Para crescer 2% ao ano, pode congelar o número de vagas em cada área, e deixar para quem saber consertar alguma coisa daqui a mais uns 25 anos. Não vai fazer diferença mesmo, vão todos trabalhar em banco.
Agora, se quisermos fazer uma contribuição para a engenharia e economia nacional... Está na hora de andar para frente, e não para trás.
Ainda estupefato,
πt
18 outubro 2006
A Acadêmica Bertoleza e o Gigante Burocrator
Para o bem ou o para o mal, está publicada com uma licença do Creative Commons minha primeira obra de ficção. Citando o narrador:
"O bom da internet é que qualquer palhaço pode publicar o que quiser. O bom da democracia é que ninguém é obrigado a ler."
Quem quiser, que o faça por sua conta e risco:
http://www.ourmedia.org/node/263825
É só seguir o link "This media file's URL" para baixar um arquivo pedefê. O arquivo mesmo está em:
http://ia331302.us.archive.org/3/items/A_Acadmica_Bertoleza_e_o_Gigante_Burocrator_2/A_academica_Bertoleza_e_o_Gigante_Burocrator.pdf
Aproveito o ensejo para etc. etc. etc.
"O bom da internet é que qualquer palhaço pode publicar o que quiser. O bom da democracia é que ninguém é obrigado a ler."
Quem quiser, que o faça por sua conta e risco:
http://www.ourmedia.org/node/263825
É só seguir o link "This media file's URL" para baixar um arquivo pedefê. O arquivo mesmo está em:
http://ia331302.us.archive.org/3/items/A_Acadmica_Bertoleza_e_o_Gigante_Burocrator_2/A_academica_Bertoleza_e_o_Gigante_Burocrator.pdf
Aproveito o ensejo para etc. etc. etc.
08 outubro 2006
Lendo o jornal de domingo....
No artigo "Os sem-estepe", a Folha dá a dica de que é possível calibrar o estepe que não está no carro.
"São poucos os motoristas que calibram o estepe com regularidade. Um número menor ainda confere se ele está lá."
Se você for um daqueles motoristas que calibram o estepe com regularidade, sem ao menos conferir se ele está lá, confira:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/veiculos/cv0810200601.htm
E no artigo "Acidente da Gol causa guerra de acusações", vamos ver a quantas anda a lógica.
"Até agora, há dois pontos cruciais já confirmados:
1) o Legacy estava na "contramão", em 37 mil pés, quando deveria estar em 36 mil pés de altitude naquela região e na direção norte;
2) a partir desse erro, houve uma falha grave de comunicação que, se não causou o acidente, pode ter sido fundamental para não impedi-lo."
E um pouco mais abaixo no mesmo artigo, um dos pontos é desconfirmado:
"...o plano de vôo previa três altitudes -37 mil pés até Brasília, 36 mil depois e 38 mil a partir de determinado ponto entre Brasília e Manaus."
Cadê os pontos confirmados? Procure:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0810200613.htm
Então já que está todo mundo dizendo besteira sobre acidentes aéreos, somo minha voz ao coral do Febeapá com mais duas perguntas. Uma de engenheiro: quem teve a idéia de fazer as "pistas" de tráfego aéreo coincidirem em latitude e longitude? Sem essas pistas cartesianamente posicionadas a cada mil pés, a probabilidade de colisão seria zero. Com as pistas, continua improvável, mas pode acontecer.... e aconteceu.
Aconteceu por uma seqüência de erros humanos, e talvez adicionalmente por falhas de equipamento. Então a segunda pergunta: o controle de tráfego aéreo não serve exatamente para evitar acidentes em caso de falha humana? Houve falha humana, e o acidente ocorreu. O controle de tráfego aéreo não se comunicou nem com um avião, nem com o outro. Ou porque não é o procedimento normal, ou porque não tentou se comunicar, ou porque não conseguiu.
Se não é capaz de evitar acidentes, então o controle de tráfego aéreo serve para que, exatamente?
"São poucos os motoristas que calibram o estepe com regularidade. Um número menor ainda confere se ele está lá."
Se você for um daqueles motoristas que calibram o estepe com regularidade, sem ao menos conferir se ele está lá, confira:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/veiculos/cv0810200601.htm
E no artigo "Acidente da Gol causa guerra de acusações", vamos ver a quantas anda a lógica.
"Até agora, há dois pontos cruciais já confirmados:
1) o Legacy estava na "contramão", em 37 mil pés, quando deveria estar em 36 mil pés de altitude naquela região e na direção norte;
2) a partir desse erro, houve uma falha grave de comunicação que, se não causou o acidente, pode ter sido fundamental para não impedi-lo."
E um pouco mais abaixo no mesmo artigo, um dos pontos é desconfirmado:
"...o plano de vôo previa três altitudes -37 mil pés até Brasília, 36 mil depois e 38 mil a partir de determinado ponto entre Brasília e Manaus."
Cadê os pontos confirmados? Procure:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0810200613.htm
Então já que está todo mundo dizendo besteira sobre acidentes aéreos, somo minha voz ao coral do Febeapá com mais duas perguntas. Uma de engenheiro: quem teve a idéia de fazer as "pistas" de tráfego aéreo coincidirem em latitude e longitude? Sem essas pistas cartesianamente posicionadas a cada mil pés, a probabilidade de colisão seria zero. Com as pistas, continua improvável, mas pode acontecer.... e aconteceu.
Aconteceu por uma seqüência de erros humanos, e talvez adicionalmente por falhas de equipamento. Então a segunda pergunta: o controle de tráfego aéreo não serve exatamente para evitar acidentes em caso de falha humana? Houve falha humana, e o acidente ocorreu. O controle de tráfego aéreo não se comunicou nem com um avião, nem com o outro. Ou porque não é o procedimento normal, ou porque não tentou se comunicar, ou porque não conseguiu.
Se não é capaz de evitar acidentes, então o controle de tráfego aéreo serve para que, exatamente?
01 setembro 2006
Carta ao Prof Coggiola, que anda me citando sem dizer meu nome
Coggiola, seu polpotista,
Li por aí que você anda citando minha carta à Adusp. Seu texto confirma exatamente o que escrevi. Você repete, em linguagem prolixa, dita acadêmica, o que o Sintusp escreveu de maneira mais concisa e direta. A esquerda se junta à gritaria extrema direita das teocracias islâmicas pelo fim do Estado de Israel. Só que os israelenses não vão abandonar seu estado por conta dos argumentos de vocês, e nem vão se deixar destruir como da vez anterior que a extrema esquerda se uniu à extrema direita. Se tentam destruir Israel, é inevitável que Israel reaja. Por conseguinte, que vocês propõem é guerra permanente, pela destruição do Estado de Israel. Quem quisesse a paz, o que claramente não é o caso de vocês, teria que começar aceitando a existência do outro, o primeiro passo mínimo para o diálogo.
Podem deixar isso claro e parar de ficar falando em manifestação pela paz. A proposta de vocês é guerra, digam isso explicitamente, e arquem com as conseqüências. Agora quanto aos argumentos políticos de vocês, em geral não valem grande coisa. Você, Coggiola, escrevia resmas em apoio ao Saddam Hussein quando ele usava gás venenoso contra cidadãos do próprio país. Tecia loas ao Slobodan Milosevic quando ele levava os muçulmanos da antiga Iugoslávia a campos de extermínio. Você nos informa que quem está por trás das suas manifestações são professores da USP, titulares ainda por cima? Desde quando ter passado em concurso público é prova de moral? As opiniões de vocês são, sem falta, abjetamente imorais. Aliás, se puder me mande referências bibliográficas dos escritos do povo da sua laia em favor do Khmer Rouge e da revolução cultural maoísta, não fui capaz de localizar mas ficaria muito surpreso se não existissem. Não há no mundo um tirano com quem vocês não simpatizam.
De qualquer forma, agradeço por usar minhas palavras e pelas correções orthográphicas. Da próxima vez faça o favor de citar a fonte.
F Pait
Li por aí que você anda citando minha carta à Adusp. Seu texto confirma exatamente o que escrevi. Você repete, em linguagem prolixa, dita acadêmica, o que o Sintusp escreveu de maneira mais concisa e direta. A esquerda se junta à gritaria extrema direita das teocracias islâmicas pelo fim do Estado de Israel. Só que os israelenses não vão abandonar seu estado por conta dos argumentos de vocês, e nem vão se deixar destruir como da vez anterior que a extrema esquerda se uniu à extrema direita. Se tentam destruir Israel, é inevitável que Israel reaja. Por conseguinte, que vocês propõem é guerra permanente, pela destruição do Estado de Israel. Quem quisesse a paz, o que claramente não é o caso de vocês, teria que começar aceitando a existência do outro, o primeiro passo mínimo para o diálogo.
Podem deixar isso claro e parar de ficar falando em manifestação pela paz. A proposta de vocês é guerra, digam isso explicitamente, e arquem com as conseqüências. Agora quanto aos argumentos políticos de vocês, em geral não valem grande coisa. Você, Coggiola, escrevia resmas em apoio ao Saddam Hussein quando ele usava gás venenoso contra cidadãos do próprio país. Tecia loas ao Slobodan Milosevic quando ele levava os muçulmanos da antiga Iugoslávia a campos de extermínio. Você nos informa que quem está por trás das suas manifestações são professores da USP, titulares ainda por cima? Desde quando ter passado em concurso público é prova de moral? As opiniões de vocês são, sem falta, abjetamente imorais. Aliás, se puder me mande referências bibliográficas dos escritos do povo da sua laia em favor do Khmer Rouge e da revolução cultural maoísta, não fui capaz de localizar mas ficaria muito surpreso se não existissem. Não há no mundo um tirano com quem vocês não simpatizam.
De qualquer forma, agradeço por usar minhas palavras e pelas correções orthográphicas. Da próxima vez faça o favor de citar a fonte.
F Pait
10 agosto 2006
A notável coerência ideológica da esquerda uspiana
Uma coisa que ninguém pode negar sobre a esquerda brasileira, tão bem representada na USP e especialmente nas associações sindicais, é sua coerência ideológica. Desde que eu me lembro por gente eles nunca deixaram de dar seu apoio irrestrito a qualquer tirano sanguinário que se pusesse a cometer alguma atrocidade, em nome do anti-imperialismo. Era assim com os caquéticos sucessores de Stalin antes da queda do muro, sempre foi assim nos piores momentos da repressão aos dissidentes cubanos. Ainda se encontram por aí panfletos com as eloqüentes manifestações dos colegas "terceiro-mundistas" em apoio a Saddam Hussein durante suas invasões e bombardeios químicos, e em defesa do socialista Slobodan Milosevic em suas guerras contra bósnios e kosovares. Faz mais tempo mas me recordo - embora não possa mais comprovar, porque foi antes da internet arquivar e indexar tudo - as menções que agrupamentos de esquerda alternavam a favor da Pérsia ou da Mesopotâmia nos anos 80, dependendo de qual lado daquela insensata guerra consideravam o mais antiamericano, se os aiatolás ou as ditaduras militares armadas pelos comunistas. Eu que era calouro na USP não entendia xongas. Como não entendia como esses mesmos esquerdistas deixavam de lado sua antipatia pela junta militar argentina para apoiá-la abertamente por ter iniciado a guerra suicida contra a Inglaterra.
Mas é uma questão de coerência ideológica. Sempre que algum ditador ou terrorista decide promover um massacre, ele pode contar com palavras de apoio do nosso "movimento universitário." Foi ainda no ano passado que uma conferência de cúpula internacional, promovida em Brasília pelo embaixador chefe do Itamaraty, um orgulhoso membro do IEA, saiu em defesa veemente dos direitos soberanos do governo do Sudão de praticar o genocídio contra as minorias africanas do país, e da Síria de assassinar políticos e jornalistas no seu vizinho Líbano, sem interferência externa. A linha albanesa, a linha maoísta, a linha fidelista, têm como denominador comum o desprezo pela vida, pela liberdade, e pela felicidade dos povos sujeitos a esses regimes.
Pela graça divina, esses socialistas nacionais tem uma tremenda "mufa". Seus ungidos se estrepam. Com o tempo, cada um dos bandidos que esses azarados exaltam tão loquazmente vai se indo embora em desgraça e infâmia. Foi assim com os ditadores da Europa Oriental, com os terroristas bascos, irlandeses, e do Baader Meinhof, com Arafat e abu Nidal. Grande consolo podem ser na prisão os eloqüentes louvores da esquerda uspiana...... Após a saída de cena dos fidéis, o stalinismo terá seu último refúgio na Coréia do Norte esfaimada. Mas mesmo nesse dia nossos esquerdistas continuarão urrando contra o FMI e defendendo o protecionismo econômico, versão tropical da "juche" do imperador Kim Segundo.
Essa semana, o mesmo pessoal de esquerda promove manifestações em apoio ao Hizbollah e ao Hamas, gritando palavras de ordem pela a destruição do estado e do povo de Israel. A esquerda se junta ao fanatismo religioso mais obscurantista, financiado pelo Irã e pelas monarquias do Golfo Pérsico, uma reedição - em farsa - do pacto Ribbentrop-Molotov. Os povos livres e as pessoas de bem agradecem à providência: mais uma vez, os idolatrados pelos "anti-imperialistas" de plantão não vencerão. Os governos democráticos não serão apagados pelos mísseis iranianos, como não se curvaram às bombas dos comunistas. E muito menos à gritaria das "forças de resistência" contra a razão, o bom senso, e a decência humana. Da mesma forma que sobreviveu, unido, aos seqüestradores e homens bomba da Fatah, aos tanques russos do socialismo nacionalista do Baath, o estado judaico não será destruído pelos mísseis e palavras de ordem do Hesballah.
E aqui no Brasil, essa democracia que a esquerda tanto gostaria de ver sabotada, uma certeza podemos continuar tendo: que qualquer antidemocrata de plantão, quanto mais sanguinário ou corrupto melhor, poderá continuar encontrando na esquerda da USP um impotente conforto.
Mas é uma questão de coerência ideológica. Sempre que algum ditador ou terrorista decide promover um massacre, ele pode contar com palavras de apoio do nosso "movimento universitário." Foi ainda no ano passado que uma conferência de cúpula internacional, promovida em Brasília pelo embaixador chefe do Itamaraty, um orgulhoso membro do IEA, saiu em defesa veemente dos direitos soberanos do governo do Sudão de praticar o genocídio contra as minorias africanas do país, e da Síria de assassinar políticos e jornalistas no seu vizinho Líbano, sem interferência externa. A linha albanesa, a linha maoísta, a linha fidelista, têm como denominador comum o desprezo pela vida, pela liberdade, e pela felicidade dos povos sujeitos a esses regimes.
Pela graça divina, esses socialistas nacionais tem uma tremenda "mufa". Seus ungidos se estrepam. Com o tempo, cada um dos bandidos que esses azarados exaltam tão loquazmente vai se indo embora em desgraça e infâmia. Foi assim com os ditadores da Europa Oriental, com os terroristas bascos, irlandeses, e do Baader Meinhof, com Arafat e abu Nidal. Grande consolo podem ser na prisão os eloqüentes louvores da esquerda uspiana...... Após a saída de cena dos fidéis, o stalinismo terá seu último refúgio na Coréia do Norte esfaimada. Mas mesmo nesse dia nossos esquerdistas continuarão urrando contra o FMI e defendendo o protecionismo econômico, versão tropical da "juche" do imperador Kim Segundo.
Essa semana, o mesmo pessoal de esquerda promove manifestações em apoio ao Hizbollah e ao Hamas, gritando palavras de ordem pela a destruição do estado e do povo de Israel. A esquerda se junta ao fanatismo religioso mais obscurantista, financiado pelo Irã e pelas monarquias do Golfo Pérsico, uma reedição - em farsa - do pacto Ribbentrop-Molotov. Os povos livres e as pessoas de bem agradecem à providência: mais uma vez, os idolatrados pelos "anti-imperialistas" de plantão não vencerão. Os governos democráticos não serão apagados pelos mísseis iranianos, como não se curvaram às bombas dos comunistas. E muito menos à gritaria das "forças de resistência" contra a razão, o bom senso, e a decência humana. Da mesma forma que sobreviveu, unido, aos seqüestradores e homens bomba da Fatah, aos tanques russos do socialismo nacionalista do Baath, o estado judaico não será destruído pelos mísseis e palavras de ordem do Hesballah.
E aqui no Brasil, essa democracia que a esquerda tanto gostaria de ver sabotada, uma certeza podemos continuar tendo: que qualquer antidemocrata de plantão, quanto mais sanguinário ou corrupto melhor, poderá continuar encontrando na esquerda da USP um impotente conforto.
26 maio 2006
Mudou o plano da eclíptica!
Revolução na ciência! Mais do que isso, revolução na órbita terrestre! Mudou o plano da eclíptica! Leiam no Boletim Fapesp de hoje:
Mundo mais tropical
26/05/2006
Agência FAPESP - A zona tropical terrestre pode estar aumentando de tamanho. Dados obtidos por satélites mostram uma expansão da região contida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio nos dois hemisférios. (...) Os pesquisadores não sabem se a expansão tropical teve como causa uma variação climática natural ou foi motivada por algum fenômeno como o aquecimento global ou a diminuição da camada de ozônio. (...)
Leiam o artigo completo no site da FAPESP:
Análise a partir de dados obtidos por nove satélites sugere que a zona contida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio pode ter se expandido 230 quilômetros em direção aos pólos desde 1979
Mundo mais tropical
26/05/2006
Agência FAPESP - A zona tropical terrestre pode estar aumentando de tamanho. Dados obtidos por satélites mostram uma expansão da região contida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio nos dois hemisférios. (...) Os pesquisadores não sabem se a expansão tropical teve como causa uma variação climática natural ou foi motivada por algum fenômeno como o aquecimento global ou a diminuição da camada de ozônio. (...)
Leiam o artigo completo no site da FAPESP:
08 novembro 2005
Show de desorganização na Politécnica
Demos um show de desorganização na palestra internacional do IEEE agora de manhã. Para começar, o aviso da palestra foi enviado em cima da hora, na forma de um email sem título e sem corpo. A maioria dos recipientes não deve nem ter lido a mensagem, se é que passou pelos spam filters. Para aqueles que nem ficaram sabendo, o assunto da palestra foi comunicação multiponto em redes móveis ad hoc, que deveria interessar ao pessoal de controle, comunicações, computação, e áreas afins. Os organizadores do IEEE não estavam, ninguém foi recepcionar o palestrante, e tudo atrasou porque não havia projetor.
Havia alguns alunos de graduação. Alunos de pós eu não reconheci. E 2 ou 3 professores. Alguns não podiam ir porque estavam se desincumbindo da carga didática. Outros participando de discussões sobre as campanhas dos reitoráveis. Ou assistindo a um evento sobre políticas governamentais de financiamento para a reforma das salas e compra de equipamento de informática para seminários. Ou na fila do bar. Ou comparecendo à antepenúltima reunião preparatória para a comemoração dos 1200 dias da posse do terceiro vice-secretário da subcomissão de comemorações de efemérides.
Não dá para esperar que todos venham. Muitos tem que compor relatórios sobre pesquisas antigas, não têm tempo para se ocuparem com assuntos novos. Pode até ter alguém, espero que de outro departamento, que não veio porque o palestrante tem sotaque africano. Mas com tal desinteresse, não venham reclamar que os alunos não assistem aulas.
Havia alguns alunos de graduação. Alunos de pós eu não reconheci. E 2 ou 3 professores. Alguns não podiam ir porque estavam se desincumbindo da carga didática. Outros participando de discussões sobre as campanhas dos reitoráveis. Ou assistindo a um evento sobre políticas governamentais de financiamento para a reforma das salas e compra de equipamento de informática para seminários. Ou na fila do bar. Ou comparecendo à antepenúltima reunião preparatória para a comemoração dos 1200 dias da posse do terceiro vice-secretário da subcomissão de comemorações de efemérides.
Não dá para esperar que todos venham. Muitos tem que compor relatórios sobre pesquisas antigas, não têm tempo para se ocuparem com assuntos novos. Pode até ter alguém, espero que de outro departamento, que não veio porque o palestrante tem sotaque africano. Mas com tal desinteresse, não venham reclamar que os alunos não assistem aulas.
27 outubro 2005
Amanhã é dia do funcionário público não trabalhar
Amanhã é dia do funcionário público não trabalhar, então não tem dia melhor que hoje para começar esse blog. Aliás, já não tem 364 dias do ano para barnabé não trabalhar, precisa de mais esse feriado? No começo do ano bem que tinham posto "funcionário público" na cartilha das expressões politicamente incorretas banidas, mas ela voltou com força total e mais um feriado - mais um tapa na cara do contribuinte.
E para somar insulto à injúria: A Politécnica distribuiu sacolas alusivas à data aos seus funcionários públicos. A minha veio sem alça, tive que implorar para não ficar com a mala sem alça. E não chega eu trabalhar de graça, ainda tem que me mandar girar bolsinha?
Aproveitando a deixa, leiam abaixo sobre a prisão e soltura de um companheiro politécnico. E leiam também meu colega Manuel Tenide:40 Anos da República Popular do Brasil
IMPORTANT COPYRIGHT INFORMATION. Did you like the joke? You may say it is yours.
IMPORTANTE: INFORMAÇÃO SOBRE DIREITOS AUTORAIS. Gostou da piada? Pode dizer que é sua.
E para somar insulto à injúria: A Politécnica distribuiu sacolas alusivas à data aos seus funcionários públicos. A minha veio sem alça, tive que implorar para não ficar com a mala sem alça. E não chega eu trabalhar de graça, ainda tem que me mandar girar bolsinha?
Aproveitando a deixa, leiam abaixo sobre a prisão e soltura de um companheiro politécnico. E leiam também meu colega Manuel Tenide:
IMPORTANT COPYRIGHT INFORMATION. Did you like the joke? You may say it is yours.
IMPORTANTE: INFORMAÇÃO SOBRE DIREITOS AUTORAIS. Gostou da piada? Pode dizer que é sua.
22 outubro 2005
Agora que já nos acostumamos com desvios de bilhões de dólares dos cofres públicos, o que mais espanta no episódio da prisão e soltura de Paulo Maluf é a rapidez da justiça. Sabemos que há incontáveis processos tramitando em diversos tribunais e instâncias, durante anos e décadas. Já as demandas do ex-prefeito de São Paulo foram examinadas por diversos tribunais, em rápida sucessão, no curto prazo de 40 dias. Os pedidos de habeas corpus, recursos, liminares, alvarás, e o que mais foram rapidamente apreciados pelo Tribunal Regional Federal, Superior Tribunal de Justiça, e Supremo Tribunal Federal, este último atropelando suas próprias normas. Será que um caso com menos oportunidades para fama, envolvendo um cidadão menos endinheirado, seria sido tratado de maneira tão diligente por nossos juízes?
Independentemente do mérito do caso, também fascina a facilidade dos tribunais em chegarem a decisões contraditórias. O politécnico Maluf seu filho são réus em um processo, e haviam tentado impedir o depoimento de outro réu. Estavam em prisão preventiva para evitar que atrapalhassem as investigações. A questão legal era absolutamente banal: coagir uma testemunha, quando se trata de outro réu, interfere nas investigações? O mais alto tribunal decidiu que não, então está decidido. Mas, concordemos, não se trata de questão de enorme alcance e complexidade, cuja resposta poderia influenciar todo o relacionamento entre os cidadãos e os poderes da república... Quem acha fácil não é o leigo: o pedido foi julgado em menos de dois dias. Se fosse uma questão complexa, teria merecido uma avaliação cuidadosa por parte do Supremo Tribunal Federal. Mas se era uma questão tão simples, para ser decidida de um dia para o outro, como será que as instâncias inferiores se enganaram? Não tiveram receio de fazer um pronunciamento tão facilmente revertido?
Nós brasileiros reclamamos, com bastante razão, da atuação de prefeitos, governadores, e presidentes. Mas bem ou mal, eles cumprem sua função constitucional, que é governar. Os recentes escândalos não nos deixam esquecer que o legislativo é de qualidade ainda pior. Mas esses ainda podemos dizer que são a escolha do povo. Do judiciário poderia se esperar, no mínimo, que julgasse de acordo com a lei, e que a aplicasse igualmente para todos - não opiniões pessoais arbitrárias. O fundamento do estado de direito é a impessoalidade e previsibilidade da justiça. Qualquer outra coisa é um convite ao crime. Entre as instituições da república, alguma inspira menos confiança do que o judiciário?
Independentemente do mérito do caso, também fascina a facilidade dos tribunais em chegarem a decisões contraditórias. O politécnico Maluf seu filho são réus em um processo, e haviam tentado impedir o depoimento de outro réu. Estavam em prisão preventiva para evitar que atrapalhassem as investigações. A questão legal era absolutamente banal: coagir uma testemunha, quando se trata de outro réu, interfere nas investigações? O mais alto tribunal decidiu que não, então está decidido. Mas, concordemos, não se trata de questão de enorme alcance e complexidade, cuja resposta poderia influenciar todo o relacionamento entre os cidadãos e os poderes da república... Quem acha fácil não é o leigo: o pedido foi julgado em menos de dois dias. Se fosse uma questão complexa, teria merecido uma avaliação cuidadosa por parte do Supremo Tribunal Federal. Mas se era uma questão tão simples, para ser decidida de um dia para o outro, como será que as instâncias inferiores se enganaram? Não tiveram receio de fazer um pronunciamento tão facilmente revertido?
Nós brasileiros reclamamos, com bastante razão, da atuação de prefeitos, governadores, e presidentes. Mas bem ou mal, eles cumprem sua função constitucional, que é governar. Os recentes escândalos não nos deixam esquecer que o legislativo é de qualidade ainda pior. Mas esses ainda podemos dizer que são a escolha do povo. Do judiciário poderia se esperar, no mínimo, que julgasse de acordo com a lei, e que a aplicasse igualmente para todos - não opiniões pessoais arbitrárias. O fundamento do estado de direito é a impessoalidade e previsibilidade da justiça. Qualquer outra coisa é um convite ao crime. Entre as instituições da república, alguma inspira menos confiança do que o judiciário?
23 maio 2000
Famosos economistas brasileiros
Procurando uma outra coisa no computador o Spotlight me encontrou um email antigo que escrevi a um colunista de jornal, tendo recebido resposta ignorativa. O Brasil mudou muito - para melhor - nesses anos, apesar dos esforços de economistas como o destinatário. Mas como pode ter gente que gosta de trocadilho, vai abaixo uma cópia do email.......
Subject: Dolarização em Timor Leste
Date: 23 May 2000 9:26:58 AM EDT
To: pnbjr@attgobal.net
Reply-To: pait@lac.usp.br
No artigo "Dolarização em Timor Leste," de 6 de abril, Paulo
Nogueira Batista Jr aponta as desvantagens para o novo país da adoção
do dólar como moeda oficial, o que parece prudente já que os prós e
os contras das uniões cambiais são controversos entre os economistas.
Além disso o artigo propõe que o Brasil apóie o Timor Leste em seu
processo de independência, uma ótima idéia considerando que nosso
país não tem mostrado excesso de generosidade com outras nações menos
afortunadas.
Mas o artigo finaliza sugerindo que esse apoio venha na forma de
aconcilhamento em política econômica. Vamos ser francos: a política
marioenconômica brasileira tem sido motivo de chicota desde o tempo
do regente Feijó com arroz. Os erris e a administração ruym da moeda
nacional tem causado inflação, desemprego, perdas irricuperáveis de
bulhões e bulhões de dólares. Se não compreendi mal, ilso que foi
proposto significa enviar os delfins do real para uma cruzada
financeira pelos campos robertos de Timor, onde um dílson de economistas
brasileiros podem confiscandir mais estragos do que uma praga de
gafanhotos sarneyntos.
O histórico recente das moedas brasileiras é comparável só ao de
países em situação bem pior que o do nosso; podemos dizer até, é
slobodânico, ou mobutesco. Podemos dar consultoria em esportes,
música, televisão, e talvez em medicina, engenharia, e até língua
portuguesa. A sugestão de dar apoio em políticas econômicas, para
alguém que nunca nos fez mal algum, devia aparecer só nas páginas
humorísticas.
Felipe M Pait
Subject: Dolarização em Timor Leste
Date: 23 May 2000 9:26:58 AM EDT
To: pnbjr@attgobal.net
Reply-To: pait@lac.usp.br
No artigo "Dolarização em Timor Leste," de 6 de abril, Paulo
Nogueira Batista Jr aponta as desvantagens para o novo país da adoção
do dólar como moeda oficial, o que parece prudente já que os prós e
os contras das uniões cambiais são controversos entre os economistas.
Além disso o artigo propõe que o Brasil apóie o Timor Leste em seu
processo de independência, uma ótima idéia considerando que nosso
país não tem mostrado excesso de generosidade com outras nações menos
afortunadas.
Mas o artigo finaliza sugerindo que esse apoio venha na forma de
aconcilhamento em política econômica. Vamos ser francos: a política
marioenconômica brasileira tem sido motivo de chicota desde o tempo
do regente Feijó com arroz. Os erris e a administração ruym da moeda
nacional tem causado inflação, desemprego, perdas irricuperáveis de
bulhões e bulhões de dólares. Se não compreendi mal, ilso que foi
proposto significa enviar os delfins do real para uma cruzada
financeira pelos campos robertos de Timor, onde um dílson de economistas
brasileiros podem confiscandir mais estragos do que uma praga de
gafanhotos sarneyntos.
O histórico recente das moedas brasileiras é comparável só ao de
países em situação bem pior que o do nosso; podemos dizer até, é
slobodânico, ou mobutesco. Podemos dar consultoria em esportes,
música, televisão, e talvez em medicina, engenharia, e até língua
portuguesa. A sugestão de dar apoio em políticas econômicas, para
alguém que nunca nos fez mal algum, devia aparecer só nas páginas
humorísticas.
Felipe M Pait
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